Quando o último giro de maças terminou em Frankfurt, no domingo 16 de agosto de 2026, o placar mostrou 29.450 e a capitã do conjunto brasileiro de ginástica rítmica já sabia o que aquilo significava. Duda Arakaki, nascida em Maceió, acabava de ajudar o Brasil a conquistar o primeiro ouro mundial da história do país na modalidade, e depois ainda levou um segundo no mesmo dia. Vem com a gente entender como uma alagoana de 2003 chegou até aqui.
Quem é Duda Arakaki
Maria Eduarda Arakaki, a Duda, nasceu em 2003 em Maceió, segundo a Federação Internacional de Ginástica (FIG), e hoje tem 23 anos. Treina no Centro de Treinamento Nacional de Ginástica Rítmica, em Aracaju, sob o comando da técnica Camila Ferezin. Entrou na seleção em 2019 e hoje é a capitã do grupo, que o público brasileiro aprendeu a chamar de Leoas.
Ela não começou no conjunto. Em 2018, nos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires, Duda competiu no individual geral e terminou em 34º lugar na classificação, de acordo com a FIG. A migração para o trabalho coletivo mudou tudo, e a ginástica rítmica brasileira também.
| Ano | Competição | Resultado do conjunto |
|---|---|---|
| 2018 | Jogos Olímpicos da Juventude | Duda no individual geral: 34º lugar |
| 2021 | Mundial de Kitakyushu | 9º no geral |
| 2021 | Jogos Olímpicos de Tóquio | 12º na classificação do geral |
| 2022 | Mundial de Sófia | 5º no geral |
| 2023 | Mundial de Valência | 6º no geral, vaga em Paris 2024 |
| 2024 | Jogos Olímpicos de Paris | 9º na classificação do geral, fora da final |
| 2025 | Mundial do Rio de Janeiro | Prata no geral e prata na série mista |
| 2026 | Mundial de Frankfurt | Bronze no geral, ouro nas cinco bolas e ouro na série mista |
Os dados da tabela são da página de Duda na FIG. Os Jogos de Tóquio aconteceram em 2021 por causa do adiamento da pandemia.
Os anos de espera até Valência
O caminho para Paris passou por um susto. Em agosto de 2023, no Mundial de Valência, na Espanha, o Brasil terminou em sexto no geral com 65.000 pontos e conseguiu a vaga olímpica, a primeira vez que o grupo brasileiro garantia a presença em Jogos num Mundial, de acordo com o TNH1. Duda, então com 20 anos, tinha se machucado nos treinos dias antes da competição e se recuperou a tempo. A partir dali, a meta era uma só: chegar à final olímpica.
Antes disso, em 7 de maio de 2023, o conjunto já tinha feito barulho em Portimão, em Portugal, com o ouro nos cinco arcos, uma façanha que a gente contou na nossa matéria sobre o ouro inédito da ginástica rítmica do Brasil em Portugal. Duda estava na quadra naquele dia ao lado de Giovanna Silva, Nicole Pircio, Sofia Madeira e Victória Borges.
Paris 2024: a final que escapou por dez minutos
Em 9 de agosto de 2024, em Paris, o Brasil chegou ao último exercício da classificação precisando terminar entre os oito primeiros para ir à final. O grupo era o quarto colocado depois da primeira fase. Cerca de dez minutos antes da série final, Victoria Borges sentiu forte dor na panturrilha durante o aquecimento. Ela foi atendida, mas não conseguiu competir, e as companheiras a carregaram para fora do tapete depois da apresentação, segundo a Itatiaia.
O Brasil somou 24.950 naquele exercício e ficou em nono no geral da classificação, com 60.900, de acordo com a FIG, fora da final dos oito melhores. Duda, como capitã, foi à emissora Sportv explicar o que aconteceu e disse que a vontade do grupo era entrar na quadra para completar a série. É o tipo de cena que mostra por que a gente não pode olhar só a classificação final: ali, o que sobrou foi união.
A virada: Rio 2025 e a corrida até Frankfurt
O ciclo seguinte foi de ajuste fino. Em 24 de agosto de 2025, no Mundial do Rio de Janeiro, o conjunto conquistou a segunda prata do evento na série mista de três bolas e dois arcos, com 28.550 pontos, atrás da Ucrânia, que fez 28.650, e à frente da China, que somou 28.350, de acordo com o TNH1. Antes disso, o grupo tinha sido prata no geral, com 55.250, segundo a FIG. O país nunca tinha ido tão longe num Mundial da modalidade.
