O maior artilheiro da história da Ponte Preta é Dicá, com 155 gols pela Macaca, em duas passagens pelo Moisés Lucarelli: a primeira a partir de 1966, a segunda a partir de 1976. Logo atrás aparece Paulinho, goleador dos anos 1950, com 140, e fecha o pódio Chicão, cria da base que brilhou entre 1977 e 1986. Mas ranking de clube do interior não se explica só com número: tem final perdida no Morumbi, dérbi decidido no Brinco de Ouro e falta cobrada no ângulo. Vem com a gente.

Os 10 maiores artilheiros da Ponte Preta

A lista abaixo segue o levantamento publicado pelo portal Torcedores em 2020, que bate com o top 7 divulgado pelo Tudo EP, do grupo ACidadeON, em 2022, e com os três primeiros citados pelo próprio site oficial da Ponte.

Posição Jogador Gols Período
1º Dicá 155 1966 a 1971 e a partir de 1976
2º Paulinho 140 1952 a 1960
3º Chicão 105 ou 106 1977 a 1986
4º Osvaldo 89 1978 a 1982 e 1991
5º Bibe 88 1953 a 1959 e 1961 a 1962
6º Baltazar 86 1954 a 1956
7º Washington 82 1998 e 2000 a 2002
8º Nabor 76 1927 a 1931
9º Ayrton 74 1956 a 1959
10º Armando 73 1926 a 1930

A única divergência relevante está no terceiro lugar: o site oficial da Ponte credita a Chicão 105 gols em 271 jogos, enquanto Torcedores e Tudo EP falam em 106. Nada que mexa na ordem, mas fica o registro.

Repare na distribuição: seis dos dez brilharam entre os anos 1920 e o começo dos anos 1960, quando a Ponte tinha ataques que hoje parecem de outro planeta. Do século 21, só Washington aparece na lista.

Dicá, o mestre das faltas

Oscar Sales Bueno Filho, o Dicá, é daqueles casos em que o torcedor virou ídolo. Em entrevista ao Correio Popular em 2022, ele contou que começou na Ponte em 1966, com 17 anos, depois de nove jogos pela base, e lembrou que, ainda menino, voltou a pé para casa, no Jardim Santa Odila, depois de ver a Macaca perder para a Portuguesa Santista em 1964. Torcedor de arquibancada, rezando pela vitória.

Ele saiu em 1971, emprestado ao Santos, foi vendido à Portuguesa em 1972, ganhou o Paulista de 1973 com a Lusa e voltou a Campinas em 1976 para viver a fase mais dourada (e mais doída) do clube. Dicá nunca foi centroavante de área: os gols vinham de rebote, de chute de fora e, principalmente, de bola parada. “Fiz 59 gols de falta em minha carreira”, disse ao jornal campineiro. Na nossa opinião, é o maior jogador da história da Ponte, e não só pelos gols.

Contra o Guarani, então, era covardia. “Só perdi três dérbis. Tenho 16 vitórias e 14 empates”, resumiu Dicá ao Correio Popular. Para quem conhece o clássico mais equilibrado do interior paulista, o número é quase ofensivo.

1977: o gol de Dicá e a noite de Basílio

A cena que todo pontepretano conhece de cor aconteceu no Morumbi. Na final do Paulista de 1977, a Ponte perdeu o primeiro jogo para o Corinthians por 1 x 0, gol de Palhinha, mas virou o segundo por 2 x 1, com gols de Dicá e Rui Rei, diante de 138.032 pagantes, segundo reportagem do Estadão de 2017. A Macaca estava a um jogo do título.

Veio então o terceiro jogo, em 13 de outubro de 1977. Rui Rei foi expulso depois de se desentender com o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, e Basílio fez o gol do título corintiano aos 36 minutos do segundo tempo. O Corinthians encerrava mais de duas décadas sem conquistas, e a Ponte começava uma coleção de vices. Décadas depois, Dicá ainda defendia o time daquele ano: “A Ponte era superior ao Corinthians, e provou isso naquele ano”, disse ao Estadão.

Osvaldo e o caminho até as finais de 1979 e 1981

Se Dicá era o maestro, Osvaldo, quarto da lista com 89 gols, era o homem dos dérbis decisivos. Em 30 de janeiro de 1980, ainda pelo Paulista de 1979, ele fez o único gol da vitória por 1 x 0 sobre o Guarani no Brinco de Ouro, no confronto que valia vaga na decisão estadual, conforme o registro do site Trivela. A Ponte chegou à final e voltou a parar no Corinthians.

