Conheça a origem do Karatê e saiba como a arte marcial se desenvolveu até se tornar um esporte. Veja também as técnicas e faixas

Você sabe o que significa “karatê”? É o mesmo que “mãos vazias” — “kara” corresponde a vazio, enquanto “tê” significa mão. 

O nome dado à arte marcial japonesa não é à toa. Sua história está diretamente relacionada à impossibilidade de usar outros recursos que não o próprio corpo durante um combate.

Fique com a gente para conhecer mais detalhes da história do karatê, entender como essa arte marcial surgiu e de que forma ela é praticada.

História do Karatê

A história do karatê começou no século 18, na ilha de Okinawa, no Japão. Naquela região, o uso de armas havia sido proibido. Para responder a possíveis saques e assaltos, as pessoas passaram a buscar técnicas de autodefesa em que usavam somente o próprio corpo.

A impossibilidade de usar armas foi o principal motivo para que essa arte marcial recebesse o nome de karatê, que significa “mãos vazias”.

Ao longo da história do karatê, diferentes mestres desenvolveram suas próprias técnicas de autodefesa. Assim, há inúmeros estilos da arte japonesa.

Entre os principais estilos de karatê, estão Shotokan, Goju-Ryu, Shito-Ryu e Wado-Ryu.

Ainda que haja diferentes técnicas, o karatê busca, essencialmente, a disciplina do corpo e da mente, com o aperfeiçoamento do caráter dos seus praticantes.

No início do século 20, o karatê passou a ser uma arte marcial mais difundida. Por volta de 1920, houve o incentivo para que ela fosse lecionada em universidades japonesas, o que ajudou na sua popularização.

O karatê chegou ao Brasil, efetivamente, em 1956, quando o sensei Mitsuke Harada (Shotokan) instalou o primeiro dojô em São Paulo.

Desde então, a arte marcial se desenvolveu rapidamente no país. Atualmente, há mais de 250 mil praticantes de karatê registrados no Brasil.

Desenvolvimento do karatê como esporte 

Tradicionalmente, o karatê não é uma arte marcial de combate. Seu desenvolvimento foi baseado no aprimoramento de técnicas de autodefesa. No entanto, no fim do século 20, passou a ser mais difundido o seu caráter competitivo.

Há duas modalidades principais de karatê, chamadas kata e kumite. Elas são divididas da seguinte forma:

  • Kata: nesta modalidade, não há contato físico. Cinco juízes atribuem pontos ao carateca de acordo com o seu desempenho, com base na execução correta e na velocidade dos movimentos. Há também as apresentações em trios, em que deve ser observada a sincronia entre os membros da equipe. A competição nesta modalidade lembra o que acontece na ginástica artística.
  • Kumitê: essa modalidade coloca dois caratecas em combate. As lutas duram de dois a cinco minutos. Os pontos são atribuídos aos golpes desferidos variando, inclusive, o valor da pontuação dependendo da área do corpo do adversário que foi atingida.

Os combates de kumitê levaram à criação de regras para que os golpes de karatê não causem ferimentos graves entre seus praticantes.

A criação de regras e o desenvolvimento do karatê como esporte levaram à sua inclusão no programa dos Jogos Olímpicos. Saiba mais detalhes logo abaixo!

Entrada do karatê nas Olimpíadas

Karatê nas Olimpíadas
Karatê fará sua estreia nas Olimpíadas nos Jogos de Tóquio, em 2020

Em 1999, o Comitê Olímpico Internacional (COI) reconheceu a Federação Internacional de Karatê como entidade responsável por gerir o esporte em todo o mundo. Esse foi um importante passo para o que karatê pudesse, enfim, ser disputado nos Jogos Olímpicos.

A estreia do karatê no programa olímpico acontece em 2020, na Olimpíada de Tóquio. O Japão indicou a intenção de incluir o esporte nos jogos, que foi aceita pelo COI.

Em Tóquio, a disputa do karatê será dividida entre kumitê (luta tradicional) e kata, em que os atletas simulam um combate sem contato físico. 

No kumitê, as lutas das mulheres têm duração de dois minutos, enquanto a dos homens, três minutos. A modalidade terá 6 categorias nos Jogos de Tóquio, sendo três masculinas (até 67 kg, até 75 kg e acima de 75kg) e outras três femininas (até 55 kg, até 61 kg e acima de 61 kg).

