O salto triplo é a prova em que o atleta corre pela pista, pisa na tábua e encadeia três saltos seguidos antes de cair na areia: primeiro o impulso (o hop, em inglês), depois a passada (step) e por fim o salto (jump). A regra da World Athletics é curta e implacável: no primeiro salto você cai com o mesmo pé com que decolou, no segundo troca de pé, e é desse outro pé que sai o voo final. Errou a ordem, é falta. Vem com a gente entender o resto, da tábua ao vento, até a rica tradição brasileira na prova.

Ponto da regra Como funciona
Sequência Impulso, passada e salto, nessa ordem (pé A, pé A, pé B)
Tábua de impulsão Branca, 1,22 m de comprimento e 20 cm de largura; a borda mais próxima da areia é a linha de impulsão
Distância até a areia Mínimo de 13 m (homens) e 11 m (mulheres) em competições internacionais
Medição Da marca na areia mais próxima da tábua até a linha de impulsão, arredondando para baixo no centímetro
Tentativas Três para todos; os oito melhores ganham mais três
Vento para recorde Média de até 2,0 m/s a favor
Recorde mundial masculino 18,29 m, Jonathan Edwards (Grã-Bretanha), Gotemburgo, 1995
Recorde mundial feminino 15,74 m, Yulimar Rojas (Venezuela), Belgrado (indoor), 2022
Recordes do Brasil 17,90 m, Jadel Gregório (2007); 14,69 m, Nubia Soares (2018)

Impulso, passada e salto: a ordem dos pés

O texto oficial está nas Regras Técnicas da World Athletics (Livro C2.1, edição em vigor em 2026): o triplo é composto de um hop, um step e um jump, nessa ordem. Na prática, o triplista que decola com o pé direito cai com o direito no impulso, pisa com o esquerdo na passada e sai do esquerdo para o salto final. Quem exagera no primeiro salto chega “afundado” na passada e perde tudo no fim.

Um bom exemplo de distribuição veio da noite mais famosa da prova feminina. Na final olímpica de Tóquio, em 1º de agosto de 2021, Yulimar Rojas fez 5,86 m no impulso, 3,82 m na passada e 5,99 m no salto, num total de 15,67 m, recorde mundial na época, segundo o relato da World Athletics.

As regras gerais dos saltos horizontais valem também aqui (veja o nosso guia de regras do atletismo), e pisar nas linhas brancas entre a tábua e a areia não é falta por si só.

A tábua de impulsão e a marcação da corrida

A tábua fica nivelada com a pista e mede 1,22 m por 20 cm. Em competições internacionais, deve haver uma tábua para os homens, a pelo menos 13 m da areia, e outra para as mulheres, a pelo menos 11 m.

O atleta marca a própria corrida para chegar à tábua no máximo de velocidade controlada, com o pé colado na linha. Jonathan Edwards contou à World Athletics que, no salto do recorde mundial, em 1995, ainda sobraram 11 centímetros na tábua, porque a medida parte sempre da linha, não do ponto onde o pé tocou.

Como se mede o salto triplo

A trena (ou o sistema de vídeo) vai da marca na areia mais próxima da tábua até a linha de impulsão, sempre em linha perpendicular a ela. Vale qualquer parte do corpo: se o atleta cai sentado e a mão encosta atrás do pé, a medida é feita na marca da mão. Distâncias são registradas em centímetros inteiros, arredondando para baixo.

Quando é falta: queimar, errar a ordem, cair fora

A falta mais comum é a famosa “queimada”: tocar o plano vertical da linha de impulsão com a ponta do pé ou do calçado. Também é falta decolar de fora das extremidades da tábua, fazer cambalhota, errar a sequência dos pés, tocar o chão fora da área de queda antes de cair na areia e, ao terminar o salto, cair fora da caixa ou sair dela andando para trás, mais perto da tábua do que a marca deixada.

E tem a falta que ninguém vê da arquibancada: o equipamento. No Mundial Indoor de Nanjing, em 21 de março de 2025, Almir dos Santos fez 17,22 m e chegou a comemorar o bronze, mas foi desclassificado por não cumprir a regra de calçados, informou a World Athletics, e o burquinense Hugues Fabrice Zango herdou o pódio. Na minha opinião, é o caso mais doído de regra técnica que o atletismo brasileiro viveu nos últimos anos.

Número de tentativas e o papel do vento

Quando há mais de oito atletas na final, cada um tem três tentativas e os oito melhores ganham outras três, num total de seis. Com oito ou menos, todos saltam seis vezes. O regulamento de cada competição pode prever outro formato.

O vento é o outro juiz. Ao ar livre, ele é medido em cada tentativa, e o resultado só pode ser homologado como recorde se a média a favor não passar de 2,0 m/s. O 18,29 m de Edwards, por exemplo, foi feito com +1,3 m/s.

