Relembre a história de Pat Riley: os times, os títulos no Lakers, os recordes na NBA e o trabalho como dirigente no Miami Heat

Entre todas as razões da grandeza da NBA, sua coleção de vencedores é certamente uma das maiores. E não estamos falando apenas de vitoriosos, mas aqueles que fazem do sucesso uma filosofia. Assim, poucos foram tão importantes para a Liga quanto Pat Riley.

Um ganhador obsessivo e um motivador de primeira linha, Pat é até hoje o único vencedor do troféu Larry O’Brien como jogador, como treinador e como dirigente.

Seu cabelo engomado e seus ternos Armani viraram uma referência estética na beira de quadra, mas foram suas estratégias de gestão que o marcaram para sempre no basquete norte-americano.

Riley foi o responsável por uma das melhores e mais bem-sucedidas equipes da história, o Los Angeles Lakers de 1980, ou melhor dizendo, o Showtime Lakers. Depois, foi quem fez do Miami Heat uma franquia capaz de receber um trio de All-Stars e dominar a NBA e também fazê-la disputar o título mesmo sem nenhum deles.

Esses foram apenas alguns dos bons trabalhos de Pat Riley na NBA. Já são mais de 50 anos colecionando anéis e história na maior liga de basquete do mundo. No texto a seguir, vamos passar a limpo a carreira dessa verdadeira lenda, desse homem cuja grandeza é tão grande quanto sua obstinação para alcançá-la.

Como Pat Riley começou na NBA

Desde cedo Pat Riley parecia destinado ao sucesso esportivo. Vice-campeão da NCAA em seu primeiro ano universitário, foi draftado em 1967 tanto na NBA quanto…na NFL! Sim, ele fazia uma jornada dupla em Kentucky, a primeira dele, como veremos mais para frente.

Como sabemos, Riley acabou optando por ser ala-armador ao invés de quarterback. Jogou no San Diego Rockets até 1970, quando foi parar no Los Angeles Lakers.

Ficou mais no banco de reservas do que em quadra na Califórnia mas não deixou de ser útil. Foi importante, por exemplo, para o título da franquia em 1972.

Ainda que tenha se doado em cada minuto que esteve em quadra, foi para lá das linhas laterais onde melhor aproveitou seus cinco anos no Lakers. Acumulou experiências, aprendeu as rotinas e, em 1975, foi jogar seu último ano da carreira no Phoenix Suns.

Pat foi jogador profissional por nove anos, batendo uma média de 7,4 pontos por partida e uma eficiência acima dos 40% em todos os arremessos. Um bom reserva.

A história de Pat Riley como treindor

Se Pat Riley não teve o sucesso esperado como a escolha número 7 do draft de 1967, sua carreira no banco de reservas excedeu as próprias expectativas.

Até porque em 1976 estava em casa sem saber muito o que fazer da vida. Em 77, comandava as transmissões do Lakers. Em 80, já estava comemorando seu primeiro título da NBA como membro da comissão técnica do time da Califórnia.

Houve uma certa dose de acaso nesse processo, que foi o acidente do técnico de 1979, Jack McKinney, que fez o assistente Paul Westhead ser promovido e abrir um vácuo no banco de reservas, prontamente ocupado por um jogador que, ora, o conhecia muito bem.

Primeiro ano, primeiro título

Depois, o espaço a ser aberto foi no comando do time. O jovem Magic Johnson, que havia liderado o Lakers ao título de 1980, deu um ultimato: ou ele ou Westhead. Claro que o saco foi o treinador.

Jerry West, lenda da franquia, foi nomeado ao cargo. O antigo armador, porém, não só recusou o cargo como endossou a sua ocupação por um antigo companheiro de time, um colega campeão de 72. Isso mesmo, Pat Riley.

Sob a asa de West e a benevolência de Magic e de Kareem Abdul-Jabar, Riley tornou-se, então, técnico interino no ano de 1981. O título provisório foi rapidamente derrubado depois de uma campanha de 57 vitórias na temporada regular e, principalmente, o título de 1981/82 sobre o Philadelphia 76ers.

