O pickleball é um esporte de raquete jogado com uma raquete sólida e uma bola de plástico furadinha, numa quadra de 6,10 m por 13,41 m, em simples ou em duplas. Saca-se por baixo, na diagonal, e o rali segue até alguém errar. Duas regras dão a cara da modalidade: a dos dois quiques e a kitchen, a zona de não voleio de 2,13 m junto à rede. O livro oficial é o Rulebook 2026 da USA Pickleball, que mexeu no saque e na pontuação por rali, e é esse livro, em tradução, que a Confederação Brasileira de Pickleball (CBP) usa por aqui. Vem com a gente.

Resumo das regras do pickleball

Item Regra oficial (USA Pickleball 2026)
Jogadores Simples ou duplas, na mesma quadra
Quadra 6,10 m x 13,41 m
Rede 91,44 cm nas laterais e 86,36 cm no centro
Kitchen 2,13 m de cada lado da rede, sem voleio
Saque Por baixo, na diagonal, além da kitchen; uma tentativa
Dois quiques Saque e devolução precisam quicar antes de serem rebatidos
Pontuação Só quem saca marca; game a 11 com 2 de vantagem
Raquete Até 43,18 cm de comprimento; sem limite de peso
Entidade no Brasil Confederação Brasileira de Pickleball (CBP)

Como nasceu: um sábado de tédio em 1965

Num sábado de verão de 1965, na casa de veraneio de Joel Pritchard em Bainbridge Island, no estado de Washington, três pais tinham uma missão: tirar de casa uma criançada agitada. Pritchard, político que chegou a deputado federal e vice-governador, e os amigos Bill Bell e Barney McCallum pensaram em badminton, mas não havia equipamento. Improvisaram com raquetes de pingue-pongue, uma rede e uma bola plástica de wiffle ball emprestada do vizinho. Nascia um jogo que mistura tênis, badminton e tênis de mesa. Em 2022 o Legislativo de Washington fez do pickleball o esporte oficial do estado, numa lei que conta justamente essa tarde de improviso.

Quadra e equipamento

A quadra mede 20 por 44 pés (6,10 m por 13,41 m), a mesma para simples e duplas, com a kitchen junto à rede e, atrás dela, duas áreas de saque separadas pela linha central. A área mínima de piso é de 9,14 m por 18,29 m, por isso cabe mais de uma quadra de pickleball no espaço de uma de tênis. A rede fica a 91,44 cm nas laterais e a 86,36 cm no centro.

A raquete não tem cordas: o comprimento vai até 43,18 cm e a soma de comprimento e largura, até 60,96 cm, sem limite de peso. A bola é lisa e furada; a de furos maiores costuma ser usada em quadra coberta, e a de furos menores, ao ar livre.

A kitchen, a zona de não voleio

Se você vem do tênis, prepare-se: a kitchen (a “cozinha”, como diz a tradução da CBP) é a faixa de 2,13 m colada à rede, de cada lado, e as linhas fazem parte dela. Ali ninguém pode volear, ou seja, bater na bola antes do quique. Pisar na zona é permitido a qualquer momento, menos no ato do voleio. É falta se quem voleia toca a kitchen, se o embalo do golpe o leva para dentro dela, mesmo depois de a bola morrer, ou se ele voleia sem ter tirado os dois pés de lá. Na nossa opinião, é aqui que o pickleball deixa de ser “tênis pequeno”: a regra freia a pancada na rede e premia o toque curto que morre na cozinha do adversário.

A regra dos dois quiques

Depois do saque, quem recebe deixa a bola quicar antes de devolver, e a dupla que sacou também espera o quique da devolução. Só a partir da terceira bola o voleio fica liberado, sempre fora da kitchen. Em qualquer momento, a bola só pode quicar uma vez.

O saque

No pickleball não existe segunda chance: errou, perdeu o saque. O sacador fica atrás da linha de fundo, com ao menos um pé no chão, e manda a bola na diagonal, além da kitchen adversária. Se tocar a rede e cair na área certa, vale; se cair na kitchen ou na linha dela, é falta. No saque de voleio, a raquete sobe em arco, a cabeça dela fica claramente abaixo do pulso e a bola, claramente abaixo da cintura. Também vale o saque com quique.

O que mudou em 2026

O livro de 2026, publicado em 17 de dezembro de 2025, renumerou todas as seções e trouxe ajustes de jogo:

  • Efeito no saque: girar a bola com a mão ao soltar segue proibido, mas o efeito dado pela raquete no contato está expressamente liberado.
  • Saque de voleio: a palavra “claramente” entrou nos critérios de pulso e cintura, para facilitar a marcação.
  • Pontuação por rali: continua provisória, mas agora quem recebe também pode fechar o game ao vencer o rali de game point.

