Dois anos depois de Paris, Rebeca Andrade voltou ao palco de um Mundial e fez o que sabe fazer melhor: voar sobre a mesa. Na classificatória feminina do Campeonato Mundial de Ginástica Artística de Roterdã, na Holanda, nesta segunda-feira (19/10/2026), a brasileira terminou em primeiro lugar no salto, com média de 14,533, e ainda ajudou o Brasil a carimbar a vaga na final por equipes. No saldo do dia, a seleção feminina garantiu presença em cinco finais.

Dois saltos, uma liderança

A cena foi aquela que o torcedor brasileiro conhece de cor. Primeiro, o Yurchenko com dupla pirueta: nota 14,400, com 9,400 de execução e 5,0 de dificuldade. Depois, o Lopez (Nemov com mortal para a frente e meia pirueta, como descreve a CBG), que rendeu 14,266 (9,466 de execução). Somada a bonificação de 0,2 por apresentar saltos de grupos diferentes, a média fechou em 14,533, segundo o placar oficial da Federação Internacional de Ginástica (FIG).

A sul-coreana Yeo Seojeong chegou perto, com 14,483, e até tirou a maior nota individual de um salto (14,566), mas não segurou o segundo. A americana Claire Pease ficou em terceiro, com 14,283. Rebeca vai para a final como referência, mas com folga de apenas cinco centésimos.

Você sabia que esse é o aparelho em que ela tem duas medalhas olímpicas, o ouro de Tóquio e a prata de Paris? Pois é. E a volta não começou agora: em 2026 ela já tinha conquistado o ouro no salto no Pan-Americano do Rio, em junho, e cravado 14,800 no Campeonato Brasileiro, em agosto, a maior nota do ano no mundo naquele aparelho, segundo a Agência Brasil. Em 2025, Rebeca ficou fora das competições para cuidar da saúde mental. Roterdã é o primeiro Mundial dela desde 2023, quando foi campeã mundial no salto.

Nem tudo foi perfeito. Na trave, Rebeca sofreu uma queda e recebeu 13,033, nota que ficou na 41ª posição do aparelho. Ela competiu apenas em salto e trave na classificatória, então não disputa o individual geral nem as finais de solo e assimétricas.

Brasil na final por equipes por um triz

O Brasil somou 159,131 pontos e ficou com a oitava e última vaga da final por equipes. A Grã-Bretanha, nona, fez 158,963: diferença de 0,168. Coração na boca, mas a vaga veio.

O time que entrou no tablado do Rotterdam Ahoy teve Rebeca, Flávia Saraiva, Lorrane Oliveira, Thais Fidélis e Sophia Weisberg, com Gabriela Bouças também inscrita. A China liderou com 164,996, seguida por Estados Unidos (164,529) e Rússia (163,662). Itália, Japão, França e Canadá completam o grupo das oito finalistas.

Na nossa leitura, o pódio por equipes fica distante, mas a vaga já tem um valor enorme: segundo a CNN Brasil, as três primeiras equipes da final garantem vaga olímpica para Los Angeles 2028, e o simples fato de estar entre as oito assegura o Brasil no Mundial de 2027, que distribui mais vagas olímpicas.

Flavinha brilha na trave e Lorrane volta ao individual geral

Flávia Saraiva fez o que a torcida esperava na trave. Série limpa, saída cravada e 14,400, terceira melhor nota da classificatória, atrás apenas das chinesas Zhang Qingying (15,100) e Qiu Qiyuan (14,966). Flavinha ainda terminou em 12º no individual geral, com 53,566 (13,000 no salto, 13,300 nas assimétricas e 12,866 no solo).

A história mais saborosa do dia talvez seja a de Lorrane Oliveira. A CBG lembra que ela não competia no individual geral em Mundiais desde 2015. Voltou fazendo os quatro aparelhos, foi a melhor brasileira nas assimétricas (13,700) e somou 52,165 pontos, suficientes para a 22ª posição no placar oficial da FIG e uma vaga entre as 24 finalistas do individual geral. No solo, com 13,133, ficou a menos de dois décimos da final do aparelho.

Thais Fidélis acertou os três aparelhos em que competiu, com destaque para os 13,500 na trave. Sophia Weisberg, estreante, foi bem no solo, mas errou no salto e nas assimétricas.

Para Juliana Fajardo, chefe de equipe e coordenadora da modalidade na CBG, a classificação para cinco finais “é motivo de muito orgulho e demonstra a evolução da modalidade no país”, fruto de “uma combinação de experiência e juventude”.

Calendário das finais do Brasil (horário de Brasília)

Data Horário Final Brasileiras
21/10 (quarta) 14h30 Equipes Seleção feminina
23/10 (sexta) 14h30 Individual geral Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira
24/10 (sábado) a partir das 9h Salto Rebeca Andrade
25/10 (domingo) a partir das 10h Trave Flávia Saraiva

Nesta terça-feira (20/10), o dia em Roterdã é da final por equipes masculina.

O que esperar de Rebeca no sábado

Opinião nossa, sem rodeio: com a dificuldade de 5,0 no primeiro salto e a execução que mostrou no segundo, Rebeca chega como favorita. Mas a margem para Yeo Seojeong é mínima, e a sul-coreana tem um primeiro salto mais difícil (5,4). Vai ser decidido no detalhe, na aterrissagem. Quem acompanha a trajetória de Rebeca Andrade sabe que ela costuma crescer justamente nesse tipo de duelo. E se quiser relembrar como foi a convocação, a gente contou aqui: Rebeca Andrade convocada para o Mundial de Roterdã. Vem com a gente torcer no sábado de manhã.

Fontes: FIG, CBG, CNN Brasil, SBT News, Agência Brasil, AFP.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.