Na ginástica de trampolim, o atleta faz uma série de 10 elementos acrobáticos seguidos sobre a cama elástica, e a nota soma quatro componentes: execução (até 20 pontos), dificuldade (sem teto), tempo de voo (medido em segundos) e deslocamento horizontal (até 10 pontos), menos as penalidades. As regras estão no Código de Pontuação 2025-2028 da Federação Internacional de Ginástica (FIG), em vigor desde 1º de janeiro de 2025, que também rege o trampolim sincronizado, o duplo mini-trampolim e o tumbling. Nos Jogos Olímpicos, só o individual masculino e feminino distribui medalhas.
Resumo das regras do trampolim
| Prova | Série | Fórmula da nota | Olímpica? |
|---|---|---|---|
| Trampolim individual | 10 elementos | E (máx. 20) + H (máx. 10) + D + T menos penalidades | Sim, desde Sydney 2000 |
| Trampolim sincronizado | 10 elementos, dois atletas em camas lado a lado | E (máx. 10) + H (máx. 10) + S (máx. 20) + D menos penalidades | Não |
| Duplo mini-trampolim | 2 elementos | E (máx. 20) + D menos penalidades | Não |
| Tumbling | 8 elementos em uma pista | E (máx. 20) + D menos penalidades | Não |
Legenda: E é execução, D dificuldade, T tempo de voo, H deslocamento horizontal e S sincronização.
As quatro provas da ginástica de trampolim
Trampolim individual
A série tem 10 elementos, com saltos mortais para a frente e para trás, com ou sem piruetas. O código descreve o trampolim como saltos altos, contínuos e ritmados, de pés para pés ou de pés para costas, frente ou sentado, sem saltos retos intermediários entre os elementos. Nenhum elemento pode ser repetido na mesma série: se for, a dificuldade da repetição não conta. O mesmo mortal feito grupado, carpado e estendido conta como três elementos diferentes.
A série termina com o ginasta em pé na cama. Ele pode dar um salto reto controlado depois do último elemento e precisa ficar parado por cerca de três segundos para mostrar estabilidade.
Trampolim sincronizado
Dois ginastas, em camas elásticas lado a lado, fazem a mesma série ao mesmo tempo, começando virados para o mesmo lado. As piruetas não precisam girar para o mesmo lado. Há provas masculina, feminina e, em algumas competições, mista. Se os dois fizerem elementos diferentes, a série é considerada interrompida. O aparelho que mede a sincronia aponta interrupção quando a diferença entre as aterrissagens chega a 0,4 segundo.
Duplo mini-trampolim
O aparelho é menor e dividido em zona de entrada, zona central e zona de saída. A série tem só dois elementos: um de entrada (ou um elemento feito na própria zona de saída) e um de saída, que termina na área de aterrissagem. São permitidos no máximo três contatos com a cama, sem salto intermediário. Na classificação, vale a soma das duas séries, sem repetição de elementos entre elas.
Tumbling
A série tem oito elementos acrobáticos encadeados em uma pista própria, de mãos para pés e de pés para pés, sem pausas nem passos intermediários. O ginasta precisa seguir em uma só direção (só o oitavo elemento pode ir no sentido contrário) e terminar com um mortal. Pode usar um trampolim de impulsão apenas para o primeiro elemento.
Como funciona a nota no trampolim
Execução (E)
Seis árbitros de execução descontam pontos por falhas de forma e controle, de 0,1 a 0,5 por elemento. No individual, somam-se as duas deduções medianas de cada elemento, e o total é subtraído de 20 pontos. As aterrissagens também custam caro:
- Tocar a cama com uma ou as duas mãos depois de aterrissar: 0,5 ponto.
- Cair de joelhos, de frente, de costas ou sentado na cama: 1,0 ponto.
- Aterrissar ou cair fora da cama, ou fazer um mortal extra para evitar a queda: 1,0 ponto.
- Fazer um elemento a mais que os 10 previstos: 1,0 ponto.
- Falta de estabilidade no fim da série: 0,1 a 0,2 ponto.
Dificuldade (D)
Dois árbitros somam o valor de cada elemento a partir das rotações. Cada quarto de mortal vale 0,1 ponto; um mortal simples completo, 0,5; um duplo, 1,0; um triplo, 1,6; e um quádruplo, 2,2. Cada meia pirueta acrescenta 0,1. Há bônus para mortais estendidos ou carpados, para mortais múltiplos para trás e para piruetas em mortais duplos, triplos e quádruplos. A nota de dificuldade não tem teto, e o ginasta entrega antes da prova uma ficha com os elementos e seus valores, na ordem em que serão feitos.
Tempo de voo (T)
É a soma, em segundos, do tempo que o ginasta passa no ar durante a série, medida eletronicamente e arredondada para centésimos. Quanto mais tempo no ar, maior a nota. No sincronizado, o tempo de voo dá lugar à nota de sincronização (S): as deduções por falta de sincronia saem de 10 pontos, e o resultado é dobrado.
Deslocamento horizontal (H)
Mede o quanto o ginasta se afasta do centro da cama a cada aterrissagem. A cama é dividida em zonas, e cada elemento pode custar de 0,0 a 0,3 ponto, conforme a zona em que o ginasta cai. As deduções saem de um máximo de 10 pontos, e a medição também é eletrônica.