Contagem de pontos

Na pontuação tradicional, só marca quem saca. Ganhou o rali sacando, soma um ponto e troca de lado; perdeu, o saque passa adiante. O game vai normalmente a 11 pontos, com 2 de vantagem. Em torneios, valem melhor de três ou de cinco games a 11, ou game único a 15 ou 21. Na pontuação por rali, opção provisória em 2026, todo rali vale ponto, e a USA Pickleball decide em 2027 se o formato fica.

Simples x duplas

A quadra é a mesma. Nas simples, o sacador saca do lado direito com placar zero ou par e do esquerdo com placar ímpar, e o placar tem dois números. Nas duplas, os dois parceiros sacam antes de o saque mudar de lado, exceto no início do game, quando só um jogador do time que abre tem a vez. Por isso o placar tem três números (pontos de quem saca, de quem recebe e número do sacador) e todo game começa com “zero, zero, dois”.

Pickleball x tênis, padel e beach tennis

Item Pickleball Tênis Padel Beach tennis
Quadra 6,10 m x 13,41 m 10,97 m x 23,77 m (duplas) 10 m x 20 m, fechada 8 m x 16 m, na areia
Rede (centro) 86,36 cm 91,4 cm 88 cm 1,70 m ou 1,80 m
Saque Por baixo, uma tentativa Livre, duas tentativas Por baixo, na altura da cintura Uma tentativa
Quique Dois quiques obrigatórios no início Até um Até um, paredes em jogo A bola não pode quicar
Contagem Game a 11 15, 30, 40, game 15, 30, 40, game 15, 30, 40, game

Para comparar no detalhe, leia as regras do tênis, as regras do padel e as regras do beach tennis.

O pickleball no Brasil

A CBP, presidida por Paulo André de Moraes, reúne 16 federações filiadas, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, e em 2024 recebeu o Country Leadership Award da Pickleball Federation of the Americas. Ao portal Mix Vale, em setembro de 2026, Moraes estimou o país em mais de 160 mil praticantes e cerca de 580 quadras, contra uns 4 mil jogadores dois anos e meio antes.

O retrato desse salto veio do Parque Villa-Lobos, em São Paulo, de 4 a 7 de junho de 2026. O Brasileirão reuniu mais de 2.200 atletas de 24 estados, com 2.540 jogos em 15 quadras. Quase metade dos inscritos eram mulheres, 16 cadeirantes disputaram uma categoria exclusiva e o veterano Jaime Agut, o mais velho do campeonato, virou símbolo de um esporte que junta gerações.

E a Seleção fez bonito. Na Copa do Mundo de Da Nang, no Vietnã, em 6 de setembro de 2026, o time 50+ bateu a Espanha por 3 a 1 na final, dando o troco na derrota da fase de grupos, e a gaúcha Eliza Rocha, de Santa Maria, foi a melhor jogadora da decisão.

Santa Maria, aliás, já tinha dado ao mundo a maior referência brasileira do esporte. Simone Jardim, nascida lá em 1979, foi aos Estados Unidos jogar tênis universitário, virou profissional de pickleball em 2015 e dominou o circuito: o Guinness registrou 50 meses seguidos dela como número 1 do mundo em simples, de abril de 2016 a junho de 2020, e o Hall da Fama do pickleball a recebeu em 2024. Se o pickleball tem uma rainha com sotaque brasileiro, é ela. Para outras modalidades, veja o guia de regras dos esportes.

Perguntas frequentes

Onde jogar pickleball de graça em São Paulo?

A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer oferece aulas gratuitas para maiores de 10 anos no CERET e no Centro Esportivo Lapa.

Pickleball é esporte olímpico?

Não. Dirigentes negociam a entrada nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2027, mas a inclusão não foi confirmada pelos organizadores.

Quem marca as bolas fora sem árbitro?

Cada jogador marca as linhas do próprio lado e só pode chamar “fora” se vir espaço entre a bola e a linha. Na dúvida, a bola é boa, e espectadores não podem ser consultados.

Fontes: USA Pickleball, Legislativo do Estado de Washington, Confederação Brasileira de Pickleball, Pickleball Hall of Fame, Guinness World Records, Prefeitura de São Paulo, Mix Vale, Poa24horas, ITF, FIP.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.