Você sabia que, quando a Anvisa mandou para o laboratório 41 das creatinas mais vendidas do país, só uma passou limpa em todos os ensaios? Pois é. Para falar de melhores marcas de suplementos, a gente propõe outro jogo além de seguidores e atleta patrocinado: comparar só o que dá para conferir. Regra da Anvisa, análise oficial com data, certificação por lote e história contada pela própria empresa. Sem ranking de achismo.
A resposta curta: nenhum órgão público carimba uma “melhor marca”. Existem critérios objetivos, e cada grande marca deve ser conferida produto por produto. E antes de tudo: quem deve orientar se você precisa de suplemento, e qual, é um nutricionista.
Resumo: as principais marcas por critério verificável
| Marca | Origem e fundação | Creatina na análise Anvisa/INCQS (abr. 2025) | Certificação antidoping |
|---|---|---|---|
| Growth Supplements | Marca nacional | Analisada (Creapure) | Conferir por produto e lote |
| Max Titanium | Grupo Supley, Matão (SP), desde 2006 | Analisada (pó e cápsulas) | Conferir por produto e lote |
| Probiótica | Mais de 35 anos de história; do grupo Supley desde 2018 | Analisada (pó e cápsulas) | Conferir por produto e lote |
| Integralmédica (e Darkness) | Grupo BRG, mais de 40 anos de história | Analisadas (Integralmédica e Darkness) | Conferir por produto e lote |
| Dux | Fundada em 2015 | Não com a marca Dux | Conferir por produto e lote |
| Black Skull | Lançada no Brasil em 2015 pela GDS | Analisada | Conferir por produto e lote |
| Optimum Nutrition | Illinois (EUA), 1986, hoje do grupo Glanbia | Analisada (importada) | Linha Elite anunciada como Informed Sport no site britânico da marca |
Critério 1: estar em dia com a Anvisa
A categoria de suplemento alimentar nasceu em 27 de julho de 2018, com a RDC 243/2018: produto destinado a pessoas saudáveis, para complementar a alimentação. A mudança reuniu na mesma categoria os antigos “alimentos para atletas” e deu cinco anos de adequação, encerrados em julho de 2023. A Instrução Normativa 28/2018 lista os constituintes autorizados, os limites de uso e as alegações permitidas.
O rótulo não pode trazer palavras, marcas ou imagens que sugiram finalidade medicamentosa ou terapêutica, nem em outro idioma. E as substâncias consideradas doping pela Agência Mundial Antidopagem não podem entrar na fórmula, segundo as perguntas e respostas da Anvisa (9ª edição, janeiro de 2025).
Com a RDC 843/2024 e a IN 281/2024, todo suplemento passou a exigir notificação na Anvisa, com prazo até 1º de setembro de 2025 para os que já estavam à venda, e o rótulo traz “Alimento notificado na Anvisa” seguido do número do processo. Na nossa opinião, é o primeiro filtro: sem notificação, nem entra em campo.
Critério 2: o que as análises oficiais encontraram
A grande prova das creatinas
Em 23 de abril de 2025, a Anvisa divulgou a análise de 41 creatinas de 29 fabricantes, coletadas no segundo semestre de 2024 em cinco estados e analisadas pelo INCQS, laboratório da Fiocruz.
O placar surpreendeu. No teor, só um produto ficou abaixo do previsto (a marca não foi divulgada, por estar em processo administrativo), e em matérias estranhas todas passaram. No rótulo, a goleada foi ao contrário: 40 dos 41 tinham alguma incorreção, como alegações não autorizadas e tabela nutricional fora do padrão. O único produto com resultado satisfatório em todos os ensaios foi a Creatine Monohydrate 100% Pure da Atlhetica Nutrition. Growth, Max Titanium, Probiótica, Integralmédica, Darkness, Black Skull e Optimum Nutrition estavam entre as analisadas.
Detalhe que vale ouro: a Anvisa escreveu que o cenário diferia dos levantamentos do próprio setor feitos entre 2022 e 2024, e que alguns fabricantes podem ter ajustado a produção. A agência também avaliou que os resultados não representavam risco à saúde que exigisse ação adicional de fiscalização.
A novela dos laudos de whey
Aqui o clima esquentou mais que vestiário em final de campeonato. Em dezembro de 2024, a Senacon, do Ministério da Justiça, mandou sites de venda suspenderem dezenas de wheys apontados em testes da Abenutri, associação do setor, que falava em proteína abaixo do rótulo, segundo o Diário do Nordeste.
