Daiane dos Santos nasceu em Porto Alegre, começou na ginástica aos 11 anos e, em 24 de agosto de 2003, virou a primeira brasileira campeã mundial da ginástica artística, com o ouro no solo em Anaheim, nos Estados Unidos. Aquele movimento que ninguém tinha visto, o duplo twist carpado, ganhou o nome dela. Daí em diante vieram a expectativa de Atenas, uma sequência de cirurgias e uma segunda vida como voz da modalidade.

Ano Competição Resultado
1999 Jogos Pan-Americanos de Winnipeg Prata no salto, bronze no solo e bronze por equipes
2001 Campeonato Mundial de Gante Quinto lugar no solo
2003 Campeonato Mundial de Anaheim Ouro no solo
2003 Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo Bronze por equipes
2004 Jogos Olímpicos de Atenas Quinto lugar na final do solo
2007 Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro Prata por equipes
2008 Jogos Olímpicos de Pequim Sexto lugar no solo
2012 Jogos Olímpicos de Londres Última competição; aposentadoria logo depois

De Porto Alegre ao tablado

Daiane Garcia dos Santos nasceu em 10 de fevereiro de 1983, segunda de cinco filhos de uma família de servidores públicos, segundo o Comitê Olímpico do Brasil. Passou os primeiros anos num conjunto habitacional da zona sul de Porto Alegre. Em 1994, uma professora, Cleusa de Paula, a viu num pátio de escola e a convidou para experimentar a ginástica. Ela tinha 11 anos, idade tardia para o esporte.

A progressão foi rápida. Aos 13, já estava na seleção e fazia a primeira viagem internacional, ao Sul-Americano Juvenil no Chile. Em 1999, no Pan de Winnipeg, saiu com três medalhas. Em 2001, no Mundial de Gante, ficou em quinto no solo. Naquele ano nasceu em Curitiba a Seleção Permanente, sob o comando do técnico ucraniano Oleg Ostapenko, parceria que moldaria o resto da carreira.

Anaheim, 24 de agosto de 2003

Pouco antes do Mundial, Daiane machucou o joelho. Foi nesse período que Ostapenko propôs um elemento novo, o duplo twist carpado. Ela contou depois que nem sabia que ninguém mais fazia aquilo. A FIG aprovou o movimento com o nome de Dos Santos I.

Na final do solo, ao som de “Brasileirinho”, ela fez uma série sem erros e somou 9,737. A romena Catalina Ponor ficou com a prata (9,700) e a espanhola Elena Gómez com o bronze (9,675), de acordo com os resultados oficiais da competição. Era o primeiro ouro mundial do Brasil na ginástica, entre homens e mulheres, e também o primeiro de uma ginasta negra, segundo o COB.

Você sabia que o movimento ganhou uma versão ainda mais difícil? Mais tarde, Ostapenko a desafiou a tentar o duplo twist esticado, e ela conseguiu. É o Dos Santos II. Dois elementos com o sobrenome da gaúcha no vocabulário da ginástica mundial: na nossa opinião, poucas atletas brasileiras deixaram marca tão duradoura num esporte.

Atenas 2004: a favorita e a série que escapou

Daiane chegou a Atenas como campeã mundial e favorita ao pódio, mas competindo machucada, conforme registrou o Correio Braziliense. Na final do solo, saiu da área de execução duas vezes e terminou em quinto lugar. Sem medalha, e com a pressão de um país inteiro nas costas. A série de Atenas continua sendo uma das cenas mais lembradas da torcida brasileira, justamente pelo que prometia.

Lesões, Pequim e o fim da estrada

Os anos seguintes foram de cuidado com o corpo. Em 2007, ela quebrou um pé e deslocou o outro antes do Pan do Rio, onde ganhou a prata por equipes, segundo o COB. Em Pequim 2008, foi sexta no solo.

Depois dos Jogos, o joelho exigiu cirurgia. Em janeiro de 2010, a FIG anunciou uma suspensão de cinco meses por furosemida, diurético proibido. A ginasta explicou que usou o remédio em tratamento estético durante a recuperação e negou ter buscado vantagem esportiva, informou a Gazeta do Povo. Ao longo da carreira, foram 11 cirurgias, de acordo com o COB.

Ela voltou e esteve em Londres 2012. Encerrou a carreira logo depois, sem medalha olímpica, mas com uma conta de nove ouros em etapas de Copa do Mundo e o título de 2003. Foi a primeira ginasta, homem ou mulher, a entrar no Hall da Fama do COB.

A vida depois do tablado

Daiane virou comentarista da TV Globo e do SporTV, estreando na função no Mundial de 2014, e toca o projeto social Brasileirinhos, em Paraisópolis, São Paulo. Em Porto Alegre, um mural de 50 metros com o rosto dela decora um prédio do centro.

O legado: de Daiane a Rebeca Andrade e Flávia Saraiva

Quando Rebeca Andrade ganhou a prata no individual geral de Tóquio, primeira medalha olímpica da ginástica feminina brasileira, Daiane comentava a prova ao vivo e se emocionou. Ela chamou o momento de marco e lembrou que era a primeira medalha do Brasil na ginástica artística com uma atleta negra, conforme o Correio Braziliense. Em 2009, uma Rebeca de 10 anos já dizia, numa reportagem da Globo, que era feliz por treinar ao lado de Daiane e Daniele Hypólito.

Em Paris 2024, a passagem de bastão virou ouro, prata e bronze. Rebeca levou quatro medalhas, e o Brasil conquistou o primeiro bronze olímpico por equipes da história da ginástica feminina, com Flávia Saraiva, nascida em 1999, na formação. Daiane chorou ao vivo na transmissão da Globo, contou A Gazeta, e lembrou da equipe de Atenas 2004. Para conhecer essa geração, veja a história de Rebeca Andrade e o perfil de Flávia Saraiva.

Quer entender por que o solo de Daiane era tão difícil de pontuar? Confira os aparelhos da ginástica artística e como funcionam a nota D e a nota E.

Perguntas frequentes

Quando Daiane dos Santos nasceu?

Ela nasceu em 10 de fevereiro de 1983, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O que significa Dos Santos I e Dos Santos II?

São dois elementos de solo batizados com o sobrenome dela. O primeiro é o duplo twist carpado, estreado em Anaheim. O segundo é a versão com o corpo esticado.

Quem foi o técnico de Daiane dos Santos?

O ucraniano Oleg Ostapenko, que comandou a Seleção Permanente em Curitiba.

Daiane dos Santos competiu em quantos Jogos Olímpicos?

Em três: Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012.

O que Daiane dos Santos faz hoje?

Comenta ginástica na TV Globo e no SporTV e mantém o projeto Brasileirinhos.

Quiz: teste seus conhecimentos

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. Em que cidade Daiane dos Santos nasceu?

Ela nasceu em Porto Alegre, em 10 de fevereiro de 1983, segundo o COB.

2. Qual música Daiane usou na série do ouro em Anaheim?

A série de solo foi feita ao som de Brasileirinho, que virou marca dela.

3. Qual foi a primeira marca histórica do ouro de 2003?

Foi o primeiro ouro mundial do Brasil na ginástica, entre homens e mulheres, de acordo com o COB.

4. Em que posição Daiane terminou a final do solo em Atenas 2004?

Ela ficou em quinto lugar, depois de sair da área de execução duas vezes.

5. Quem treinava Daiane na época do ouro mundial?

O ucraniano Oleg Ostapenko propôs o movimento que virou Dos Santos I. Cleusa de Paula foi a professora que a descobriu.

Seus acertos:

Fontes: COB, Correio Braziliense.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.