O tênis de mesa paralímpico segue quase tudo o que você já conhece da modalidade olímpica: melhor de cinco sets, 11 pontos por set, mesa e rede do mesmo tamanho. O que muda são as classes esportivas, que colocam atletas de cadeira de rodas e em pé na mesma modalidade com justiça, e alguns detalhes do saque e da mesa. Vem com a gente entender como funciona, do básico às regras que quase ninguém comenta.

Tênis de mesa paralímpico: como funciona

Segundo o Comitê Paralímpico Internacional, as regras de equipamento, de andamento da partida e de pontuação seguem em grande parte as do tênis de mesa olímpico. A partida é disputada em melhor de cinco sets, e cada set vai até 11 pontos. Quem chega primeiro a 11 vence o set, desde que tenha vantagem de dois pontos, informa o site olímpico oficial.

A modalidade é gerida pela Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), por meio do seu comitê para o para tênis de mesa. Há disputas de simples, duplas e equipes, para homens e mulheres. Nas duplas, também existem as mistas, que aparecem nos resultados com a sigla XD.

Ponto Como é no para tênis de mesa
Partida Melhor de cinco sets
Set Até 11 pontos, com diferença de dois
Provas Simples, duplas e equipes, masculino e feminino
Classes 11 (1 a 5 cadeirantes, 6 a 10 em pé, 11 deficiência intelectual)
Mesa para cadeirantes Pernas a pelo menos 40 cm da linha de fundo
Saque Pode ser lançado do cotovelo ou da raquete quando a palma aberta não é possível

Um esporte que nasceu com os Jogos

O tênis de mesa participou dos primeiros Jogos Paralímpicos, em Roma, em 1960, com 11 eventos de medalha, seis masculinos e cinco femininos. Naquele começo só competiam cadeirantes. Os atletas em pé entraram em Toronto, em 1976. É por isso que o para tênis de mesa tem uma história paralímpica bem mais antiga que a olímpica: a modalidade só chegou aos Jogos Olímpicos 28 anos depois de Roma, em 1988.

O primeiro Campeonato Mundial de para tênis de mesa só aconteceu em 1990, em Assen, na Holanda. Hoje, é o terceiro maior esporte paralímpico em número de atletas, segundo o site olímpico, com praticantes em mais de 100 países. Em Rio 2016, foram 276 atletas em 29 eventos de medalha, e em Tóquio 2020 o programa chegou a 31 eventos, 21 de simples e 10 por equipes.

As 11 classes esportivas

A classificação funcional é o coração do esporte. Ela agrupa atletas cujas deficiências afetam o jogo de forma parecida, para que o resultado dependa de técnica e tática, e não do tamanho da limitação. Existem 11 classes:

  • Classes 1 a 5: atletas em cadeira de rodas. Quanto menor o número, maior o impacto da deficiência.
  • Classes 6 a 10: atletas em pé. A classe 6 tem o maior impacto, e a 10, o menor. Alguns jogadores, principalmente das classes 6 a 8, usam bengalas ou muletas.
  • Classe 11: atletas com deficiência intelectual.

Segundo a ITTF, as classes 1 a 10 exigem um formulário de diagnóstico médico assinado por um profissional de saúde habilitado. Na classe 11, é preciso ter um número de elegibilidade da Virtus. A avaliação de atletas novos acontece em competições internacionais, e o sistema da federação atribui a cada um o status de revisão ou de classe confirmada.

Nas provas por equipes e nas duplas, as classes se juntam. Nas disputas dos Jogos de Paris 2024 você vai ver siglas como WD5, WD20, MD18 ou XD17.

O saque e as regras que mudam

A principal diferença está no saque. Na regra olímpica, a bola precisa repousar na palma aberta da mão livre e ser lançada para cima pelo menos 16 cm antes de ser golpeada. Quando isso não é possível por causa da deficiência, o para tênis de mesa permite lançar a bola a partir do cotovelo ou da própria raquete.

Para cadeirantes, o regulamento ajusta o que é let, aquele ponto que se repete. Segundo o site olímpico, o saque é anulado se a bola, depois de quicar do lado do recebedor, volta em direção à rede. Em simples, também vale let se a bola sai da mesa de lado, por qualquer uma das linhas laterais do recebedor.

Nas duplas de cadeirantes, os parceiros não precisam alternar as rebatidas. Essa é uma diferença enorme em relação ao tênis de mesa olímpico, em que a ordem é obrigatória.

