Quem acompanha natação sabe: o 50 m livre se decide no piscar de olhos, e Bruno Fratus passou boa parte da carreira a centímetros do pódio. Em Tóquio, aos 32 anos, a espera acabou com um bronze em 21s57, e a medalha de quem esteve perto de largar tudo virou uma das histórias mais bonitas da natação brasileira. Vem com a gente.
| Marco | O que aconteceu |
|---|---|
| Nascimento | 30 de junho de 1989, em Macaé (RJ), segundo o perfil olímpico |
| Londres 2012 | 4º lugar nos 50 m livre, a 0s02 do pódio |
| Mundial 2015 | Bronze nos 50 m livre, em Kazan |
| Rio 2016 | 6º lugar na final, com 21s79 |
| Mundial 2017 | Duas pratas em Budapeste: 50 m livre e revezamento 4×100 m livre |
| Tóquio 2020 | Bronze nos 50 m livre, com 21s57 |
| Despedida | Aposentadoria anunciada em 11 de dezembro de 2024 |
A obsessão de um garoto de 11 anos
Fratus contou ao Olympics.com que traçou a meta olímpica aos 11 anos e passou os 21 anos seguintes atrás dela. Nascido em Macaé em 1989, segundo o perfil olímpico, ele virou velocista de elite sem a estrutura que os rivais americanos e europeus costumam ter, e dizia aprender cedo a resolver problema na força de vontade. O 50 m livre é a prova mais curta e mais cruel da piscina: pouco mais de 21 segundos, sem espaço para erro de saída, de virada ou de respiração.
Londres: a medalha que ficou a dois centésimos
Em Londres 2012, com 23 anos, ele terminou em quarto, a 0s02 do pódio. Dois centésimos de segundo, o tempo de uma piscadela. Na minha opinião, é o tipo de derrota que define um atleta: ou ele desiste, ou se agarra ainda mais à ideia de voltar. Fratus voltou.
Rio 2016: o peso da torcida em casa
Em 2015, ele já tinha levado o bronze no Mundial de Kazan, e chegou ao Rio como uma das maiores esperanças de medalha do Brasil na natação. Passou à final com a sexta melhor marca da semifinal (21s71) e terminou em sexto, com 21s79, numa prova vencida por Anthony Ervin, dos Estados Unidos, com 21s40. O próprio Fratus não escondeu a frustração: "Minha natação não está do jeito que eu queria que estivesse", disse na ocasião. Mais tarde, ele reconheceria que o treino em excesso naquele ciclo custou caro ao ombro e à cabeça.
Budapeste 2017 e a volta por cima
No Mundial de 2017, a recuperação veio com duas pratas, uma nos 50 m livre e outra no revezamento 4×100 m livre, que encerrou um jejum do Brasil na prova que vinha de 1994. A natação nacional vivia uma fase de reconstrução depois dos escândalos na CBDA, e aquele resultado soou como um respiro. Você sabia que, somando as medalhas em Mundiais de piscina longa, ele chegou a quatro? E ainda levou sete medalhas em Jogos Pan-Americanos, com título em 2019 e ouro no Pan-Pacífico de 2014, segundo a imprensa brasileira.
Tóquio 2020: o sorriso mais largo da vida
Fratus esteve perto de se aposentar antes de Tóquio. Na final dos 50 m livre, a terceira da sua carreira olímpica, saiu um pouco atrás e foi buscando os rivais até tocar a parede em 21s57. Caeleb Dressel cravou o recorde olímpico de 21s07 e levou o ouro, e o francês Florent Manaudou ficou com a prata, em 21s55, só dois centésimos à frente do brasileiro. Aos 32 anos, Fratus virou, segundo o Olympics.com, o nadador mais velho a ganhar a primeira medalha olímpica. Ele disse que nunca tinha sorrido tão largo na vida, e que, sem aquele resultado, hoje seria um ex-nadador.
Despedida das piscinas
Uma lesão no ombro o tirou da corrida por Paris 2024, e Fratus acompanhou os Jogos como comentarista da TV Globo e repórter do Olympic Channel. Em 11 de dezembro de 2024, durante o Prêmio Brasil Olímpico, no Rio de Janeiro, ele anunciou a aposentadoria como competidor. Disse que o processo foi um luto e que pretende continuar no esporte como embaixador do Olimpismo e treinador. É o que está confirmado até aqui.
O lugar dele na velocidade brasileira
Quando se fala em velocistas do país, o nome que vem primeiro costuma ser o de Cesar Cielo. Na minha opinião, o bronze de Tóquio, vindo depois de um quarto e de um sexto lugar, tem um sabor especial justamente por ter sido tão perseguido. Se quiser comparar com outros craques da água, vale olhar a lista dos melhores nadadores do mundo, entender as regras da natação e conhecer a trajetória de outro talento da nova geração, Guilherme Costa.
Perguntas rápidas sobre Bruno Fratus
Bruno Fratus ainda compete?
Não. Ele anunciou a aposentadoria das piscinas em dezembro de 2024.
Por que ele ficou fora de Paris 2024?
Uma lesão no ombro o afastou da seletiva e dos Jogos. Em Paris, ele trabalhou como comentarista e repórter.
Qual era a prova de Fratus?
O 50 m livre, a mais curta da natação em piscina olímpica, que se decide em pouco mais de 21 segundos entre os melhores do mundo.
Quem era o ídolo dele fora da piscina?
Ele já disse que o ídolo era o piloto brasileiro de Fórmula 1 Ayrton Senna.
Quiz: teste o que você sabe
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Qual foi o tempo de Bruno Fratus no bronze dos 50 m livre em Tóquio?
2. Em que posição Fratus terminou a final dos 50 m livre em Londres 2012?
3. Em que lugar ele ficou na final dos 50 m livre dos Jogos do Rio, em 2016?
4. Quem venceu os 50 m livre de Tóquio com recorde olímpico?
5. Que medalhas Fratus conquistou no Mundial de 2017, em Budapeste?
Seus acertos:
Fontes: Olympics.com, Lance.