Campeã mundial com a seleção brasileira em 2013, a goleira paraibana Mayssa Pessoa segue decisiva na elite do handebol francês aos 42 anos. Na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, ela ajudou o Saint-Amand a virar o jogo contra o Paris 92 e vencer por 27 a 21, pela sexta rodada da Ligue Butagaz Énergie, a primeira divisão feminina da França. Foram seis defesas em 13 arremessos (46,2%) em 29 minutos, segundo a Liga Feminina de Handebol (LFH).

A virada de 14 de outubro

De acordo com o Olimpíada Todo Dia, o Saint-Amand foi para o intervalo perdendo por 13 a 12. Na segunda etapa, com contribuição direta de Mayssa na reação, o time fez 15 a 8 e garantiu a quarta vitória em seis rodadas do campeonato. Nos arremessos de quadra, a brasileira defendeu seis de 12 tentativas, 50% de aproveitamento. O próximo compromisso da equipe pela liga é contra o Chambray, fora de casa, em 31 de outubro.

Os números da temporada confirmam a regularidade: em seis jogos da Ligue Butagaz Énergie 2026/27, Mayssa soma 22 defesas em 63 arremessos (34,92%), segundo a ficha oficial da LFH. Na temporada anterior, a primeira dela no clube, foram 26 partidas e 182 defesas em 577 arremessos (31,54%).

Do Colégio Lourdinas ao handebol de areia

Mayssa Pessoa nasceu em João Pessoa, na Paraíba, em 11 de setembro de 1984. Em entrevista à Federação Internacional de Handebol (IHF), contou que entrou no Colégio Lourdinas aos 4 anos, praticava vários esportes e começou no handebol aos 10. “Eu jogava todos os esportes, mas o handebol me fez me apaixonar”, afirmou. Uma de suas inspirações era o goleiro Taffarel, campeão mundial de futebol em 1994.

Foi a técnica Rossana Marques quem a apresentou ao handebol de areia, aos 15 anos. A modalidade abriu as portas da seleção: em 2004, logo depois de completar 20 anos, Mayssa disputou o primeiro Mundial de handebol de praia, em El Gouna, no Egito. O Brasil terminou em sexto lugar, mas ela foi eleita a melhor goleira do torneio. “Eu chorava como um bebê, mas foi uma sensação incrível”, lembrou à IHF. No ano seguinte, foi ouro nos Jogos Mundiais de 2005, em Duisburg, na Alemanha.

Uma carreira inteira na Europa

Ainda em 2005, Mayssa trocou o Brasil pela Europa. Segundo o Saint-Amand, passou por Portugal e jogou duas temporadas na Espanha antes de chegar à França em 2008, pelo Mérignac. Depois defendeu o Brest por duas temporadas e o Paris 92 em 2011/12, somando 81 jogos no país nessa primeira passagem.

Em 2012 foi para a Rússia, no Dinamo Volgograd, onde foi campeã nacional em 2013 e 2014 e estreou na Liga dos Campeões. Em 2014, assinou com o CSM Bucareste, da Romênia. A partir de 2016, vieram o Vardar, da Macedônia do Norte, campeão nacional, e o Rostov-Don, da Rússia, onde jogou de 2017 a 2021 e foi campeã russa novamente. Depois de outra passagem pela Romênia, no Dunărea Brăila, e de temporadas na Escandinávia, a última delas pelo Sola HK, da Noruega, voltou à França em junho de 2025, contratada pelo Saint-Amand, comandado pela técnica Edina Borsos.

A noite da Liga dos Campeões e o duelo com Duda Amorim

O ponto mais alto da carreira de clubes veio em 8 de maio de 2016, em Budapeste. Na final da Liga dos Campeões, o CSM Bucareste empatou com o Győr, da Hungria, por 22 a 22 no tempo normal e por 25 a 25 na prorrogação. Na disputa de tiros de sete metros, Mayssa fez duas defesas e deu ao clube romeno o primeiro título europeu de sua história, segundo a Gazeta Esportiva.

A decisão teve quatro brasileiras. Do lado do CSM, além de Mayssa, estavam Fernanda França e Ana Paula Rodrigues. Do outro, a armadora Duda Amorim, do Győr, eleita a melhor jogadora defensiva daquela edição. Naquela noite, a goleira levou a melhor sobre uma das maiores jogadoras do país.

O título mundial e o vaivém com a seleção

Pela seleção brasileira, Mayssa fez 94 jogos. O maior feito foi o título do Mundial de 2013, na Sérvia, quando o Brasil venceu a anfitriã por 22 a 20 na final, em 22 de dezembro, em Belgrado, e conquistou o primeiro título mundial do handebol sul-americano. Ela também foi ouro no Pan-Americano de handebol de 2013 e nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015. A história completa da competição está no guia do Campeonato Mundial de Handebol Feminino.

Nos Jogos Olímpicos, esteve em Londres 2012, quando o Brasil terminou em sexto lugar, então a melhor campanha olímpica do handebol feminino do país, e na Rio 2016. Depois da eliminação para a Holanda nas quartas de final no Rio, anunciou a despedida da seleção. Em janeiro de 2019, reviu a decisão. “Eu estou pensando em voltar a vestir a amarelinha. Pode ser que eu vá para a seleção na próxima convocação em março. Não é certeza”, disse ao Olimpíada Todo Dia, segundo o Lance!. As campeãs que fizeram a história da seleção estão reunidas na lista de maiores jogadoras da seleção brasileira de handebol.

Marcos da carreira de Mayssa Pessoa

Ano Marco
1984 Nasce em João Pessoa (PB), em 11 de setembro
2004 Melhor goleira do primeiro Mundial de handebol de praia, no Egito
2005 Ouro nos Jogos Mundiais (handebol de praia) e mudança para a Europa
2008 Primeira passagem pela França, no Mérignac
2012 Olimpíada de Londres e transferência para o Dinamo Volgograd
2013 Campeã mundial com a seleção brasileira, na Sérvia
2015 Ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto
2016 Campeã da Liga dos Campeões pelo CSM Bucareste e Olimpíada do Rio
2017 a 2021 Rostov-Don, com títulos do Campeonato Russo
2025 Contratada pelo Saint-Amand, da França
14/10/2026 Seis defesas na vitória de virada por 27 a 21 sobre o Paris 92

Por que a longevidade chama atenção

No handebol, a goleira enfrenta arremessos a poucos metros de distância e precisa de reflexo e explosão a cada ataque adversário. Mayssa chega aos 42 anos com mais de duas décadas de carreira profissional, títulos nacionais em três países diferentes, uma Liga dos Campeões e um título mundial, e ainda é usada nos momentos de virada por um time da primeira divisão francesa. Para entender a função que ela exerce em quadra, o guia de posições do handebol explica o papel da goleira.

Fontes: Ligue Féminine de Handball, Olimpíada Todo Dia, Saint-Amand Handball, IHF, Gazeta Esportiva, Lance!, Wikipedia.