A virada veio em 2025. Segundo o Metrópoles, laudos da Anvisa não teriam identificado irregularidades de teor ou adulteração nos produtos do processo, e a Senacon teria arquivado a denúncia, pedindo apenas correções de rótulo. A lição para o torcedor da academia: teste de associação ou de influenciador é ponto de partida, não veredito.
Critério 3: certificações antidoping independentes
O Informed Sport informa que testa cada lote de suplemento certificado para substâncias proibidas no esporte antes de chegar ao mercado. O NSF Certified for Sport permite buscar os produtos certificados pelo nome ou pelo número do lote, e a NSF diz ser o único programa independente reconhecido pela agência antidoping dos Estados Unidos (USADA).
A pegadinha é que a certificação vale por produto, não pela marca inteira. A Optimum Nutrition, por exemplo, anuncia a linha Elite como certificada pelo Informed Sport no site britânico. Por isso, confira sempre o produto e o lote no buscador oficial do selo. Se o tema antidoping é a sua praia, vale ler o nosso guia sobre como funciona o controle antidoping.
Critério 4: história e origem das marcas
Growth Supplements
Fabricante nacional, a Growth teve a sua creatina Creapure entre as analisadas pela Anvisa em 2025. A fama também atrai golpista: o Esportelândia já mostrou como um site falso da Growth fez pessoas perderem dinheiro.
Max Titanium e Probiótica
A história começa em 2006, em Matão, no interior paulista, onde nasceu o Grupo Supley, dono da Max Titanium. Em 2018 o grupo comprou a Probiótica, marca que se apresenta com mais de 35 anos de história, e depois acrescentou Dr. Peanut e Znack That ao portfólio. Em 2026, o grupo celebra 20 anos.
Integralmédica e Darkness
A Integralmédica diz ter mais de 40 anos de história e se apresenta como pioneira da suplementação esportiva no Brasil. Hoje faz parte do Grupo BRG, que reúne também Darkness e Nutrify. Já contamos aqui como a marca abriu seleção para patrocinar atletas.
Dux
A caçula da turma foi fundada em 2015, segundo o próprio site, que também vende a linha Eat Clean. Uma creatina Eat Clean apareceu na análise oficial de 2025.
Black Skull
Segundo o site da marca, a Black Skull chegou ao público brasileiro em 2015, pela GDS (Grow Dietary Supplements), com proposta de linha hardcore. A creatina da marca estava entre as 41 analisadas pela Anvisa.
Optimum Nutrition
A gringa da lista nasceu em 1986 em Illinois, nos Estados Unidos, e hoje pertence ao grupo Glanbia. Para ser vendida aqui, segue as mesmas regras da Anvisa que as nacionais.
Como conferir uma marca você mesmo
- Procure no rótulo a frase “Alimento notificado na Anvisa” e o número do processo.
- Laudo de associação ou influenciador é só pista; peso tem análise oficial com data e laboratório.
- Se você é atleta testado, confira o selo Informed Sport ou NSF pelo número do lote.
- Leve o rótulo ao seu nutricionista.
Ficou perdido com algum termo de academia? O nosso dicionário do fisiculturismo ajuda.
Perguntas frequentes
Suplemento importado é melhor que o nacional?
Não por si só: segue as mesmas normas da Anvisa. Na análise oficial de creatinas de 2025, nacionais e importadas passaram pelos mesmos ensaios, e os erros de rótulo apareceram nos dois grupos.
O que é amino spiking?
É acrescentar aminoácidos mais baratos para inflar o teor de proteína medido. Foi a prática apontada nos testes de associação que levaram à medida da Senacon contra wheys em 2024.
O selo Creapure é uma certificação?
Não. Creapure é a marca da creatina monohidratada produzida na Alemanha pelo grupo Alzchem, em Trostberg. Indica a origem da matéria-prima, não certifica o produto final.
A Anvisa valida laudos de associações e fabricantes?
Segundo o Metrópoles, a agência declarou que não dá validação a esses testes. Confira data, laboratório e lote antes de confiar.
Fontes: Anvisa, Diário do Nordeste, Metrópoles, Grupo Supley, Integralmedica, Black Skull, Dux, Optimum Nutrition, Informed Sport, NSF, Alzchem.