Já no kata, os atletas se apresentam individualmente para os juízes, fazendo as performances para receber notas. Haverá apenas duas categorias na Olimpíada de Tóquio, uma masculina e outra feminina.

Como há dois bronzes por divisão de peso, o karatê dos Jogos Olímpicos de Tóquio distribui um total de 32 medalhas.

Karatê fora dos Jogos Olímpicos de Paris 2024

Por enquanto, a participação deve ser a única participação do karatê nas Olimpíadas. Nos Jogos de Paris, em 2024, a arte marcial não deverá estar no programa olímpico.

No início de 2019, o Comitê Local dos Jogos de Paris não incluiu o karatê entre os quatro esportes adicionais (skate, surf e escalada esportiva foram mantidos). Assim, a “arte das mãos vazias” deve esperar mais tempo para sua segunda participação nas Olimpíadas.

Regras do Karatê

Como já dissemos por aqui, na disputa do karatê como prática esportiva, há duas modalidades: kata e kumitê. Agora, fique por dentro de quais são as regras!

Regras do Karatê na modalidade Kumitê

Karatê Kumitê
Karatê Kumitê é aquele em que efetivamente ocorre uma luta

O kumitê é a modalidade do karatê que coloca dois atletas em combate. 

Objetivo do karatê

O objetivo é somar mais pontos que o adversário. A luta só é encerrada antes do fim do tempo regulamentar caso um atleta abra oito pontos de vantagem.

Tatame do karatê

Os combates do kumitê acontecem em um tatame quadrangular, em que cada lado tem 8 metros de largura.

Duração da luta no karatê

A luta do karatê tem um round com duração de 3 minutos nos combates masculinos. Já as lutas femininas e juvenis têm um round de 2 minutos.

Como funcionam as lutas no karatê

Inicialmente, os atletas devem fazer a saudação entre eles, além de saudar o árbitro.

A luta é iniciada pelo comando do árbitro, quando ele fala “hajime”.

A marcação de pontos deve ser feita com golpes limpos, potentes e de qualidade técnica.

Assim como no judô, as pontuações são divididas entre yuko, waza-ari e ippon:

  • Yuko: 1 ponto. Corresponde a um soco na área do abdômen, do peito, do rosto ou costas.
  • Waza-ari: 2 pontos. Equivale a um chute nas áreas das costas, do abdômen ou do peito, ou chute nas laterais do tronco.
  • Ippon: 3 pontos. Ao contrário do judô, não encerra a luta. Corresponde a um chute na cabeça ou nas laterais do pescoço ou uma queda seguida de um ataque tecnicamente correto. É importante ressaltar que a pontuação pelo soco no rosto é dada pela técnica, e não pela força. Não é permitido machucar o adversário.

Caso um atleta abra oito pontos de vantagem, a luta será encerrada antes de o tempo ser esgotado.

Depois de uma técnica ser aplicada, o árbitro central deve paralisar a luta e o cronômetro. Logo em seguida, deve observar a reação dos quatro juízes posicionados nos cantos do tatame, com bandeiras vermelhas e azuis.

Se dois ou mais juízes concordarem, será assinalada a pontuação para o carateca.

Se um competidor pontua com mais de uma técnica consecutiva antes de o árbitro paralisar a luta, será considerada a técnica válida de maior valor, independentemente da sequência das técnicas. 

Por exemplo, se um chute é dado após um golpe de punho, será pontuado o chute, já que este vale mais.

Penalidades e punições no karatê

De acordo com as regras de lutas do karatê, é proibido:

  • Técnicas que façam contato excessivo, tendo em vista a área pontuável atacada, e técnicas que façam contato com a garganta;
  • Ataques aos braços ou pernas, virilhas, articulações ou peito do pé; 
  • Ataques à face com técnicas de mão aberta; 
  • Técnicas de projeção perigosas ou proibidas;
  • Sair da área de competição quando a saída não for causada pelo oponente; 
  • Colocar-se em perigo por comportamento indulgente, no qual se expõe a ser lesionado pelo oponente, ou falha nas medidas adequadas para auto-proteção;
  • Evitar o combate, como forma de impedir que o oponente tenha a oportunidade de pontuar;
  • Não tentar entrar em combate – passividade. (Não pode ser dado nos últimos 15 segundos da luta);
  • Clinchar, agarrar, empurrar ou ficar peito a peito sem tentar uma técnica válida ou queda;
  • Agarrar o oponente com ambas as mãos por qualquer razão que não seja uma queda, agarrando a perna do oponente durante um chute;
  • Agarrar o braço ou karate-gi com uma mão sem imediatamente tentar pontuar com uma técnica válida ou queda;
  • Executar técnicas, que, por sua natureza, não possam ser controladas quanto à segurança do oponente; bem como realizar ataques perigosos e descontrolados;
  • Simular ataques com a cabeça, joelhos ou cotovelos;
  • Falar ou provocar o oponente, não obedecer às ordens do árbitro, e ainda usar de comportamento descortês com os oficiais ou incorrer em outras faltas de etiqueta.

