Com 2,03 m de altura, segundo a Olympedia, Gustavo Borges era frequentemente confundido com jogador de basquete, conforme o Hall da Fama Internacional da Natação. Nascido em Ribeirão Preto e criado em Ituverava, no interior paulista, ele chegou a jogar basquete e vôlei antes de escolher a piscina, de acordo com a Universidade de Michigan. A escolha rendeu quatro medalhas olímpicas e um lugar entre os maiores nadadores que o Brasil já teve.
De Ituverava para a Flórida
A primeira medalha de Gustavo veio em 1981, defendendo a escola, segundo o site oficial do atleta. Aos 17 anos, em 1990, ele deixou o Brasil para estudar no Bolles School, em Jacksonville, na Flórida, sob o comando do técnico Greg Troy, e aprendeu inglês por lá, de acordo com o Hall da Fama Internacional da Natação. No ano seguinte, foi para a Universidade de Michigan, treinar com Jon Urbanchek.
O resultado apareceu rápido. Em 1991, menos de um ano depois de chegar aos Estados Unidos, ele ganhou o ouro nos 100 m livre dos Jogos Pan-Americanos de Havana, segundo o Hall da Fama. Em Michigan, acumulou dez títulos individuais e de revezamento na NCAA e fez parte da equipe campeã nacional de 1995, de acordo com o Hall da Fama e com a universidade.
Quem treinou Gustavo em Michigan, Jon Urbanchek, lembra que ele venceu os 100 jardas livre da NCAA quatro anos seguidos, segundo a universidade. O nadador, por sua vez, atribui ao técnico grande parte da evolução e diz que Urbanchek foi o principal motivo para escolher Ann Arbor. Michigan o colocou no seu Hall of Honor.
Barcelona 1992: a prata que ninguém esperava
Em Barcelona, aos 19 anos, Gustavo nadou os 100 m livre e terminou em segundo, atrás do russo Alexander Popov, conforme o Hall da Fama. A Olympedia define o resultado como surpresa. O próprio nadador, em entrevista à Universidade de Michigan, lembrou que a divulgação do resultado demorou cerca de 40 minutos e contou que foi um momento inacreditável descobrir que era o segundo colocado. Ainda hoje ele cita essa medalha como a favorita da carreira.
Atlanta 1996: duas medalhas em Atlanta
Em Atlanta, Gustavo foi prata nos 200 m livre, atrás do neozelandês Danyon Loader, e bronze nos 100 m livre, de acordo com a Olympedia e o Hall da Fama. Nos 100 m, o pódio ficou apertado: Popov, o americano Gary Hall Jr. e o brasileiro terminaram com menos de três décimos de diferença entre eles.
O jornalista Marcelo Laguna lembra que a prata nos 200 m foi a primeira medalha do Brasil naqueles Jogos, e que serviu de largada para uma campanha que ele classifica como histórica. O Comitê Olímpico do Brasil registra 15 medalhas para o país em Atlanta, com 3 de ouro, 3 de prata e 9 de bronze. Minha opinião: quem lembra só do vôlei de praia daquela campanha esquece que foi a piscina que abriu os trabalhos.
Sydney 2000 e o fim da linha
Em Sydney, nos 100 m livre ele ficou em 16º, mas o Brasil levou o bronze no revezamento 4×100 m livre, com Gustavo na equipe, conforme a Olympedia. Foi a quarta medalha olímpica dele, o que o tornou o primeiro nadador brasileiro com mais de uma medalha olímpica, segundo a Olympedia.
Em 2004, em Atenas, disputou o revezamento 4×100 m livre, em 12º lugar, e foi escolhido para carregar a bandeira do Brasil na cerimônia de encerramento, algo que, ele diz, foi muito emocionante, conforme a Universidade de Michigan. Aposentou-se aos 31 anos, depois de quatro Olimpíadas seguidas, a última delas encerrada com a bandeira do Brasil nas mãos.
Recordes e medalhas fora dos Jogos
Gustavo foi atleta de Pan-Americanos entre 1991 e 2003: acumulou medalhas em quatro edições, com ouros nos 100 m e 200 m livre e em revezamentos, conforme o Hall da Fama. Em 1993, bateu o recorde mundial em piscina curta dos 100 m livre, com 47s94, e dividiu por mais de seis anos o recorde do 4×100 m livre, segundo a Olympedia. Ele também subiu ao pódio em campeonatos mundiais: em piscina curta, foi ouro nos 200 m livre em 1995 e em 1997, e em piscina longa levou o bronze nos 100 m livre em 1994, de acordo com o Hall da Fama. Para quem quer entender melhor as provas, confira as regras da natação.
Gustavo nunca teve um ouro olímpico, e essa é a ressalva honesta da história. Mas subiu ao pódio em três edições seguidas dos Jogos, de 1992 a 2000, nadando provas de velocidade, e isso o transformou numa régua para quem veio depois.
Depois da piscina
Gustavo se formou em Economia e virou empresário, comentarista de TV e referência na formação de nadadores. Em 2005, abriu a Metodologia Gustavo Borges, de acordo com seu site. Entrou para o Hall da Fama Internacional da Natação em 2012, como segundo brasileiro, depois de Maria Lenk, e para o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil em 2021, conforme o site do atleta. Os filhos, Luiz e Gabriella, também nadam, conforme a Universidade de Michigan.
Se você gosta de histórias de brasileiros na água, leia sobre Bruno Fratus, que herdou a missão de brigar por pódios nas provas de velocidade, e sobre Ana Marcela Cunha. Para ver onde Gustavo fica entre os grandes medalhistas, vale a lista dos maiores medalhistas das Olimpíadas.
Quiz: você conhece a história de Gustavo Borges?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Em que cidade Gustavo Borges nasceu?
2. Quem venceu os 100 m livre em Barcelona 1992, com Gustavo na prata?
3. Em qual prova ele foi prata em Atlanta 1996?
4. Com qual universidade americana ele competiu na NCAA?
5. Em que ano Gustavo entrou para o Hall da Fama Internacional da Natação?
Seus acertos:
Fontes: Olympedia, Hall da Fama Internacional da Natação, Universidade de Michigan, Comitê Olímpico do Brasil, Marcelo Laguna, site oficial de Gustavo Borges.