Arthur Zanetti é o ginasta que deu ao Brasil o primeiro ouro olímpico da história da ginástica: em 6 de agosto de 2012, em Londres, cravou 15,900 nas argolas e tirou o título do chinês Chen Yibing, então dono da prova. Nascido em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, o “Senhor dos Anéis” ainda foi prata no Rio 2016, campeão mundial em 2013 e, aposentado desde janeiro de 2025, virou treinador de criancinhas em São Caetano e hoje também veste o uniforme de árbitro. Vem com a gente conhecer essa história.
Um garoto de São Caetano que escolheu as argolas
Arthur Zanetti nasceu em 16 de abril de 1990, em São Caetano do Sul, e começou na ginástica em 1998, aos 7 anos, no ginásio da SERC Santa Maria. Antes, dividia o tempo com o futebol. Teve de escolher, e a escolha foi fácil: em entrevista ao ABC do ABC, em 2015, ele admitiu que gostava mais da ginástica e que era “ruim” de bola.
Pouco depois, o técnico Marcos Goto chegou de Guarulhos a São Caetano quando o menino tinha 8 anos e logo enxergou algo diferente. “Percebi muito potencial naquele garotinho e o chamei para vir treinar conosco”, contou Goto à Gazeta SP no dia da aposentadoria do pupilo. A dupla nunca mais se separou. Zanetti descrevia o treinador como “bastante exigente”, e dizia que isso era bom.
Tem um detalhe de família que todo torcedor deveria saber: na época de Londres, Arthur treinava em aparelhos fabricados pelo próprio pai, Arquimedes, e os considerava melhores do que os importados, segundo o Jornal do Brasil em 2012. Com 1,56 m de altura, o baixinho do ABC foi se especializando na prova que exige mais força bruta da ginástica masculina.
O caminho não foi liso. Entre 2003 e 2010, ele acumulou lesões no punho direito e no ombro direito, e a última delas terminou em cirurgia e quatro meses longe dos treinos. Voltou no ano seguinte com prata no Mundial de Tóquio 2011, a primeira grande medalha internacional, e chegou a Londres como um dos favoritos discretos.
Londres 2012: a noite em que o Brasil derrubou Chen Yibing
Chen Yibing era o campeão olímpico de Pequim 2008 e tinha quatro títulos mundiais nas argolas. Na final de 6 de agosto, foi o primeiro a se apresentar e encerrou a série com um duplo mortal estendido com pirueta. Nota: 15,800. Um a um, os outros finalistas tentaram, e ninguém passou. O russo Aleksandr Balandin fez 15,666, o italiano Matteo Morandi chegou a 15,733, e a nota do chinês continuou lá no topo.
Zanetti era o último. Tinha passado em quarto na classificatória e, para a final, subiu a dificuldade da série para 6,8. Fez os elementos de força travados, segurou cada posição e, na saída, deu um passinho. Bateu o coração do Brasil inteiro. Quando a nota apareceu, 15,900 (6,8 de dificuldade e 9,1 de execução), o chinês tinha caído para a prata e Morandi ficou com o bronze. Depois da prova, o brasileiro confessou ter ficado surpreso, porque Chen era, nas palavras dele, um ginasta fantástico.
Era a primeira medalha olímpica da ginástica brasileira em qualquer aparelho, e já veio dourada. Coube ao baixinho de São Caetano abrir a porta. Se hoje a gente se acostumou a ver o Brasil no pódio com Rebeca Andrade e cia., vale lembrar quem foi o primeiro. Quem também viveu essa geração de perto foi o colega de seleção cuja trajetória contamos na história de Diego Hypolito.
Campeão do mundo e prata em casa
Em 2013, no Mundial de Antuérpia, Zanetti mostrou que Londres não tinha sido acaso. Na classificatória usou o elemento que leva o seu nome, que entrou no código de pontuação da FIG com valor F. Na final, tirou o movimento da série para chegar mais inteiro ao fim. “O objetivo era fazer a série mais limpa possível e cravar a saída”, explicou ao Jornal de Brasília. Deu certo: 15,800, ouro à frente de Balandin e do americano Brandon Wynn. Campeão olímpico e mundial em sequência, coisa rara no esporte brasileiro.