Há três níveis de advertências (chukoku, keikoku e hansoku chui), que servem para que o competidor saiba que violou as regras da competição, mas sem a imposição imediata de uma penalidade.

Há dois tipos de penalidades (hansoku e shikkaku). Ambos causam ao competidor que violar as regras a desclassificação do combate (hansoku) do combate e de todo o torneio (shikkaku).

Regras do Karatê na modalidade Kata

Karatê Kata
Competições de Kata podem ser disputadas por equipes com três atletas

A competição de Kata pode ser tanto individual quanto por equipes, formadas por três atletas.

Não há competições mistas. Ou seja, cada equipe é exclusivamente masculina ou feminina. 

Como funciona o Kata

Ao avaliar o desempenho de um competidor ou equipe, os juízes avaliarão tanto a performance técnica quanto a performance atlética. 

Nas apresentações, os karatecas precisam mostrar técnica, velocidade nos movimentos e controle dos golpes. Em competições por equipes, a sincronia entre os competidores também é avaliada.

Sistema de pontuação 

Na pontuação do kata, são eliminadas as duas notas mais altas e as duas mais baixas, respectivamente para desempenho técnico e desempenho atlético, e, em seguida, é calculada a pontuação total. 

Há peso de 70% para o desempenho técnico e 30% para o desempenho atlético.

O desempenho técnico e o desempenho atlético recebem pontuações separadas usando a mesma escala de 5 a 10. 

A nota 5 representa a pontuação mais baixa possível para um Kata permitido, enquanto 10 representa um desempenho perfeito. 

A performance é avaliada desde a saudação, no início do Kata, até a saudação final.

Há perda de pontos caso um atleta: 

  • Perca o equilíbrio; 
  • Realize um movimento de forma incorreta;
  • Faça um movimento não sincronizado;
  • Deixe a faixa frouxa;
  • Provoque perda de tempo, como com uma saudação uma pausa muito prolongada antes de iniciar a apresentação.

Desclassificação no Kata

Um competidor ou uma equipe podem ser desclassificados por qualquer uma das razões a seguir: 

  • Realizar um Kata errado ou anunciar um Kata errado; 
  • Fazer uma pausa muito perceptível ou parar a performance; 
  • Não saudar no início ou no final da performance do Kata; 
  • Interferir na função dos juízes (tal como o juiz ter que se mover por questão de segurança, ou fazer contato físico com um juiz); 
  • Deixar a faixa cair durante a performance; 
  • Exceder o limite do tempo total de cinco minutos; 
  • Afrouxamento da faixa ao ponto de ficar solta do quadril; 
  • Não seguir as instruções do juiz chefe ou outra má conduta.

Técnicas e golpes do Karatê

Golpes de Karatê

As técnicas do karatê são baseadas em ataque ou defesa usando diferentes partes do corpo: pés, punhos, cotovelos, joelhos.

Confira abaixo os golpes do karatê e seus significados!

Ataque com as mãos (te-waza)

  • Seiken Tiudan Zuki: Soco no Estômago
  • Seiken Jôdan Zuki: Soco no Rosto
  • Seiken Guedan Zuki: Soco Baixo
  • Seiken Ago Uti: Soco no Queixo
  • Seiken Mawashi Uti: Soco Contorno
  • Uraken Shômen Uti: Soco invertido Frontal
  • Uraken Shita Uti: Soco invertido no Estômago
  • Hiji Uti: Cotovelada no Rosto
  • Hiji Uti – Oroshi: Cotovelada para Frente
  • Hiji Otoshi – Uti: Cotovelada de Cima para Baixo
  • Shuto Sakotsu – Uti: Cotovelada na Clavícula
  • Shuto Yoku Uti: Cotovelada na Frente
  • Shuto Uti – Uti: Gancho no Pescoço
  • Shotei Uti – Komi: Ataque Palma da Mão

