À medida que os Jogos Olímpicos de Paris se aproximam, as seleções do Brasil de vôlei, tanto masculina quanto feminina, intensificam sua preparação, demonstrando força e potencial em competições internacionais.

O início da Liga das Nações 2024 tem sido especialmente promissor para o Brasil, com a seleção feminina, do técnico José Roberto Guimarães, apresentando um desempenho impecável e a masculina preparando-se para a estreia sob o comando do lendário técnico Bernardinho.

Estes resultados e movimentações são fundamentais para as aspirações olímpicas de ambas as equipes, alimentando a esperança de mais conquistas no cenário esportivo global.

Seleção Brasileira feminina tem 100% de aproveitamento na 1ª semana da Liga das Nações

A Seleção Brasileira feminina de vôlei, sob o comando de Zé Roberto, começou a Liga das Nações 2024 com grandes expectativas e o alto potencial de ser campeão.

Esta competição é uma oportunidade para o Brasil mostrar sua força antes dos Jogos Olímpicos de Paris.

No Maracanãzinho, a seleção brasileira teve um início promissor, vencendo seus quatro primeiros jogos pela primeira vez na história do torneio.

Entre 14 e 19 de maio, no Rio de Janeiro, o Brasil derrotou Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos e Sérvia, empatando na liderança com a Polônia, ambas com 100% de aproveitamento.

Segundo o jornalista Gabriel Morais, do QG do Vôlei, um dos pontos fortes no trabalho de Zé Roberto como técnico da seleção brasileira feminina de vôlei é a continuidade.

Já faz mais de 20 anos que José Roberto e sua comissão técnica trabalham com a seleção feminina, ele conhece como ninguém as jogadoras. A primeira semana da Liga das Nações comprovou isso, as meninas jogaram muito bem e estão bem preparadas”, disse Gabriel.

Desde a criação da Liga das Nações em 2018, o Brasil nunca havia vencido os quatro primeiros jogos, tornando essa sequência de vitórias em 2024 especialmente comemorada.

A primeira vitória foi contra o Canadá, com Ana Cristina se destacando ao marcar 21 pontos. Em seguida, o Brasil venceu a Coreia do Sul por 3 sets a 0, com Ana Cristina novamente liderando o time com 18 pontos.

Para o jornalista Alexandre Oliveira, do podcast Ataque Defesa, Ana Cristina foi um dos pontos positivos na Seleção Brasileira:

A Ana Cristina que dá um outro volume para o time, mesmo não atacando e rodando tanta bola no final de set, como foi contra os Estados Unidos, por exemplo. Mas, no início de jogo, ela roda muito, dá uma consistência, defende bem, participa da defesa e saca muito bem. Acho que é um ponto positivo na seleção.

O jogo mais esperado foi contra os Estados Unidos, onde Gabi liderou a equipe com 24 pontos, garantindo uma vitória por 3 sets a 0 e encerrando um jejum de quase cinco anos sem vencer as americanas.

Para finalizar no Rio de Janeiro, o Brasil venceu a Sérvia por 3 sets a 0, com Gabi brilhando novamente. Rosamaria também se destacou, marcando 12 pontos, na sua melhor atuação até agora na Liga das Nações.

Com isso, Daniel Bortoletto, da página Web Vôlei, afirmou que foi um bom aperitivo para o que vem pela frente no restante do ano.

O Brasil conquistou quatro vitórias, jogou bem, encerrou um jejum contra os Estados Unidos, o Brasil enfrentou alguns bons adversários, que foram bons testes para uma primeira semana de competição na temporada.

Por outro lado, Alexandre Oliveira demonstra otimismo, mas alerta para o fato de ser apenas o início da temporada:

Tem que tomar todo o cuidado do mundo. Achar assim, ‘nossa, o time está jogando, voando’. É muito cedo ainda para cravar. Evidentemente, ganhar é sempre muito importante, aumenta a confiança no trabalho. Você vê que tem um rumo, que está sendo bem feito, mas, conhecendo o Zé, com certeza ele tem os pés bem no chão.

Em relação a Zé Roberto, o ex-atleta de vôlei Paulão, campeão olímpico com a Seleção Brasileira em Barcelona, em 1992, afirmou que o treinador é uma referência para a equipe feminina.

Sempre fazendo um trabalho de renovação, sempre preocupado com o voleibol em primeiro plano, e depois com o trabalho de equipe, que é fundamental, dentro e fora da quadra. Ele realmente é uma referência no feminino.

Lesão de Julia Kudiess e ausência de Thaisa nos primeiros jogos

A vitória sobre a Sérvia teve um ponto negativo, a lesão de Julia Kudiess, que vai deixá-la não só de fora das próximas partidas na Liga das Nações, como também das Olimpíadas de Paris.

Após sentir o joelho durante a partida, a atleta, de 21 anos, realizou exames e foi constada uma lesão ligamentar do joelho e microfratura do platô tibial.

Para Daniel Bortoletto, a primeira semana da Seleção Brasileira só não foi perfeita por conta desta lesão da atleta, que defende o Minas na Superliga Feminina.

A lesão da Julia (Kudiess) realmente foi um balde de água fria, vamos dizer assim, por conta do quanto ela vinha jogando bem, foi titular durante toda semana, uma jogadora que vinha de boa Superliga, que disputava a vaga em Paris. E aquele desfecho, logo no início do jogo, não tirou o brilho, mas deixou o ambiente um pouco mais pesado.