Na final olímpica de Paris 2024, o campeão Ivan Litvinovich, que competiu como atleta individual neutro, somou 63,090: 18,400 de dificuldade, 16,700 de execução, 18,490 de tempo de voo e 9,500 de deslocamento horizontal, segundo os resultados oficiais da competição.
Interrupções e penalidades
A série é interrompida se o ginasta não aterrissa com os dois pés ao mesmo tempo, faz um salto reto intermediário, não aproveita a elasticidade da cama para emendar o elemento seguinte, toca algo fora da cama, sai do trampolim ou, no sincronizado, faz um elemento diferente do parceiro. O elemento interrompido não vale, e a série acaba ali, sem direito a recomeço. Depois do sinal do árbitro principal, o atleta tem 1 minuto para iniciar o primeiro elemento: passado esse prazo, perde 0,2 ponto aos 61 segundos, 0,4 aos 91 e 0,6 aos 121, e aos 181 segundos não pode mais competir. Instruções ou sinais do auxiliar ao ginasta durante a série custam 0,6 ponto, e falhas no uniforme, 0,2.
Formato das competições
Nos campeonatos da FIG, a classificação tem duas etapas. Na primeira (Q1), cada ginasta pode fazer duas séries, e vale a melhor. Se houver 32 inscritos ou mais, os melhores vão para uma segunda fase (Q2), com 16 ou 24 atletas, que começam do zero. A final reúne oito ginastas, no máximo dois por país, cada um com uma série, também a partir do zero. No duplo mini-trampolim e no tumbling, há ainda uma segunda final com os quatro melhores. O código prevê também disputas por equipes, de três ou quatro ginastas, e uma final por equipes que reúne as quatro provas.
O trampolim nas Olimpíadas
O trampolim estreou nos Jogos em Sydney 2000, com provas masculina e feminina, segundo o site olympics.com. Em Paris 2024 foram 16 atletas por gênero. Pelo regulamento olímpico, na classificação cada ginasta faz até duas séries de 10 elementos, vale a melhor nota, e os oito primeiros vão à final, onde fazem uma única série começando do zero. O sincronizado, o duplo mini-trampolim e o tumbling ficam fora do programa olímpico e são disputados nos Mundiais e em outras competições da FIG.
| Paris 2024 | Ouro | Prata | Bronze |
|---|---|---|---|
| Feminino | Bryony Page (Grã-Bretanha), 56,480 | Viyaleta Bardzilouskaya (atleta neutra) | Sophiane Methot (Canadá) |
| Masculino | Ivan Litvinovich (atleta neutro), 63,090 | Wang Zisai (China) | Yan Langyu (China) |
A lógica de notas parecida com a dos saltos ornamentais, com dificuldade e execução separadas, aparece também nas regras da ginástica artística.
O trampolim no Brasil
A modalidade é administrada no país pela Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), que organiza os Campeonatos Brasileiros Interclubes de ginástica de trampolim em parceria com o Comitê Brasileiro de Clubes, segundo o plano de trabalho da entidade para 2026. Na Rio 2016, o Brasil foi representado por Rafael Andrade, de Goiânia, na vaga masculina garantida ao país-sede.
O salto de nível veio no ciclo seguinte. No Mundial de Sófia, em 2022, Alice Hellen e Camilla Gomes levaram o Brasil pela primeira vez a uma final mundial, no sincronizado feminino, e terminaram em sétimo, segundo a Gazeta Esportiva. “Este Mundial de Sófia nos encheu de confiança”, afirmou na época a coordenadora da seleção, Tatiana Figueiredo. No Mundial de Birmingham, em novembro de 2023, as duas chegaram à final individual, Alice em quarto e Camilla em sexto, e garantiram a primeira vaga olímpica conquistada por mérito pelo Brasil na modalidade.
Camilla Gomes, que em 2023 subiu ao pódio nas etapas de Baku, Santarém e Coimbra da Copa do Mundo, foi a representante em Paris 2024. Depois de uma queda na primeira série, ela fez 50,580 na segunda e terminou a classificação em 15º lugar, fora da final, segundo os resultados oficiais.
Perguntas frequentes
Quantos elementos tem uma série de trampolim?
Dez no trampolim individual e no sincronizado, oito no tumbling e dois no duplo mini-trampolim, segundo o Código de Pontuação da FIG.
O que é o tempo de voo no trampolim?
É o tempo total, em segundos, que o ginasta passa no ar durante a série. Ele é medido por aparelho eletrônico e entra direto na nota.
Qual é a nota máxima no trampolim?
Não existe nota máxima, porque a dificuldade e o tempo de voo não têm teto. Só a execução (até 20 pontos) e o deslocamento horizontal (até 10) têm limite.
Quais provas do trampolim são olímpicas?
Apenas o trampolim individual, no masculino e no feminino. O sincronizado, o duplo mini-trampolim e o tumbling são disputados em Mundiais e outras competições da FIG.
Onde ver as regras de outros esportes?
A página de regras dos esportes reúne todos os guias do site.
Fontes: FIG, Paris 2024, Olympics.com, European Gymnastics, Gazeta Esportiva, Federal em Campo (UFPel), Folha do Leste, CBG.