Defesa com as mãos (uke – waza)

  • Jodan Uke: Defesa Superior para Soco
  • Tiudan Soto Uke: Defesa de Fora para Dentro
  • Tiudan Uti Uke: Defesa de Dentro para Fora
  • Guedan Barai: Defesa Inferior
  • Tiudan Uti Uke Guedan Barai: Defesa Dupla (cima e baixo)

Ataque com os Pés (Ashi – Waza)

  • Mae Keague: Chute Elevado Perna Dura
  • Uti Mawashi: Chute de Dentro para Fora
  • Soto Mawashi: Chute de Fora para Dentro
  • Kin Gueri: Chute Baixo (Ponto Vital)
  • Hiza Gueri: Joelhada Frontal
  • Mae Gueri: Chute Frontal
  • Yoko Gueri: Chute Lateral
  • Kansetsu Gueri: Chute Lateral Baixo
  • Tiudan Mawashi Gueri: Chute Contorno Parte Mediana
  • Jodan Mawashi Gueri: Chute Contorno Parte Superior
  • Ushiro Gueri: Chute para Trás
  • Tobi Mae Gueri: Chute Frontal Voador
  • Tobi Yoko – Gueri: Chute Voador
  • Tobi Mawashi Gueri: Chute Contorno Voador
  • Tobi Hiza Gueri: Chute Joelhada Voadora
  • Tobi Soto Mawashi: Chute de Fora para Dentro Voador
  • Tobi Uti Mawashi: Chute de Dentro para Fora Voador
  • Ushiro Mawashi: Chute Giratório para Trás
  • Kaiten – Soto Mawashi: Chute Giratório de Fora para Dentro
  • Kaiten Uti Mawashi: Chute Giratório para Fora

Equipamentos do Karatê

Kimono de Karatê, o Karategi
O “kimono” de Karatê, o Karategi, deve ser branco e sem listras

Para as lutas de karatê, cada atleta deve usar o kimono, que recebe o nome de karate-gi. Ele deve ser branco sem listras, faixas ou bordados pessoais. Além dele, são obrigatórios alguns equipamentos de proteção.

De acordo com as regras do karatê, cada karateca tem de usar:

  • Luvas aprovadas pela Federação Internacional de Karatê (um competidor usando vermelho e o outro usando azul); 
  • Protetor bucal; 
  • Protetor corporal;
  • Protetor de seios para atletas do sexo feminino; 
  • Protetor de canela;
  • Protetor de pé aprovado.

No karatê, o protetor genital não é obrigatório. Além disso, o uso de ataduras, bandagens ou suportes devido a lesões devem ser aprovados pelo árbitro, após o médico oficial ser ouvido.

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Faixas do karatê

  • Faixa Branca (Shiro Obi) – Sem graduação (Mu Kyu)
  • Faixa Amarela (Kiiro Obi) – 6º Kyu (Rokku Kyu)
  • Faixa Vermelha (Aka Obi) – 5º Kyu (Go Kyu)
  • Faixa Laranja (Daidaiiro obi) – 4º Kyu (Yon Kyu)
  • Faixa Verde (Midori Obi) – 3º Kyu (Sankyu)
  • Faixa Roxa ou Violeta (Murasaki Obi) – 2º Kyu (Nikyu)
  • Faixa Marrom (Chairo Obi) – 1º Kyu (Ichi Kyu)
  • Faixa Preta (Kuro Obi) – 1º Dan (Sho Dan)

As faixas no karatê sinalizam diferentes níveis de desenvolvimento de um atleta na arte marcial. Os iniciantes utilizam a cor branca, que indica ingenuidade. Já a faixa para o nível mais avançada é a preta, cor que corresponde à união de todas as outras.

Para chegar até a faixa preta, um karateca precisa de muito treinamento e dedicação às técnicas da “arte das mãos vazias”.

Você pode até não ter a técnica suficiente para almejar ser faixa preta, mas agora já sabe tudo sobre karatê. Aproveite para conhecer mais detalhes de outras artes marciais:

*Última atualização em 17 de janeiro de 2020

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