Em 2026, o ritmo só aumentou. Na etapa de Milão da Copa do Mundo, o Brasil foi primeiro no geral, com 56.050. No Campeonato Pan-Americano, em junho, no Rio, levou o geral (57.450) e fez 29.250 nas cinco bolas, a maior nota do mundo na temporada até então, segundo a Agência Brasil. Nos Jogos Sul-Americanos de Rosário, o conjunto também foi ouro no geral.
Frankfurt 2026: bronze, vaga olímpica e dois ouros
No sábado 15 de agosto, o conjunto foi bronze no geral do Mundial de Frankfurt com 55.500 pontos. A Espanha ficou com o ouro e o Japão com a prata, conforme o jornal O Povo. O resultado deu ao Brasil a vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, e o grupo ainda deixou para trás a China, campeã olímpica em Paris, e a Bulgária, campeã em Tóquio.
No dia seguinte, domingo 16, veio a história. Nas cinco bolas, com a música Feeling Good, o Brasil fez 29.450 e ganhou da China (28.900) e da Bulgária (28.400). Na série mista de três arcos e dois pares de maças, ao som de Abracadabra, foram de novo 29.450, com a Espanha em segundo (29.050) e a Bulgária em terceiro (28.750). Foram os primeiros ouros mundiais do Brasil na ginástica rítmica de conjunto, e a primeira vez que uma equipe das Américas venceu esse tipo de prova num Mundial, de acordo com a Agência Brasil.
A classificação das cinco bolas tinha sido apertada: o Brasil entrou na final em oitavo, o último lugar, com 26.800, depois de uma falha numa colaboração. Mas na final a série saiu quase sem erros. A técnica Camila Ferezin resumiu o sentimento ao falar com a Confederação Brasileira de Ginástica: foram anos de trabalho, erros, acertos, lágrimas, renúncias e muita persistência. Ela também lembrou que o time já foi o 26º do ranking mundial.
O grupo que subiu ao pódio reuniu Nicole Pírcio, de São Paulo, Sofia Madeira, do Espírito Santo, Julia Kurunczi e Mariana Gonçalves, do Paraná, Maria Paula Caminha, do Amazonas, e Duda, de Alagoas. Cinco ginastas competem em cada série e uma fica como reserva.
Maceió reconhece a capitã
A homenagem veio rápido na terra natal. A Câmara Municipal de Maceió marcou para quinta-feira 1 de outubro, às 10h, a entrega da Comenda do Mérito Esportivo Álvaro Vasconcelos Filho a Duda, numa proposta do vereador Charles Hebert. Segundo o parlamentar, ela representa a força, a dedicação e o talento do esporte alagoano.
O gesto diz muito sobre o que a conquista significa fora dos grandes centros. Uma ginasta de Alagoas, com treino em Aracaju, ao lado de meninas do Amazonas, do Paraná, do Espírito Santo e de São Paulo, tornando a rítmica brasileira campeã do mundo.
Na nossa opinião
Na nossa opinião, o ouro de Frankfurt é o resultado mais bonito de um ciclo que quase passou despercebido. Em Paris 2024, o Brasil perdeu a final por um detalhe de saúde e de sorte. Dois anos depois, o grupo respondeu com paciência, nota alta e uma capitã que nunca saiu da quadra. A gente ainda vai sentir o peso dessa conquista na hora de formar a próxima geração, porque agora a rítmica tem uma referência clara para quem está começando.
Perguntas rápidas
O que é a série mista na ginástica rítmica?
É a prova em que o conjunto usa dois aparelhos diferentes na mesma série. No caso de Frankfurt, foram três arcos e dois pares de maças.
Quantas ginastas competem em cada série do conjunto?
Cinco ginastas entram na quadra, e uma fica como reserva, de acordo com a Agência Brasil.
Quando acontecem os Jogos Olímpicos de Los Angeles?
Em 2028. O Brasil já tem a vaga do conjunto garantida desde o bronze no geral do Mundial de 2026.
Onde posso saber mais sobre a modalidade?
Preparamos um guia com regras, aparelhos e curiosidades na nossa página de ginástica rítmica. Se a gente falou de Mundial, vale também ler a história de Lorrane Oliveira, da ginástica artística.
Quiz: você conhece a história de Duda Arakaki?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. De qual cidade é Duda Arakaki?
2. Quantas medalhas de ouro o conjunto brasileiro ganhou no Mundial de Frankfurt, em 2026?
3. Qual ginasta se machucou no aquecimento do último exercício do conjunto em Paris 2024?
4. Qual medalha o conjunto ganhou no individual geral do Mundial do Rio, em 2025?
5. Qual país venceu o concurso geral por conjuntos no Mundial de Frankfurt, em 2026?
Seus acertos:
Fontes: FIG, Agência Brasil.