Em 1981, Osvaldo abriu o placar de um dos dérbis mais lembrados da história: Ponte 3 x 2 Guarani, em 5 de agosto, no Moisés Lucarelli, com 22.167 torcedores e gols dele, de Serginho e de Odirlei. Naquele ano a Macaca chegou a mais uma final paulista, agora contra o São Paulo, e perdeu de novo no Morumbi, com gol de Serginho Chulapa na decisão. Três finais em cinco anos, três vices: é por isso que o torcedor da Ponte tem fama de sofredor e fiel.

Chicão, da Copinha ao profissional

Chicão é o símbolo da base pontepretana. Revelado em casa, ele defendeu o clube de 1977 a 1986 e formou com Mauro uma das duplas de ataque mais marcantes da Ponte nos anos 1980, segundo o site oficial do clube. Em 1983, foi vice-artilheiro do Campeonato Paulista com 21 gols, marca de centroavante de time grande jogando num clube do interior.

Washington, o único do século 21

Antes de virar o Coração Valente de Athletico, Fluminense e São Paulo, Washington teve uma passagem discreta pela Ponte em 1998, emprestado pelo Caxias. Na volta, a história foi outra: em 2001 ele foi o artilheiro da Copa do Brasil, com 12 gols, e levou a Ponte às semifinais inéditas da competição, como lembrou a Tribuna do Paraná. “Tenho um carinho enorme pela Ponte Preta”, disse o atacante ao jornal. Os 82 gols colocam Washington em sétimo, e ninguém que vestiu a camisa da Ponte depois dele entrou no top 10.

E a Ponte de hoje?

O presente está longe dos tempos de Dicá: em 3/10/2026, a derrota por 2 x 0 para o Cuiabá, na 31ª rodada, confirmou o rebaixamento da Macaca à Série C de 2027. Em fevereiro, a derrota por 2 x 0 para a Portuguesa, no Canindé, já tinha mandado o time para a segunda divisão do Paulista.

Quer comparar com os rivais da capital que tiraram títulos da Ponte? Veja os maiores artilheiros do Corinthians, os maiores artilheiros do São Paulo e o ranking da maior torcida de São Paulo.

Perguntas frequentes

Quantos jogos Dicá fez pela Ponte Preta?

Dicá disputou 581 partidas com a camisa alvinegra, segundo o Tudo EP, e é também o recordista de jogos da história do clube, de acordo com o Correio Popular.

Qual é o retrospecto do Dérbi campineiro?

Em outubro de 2026, o Guarani levava ligeira vantagem: 72 vitórias contra 70 da Ponte, com 70 empates, segundo a Band. A última vitória bugrina, por 1 a 0 no Brinco de Ouro, saiu no Paulista de 2026.

Chicão foi artilheiro da Copa São Paulo de Futebol Júnior?

Foi, duas vezes. Na Ponte bicampeã da Copinha em 1981 e 1982, ele dividiu a artilharia de 1981 com Casagrande, com 5 gols, e foi artilheiro isolado em 1982, com 8 gols, além de eleito o melhor jogador daquela edição.

Qual é o maior público da história do Morumbi?

É justamente um jogo da Ponte: o segundo da final paulista de 1977, em 9 de outubro, com 146.082 pessoas no estádio, segundo Lance! e Trivela. Nem o São Paulo chegou perto em casa: seu recorde é de 122.432 torcedores, contra o Santos, em 1980.

Quiz: você conhece os artilheiros da Macaca?

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. Quantos gols Dicá marcou pela Ponte Preta, segundo os levantamentos do clube e da imprensa de Campinas?

Dicá soma 155 gols pela Macaca, 15 a mais que Paulinho, o segundo colocado.

2. Quem fez o gol do título do Corinthians no terceiro jogo da final paulista de 1977 contra a Ponte?

Basílio marcou aos 36 minutos do segundo tempo, em 13 de outubro de 1977, no Morumbi.

3. Em 2001, Washington foi artilheiro de qual competição jogando pela Ponte Preta?

Washington fez 12 gols na Copa do Brasil de 2001 e levou a Ponte às semifinais inéditas do torneio.

4. Quantos gols de falta Dicá diz ter marcado na carreira?

Ao Correio Popular, Dicá contou que fez 59 gols de falta na carreira.

5. Quem fez o gol da vitória por 1 x 0 sobre o Guarani no Brinco de Ouro, em 30 de janeiro de 1980?

Foi Osvaldo, quarto maior artilheiro da Ponte, no dérbi que valia vaga na decisão do Paulista de 1979.

Seu placar:

Fontes: A. A. Ponte Preta, Correio Popular.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.