Entenda os investimentos e os craques que colocaram o PSG na final da Champions League: a história, as contratações e os jogadores

O PSG na final da Champions League significa a consagração de uma série de projetos.

É, por exemplo, o maior resultado esportivo já obtido pelos investimentos estatais de países do oriente médio no futebol europeu; é também o mais próximo que Neymar esteve de concluir seu “plano” de ser o melhor do mundo; por fim, é o ponto mais alto da caminhada de um clube que sempre esteve como olho para além de suas fronteiras.

Com apenas 50 anos vida — o mais jovem finalista da era moderna da Liga dos Campeões — o time francês conseguiu se inserir entre os grandes do futebol mundial. A história do PSG pode até ser recente mas certamente não começou com Ibrahimovic e cia.

Antes dos investimentos cataris, antes mesmo da Lei Bosman, os parisienses já tinham encarado o Milan nas semifinais da UCL, lá nos anos noventa. Depois, gozaram de um certo protagonismo  na Recopa Europeia, na época um torneio de um prestígio maior do que a Liga Europa.

O fato do PSG ter basicamente um país o aportando financeiramente não pode apagar sua trajetória até a final da Champions League, um caminho que cativou torcedores ao redor do mundo.

É justamente esse trajeto que vamos contar neste texto — e como o dinheiro, no fim das contas, apenas potencializou um clube de aspirações globais. Não à toa, alguns dos campeões e dos melhores do mundo já vestiram as suas cores.

A história do PSG

O PSG surgiu em 1970 a partir da fusão de dois clubes: o Paris FC e o Stade Saint-Germain. Uma cisão mais para frente retornaria o Paris FC à sua “independência”, porém já com o PSG consolidado.

A rivalidade dos dois, ainda assim, não pegou muito. O PSG conquistou o acesso à elite logo em seu primeiro ano de existência, sucesso não muito repetido pelo Paris.

O futuro, no entanto, pode ser diferente, dada a aquisição de 20% dos dissidentes por um fundo de investimentos do Reino do Bahrein. Teremos clássico asiático na Ligue 1?

De volta ao passado, o PSG ainda era “adolescente” quando conquistou seu primeiro Campeonato Francês. Os destaques eram Luís Fernández e Safet Sušić, meias, e o atacante Dominique Rocheteau, o artilheiro da equipe.

O protagonismo europeu do PSG nos anos 90

Apesar do título nacional, o PSG só foi crescer a nível internacional nos meados da década seguinte, a partir de pesados investimentos do Canal Plus Group, um conglomerado francês de telecomunicações.

O grupo já tinha adquirido a majoritariedade das ações do clube em 1991 mas só em 1994 o clima estava perfeito para uma expansão.

Explicamos: desde o fim dos anos 80, o futebol francês vinha sendo dominado pelo Olympique de Marselha, detentor dos títulos nacionais entre 1989 e 1993 e do único título francês da Champions League, também em 1993.

A descoberta, porém, de um escândalo de manipulação de resultados em 1993 não só retirou a conquista nacional dos marselhenses naquele ano como decretou seu rebaixamento ao final da temporada de 1993/1994.

Quase junto da punição ao rival, o PSG recebeu o “OK” do Canal + para gastar. E trouxe ninguém menos que Raí, ídolo do São Paulo e futuro tetracampeão do Mundo com a Seleção Brasileira.

O objetivo era aproveitar o momento e faturar o Campeonato Francês. Deu certo. O time de Paris foi campeão justamente com o Marselha como vice.

Raí caiu como uma luva no time francês. Junto do zagueiro Ricardo Gomes, o meia Valdo e os atacantes George Weah e David Ginola, o craque formou uma base que em 1994/1995 fez barulho: títulos da Copa da França, da Copa da Liga Francesa e a disputa das semifinais da Champion League.

Na campanha europeia, o destaque foi a virada contra o Barcelona nas quartas de final, uma partida agitada e com gol decisivo de Raí. George Weah, que no ano seguinte seria eleito Melhor do Mundo (jogando pelo Milan), foi o artilheiro da competição.

PSG e a Recopa Europeia

O PSG pegou gosto pelas noites europeias. Quarto colocado na Ligue 1 mas campeão das Taças Nacionais, o time foi jogar a “Copa dos Campeões de Copas” — a Recopa Europeia, para os mais íntimos.

Formado por, como diz o nome, campeões de copas, o torneio tinha um prestígio até maior do que a Copa da UEFA, hoje chamada de Liga Europa. E em 1995/1996 teve o Saint-Germain como seu campeão.

Sem Weah mas com outro tetracampeão do mundo, o meia/lateral Leonardo, o PSG superou alguns adversários espinhosos, como o Parma de Buffon e Stoichkov e o Deportivo La Coruña de Bebeto e Mauro Silva, antes de derrotar o Rapid Viena na finalíssima.

O ritmo internacional se manteve em 1996/1997, mas a temporada terminou com mais decepções do que vitórias. Os parisienses foram vices do Francês, da Recopa Europeia (derrotados pelo Barcelona de Ronaldo) e da Supercopa da UEFA, esse inclusive com uma sapatada da Juventus de Zidane.

Raí é considerado um dos maiores ídolos do PSG (Ruediger Fessel/Bongarts/Getty Images)

Afinal, quem é o dono do PSG?

