Confira tudo sobre o Prêmio Puskas: todos os vencedores, como funciona a escolha do gol mais bonito e história de Wendell Lira

Tapete vermelho, trajes de gala e muitos golaços. Assim é a cerimônia de entrega do Prêmio Puskás.

A celebração de prêmio do gol mais bonito do ano não consegue capturar a catártica emoção de presenciar um golaço, mas ao menos sabe representar toda a sua grandeza.

Até porque um gol, quando é lindo, já não pertence mais ao seu autor ou sequer ao time que o marcou. É de todos. E eternizá-lo com um prêmio é a melhor maneira de consagrar essa “posse coletiva”.

O Prêmio Puskas, então, celebra a beleza, a eternidade, a emoção e até as histórias por trás dos gols. No texto a seguir, contamos tudo sobre ele. Listamos todos os vencedores, explicamos o funcionamento e relembramos o craque que da o nome ao prêmio. É logo abaixo.

Por que o nome do prêmio é Puskás?

Desde 2009, a Fifa dá o Prêmio Puskás ao autor do gol mais bonito do ano. O nome da premiação é uma homenagem a Ferenc Puskás, ex-jogador hungáro e um dos maiores artilheiros da história do futebol.

Puskas foi um dos melhores jogadores do mundo entre os anos 1940 e 1960. Atuou por somente dois clubes: o Honved, time estatal da União Soviética que era praticamente a Seleção Húngara, e o Real Madrid.

Atuando como o que hoje consideramos um atacante moderno, Puskas marcou incríveis 512 gols em 528 partidas na carreira de clubes. Pela seleção da Hungria estabeleceu o recorde de média de gols, com 84 em 85 jogos.

Entre esses quase 600 gols, claro, muitos golaços. Aliado ao posicionamento inteligente, o húngaro tinha um chute muito potente, o que gerou umas coleção de pinturas. Ainda assim, o intuito do Prêmio Puskas é homenagear toda a carreira do craque.

puskas jogador
Puskas também foi vice-campeão da Copa do Mundo em 1954

Como funciona o Prêmio Puskás?

O Prêmio Puskas é um misto de voto popular e seleção especializada. Até 2018, um painel de lendas da FIFA, isto, grandes ex-jogadores, faziam a peneira para os finalistas. O vencedor era decidido por uma votação online que ficava aberta até o dia da cerimônia de entrega.

A partir de 2019, no entanto, a dinâmica foi invertida. Os finalistas passaram a ser escolhidos pela internet e o grupo de especialistas — que naquele ano teve, entre outros, Miroslav Klose, Ronaldo Fenômeno, Michael Owen e Yaya Toure — que agora decidem o ganhador.

Para ter um gol selecionado, o jogador ou a jogador só precisam fazer parte de times de países afiliados à FIFA e terem feito seu golaço antes de iniciadas as primeiras votações de finalistas.

Gosta de futebol? Confira mais conteúdos

Todos os vencedores do Prêmio Puskás

  • 2009: Cristiano Ronaldo (Portugal)
  • 2010: Hamit Altintop (Turquia)
  • 2011: Neymar (Brasil)
  • 2012: Miroslav Stoch (Eslováquia)
  • 2013: Zlatan Ibrahimovic (Suécia)
  • 2014: James Rodríguez (Colômbia)
  • 2015: Wendell Lira (Brasil)
  • 2016: Mohd Faiz Subri (Malásia)
  • 2017: Olivier Giroud (França)
  • 2018: Mohamed Salah (Egito)
  • 2019: Dániel Zsóri (Romênia)
  • 2020: Heung-min Son (Coreia do Sul)

2009: Cristiano Ronaldo

O primeiro vencedor do Prêmio Puskas foi um verdadeiro colecionador de golaços. Com um chute de muito, muito longe, Cristiano Ronaldo deu o gol da vitória e da classificação do Manchester United sobre o Porto nas quartas de final da Liga dos Campeões 2008/2009.

O craque português ficou com o vice do torneio mas pelo menos levou a consagração do gol mais bonito, batendo dois antológicos gols de brasileiros, de Grafite e de Nilmar.

2010: Hamit Altintop

O petardo de Hamit Altintop foi o segundo gol da Seleção Turca na vitória por 3 a 0 contra o Cazaquistão. O jogo era válido pelas Eliminatórias para a Eurocopa 2012. Os turcos, curiosamente, não conseguiram vaga para o torneio europeu.

De consolação ficou o prêmio do seu capitão, que na época era jogador do Bayern de Munique. A concorrência vencida por Altintop é quase um prêmio à parte: Neymar, Messi e Robben.

2011: Neymar

Toda a partida em que aconteceu o golaço do Prêmio Puskas de Neymar merecia um prêmio. Foi aquele eterno Flamengo 5 x 4 Santos do Brasileirão de 2011, do embate entre o hoje craque do PSG e Ronaldinho Gaúcho.

A quantidade de adversários que Neymar bate só não é maior que o número de indicações que ele teve até hoje no Prêmio. Venceu somente em 2011. Pelo menos bateu Messi e Rooney no caminho.

2012: Miroslav Stoch

O gol de Miroslav Stoch já é bonito antes mesmo de acontecer, com uma cobrança de escanteio de enorme qualidade por parte do meia Alex, aquele mesmo, ídolo de Palmeiras, Cruzeiro e Coritiba. O chute foi a cereja do bolo.

