Rebeca Andrade voltou ao topo do mundo, e do jeito que a torcida brasileira queria ver. No sábado, 24/10/2026, em Roterdã (Países Baixos), ela ganhou a final do salto no Mundial de ginástica artística com média 14,466 e chegou ao terceiro título mundial no aparelho. No dia seguinte, domingo, 25/10, Flávia Saraiva subiu ao pódio da trave com o bronze (14,300). Vem com a gente entender como foram as duas finais.

Como Rebeca ganhou o salto em Roterdã

Rebeca foi a sexta a saltar na final. Ela abriu com o Yurchenko com dupla pirueta, que valeu 14,400 (nota de execução 9,400 e dificuldade 5,0), e deu apenas um pequeno passo na chegada. No segundo salto, fez o Lopez e recebeu 14,133 (execução 9,333, dificuldade 4,8). A média ficou em 14,466.

A cena que decidiu a final veio de quem estava logo atrás. A sul-coreana Seojeong Yeo abriu com 14,600, mas caiu no segundo e fez 12,833, terminando com média 13,716 e fora do pódio. Já as norte-americanas fecharam o pódio com Claire Pease na prata e Skye Blakely, campeã mundial do individual geral (decidido na sexta-feira, 23/10), no bronze.

Posição Ginasta País Média
1º Rebeca Andrade Brasil 14,466
2ª Claire Pease Estados Unidos 14,233
3ª Skye Blakely Estados Unidos 14,166
4ª Seojeong Yeo Coreia do Sul 13,716

O ouro veio pela execução, e não pela dificuldade. Rebeca não usou o Cheng, o salto de maior valor de partida que lhe deu duas medalhas olímpicas e os títulos mundiais de 2021 e 2023, e mesmo assim ficou na frente. Ela já tinha liderado a classificatória de 19/10 com 14,533, como contamos na matéria sobre a classificatória do salto.

Os números da campanha

  • Terceiro título mundial no salto: Rebeca divide agora a liderança do quadro de ouros no aparelho com a chinesa Cheng Fei, três para cada uma.
  • Décima medalha em Mundiais: quatro ouros, quatro pratas e dois bronzes.
  • Seis medalhas olímpicas: dois ouros, três pratas e um bronze.
  • Primeira vez em um Mundial desde 2023, depois de um 2025 sabático e de um retorno gradual às competições em 2026.

Depois do ouro, Rebeca contou que segurou a força de propósito e que ainda treina o Cheng, que não ficou totalmente pronto para este ano. Para 2027, a ideia é voltar às barras assimétricas com série reformulada, estabilizar a trave (um problema no pé atrapalhou nas últimas semanas) e aumentar a dificuldade do salto, com o objetivo de buscar o quarto título mundial. O Yurchenko com tripla pirueta fica em aberto, só se ela se sentir pronta e segura.

Flávia Saraiva e o bronze que demorou dez anos

Se o sábado foi de Rebeca, o domingo, último dia do Mundial, foi de Flávia. Sétima a competir na final da trave, ela fez 14,300 (dificuldade 6,1, execução 8,200) numa série em que arriscou todas as ligações. A medalha é a terceira dela em Mundiais, depois da prata por equipes e do bronze no solo em Antuérpia, em 2023, e a primeira na trave.

O ouro ficou com a argelina Kaylia Nemour, que empatou em 14,566 com a chinesa Zhang Qingying e levou a melhor no desempate pela execução (8,266 contra 8,066). Flávia, que no individual geral tinha caído na trave e terminado em 12º, como contamos aqui, deu a volta por cima. A história de quase pódios é longa: em Rio 2016 ela foi quinta na trave, a poucos centésimos da medalha. Na nossa opinião, o bronze de Roterdã é um prêmio à insistência de uma atleta que nunca deixou de buscar mais dificuldade. O perfil completo está na página da Flávia Saraiva.

O saldo do Brasil e o próximo compromisso

As duas medalhas, ouro de Rebeca e bronze de Flávia, foram as únicas do Brasil em Roterdã, onde a equipe feminina ficou em quinto lugar por equipes (relembre a final). A equipe masculina terminou em 19º na classificatória e não levou ninguém às finais. O Brasil volta ao pódio de um Mundial depois de ficar sem medalhas em 2025, e o próximo Mundial será em 2027, em Chengdu (China), com vagas para Los Angeles 2028 em jogo. Para entender como funcionam as notas D e E, vale visitar a página de regras da ginástica artística.

Quiz: você acompanhou o Mundial de ginástica de Roterdã?

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. Qual foi a nota de Rebeca Andrade na final do salto?

A média dos dois saltos de Rebeca foi 14,466, à frente das norte-americanas Claire Pease (14,233) e Skye Blakely (14,166).

2. Quantos títulos mundiais no salto Rebeca tem depois de Roterdã?

Rebeca ganhou o salto nos Mundiais de 2021 e 2023 e agora em Roterdã, o que dá três títulos.

3. Em que aparelho Flávia Saraiva conquistou o bronze?

Flávia fez 14,300 na final da trave e conquistou sua primeira medalha no aparelho em Mundiais.

4. Como foi decidido o ouro da trave, com duas ginastas empatadas na nota final?

Kaylia Nemour e Zhang Qingying fizeram 14,566, e a argelina levou o ouro por ter a melhor nota de execução.

5. Que ginasta norte-americana ficou com a prata no salto?

Claire Pease foi a prata, com 14,233. O bronze ficou com Skye Blakely, também dos Estados Unidos.

Seus acertos:

Fontes: Olimpíada Todo Dia, Confederação Brasileira de Ginástica.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.