O ciclo vitorioso se encerrou com mais uma dobradinha de Taças Nacionais em 1997/1998. Aquele foi o último grande momento do PSG sob a batuta do Canal Plus. A coisa começou a ficar feia a partir da queda na Recopa 1998/1999, logo na primeira fase, para o Maccabi Haifa.

As transformações do mercado de transferências a partir da Lei Bosman tornaram maiores os custos de uma equipe competitiva a nível internacional e, antes de se endividar profundamente, o clube perdeu Raí, Leonardo e Cia.

O Saint-Germain ainda conseguiu conquistar as Copas da França de 2004 e de 2006, no que foi último ano da “gestão Plus. De bom mesmo nessa época, só a contratação de Ronaldinho Gaúcho, em 2001.

Camisa do PSG 2002

A temporada 2006/2007 foi a primeira do PSG sob nova direção, dessa vez de uma holding de investidores estadunidenses. Os americanos arrumaram a casa, estancaram as dívidas e deixaram tudo pronto para um parceiro fazer do clube uma potência internacional.

Entra em cena a Qatar Sports Investiments (QSI), um fundo de investimentos controlados pela família real do Catar, isto é, uma empresa estatal. O grupo assume 70% das ações e vira portanto dono da agremiação — o segundo país a assumir o controle de um time de futebol.

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A sequência de títulos do PSG

A grana da QSI foi tanta que, de um dia para o outro, o PSG se tornou um dos clubes mais ricos do mundo.

Só que, assim como fez o Manchester City — o outro único time controlado por um país no futebol europeu —, o Saint-Germain começou com investimentos “tímidos”.

Na primeira baciada de reforços, muitos nomes de defesa, como Lugano, Thiago Motta e Maxwell, além de meias promissores como Pastore e Matuidi. Comandando a equipe, o escolhido foi o italiano e campeoníssimo Carlo Ancelotti.

Deu ruim: o Montpellier de Giroud foi o campeão francês de 2011/20112.

Impaciente, a realeza catari subiu o tom dos investimentos e fez algumas das maiores contratações do PSG.

Então, no meio de 2012, o time francês fez a rapa na Serie A: Ibrahimovic e Thiago Silva vieram do Milan, Lavezzi foi trazido do Napoli e Veratti do Pesacara. Das Américas, David Beckham foi trazido do LA Galaxy e Lucas do São Paulo.

Resultado: título francês com 12 pontos de vantagem do Marselha, segundo colocado.

Os “italianos” de 2012, juntos de Marquinhos e Cavani — vindos de outras compras italianas em 2013 — formaram a base que conquistou o tetracampeonato francês consecutivo. E que foi quatro vezes eliminada nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Camisa 1 do PSG 2015

A avaliação dos motivos do fracasso do “Projeto Champions” mudava a cada ano. Primeiro era uma questão de adaptação, tudo certo; depois, o elenco precisava de maior profundidade.

Di María foi trazido no terceiro ano, já que aparentemente o problema era falta de talento. O técnico é que era o problema no quarto ano e Laurent Blanc foi trocado por Unai Emery, que vinha de um incrível tricampeonato da Liga Europa com Sevilla.

Aí sim, em 2016/2017 tudo mudou: o PSG não foi nem campeão francês nem chegou às quartas da Champions. O pessoal lá no Catar ficou agitado. Já sabe o que aconteceu, né?

Neymar e Mbappé, dois dos maiores jogadores do PSG

O PSG quebrou qualquer precedente na janela de transferências para a temporada 2017/2018. Pagou € 222 milhões e fez de Neymar o jogador mais caro da história do futebol, seguido de pertinho por Mbappé, trazido no mesmo período por € 180 milhões.

As contratações tiveram um quê de mesquinharia, afinal o brasileiro foi o responsável pela eliminação do PSG na Liga dos Campeões de 2017 e o francês foi o craque da Ligue 1 do mesmo no ano, conquistada pelo Monaco.

Não dá para negar, porém, os motivos desportivos: a dupla está posicionada tranquilamente entre os cinco melhores jogadores do mundo.

Camisa do PSG laranja 2019

Com eles, os parisienses levaram o tricampeonato francês com as mãos nas costas, com direito a Tríplice Coroa em 2018 e vantagem recorde na Liga em 2019. Neymar e Mbappé são tão importantes para o futebol do PSG que, quando não estão juntos, o time sofre.

Foi o caso das eliminações na Champions para o Real Madrid, em 2018, e Manchester United, em 2019, ambas nas oitavas de final, e ambas sem a presença do craque brasileiro nas partidas decisivas.

O PSG na final da Champions League

Pois bem, na Liga dos Campeões 2019/2020 a dupla esteve presente em todos os jogos de mata-mata e o PSG chegou na final. Até quando tudo parecia perdido, no caso a partida das quartas contra a Atalanta, os dois deram um jeito de vencer a partida.

Os números comprovam a importância de Ney e Mbappé para o time. Foram 25 gols marcados na competição europeia até aqui. 18 deles tiveram sua participação direta, marcando ou assistindo — 72% da produção ofensiva.

Se formos contar a temporada toda, são 82 participações em 124 gols, ou 66% do poder de ataque da equipe. No último e mais importante jogo, não teve gol nem assistência de nenhum deles. Deu no que deu…

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*Última atualização em 20 de agosto de 2020

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