Faltava o ouro individual do Pan: em Guadalajara 2011 ele tinha ficado com a prata nas argolas, atrás do americano Brandon Wynn. O título veio em Toronto 2015, com 15,725 na final, e completou a coleção. No Rio 2016, diante da torcida, a missão era repetir Londres. O grego Eleftherios Petrounias fez 16,000 e levou o ouro; Zanetti ficou com a prata, com 15,766. Teve gente que falou em ouro perdido. Ele não aceitou a leitura. “Perder o ouro é uma palavra forte, vejo que conquistei a prata”, disse à Gazeta Esportiva, contando que comemorou mais do que em 2012.
Os anos finais: Tóquio, lesões e despedida
Depois do Rio, Zanetti ainda foi prata no Mundial de Doha 2018 e liderou a equipe brasileira campeã por equipes no Pan de Lima 2019, ao lado de Arthur Nory, Caio Souza, Francisco Barreto e Luis Porto, e ainda foi prata nas argolas. Em Tóquio, nos Jogos adiados para 2021, buscava ser o primeiro ginasta com medalhas nas argolas em três Olimpíadas seguidas. Errou a saída na final e terminou em oitavo, com 14,133. Doeu, mas não apagou nada.
O corpo começou a cobrar a conta. Foram cinco cirurgias nos três últimos anos de carreira, e ele não conseguiu brigar pela vaga em Paris 2024. Em 12 de janeiro de 2025, anunciou a aposentadoria em carta aberta e no Esporte Espetacular, da TV Globo. “O corpo tá falando, e vou respeitar”, resumiu no programa, segundo o Lance!, depois de 27 anos de ginástica. A decisão foi tomada em conversa com Goto e com a família.
| Competição | Ano | Resultado nas argolas |
|---|---|---|
| Mundial de Tóquio | 2011 | Prata (15,600) |
| Jogos Pan-Americanos de Guadalajara | 2011 | Prata |
| Jogos Olímpicos de Londres | 2012 | Ouro (15,900) |
| Mundial de Antuérpia | 2013 | Ouro (15,800) |
| Mundial de Nanning | 2014 | Prata (15,733) |
| Jogos Pan-Americanos de Toronto | 2015 | Ouro (15,725) |
| Jogos Olímpicos do Rio | 2016 | Prata (15,766) |
| Mundial de Doha | 2018 | Prata (15,100) |
| Jogos Pan-Americanos de Lima | 2019 | Prata (14,400) |
| Jogos Olímpicos de Tóquio | 2021 | 8º lugar (14,133) |
Onde está Arthur Zanetti em 2026
Ele não foi longe. Logo depois de parar, voltou ao centro de treinamento de São Caetano onde tudo começou, agora como professor de crianças de 5 a 7 anos, em aulas gratuitas para moradores da cidade, segundo o Diário do Grande ABC em março de 2025. O plano declarado é mais ambicioso: um dia comandar uma equipe de alto rendimento e voltar aos Jogos como técnico.
A outra frente é a arbitragem. Zanetti, que já tinha sido árbitro nacional, contou ter sido aprovado no curso internacional de arbitragem, feito no Brasil, e foi um dos juízes do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, de 7 a 9 de agosto de 2026, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília. “Arbitragem sempre me pegou bastante e agora me preparo para alcançar o nível máximo”, contou ao Metrópoles. Na nossa opinião, poucos juízes vão entender tão bem o peso de um passinho na saída. Quer saber como essas notas são montadas? Veja as regras da ginástica artística e os aparelhos da ginástica artística.
Perguntas frequentes
Quantos anos tem Arthur Zanetti?
Ele nasceu em 16 de abril de 1990, em São Caetano do Sul (SP). Ganhou o ouro olímpico com 22 anos.
Qual é a altura de Arthur Zanetti?
Ele tem 1,56 m, medida registrada na época de Londres 2012.
Arthur Zanetti tem filhos?
Sim. O filho, Liam, começou na ginástica aos 4 anos e frequenta as aulas que o pai dá em São Caetano do Sul, segundo o Diário do Grande ABC (março de 2025).
Por que Zanetti não foi aos Jogos de Paris 2024?
As lesões impediram que ele disputasse a vaga. Em maio de 2024, passou por cirurgia no braço esquerdo, segundo o Lance!.
Quiz: você conhece a história de Arthur Zanetti?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Quem Zanetti superou na final olímpica das argolas em Londres 2012?
2. Em que cidade Zanetti nasceu e começou na ginástica?
3. Quem é o técnico que acompanhou Zanetti desde a infância?
4. Em que Mundial Zanetti foi campeão das argolas?
5. Qual foi o resultado de Zanetti nos Jogos do Rio 2016?
Seu placar:
Fontes: FIG, Diário do Grande ABC.