Pat Riley dando instruções aos jogadores do Lakers
Riley desenhou a icônica jogada “Fist Up” do Showtime Lakers (Reprodução/ES)

Pat Riley, a mente por trás do Showtime Lakers

Com Pat no comando, o time de Los Angeles começou a talvez mais importante época de sua história. De 1982 a 1988, o Lakers chegou a seis finais e levou quatro títulos. Melhor: fez isso jogando um basquete absolutamente encantador, que fez lotar estádios por todos os EUA e que elevou o valor da franquia às alturas.

Esse time e esse momento de sua história ficaram conhecidos como o Showtime Lakers.

 

Por mais que aquele Lakers contasse com o gigantesco talento de Magic Johnson e Karrem Abdul-Jabar, o papel de Pat Riley era essencial.

Pense, por exemplo, na dificuldade que era administrar um time de estrelas que recebia em seus jogos outras estrelas, as de Hollywood, e que era cobrado não somente para ganhar como para dar show.

Complicado, não? Imagina então manter esse nível de competitividade e comprometimento por sete, oito anos. Pois é, Pat conseguiu.

As estratégias de Pat Riley no Lakers

Na raíz do sucesso do treinador, dois pontos cruciais: a intensa e rígida ética de trabalho e a confiança, sendo esta tanto a que conquistava de seus jogadores como a que transmitia à eles e à toda a Liga.

Foi com total confiança (e um tanto de marra) que Riley fez um histórico discurso na comemoração do título do Lakers de 1987, o seu terceiro como técnico. De óculos escuros, com seu indefectível cabelo lambido para trás e um sorriso solto no canto da boca, Pat garantiu aos milhares de presentes na festa o bicampeonato em 1988.

Vale lembrar que o Bi era algo que não acontecia em quase vinte anos na NBA. Aconteceu.

A saída de Pat Riley do Lakers

Sem conseguir o tri em 1989 e nem a remontada em 1990, Riley deixou o Los Angeles Lakers com o prêmio de técnico do ano, com quatro títulos na bagagem e um status de estrela tão grande quanto os próprios comandados do Showtime.

A fama deu uma arrefecida nos anos em que comandou o New York Knicks, mas o prestígio seguiu em alta. Especialmente após levar a franquia a três finais de conferência e a uma final, a de 1994.

Tamanha era a moral de Riley — dono de outro prêmio de técnico do ano, em 1993 — que ele recebeu uma proposta sem precedentes: treinar e gerenciar o Miami Heat, franquia caçula da Liga.

Pat Riley posa para foto com Patrick Ewing
Riley teve uma ótima relação com Patrick Ewing, o franchise player de NY (AP)

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Trajetória de Pat Riley como dirigente

Dono de 10% das ações do Heat, Pat Riley começou em 1995 sua jornada dupla como técnico e GM (“General Manager”), o presidente de operações, da franquia.  Em outras palavras, tinha controle total  sobre o basquete de Miami.

O trabalho de Riley na construção do Heat foi excelente. Em dois anos, fez a equipe alcançar a semifinal de conferência de sua história, cuja campanha, a de 1997, lhe rendeu seu terceiro prêmio de Técnico do Ano.

Em Miami, Riley pôde aperfeiçoar e ver em execução sua filosofia, baseada em hierarquia de comando, intensas cargas de treino e a exigência do compartilhamento da sua ética de trabalho, de busca incessante pela evolução, e, claro, pela vitória.

Como resultado, foram temporadas regulares vencedoras (com maior número de vitórias) consecutivas entre 1998 e 2000. Ficou faltando, porém, a parte que mais importava: o sucesso.

Frustrado por três eliminações consecutivas para o Knicks, Riley perdeu, como ele mesmo admitiu, a mão do comando dos jogadores. Remodelou a equipe em 2001, teve mais derrotas que vitórias em 2002 e em 2003 e deixou o cargo de técnico ao fim da temporada 2002/03.

Seu último ato, porém, antes de passar o bastão ao seu assistente Jeff Van Gundy, foi a quinta escolha do Draft de 2003, Dwayne Wade.

Pat Riley e o Miami de Dwayne Wade e Shaquille O’Neal

Operando somente como dirigente, Riley foi preciso no trabalho para a melhora da equipe. Em 2004, trouxe, por alguns jogadores e um par de escolhas de draft, ninguém menos que Shaquille O’Neal.

O pivô, na época tricampeão com o Lakers, formou, junto com Dwayne Wade a base do Heat que seria campeão em 2006…com o presidente novamente no comando técnico.