Nesta primeira semana, a Seleção Brasileira não pôde contar com Thaisa, que ainda lida com dores no joelho esquerdo e não participou de todos os treinos com a equipe.

Além disso, o técnico Zé Roberto preferiu não estabelecer um prazo para a estreia da central na competição. Alexandre Oliveira analisou como a atleta pode influenciar em quadra.

Acho que, com a Thaisa, o time pode perder um pouquinho de defesa quando ela está na quadra, mas ganha muito em liderança, em posição, e no respeito dos adversários, o que é muito importante.

Seleção Brasileira masculina terá o retorno do técnico Bernardinho

Dado o excelente desempenho da seleção feminina no início da Liga das Nações 2024, as expectativas para a estreia do time masculino são elevadas. A primeira partida ocorrerá nesta terça-feira (21), contra Cuba.

Sob o comando do experiente técnico Bernardinho, que reassumiu a posição após a saída de Renan Dal Zotto, a equipe busca manter o alto padrão de performance. Para Gabriel Morais, Bernardinho tem um desafio neste retorno, mas confia no treinador.

Bernardo tem uma tarefa dificílima: realizar o trabalho de um ciclo no ano olímpico. Conhecendo o histórico do treinador, tenho certeza que ele sabe da responsabilidade que carrega e realizará um ótimo trabalho durante a Liga das Nações e no torneio olímpico

Entre os convocados, já se sabe que três jogadores não serão relacionados para este primeiro confronto: o oposto Felipe Roque, o líbero Maique e o levantador Matheus Brasília.

Com isso, é provável que Honorato seja o segundo líbero, como explicou Alexandre Oliveira.

Uma das decisões é colocar o Honorato como segundo líbero, porque o Maique está machucado e não está inscrito nessa primeira fase. É muito mais como segurança, e ter alguém como segundo líbero. Não sei se ele vai fazer aquele esquema de usar muito o Honorato nessa função, mas, em todo caso, é o início de um trabalho.

Por outro lado, a delegação brasileira conta com a presença de veteranos de renome, como Bruninho, que está a caminho de disputar sua quinta edição dos Jogos Olímpicos.

Além dele, Lucarelli, um nome de peso na seleção e parte da equipe que conquistou o ouro no Rio 2016, também integra o elenco.

Considerando os resultados recentes da equipe masculina, há uma forte esperança de bons desempenhos. No último compromisso oficial, o Brasil conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2023.

Anteriormente, durante o Pré-Olímpico, a seleção derrotou adversários como Cuba, por 3 sets a 1. A única derrota na competição, e a mais recente em jogos oficiais, foi para a Alemanha, por 3 sets a 1, em outubro do ano passado.

Como será a reestreia do técnico Bernardinho no comando da Seleção Brasileira masculina, Alexandre Oliveira frisa que é difícil fazer uma avaliação sem ver o time jogar, o que ele tem de novo, como vai ser o comportamento da equipe.

Sobre o Bernardo, é muito mais confiança no que ele pode fazer do que realmente já está fazendo. Mas eu confio muito no trabalho dele.

Caminho do Brasil até o ouro olímpico

Após a Liga das Nações, a Seleção Brasileira, tanto no feminino, quanto no masculino, foca suas atenções em busca de mais uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.

Para Gilmar Teixeira, ex-jogador de vôlei, conhecido como Kid, as duas equipes possuem ótimos comandantes.

Estes dois profissionais são inquestionáveis, pelos profissionais que são e pelos seus feitos dentro do esporte. Tenho certeza que estão no caminho certo e trarão medalhas para o Brasil na Olimpíada da França.

No entanto, o ex-atleta não confia totalmente em um ouro olímpico, mas num pódio, sim. Gabriel Morais compartilha de sua opinião, pelo menos no masculino.

Para o jornalista, no masculino, a Polônia é a grande favorita. Enquanto o feminino tem mais chances de conquistar o topo, segundo ele. Mas a própria Polônia também vem forte entre as mulheres.

Já no naipe feminino, vejo um equilibro bem maior. Brasil, Estados Unidos, Itália e China podem facilmente conquistar o ouro olímpico. Porém, vejo Turquia, Polônia e República Dominicana tendo ótimas chances de conquistar um pódio.

Para Paulão, Zé Roberto, no comando da equipe feminina, e Bernardinho, à frente da masculina, são dois ícones mundiais, referências nacionais. Além de estarem num patamar superior pelos detalhes, pelas preocupações, por tudo que apresentam.

Por outro lado, o campeão olímpico também falou sobre as dificuldades que a Seleção Brasileira deve enfrentar. Segundo ele, o nível técnico mundial está muito alto, tanto no masculino quanto no feminino. E lembrou a conquista do ouro em 1992.

Quanto ao caminho do ouro, a Olimpíada é muito difícil. A gente pode surpreender pela referência que o voleibol nacional brasileiro é, mas é um caminho árduo. Posso pegar como referência Barcelona, quando não éramos cotados para chegar entre os três e ganhamos.

Por fim, revelou o que pode ser decisivo para o ouro:

Hoje, o voleibol é super referência no mundo inteiro. Chegamos como favoritos para brigar, para ser medalhistas. O ouro vai ser consequência, um pinguinho de sorte, o detalhe. Estamos no caminho, mas é muito difícil. Podemos esperar o melhor desempenho do nosso voleibol, como sempre, por ter esses dois técnicos à frente.