Entenda como funciona a bolha do US Open 2020: as regras, as instalações, as ausências e os problemas da volta do Grand Slam

O US Open 2020 foi o primeiro Grand Slam a voltar após a paralisação do tênis por conta da pandemia do novo coronavírus. Antes, o Aberto de Cincinatti já tinha estabelecido a volta do esporte e acabou servindo como uma espécie de evento teste.

Para o espetáculo principal, a Associação de Tênis dos Estados Unidos (USTA), a organizadora do torneio, seguiu o exemplo da maioria dos grandes eventos esportivos ao redor do mundo e montou uma edição diferente e adaptada.

O conjunto de ações, medidas e ajustes ficou conhecido como “Bolha do US Open 2020”. Na teoria tudo funcionaria perfeitamente mas a competição apresentou alguns problemas e colecionou algumas polêmicas.

Ainda assim, os responsáveis pelo Major conseguiram providenciar um torneio com um alto nível de tênis nas quadras, e, veja só, algumas histórias para contar.

Como funciona a bolha do US Open 2020

Na base da bolha do US Open 2020, a determinação de uma série de medidas sanitárias, o rígido isolamento de atletas e suas comissões e, claro, a ausência de público.

A estrutura prévia do Grand Slam facilitou muito as medidas da organização. Afinal, o torneio inteiro é tradicionalmente disputado num único lugar, o Complexo Billie Jean King.

O local — nomeado em homenagem a uma das maiores tenistas de todos os tempo e a maior ativista pela igualdade no tênis — reúne uma infinidade de quadras, refeitórios, locais para treinos e até estacionamento (não que muita gente vá usar).

USTA, local onde é disputado o US Open
USTA National Tennis Center em Flushing Meadows recebe o US Open há mais de 40 anos

Alojamento na bolha do US Open 2020

Nas redondezas do Complexo Billie Jean King há também uma série de hotéis estrelados. São neles que a maioria dos competidores e comissões se hospedaram, facilitando o transporte e as medidas de isolamento.

Os cabeças de chave, porém, tiveram um outro e inusitado local para repousar entre seus compromissos. Zverev, Thiem e cia ficaram simplesmente dentro da maior arena do BJK.

O Arthur Ashe Stadium, local da quadra principal, conta com diversos camarotes. Neles, foram adaptados alojamentos, que se não contam com as melhores instalações para camas, têm uma localização invejável.

Os “quartos” são individuais e contam com vista para os grandes jogos do dia e resultam em algumas interações curiosas durante as partidas e os aquecimentos.

Houve quem não quisesse a “mordomia”. Djokovic e Serena Williams, por exemplo, alugaram casas de luxo nas redondezas do Billie Jean King.

Transporte na bolha do US Open 2020

Os outros “mortais”, incluindo os brasileiros Thiago Wild e Thiago Monteiro e até o britânico Andy Murray, tiveram que pegar um “coletivo” para a Bolha do US Open 2020.

Foram disponibilizados 60 ônibus para o transporte dos hotéis para o Complexo Billie Jean King. Os veículos operam somente com 50% da capacidade, com um passageiro por cada dupla de assentos, e todo mundo nas janelinhas.

Medidas e fiscalização na bolha do US Open 2020

Dentro da bolha, as medidas de isolamento são rígidas e a etiqueta de distanciamento social, vasta.

Praticamente todos os locais de convivência tiveram suas capacidades reduzidas, principalmente o refeitório e os vestiários. Nesses últimos, inclusive, o tempo de permanência foi controlado e coordenado a partir do calendário de partidas e do cronograma de treinos.

Nas quadras, somente os tenistas, o juiz e um número reduzido de gandulas testados e mascarados são permitidos.

A USTA distribuiu cerca de 500 mil máscaras aos presentes e os jogadores tem de usá-las após os jogos e em eventuais interações com médicos e massagistas durante as partidas. Até o tradicional comprimento na rede foi abolido, trocado por uma batida de raquetes.

Para garantir que tudo isso aconteça, a organização designou um verdadeiro exército de fiscais. Chamados de “embaixadores da distância social”, 40 inspetores monitoram as instalações e garantem o cumprimento dos protocolos sanitários dentro da bolha.

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Casos positivos e as regras do US Open 2020

Dois casos mostraram os problemas relacionados à bolha do US Open 2020 e suas respectivas regras. Antes mesmo do Major, o preparador físico dos tenistas Guido Pella e Hugo Dellien testou positivo para o COVID-19.

Ambos os jogadores tiveram de ficar em isolamento por 14 dias, perderam o início do Aberto de Cincinatti — que serve como classificação ao US Open e que iniciou a organização da bolha — e foram desclassificados do torneio.

Só que semanas depois, a poucos dias do início do Grand Slam dos Estados Unidos, o francês Benoit Paire, Top 30 do ranking da ATP também testou positivo. A investigação da USTA apontou para outros 11 tenistas que tiveram contato próximo com o atleta.

Ao invés de serem desclassificados como a dupla sul-americana, os onze, europeus, tiveram de assinar um termo de responsabilidade para seguirem no campeonato e foram submetidos a um protocolo diferenciado, com direito a testagens diárias e um isolamento ainda mais rígido. Polêmico, no mínimo.

Kristina Mladenovic durante partida de tênis
Kristina Mladenovic foi uma das beneficiadas das mudanças de protocolo (Keith Allison/ CC)

Problemas da bolha do US Open 2020

A questão do regulamento não é o único problema da bolha do US Open 2020. Ao contrário da volta da NBA, que isolou absolutamente todos os envolvidos, dos jogadores a imprensa e até funcionários da manutenção das instalações, o torneio de tênis adotou uma abordagem mais leniente.

Os funcionários da ESPN, que cobrem a competição com exclusividade, não fazem parte da bolha; os responsáveis pelos locais também não, assim como motoristas e outros trabalhadores.

A aposta da organização é na testagem e nos protocolos de isolamento após um eventual caso positivo. No entanto, como há esses buracos no regulamento, algumas coisas banais viram vulnerabilidades importantes, com as bolas compartilhadas entre tenistas e gandulas, por exemplo.

Ausências do US Open 2020

O US Open 2020 teve algumas ausências importantes, a maioria delas relacionadas ao cenário deixado pela pandemia do novo coronavírus.

A principal delas foi a do espanhol Rafael Nadal, que justificou o abandono do torneio pelas incertezas do momento e pelo possível impacto físico de mais de quatro meses parado. Além dele o grego Nick Kyrgios e a australiana Ashleigh Barty também não se juntaram à bolha.

O suíço Roger Federer também ficou de fora do Grand Slam. Sua ausência, no entanto, foi mais relacionada à recuperação de sua lesão no joelho, motivo pelo qual o tenista ficará fora das quadras durante o restante de 2020.

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*Última atualização em 2 de setembro de 2020

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