A pintura foi feita na vitória do Fenerbahçe sobre Genclerbirligi no Campeonato Turco. No Prêmio Puskas, o eslovaco desbancou um voleio de Radamel Falcao e uma enfileirada de Neymar contra o Internacional.

2013: Zlatan Ibrahimovic

Zlatan Ibrahimovic anotou não só o mais bonito gol de 2013, mas um dos mais impressionantes de todos os tempos. O movimento da bicicleta, a distância do gol, a trajetória da bola, é tudo muito diferente.

O curioso é que o sueco marcou o gol no exato mesmo dia em que foi divulgada a lista dos finalistas de 2012. Na ocasião, as Seleções da Suécia e da Inglaterra faziam um amistoso, vencido pelos nórdicos, por 4 a 2. A pintura de Ibra, assim, foi movida para a cerimônia de 2013, que teve novamente Neymar entre os indicados.

2014: James Rodríguez

O golaço da Copa do Mundo de 2014 foi também o golaço do ano de 2014. O movimento de James Rodríguez, a clássica matada no peito seguida do petardo de esquerda no ângulo, foi tudo irresistível.

O gol ajudou a Colômbia a bater o Uruguai nas oitavas de final. Nas quartas, os colombianos caíram para a Seleção Brasileira, que caminhava rumo a, bom, você sabe. Na disputa pelo Puskas, James venceu outro icônicos gols da Copa, como de Cahil e o de Van Persie.

2015: Wendell Lira

O gol que rendeu o Prêmio Puskas a Wendell Lira aconteceu na partida do Campeonato Goiano de 2015 entre Goianésia e Atlético Goianiense. O movimento que o brasileiro faz na bicicleta chamou a atenção a ponto de desbancar um antológico gol de Lionel Messi contra o Athletic Bilbao.

Mostramos a história com mais detalhes abaixo, depois dessa lista.

2016: Mohd Faiz Subri

Para os malaios, o Prêmio Puskas de 2016 foi histórico. Para os brasileiros, uma injustiça. Faiz Subri, do Penang FA cobrou uma falta com uma curva surreal na Malásia e venceu a disputa, que tinha na final o na época corintiano Marlone.

A injustiça, no entanto, foi com outro brasileiro. Sim, ele mesmo, Neymar. O craque fez um lindo gol contra o Villareal e não chegou nem entre os finalistas. Não foi só ele, no entanto. Teve muito gol de 2016 que acabou “esquecido” pela FIFA.

2017: Olivier Giroud

Por mais concorrida que fosse a disputa pelo Prêmio Puskas de 2017, seria muito difícil o ganhador não ser o atacante francês Oliver Giroud. E olha que teve um gol de bicicleta de um goleiro.

O gol que abriu o placar na vitória do Arsenal sobre o Crystal Palace, apelidado de “Chute do Escorpião”, foi resultado de belo trabalho coletivo, um contra-ataque rápido, consciente e eficiente.

2018: Mohamed Salah

A seleção dos finalistas do Prêmio Puskas de 2018 foi uma das mais estreladas. Cristiano Ronaldo, Bale, Pavard, até De Arrascaeta estava no meio. Levou a disputa outra estrela, Mohammed Salah.

O egípcio, que teve uma temporada mágica em 2018, fez um gol ao seu estilo, costurando pela ponta direita da área e concluindo de esquerda. Mais importante, marcou o gol de empate do Liverpool no clássico contra o Everton.

2019: Dániel Zsóri

No primeiro ano em que o vencedor do Puskas foi escolhido por um painel de ex-jogadores, um húngaro fez jus ao compatriota que dá o nome ao prêmio.

Para além do apelo histórico, a bicicleta de Dániel Zsóri nos acréscimos que deu a vitória ao Debrecini foi irresistível. Tanto que conseguiu bater as pinturas de Juan Quintero e Lionel Messi.

2020: Heung-min Son

 

Uma arrancada desde o campo de defesa rendeu ao sul-coreano Heung-Min o Prêmio Puskás de 2020.

O atacante do Tottenham superou a disputa com um golaço de bicicleta do uruguaio De Arrascaeta, do Flamengo, e um toque magistral de calcanhar do também uruguaio Luis Suárez, enquanto ainda era jogador do Barcelona.

A história do Prêmio Puskas de Wendell Lira

Como vimos, o Prêmio Puskas não só celebra grandes gols como acaba consagrando grandes histórias. E não há melhor história do que a de Wendell Lira. Como vimos, o brasileiro marcou o seu gol premiado pelo modesto Goianésia.

Mas você sabia que quando ele recebeu o troféu, já não atuava mais pelo clube goiano? Vivendo a difícil realidade dos clubes de fora da elite do futebol brasileiro, Wendell foi “abraçado” por perfis de redes sociais dedicados a conteúdos de futebol.

O Canal Desimpedidos criou, junto da página de humor “Não Salvo”, uma campanha — que eles garantem não ser cômica — para não só angariar votos mas para fazer o brasileiro bater Messi e levar o Prêmio Puskas de 2015. Deu certo.

Mais curioso foi o que aconteceu após a cerimônia. Wendell fechou um contrato com o Vila Nova, também de Goiás, mas encerrou a carreira menos de um ano depois. Passou a se dedicar ao seu canal do YouTube e à se tornar um pro player do game FIFA.

Foto de Wendell Lira no Prêmio Puskas 2015

Agora que você conhece todos os vencedores do Prêmio Puskás, veja também a listas de outros esportes:

*Última atualização em 17 de dezembro de 2020

Comentários

Salvar
Compartilhar
Twittar
Compartilhar
WhatsApp
Pin