Numa noite chuvosa no Engenhão, Thiago Braz pediu a barra em 6,03 m, saltou na segunda tentativa e virou campeão olímpico diante de Renaud Lavillenie, o homem que todo mundo dava como favorito. Vem com a gente reviver o dia 15 de agosto de 2016, a trajetória do atleta nascido em Marília e o que veio depois do ouro.
| Competição | Resultado | Marca |
|---|---|---|
| Jogos Olímpicos da Juventude 2010 | Prata | 5,05 m |
| Rio 2016 | Ouro, recorde olímpico | 6,03 m |
| Mundial de 2019 | 5º lugar | 5,70 m |
| Tóquio 2020 | Bronze | 5,87 m |
De Marília ao Engenhão
Thiago Braz da Silva nasceu em 16 de dezembro de 1993, em Marília, no interior paulista. Cedo, o salto com vara virou o seu caminho. Aos 16 anos, já era prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2010, com 5,05 m, e a partir daí o nome passou a circular entre quem acompanha o atletismo brasileiro.
O perfil oficial do Comitê Olímpico Internacional lista dois técnicos pessoais: o brasileiro Elson Miranda e o ucraniano Vitaly Petrov. Na minha opinião, essa parceria explica bem o jeito de Thiago: pouca pose, muito trabalho. Depois do ouro, ele mesmo resumiu o estilo em uma frase simples: “Eu trabalho quietinho, é meu jeito”.
15 de agosto de 2016: a noite da virada
A final começou debaixo de chuva. Alguns saltadores erraram tentativas, as condições pioraram, a prova foi interrompida e só recomeçou às 21h40, mais de uma hora depois do previsto. Os árbitros ainda anularam as três primeiras tentativas, e todo mundo teve de recomeçar.
Thiago pulou os 5,50 m e entrou direto nos 5,65 m, que passou de primeira. Errou a primeira em 5,75 m, mas voou sobre 5,85 m logo na tentativa inicial. Quando Lavillenie, campeão olímpico em Londres 2012, passou 5,98 m e quebrou o recorde olímpico, o Engenhão ficou tenso. A resposta de Thiago veio na sequência: ele também passou 5,98 m, na segunda tentativa.
Aí veio o momento que ficou na memória de qualquer torcedor. Com o francês na frente, Thiago subiu a barra para 6,03 m. Os dois erraram a primeira tentativa. Na segunda, o brasileiro cravou, ficou na liderança e viu Lavillenie errar duas vezes nessa altura e mais uma em 6,08 m. O ouro era dele, com 6,03 m, novo recorde olímpico e a melhor marca da carreira, que segue como o recorde pessoal no perfil da World Athletics.
Um ouro raro para o Brasil
Foi a primeira medalha do atletismo brasileiro naquela Olimpíada e a primeira medalha de ouro da modalidade desde o salto em distância de Maurren Maggi, em Pequim 2008. Entre os homens, Thiago se juntou a Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão no salto triplo em 1952 e 1956, e a Joaquim Cruz, campeão dos 800 m em 1984. O Comitê Olímpico Internacional registra ainda que foi o primeiro ouro de um brasileiro no salto com vara.
A noite teve um capítulo desagradável. Lavillenie ficou irritado com as vaias da torcida a cada salto dele e chegou a comparar a situação ao que Jesse Owens viveu em 1936. Na entrevista coletiva, o francês pediu desculpas e admitiu que falou no calor do momento. Thiago, por sua vez, disse que esperava pressão do público, mas sentiu a torcida a seu favor.
Tóquio 2020 e os anos seguintes
Em 2019, Thiago terminou o Mundial em quinto lugar, com 5,70 m. Em Tóquio, a final foi na manhã brasileira de 3 de agosto de 2021, noite no Japão, e ele subiu ao pódio de novo: bronze com 5,87 m. Na época, contou que passou aquele ciclo olímpico sem clube, e o “Não tenho clube” dito após a classificação ficou famoso entre os fãs. O perfil olímpico o dá como morador de Formia, na Itália.
Para quem quer comparar marcas e ver quem vem depois dele, vale conferir o ranking dos atletas brasileiros nos saltos e a lista dos recordes brasileiros no atletismo. Se gosta de histórias de medalhistas olímpicos do país, leia também a de Darlan Romani.
A suspensão por doping
Em 28 de maio de 2024, a Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) anunciou a suspensão de Thiago por 16 meses, por presença de ostarina glucuronídeo, substância anabolizante proibida em todo momento pela lista da Agência Mundial Antidoping. O teste foi feito em competição, na etapa de Estocolmo da Diamond League, e a suspensão provisória vigorava desde 28 de julho de 2023, período descontado da punição, que ia até 27 de novembro de 2024. A AIU pedia quatro anos, e o atleta recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS). A decisão o tirou dos Jogos de Paris.
Perguntas rápidas sobre Thiago Braz
Qual é o recorde pessoal de Thiago Braz?
É de 6,03 m, marca do ouro em Rio 2016, que consta como recorde nacional e sul-americano no perfil da World Athletics.
Thiago Braz tem quantas medalhas olímpicas?
Duas: o ouro de Rio 2016 e o bronze de Tóquio 2020.
Quem foi o atleta do ano de 2016 no atletismo brasileiro?
O Comitê Olímpico do Brasil elegeu Thiago Braz o melhor atleta do atletismo em 2016.
Onde Thiago Braz mora?
Em Formia, na Itália, segundo o perfil dele no site do Comitê Olímpico Internacional.
Quiz: teste o que você sabe
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Qual foi a altura do salto que deu o ouro a Thiago Braz em Rio 2016?
2. Em que cidade paulista nasceu Thiago Braz?
3. Qual atleta francês ficou com a prata na final de Rio 2016?
4. Qual medalha Thiago Braz conquistou em Tóquio 2020?
5. Qual foi a última medalha de ouro do atletismo brasileiro antes de Thiago Braz em Rio 2016?
Seus acertos:
Fontes: Olympics.com, World Athletics.