Os recordes mundiais em vigor

Em 29/10/2026, segundo a lista histórica da World Athletics, o recorde masculino continua com Jonathan Edwards: 18,29 m, na final do Mundial de Gotemburgo, em 7 de agosto de 1995, cerca de 20 minutos depois de ter feito 18,16 m no primeiro salto da mesma final. Christian Taylor chegou a 18,21 m em 2015, o espanhol Jordan Díaz a 18,18 m em 2024, e o italiano Andy Díaz Hernández fez 18,15 m em Birmingham, em agosto de 2026.

No feminino, o recorde mundial é de Yulimar Rojas: 15,74 m, no último salto do Mundial Indoor de Belgrado, em 20 de março de 2022. A World Athletics trata essa marca indoor como recorde mundial absoluto; os 15,67 m de Tóquio 2021 seguem como a melhor marca dela ao ar livre. O recorde anterior a Rojas pertencia à ucraniana Inessa Kravets, com 15,50 m, também em Gotemburgo, em 1995.

O Brasil no salto triplo

Adhemar Ferreira da Silva, nascido em São Paulo em 1927, foi ouro em Helsinque 1952, com 16,22 m, recorde mundial, e em Melbourne 1956, com 16,35 m, recorde olímpico, tornando-se o primeiro bicampeão olímpico do Brasil, segundo o Comitê Olímpico do Brasil. Em Helsinque, a pedido do público, deu a volta no estádio para agradecer, e é dele a origem das duas estrelas douradas no escudo do São Paulo Futebol Clube, uma para cada recorde mundial de 1952 e 1955.

Em 15 de outubro de 1975, nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, foi a vez de João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, nascido em Pindamonhangaba em 1954. Ele saltou 17,89 m e apagou o recorde de 17,44 m do soviético Viktor Saneyev. O recorde durou cerca de dez anos, até Willie Banks fazer 17,97 m, conta o COB. João ainda ganhou bronze em Montreal 1976 e Moscou 1980, antes do acidente de carro de 1981 que lhe custou a perna direita.

A marca de João do Pulo só caiu como recorde brasileiro e sul-americano em 20 de maio de 2007, em Belém: Jadel Gregório fez 17,90 m, um centímetro a mais, diante de mais de 20 mil torcedores no Mangueirão. Na lista da World Athletics, os 17,53 m de Almir dos Santos (2018) são a terceira melhor marca brasileira da história, e no feminino o recorde nacional é de Nubia Soares, 14,69 m em 2018, à frente de Keila Costa (14,58 m). Gabriele Santos, nascida em 1995, chegou a 14,31 m em agosto de 2025. Veja também o nosso ranking de atletas brasileiros do salto e a lista de recordes brasileiros no atletismo.

Perguntas rápidas sobre o salto triplo

Qual a diferença da tábua no salto triplo e no salto em distância?

No salto em distância, a linha de impulsão fica entre 1 m e 3 m da areia. No triplo, ela fica bem mais longe (pelo menos 13 m para homens e 11 m para mulheres em competições internacionais).

Encostar a perna livre no chão é falta?

Não. A regra diz que não é falta se, durante a tentativa, o atleta tocar o chão com a perna que não está apoiando o salto, a chamada perna “adormecida”.

Como o vento é medido no salto triplo?

O anemômetro fica a 20 m da linha de impulsão, a 1,22 m de altura, e mede o vento durante 5 segundos a partir do momento em que o atleta passa por uma marca colocada 35 m antes da tábua.

Como o juiz sabe se o atleta queimou?

Nas principais competições, a regra exige vídeo de 120 quadros por segundo com resolução mínima 4K para conferir a linha de impulsão. Onde não há tecnologia, ainda se pode usar a tradicional tábua de massinha (plasticina), colocada logo depois da linha, que fica marcada se o pé passar.

Quiz: teste o que você sabe

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. No salto triplo, com que pé o atleta deve cair ao final do primeiro salto (impulso)?

A regra da World Athletics determina que no impulso o atleta cai com o mesmo pé com que decolou; na passada troca de pé e dele sai o salto final.

2. Qual é o recorde mundial masculino do salto triplo?

Jonathan Edwards saltou 18,29 m no Mundial de Gotemburgo, em 7 de agosto de 1995, com vento de +1,3 m/s.

3. Qual o limite de vento a favor para um salto triplo ser homologado como recorde?

Se a média do vento a favor passar de 2 metros por segundo, a marca não pode ser ratificada como recorde.

4. Em que ano João do Pulo bateu o recorde mundial com 17,89 m?

Foi em 15 de outubro de 1975, nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México.

5. Em quais Jogos Olímpicos Adhemar Ferreira da Silva foi campeão do salto triplo?

Adhemar venceu em 1952, com 16,22 m, e em 1956, com 16,35 m, tornando-se o primeiro bicampeão olímpico do Brasil.

Seus acertos:

Fontes: World Athletics, COB.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.