Mesa e raquete

A mesa e a rede têm as mesmas medidas das usadas nos Jogos Olímpicos. Para cadeirantes, há um ajuste: as pernas da mesa ficam a pelo menos 40 cm da linha de fundo, para que a cadeira consiga se aproximar. Quem não consegue segurar a raquete com firmeza pode prendê-la à mão ou usar uma faixa elástica. Esse tipo de adaptação é aceito.

O Brasil na mesa paralímpica

O Brasil tem tradição na modalidade, e Paris 2024 mostrou isso. A dupla Cátia Oliveira e Joyce ficou com o bronze na prova WD5, de cadeirantes, em 30 de agosto de 2024. Como não há disputa de terceiro lugar, quem perde na semifinal já sobe ao pódio, e elas caíram diante das sul-coreanas Su Yeon Seo e Jiyu Yoon por 3 a 0. Foi a primeira medalha paralímpica de Joyce e a segunda de Cátia, que já tinha um bronze individual em Tóquio.

No dia 31, vieram mais dois bronzes em duplas. Bruna Alexandre e Danielle Rauen, na WD20, perderam a semifinal por 3 a 0 para as australianas Qian Yang e Lina Lei. Cláudio Massad e Luiz Manara, na MD18, caíram por 3 a 1 diante dos chineses Chaodong Liu e Yiqing Zhao, no primeiro pódio paralímpico dos dois. Em 3 de setembro, Bruna Alexandre completou o quarteto de bronzes no simples WS10, ao perder para Qian Yang por 3 a 2 na semifinal, com parciais de 11-6, 3-11, 11-9, 9-11 e 3-11. Segundo a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, o resultado igualou a melhor campanha do país na modalidade, os quatro pódios de Rio 2016.

Quer comparar com o jogo olímpico? Leia nosso guia das regras do tênis de mesa, veja como funcionam as outras modalidades no texto sobre as regras dos esportes paralímpicos e conheça outro esporte em que o Brasil é potência, o goalball.

A nossa opinião

Na nossa opinião, o tênis de mesa paralímpico é um dos melhores esportes para quem quer começar a acompanhar os Jogos Paralímpicos. As regras são as que você já conhece, o ritmo é rápido e o sistema de classes explica por si só por que cada atleta compete em determinada prova. Quem assiste a uma semifinal de cadeirantes na classe 5 percebe logo que ali não existe jogo menor.

Perguntas rápidas

Quem pode jogar o tênis de mesa paralímpico?

Atletas com deficiência física, nas classes 1 a 10, e com deficiência intelectual, na classe 11. Todos passam pela classificação oficial da ITTF antes de competir em torneios internacionais.

Qual o custo para pedir uma classificação internacional?

Segundo a ITTF, um novo pedido de classificação custa 50 dólares, e o recurso depois da primeira classificação custa 100 dólares.

Atletas com deficiência visual podem competir?

No para tênis de mesa, não. O Comitê Paralímpico Internacional informa que atletas com deficiência física competem em pé ou sentados, exceto aqueles com deficiência visual, e que também há classe para deficiência intelectual.

Onde acontece o próximo Mundial?

O Campeonato Mundial de Para Tênis de Mesa de 2026 será em Pattaya, na Tailândia, de 23 a 29 de novembro, com 330 atletas e 37 medalhas de ouro, segundo a ITTF.

Quiz: você domina o tênis de mesa paralímpico?

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. Em que edição dos Jogos Paralímpicos o tênis de mesa estreou?

O tênis de mesa esteve nos primeiros Jogos Paralímpicos, em Roma, em 1960. Toronto 1976 foi quando entraram os primeiros eventos para atletas em pé.

2. Quantas classes esportivas existem no tênis de mesa paralímpico?

São 11 classes: de 1 a 5 para cadeirantes, de 6 a 10 para atletas em pé e a 11 para deficiência intelectual.

3. Qual é a principal diferença do saque no para tênis de mesa?

Quando o atleta não consegue lançar a bola da palma aberta, as regras permitem lançá-la a partir do cotovelo ou da raquete.

4. A que distância mínima da linha de fundo ficam as pernas da mesa para cadeirantes?

As pernas da mesa ficam a pelo menos 40 cm da linha de fundo, para dar espaço à cadeira de rodas.

5. Quantos bronzes o Brasil ganhou em Paris 2024 nos eventos de tênis de mesa citados no texto?

Foram quatro bronzes: Cátia Oliveira e Joyce, Bruna Alexandre e Danielle Rauen, Cláudio Massad e Luiz Manara, e Bruna Alexandre no simples WS10.

Seus acertos:

Fontes: Comitê Paralímpico Internacional, ITTF.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.