No salto em altura, você tem três tentativas em cada altura e está fora quando errar três vezes seguidas, seja numa só altura ou em várias. Vence quem passar a barra mais alta. O recorde mundial masculino, 2,45 m, é de Javier Sotomayor desde 1993, e o feminino, 2,10 m, é de Yaroslava Mahuchikh desde 2024.
É uma prova que parece cruel de assistir: um erro de centímetros e o atleta vai para casa. Mas é justamente isso que dá tensão a cada salto.
Como funciona a prova
A barra fica apoiada em dois suportes, é horizontal e feita de fibra de vidro (barras de metal não são permitidas). O atleta corre, salta de um pé só e tenta passar sem derrubá-la. A tentativa é falha se a barra cair dos suportes ou se o saltador não iniciar o salto no tempo limite, em geral um minuto depois do sinal do árbitro.
Cada saltador tem até três tentativas por altura. A barra sobe depois de cada rodada, e o atleta pode passar (pular a tentativa e esperar uma altura maior), o que é uma decisão tática: poupar energia nas alturas baixas, mas arriscar ter menos chances lá em cima. Três falhas consecutivas eliminam, mesmo que sejam em alturas diferentes. Em campeonatos grandes, há classificatória e final.
Como se desempata
O ranking é pela maior altura transposta. Se dois atletas passam a mesma altura, ganha quem teve menos falhas nessa altura. Persistindo o empate, vale o menor número total de falhas na competição. Se o empate for pelo primeiro lugar, entra o salto de desempate: a barra começa na altura seguinte à última transposta pelos empatados, cada um tem uma tentativa por rodada, e a barra sobe quando ambos passam e desce quando ambos falham, até sobrar um só vencedor.
| Critério | O que vale |
|---|---|
| Primeiro | Maior altura transposta |
| Segundo | Menos falhas na altura em que houve o empate |
| Terceiro | Menos falhas na competição inteira |
| Quarto (só para o 1º lugar) | Salto de desempate |
Dick Fosbury e a revolução de 1968
Até os anos 1960, o salto em altura era feito com técnicas como a tesoura e o rolo ventral, com o corpo virado para a barra. Um estudante do ensino médio nos Estados Unidos mudou isso. Dick Fosbury usava a técnica de costas desde a primavera de 1963, e um jornal chamou o estilo de Fosbury Flop.
Em Cidade do México, em 1968, Fosbury, então com 21 anos, conquistou o ouro com 2,24 m, recorde olímpico, e superou o americano Ed Caruthers por dois centímetros. Depois, tentou 2,29 m e errou. Segundo a World Athletics, os avanços nas áreas de queda, com camas de espuma muito mais seguras, ajudaram os saltadores a experimentar passar a barra de costas.
A virada foi rápida: nos Jogos de 1972, 28 dos 40 competidores usavam a técnica de Fosbury. E em 1973 o americano Dwight Stones foi o primeiro recordista mundial a usá-la, com 2,30 m.
Como é o Fosbury Flop hoje
A corrida de aproximação faz uma curva em forma de J. O atleta bate com o pé externo, gira o corpo e passa a barra de costas, com a cabeça e os ombros primeiro, depois o dorso arqueado e, por último, as pernas. Cai de costas no colchão. A explicação mecânica é que o corpo arqueado mantém o centro de gravidade abaixo da barra.
Os recordes mundiais
No masculino, a marca é de 2,45 m, de Javier Sotomayor, de Cuba, saltada em Salamanca, na Espanha, em 27 de julho de 1993. A segunda melhor marca da história é 2,43 m, do catariano Mutaz Essa Barshim, em Bruxelas, em 5 de setembro de 2014. Na lista de todos os tempos, os dois estão separados por dois centímetros, e ninguém passou de 2,43 m desde 2014.
No feminino, Yaroslava Mahuchikh, da Ucrânia, saltou 2,10 m em Paris (Stade Charléty) em 7 de julho de 2024, quebrando a marca da búlgara Stefka Kostadinova, 2,09 m, de 30 de agosto de 1987, que durava 37 anos.
O Brasil no salto em altura
O recorde brasileiro masculino é de Jessé de Lima: 2,32 m, em 2 de setembro de 2008, segundo o perfil dele na World Athletics. Nascido em 1981, ele já tinha derrubado recordes antes: em 7 de maio de 2006, em Porto Alegre, saltou 2,30 m, aos 25 anos. Na mesma noite, errou três vezes em 2,32 m, a altura que ele só cravaria dois anos depois.
Em 2018, Talles Silva, que tinha disputado a Rio 2016, saltou 2,26 m em São Caetano do Sul e quebrou o recorde brasileiro indoor de Jessé, que era de 2,25 m e datava de 17 de fevereiro de 2004.
No feminino, a marca de 1,92 m era de Orlane Maria dos Santos, de 1989, até que Valdileia Martins igualou o número na classificatória olímpica de Paris, em 2 de agosto de 2024, e foi à final. Ao tentar 1,95 m, ela torceu o tornozelo esquerdo e desistiu da final, no domingo, 4 de agosto, antes do primeiro salto. Foi uma das cenas mais duras da delegação brasileira em Paris.
Para ver a lista completa de marcas nacionais, confira os recordes brasileiros no atletismo.
Quem gosta de saltar, também lê
O salto em altura divide espaço com outras provas de salto. Veja as regras do salto com vara e as regras do salto triplo. Para as regras gerais do atletismo, vale o guia de regras do atletismo.
Quiz: teste o que você sabe
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Quantas falhas consecutivas eliminam um saltador, sejam na mesma altura ou em alturas diferentes?
2. O que se faz primeiro para desempatar dois atletas que transpuseram a mesma altura máxima?
3. Quem popularizou o salto de costas nos Jogos Olímpicos de 1968?
4. De que país é Yaroslava Mahuchikh, dona do recorde mundial feminino do salto em altura?
5. Quem detém o recorde brasileiro masculino do salto em altura segundo a World Athletics?
Seu placar:
Fontes: World Athletics, Olympics.com.