Fazendo uma espécie de repeteco de 1981/1982, o então dirigente assumiu o cargo após 21 jogos da temporada regular. Van Gundy pediu as contas, ou pelo menos é o que disse ao público, pedindo maior tempo com a família justo quando o time tinha se acertado.

Com a dupla Wade/O’Neal, Riley levou o time de Miami a sua primeira final e ao seu primeiro título da NBA.

Ao invés de o início de uma dinastia, o título de 2005/2006 foi um requiém. Seguindo uma temporada de varrida na primeira fase dos playoffs e outra de 67(!) derrotas, Riley deixou novamente o cargo de treinador, dessa vez pra valer.

Pat Riley com Dwayne Wade durante jogo do Miami Heat
Wade foi escolhido por Riley no mesmo draft de LeBron James(Doug Pensinger / Getty Images)

Pat Riley e o Big Three

Como falamos, Pat Riley é um vencedor obsessivo e dono de uma enorme moral na NBA. Em 2010, combinou os dois atributos e aprontou algo que, na qualidade de dirigente, está entre as maiores “manobras” da história da profissão.

Apenas dois anos depois de protagonizar a pior temporada da história da franquia, Riley foi capaz de trazer ninguém menos que LeBron James. Ao lado de Dwayne Wade e Chris Bosch — outra contratação de 2010 —, o Rei formou o icônico Big Three, que chegou em quatro finais consecutivas e deu dois títulos ao Miami Heat.

Riley foi importantíssimo não só na montagem do elenco estrelado mas também na “manutenção” dele. Atuante nos treinos e vestiários, o dirigente foi a retaguarda do jovem técnico Erik Spoelstra e o principal responsável por “converter” LeBron para a intensa ética de trabalho da equipe, a tal da Heat Culture.

Pat Riley e LeBron James comemoram título do Miami Heat
LeBron diz que evoluiu muito devido ao trabalho do Heat (Reprodução)

Pat Riley Jimmy Butler e a nova geração do Heat

Talvez devêssemos adicionar resiliência no rol de qualidades de Pat Riley. Para quem duvidar, é só mostrar a temporada de 2019/2020 do Miami Heat. Na verdade, dá para apresentar todos os anos pós 2014, isto é, quando LeBron voltou para o Cleveland Cavaliers e deu início ao fim do Big Three.

É que o presidente se recusou a fazer uma reconstrução, isto é, se livrar de salários altos, priorizar escolhas de draft e mirar a construção de uma equipe em duas ou mais temporadas.

Riley seguiu buscando a vaga na pós-temporada, sempre com sua convicção em Erik Spoelstra e na Heat Culture, assim como os jogadores que nela se encaixam, mesmo que significasse um menor número de estrelas.

Batendo a trave em 2018 e em 2019, o Heat em 2020 não só voltou aos playoffs como conseguiu uma estrela.

Jimmy Butler, um dos mais trabalhadores All-Stars da NBA, liderou um grupo de jovens — dos estrelados Bam Adebayo e Tyler Herro aos “rejeitados” Duncan Robinson e Kendrick Nunn — às finais da temporada 2019/2020.

O adversário não poderia ser mais simbólico: o Los Angeles Lakers de LeBron James.

Times que Pat Riley treinou

  • Los Angeles Lakers (1981-1990)
  • New York Knicks (1991-1995)
  • Miami Heat (1995-2003, 2005-2008)

Curiosidades sobre Pat Riley

  • Pat Riley foi o mestre de cerimônias da curiosa aposentadoria da camisa nº 23 no Heat, em homenagem a Michael Jordan.
  • Outra aposentadoria de camisa envolvendo Riley foi a nº 42 que usou na universidade de Kentucky.
  • Riley foi o único técnico a vencer três prêmios de Treinador do Ano da NBA por três times diferentes.
  • Pat é o terceiro treinador com o maior número de títulos da NBA, empatado com John Kundla, que comandou o Minneapolis Lakers nos anos 1950.

Títulos de Pat Riley na NBA

Como jogador

  • Los Angeles Lakers (1972)

Como treinador

  • Los Angeles Lakers (1982, 1985, 1987, 1988)
  • Miami Heat (2006)

Como dirigente

  • Miami Heat (2012, 2013)

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*Última atualização em 4 de outubro de 2020

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