Aos 21 anos e 96 dias, Ronaldo entrou para os livros como o mais jovem vencedor da Bola de Ouro. Era 23 de dezembro de 1997. Ele havia chegado à Inter de Milão naquele verão, depois de uma temporada no Barcelona com 47 gols em 49 jogos, segundo a Guinness World Records. Ganhou o prêmio com 222 votos, contra 68 de Predrag Mijatović, o segundo colocado. Quase trinta anos depois, o recorde de idade continua no nome dele, de acordo com a Guinness.
A Bola de Ouro, prêmio da revista France Football, teve quatro brasileiros campeões e cinco troféus no total, segundo o Goal. Ronaldo ganhou duas vezes, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká uma vez cada.
Os brasileiros campeões, em ordem
| Ano | Jogador | Clube na época |
|---|---|---|
| 1997 | Ronaldo | Inter de Milão |
| 1999 | Rivaldo | Barcelona |
| 2002 | Ronaldo | Real Madrid |
| 2005 | Ronaldinho Gaúcho | Barcelona |
| 2007 | Kaká | Milan |
Ronaldo, em 1997 e em 2002
O primeiro prêmio de Ronaldo, em 1997, veio num ano em que ele trocou de clube sem perder o faro de gol. Em 2002, o motivo foi outro: a Copa do Mundo. O Fenômeno foi artilheiro do Mundial com oito gols, incluindo os dois da final, em que o Brasil bateu a Alemanha por 2 a 0. No fim do ano, também venceu o prêmio de melhor jogador da FIFA, com 387 pontos, bem à frente do goleiro alemão Oliver Kahn, que fez 171, segundo o jornal Tribuna do Paraná. Em agosto daquele ano ele tinha se transferido da Inter para o Real Madrid, de acordo com o Lance!.
Rivaldo, em 1999
Rivaldo fez 29 gols e deu 18 assistências em 48 jogos pelo Barcelona na temporada 1998/99, que terminou com o título espanhol, 11 pontos à frente do Real Madrid, segundo a revista Placar. Naquele ano ele também ajudou o Brasil a conquistar a Copa América, dividindo a artilharia com Ronaldo, com cinco gols. Marcou contra a Argentina nas quartas, contra o México na semifinal e contra o Uruguai na final. A carreira completa dele está em títulos, gols e curiosidades de Rivaldo.
Ronaldinho Gaúcho, em 2005
A votação de 28 de novembro de 2005, uma segunda-feira, foi quase um passeio. A atuação dele na vitória do Barcelona sobre o Real Madrid, dias antes, já tinha deixado o resultado praticamente certo, segundo a Tribuna do Paraná. Ronaldinho Gaúcho somou 225 pontos, com o primeiro lugar de 33 dos 52 jurados, e só dois deles não o colocaram entre os três melhores: um do País de Gales e outro das Ilhas Faroé, segundo o Trivela. Frank Lampard, do Chelsea, ficou em segundo, com 148, e Steven Gerrard, do Liverpool, em terceiro, com 142, de acordo com o jornal Mail and Guardian. O craque disse que o prêmio era a realização de um grande sonho e que ficou emocionado de ver seus ídolos Ronaldo e Rivaldo na lista dos vencedores. A história dele está também em Ronaldinho Gaúcho.
Kaká, em 2007
Kaká recebeu a Bola de Ouro em 2 de dezembro de 2007 com 444 pontos, bem acima de Cristiano Ronaldo, com 277, e de Lionel Messi, com 255, segundo a UEFA. Ele tinha sido o artilheiro da Liga dos Campeões daquela temporada, com dez gols, e o Milan derrotou o Liverpool na final em Atenas. Em agosto, Kaká ainda marcou o terceiro gol na vitória por 3 a 1 sobre o Sevilla na Supercopa da UEFA. Kaká disse que o prêmio coroava um ano excelente e agradeceu a Deus, à mulher, aos pais e a Milan e seleção. Carlo Ancelotti, técnico do clube, afirmou que o prêmio era merecido e elogiou o caráter do jogador. A votação, feita por 96 jornalistas do mundo todo, já tinha deixado de ser restrita aos europeus.
Como a votação mudou
O eleitorado não foi sempre o mesmo. Em 1997, Ronaldo ganhou com 222 votos, segundo a Guinness. Em 2005, eram 52 jurados escolhidos pela France Football. Dois anos depois, a eleição passou a ter 96 jornalistas de todo o mundo, no lugar do antigo painel europeu, de acordo com a UEFA. Com eleitorados e totais tão diferentes, comparar pontos de um ano com os de outro engana: os 444 de Kaká e os 225 de Ronaldinho não medem a mesma coisa.
Por que Pelé nunca ganhou
Pelé estreou profissionalmente em 1956, o mesmo ano em que o prêmio nasceu, mas a Bola de Ouro só premiava jogadores que atuavam na Europa. Os não europeus passaram a ser elegíveis em 1995, segundo o Trivela. Em 2015, a France Football publicou uma lista revista dos vencedores anteriores a 1995, em que Pelé teria vencido sete vezes: em 1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1964 e 1970. Minha opinião: a lista revista rende uma boa conversa de torcida, mas as regras da época deixavam Pelé de fora, e a lista original continua sendo a oficial.
A fila que não anda desde 2007
Depois de Kaká em 2007, nenhum brasileiro voltou a vencer o prêmio.
Fontes: Guinness World Records, Goal, UEFA, Trivela, Mail and Guardian, Tribuna do Paraná, Placar, Lance!.