Thiago Wild voltou a levantar troféu no saibro sul-americano. No domingo, 18 de outubro de 2026, o paranaense derrotou o boliviano Hugo Dellien por 6/4 e 6/3, em 1h30, na final do Challenger 75 de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. É o quarto título de Challenger dele em 2026, o nono da carreira nesse nível, e o resultado vale mais do que a taça: no ranking da ATP publicado em 19/10/2026, Wild aparece em 111º lugar, 25 posições acima da semana anterior, e assume o posto de número 2 do Brasil, atrás apenas de João Fonseca.
Final contra o dono da casa: virada no primeiro set
Encarar Dellien em Santa Cruz é jogar contra o boliviano e contra a arquibancada. Segundo cabeça de chave e 128º do mundo na semana do torneio, o anfitrião começou melhor e chegou a abrir 4/2 no primeiro set. Foi aí que o brasileiro virou a chave: quebrou o saque do rival, confirmou o seu, empatou em 4/4 e emendou mais dois games para fechar a parcial em 6/4, de virada. Segundo o Olimpíada Todo Dia, Wild ganhou 67% dos pontos com o primeiro serviço naquele set.
No segundo set, o jogo mudou de cara. Wild abriu 4/1 e, nesse momento, Dellien pediu atendimento médico. Do outro lado da rede, o brasileiro não deu chance: não enfrentou nenhum break point, cedeu apenas três pontos nos games de saque e fechou em 6/3 com mais uma quebra. O título rendeu 75 pontos no ranking e US$ 17 mil de premiação.
Tem um gostinho especial nessa vitória, e a gente explica. Segundo o Brasil Tênis, Wild não vencia Dellien desde 2019, e o boliviano tinha levado a melhor nos dois duelos entre eles em nível ATP. Em Challengers, o retrospecto agora está empatado em quatro vitórias para cada lado.
A semana em Santa Cruz: três horas de batalha na semi
Terceiro cabeça de chave, Wild chegou à final sem sustos nas três primeiras rodadas, de acordo com os resultados oficiais da ATP: 6/3 e 7/6 na estreia, 6/2 e 6/2 nas oitavas e um duplo 6/1 contra o argentino Nicolás Kicker nas quartas.
A semifinal de sábado (17) foi outra história. Do outro lado estava o argentino Francisco Comesaña, principal cabeça de chave e 125º do mundo. Comesaña abriu 3/1 no primeiro set, Wild buscou a quebra e levou ao tie-break, onde venceu os sete pontos disputados. O argentino respondeu com 6/4 no segundo set, e o terceiro foi saque a saque: Wild salvou três break points, desperdiçou um match point com 6/5 e só resolveu no tie-break, por 7 a 3, depois de cerca de três horas de jogo. Foram 12 aces do brasileiro contra cinco do rival, segundo o Olimpíada Todo Dia.
Detalhe que ajuda a medir o fôlego do paranaense: uma semana antes, ele tinha sido vice em Antofagasta, no Chile, perdendo a final brasileira para João Lucas Reis. Foram duas finais seguidas no saibro sul-americano.
Uma temporada de reconstrução, título por título
Quem acompanha a carreira de Thiago Wild sabe que o paranaense já viveu o topo: foi campeão do ATP 250 de Santiago em 2020, seu título mais importante até hoje. Em 2026, porém, o caminho de volta passou pelos Challengers, e a escalada impressiona.
Wild começou o ano como 216º do mundo e, em junho, chegou a aparecer em 297º no ranking registrado pela ATP. A virada começou em casa: título no Challenger de Piracicaba (SP), com um duplo 6/2 na final. Em julho, veio o troféu em Zug, na Suíça, contra o anfitrião Marc-Andrea Huesler (6/4 e 6/3). Segundo a Gazeta Esportiva, aquele foi seu maior título em três anos e garantiu vaga no qualifying do US Open. Em setembro, mais uma conquista em Gênova, na Itália, com 6/4 e 6/2 na decisão.
Somando as finais perdidas em Itajaí (SC), em janeiro, e Antofagasta, em outubro, são seis decisões em 2026. Na nossa opinião, poucos brasileiros tiveram uma temporada tão regular no circuito Challenger neste ano.
| Torneio | Mês | Resultado |
|---|---|---|
| Challenger de Itajaí (Brasil) | Janeiro | Vice |
| Challenger de Piracicaba (Brasil) | Junho | Campeão |
| Challenger de Zug (Suíça) | Julho | Campeão |
| Challenger de Gênova (Itália) | Setembro | Campeão |
| Challenger de Antofagasta (Chile) | Outubro | Vice |
| Challenger de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) | Outubro | Campeão |
Número 2 do Brasil e a 60 pontos do top 100
No ranking oficial de 19/10/2026, Wild soma 545 pontos e ocupa o 111º lugar. Com isso, ultrapassa Gustavo Heide, agora 114º, e se torna o segundo melhor brasileiro do mundo. Na frente, só João Fonseca, 28º colocado. O 100º da lista, o francês Benjamin Bonzi, tem 605 pontos: a diferença para entrar no grupo de elite é de 60 pontos. Quer entender como essa conta funciona? A gente explica no nosso guia sobre o ranking da ATP.
Próximo passo: Costa do Sauípe
Wild estava inscrito no Challenger 75 de Cali, na Colômbia, que começou nesta segunda-feira (19). Segundo o Brasil Tênis, porém, ele retirou a inscrição, sem motivo divulgado, e deve voltar às quadras na primeira semana de novembro, no Challenger da Costa do Sauípe, na Bahia. Jogar em casa, com o top 100 ao alcance: dá para pedir roteiro melhor para a reta final da temporada?
Fontes: ATP Tour, Olimpíada Todo Dia, Brasil Tênis, Gazeta Esportiva.