No salto com vara, o atleta corre com uma haste flexível nas mãos, finca a ponta numa caixa no chão e se lança por cima de uma barra a mais de seis metros de altura. Quem passar a barra mais alta vence, e cada atleta tem três tentativas por altura. Para o torcedor brasileiro, a prova ainda tem gosto de 15 de agosto de 2016, quando Thiago Braz saltou 6,03 m no Engenhão lotado.
Como funciona a competição
Antes da prova, a arbitragem anuncia a altura inicial e as alturas seguintes. Cada atleta entra na altura que quiser e pode passar (não saltar) em qualquer uma delas, mas três falhas seguidas, em qualquer altura, eliminam o competidor. Na prática, quem erra duas vezes a 5,80 m, deixa a terceira tentativa de lado e acerta 5,90 m continua vivo, desde que não acumule três erros seguidos.
A barra sobe de acordo com o que foi anunciado, nunca menos de 5 cm por rodada, e o intervalo entre as alturas jamais aumenta. A altura é medida em centímetros inteiros, na vertical, do chão até a parte mais baixa da face superior da barra. Quando o título já está decidido, o campeão escolhe as alturas seguintes, em conversa com a arbitragem.
O que é falta
O atleta falha quando a barra não permanece nos apoios por causa do salto, quando qualquer parte do corpo ou a vara toca o solo além do plano vertical do fundo da caixa sem que ele tenha passado a barra, quando, já fora do chão, coloca a mão de baixo acima da de cima ou sobe a mão de cima na vara, ou quando segura ou recoloca a barra com as mãos. Se a vara quebra durante a tentativa, não conta como falha e o atleta ganha uma nova tentativa. Se uma rajada de vento derruba a barra depois que o atleta já a transpôs sem tocar, o salto vale.
Zona de saltos e equipamento
| Item | Medida oficial |
|---|---|
| Pista de corrida | mínimo de 40 m (45 m quando possível), com 1,22 m de largura |
| Caixa de apoio | 1,00 m de comprimento e 20 cm de profundidade no ponto mais fundo |
| Barra | 4,50 m de comprimento, no máximo 2,25 kg, de fibra de vidro ou material similar não metálico |
| Distância entre os apoios da barra | de 4,28 m a 4,37 m |
| Deslocamento da barra | de zero a 80 cm em direção ao colchão, escolhido pelo atleta |
A vara pode ser de qualquer material, comprimento e diâmetro, desde que a superfície seja lisa, e cada atleta usa a sua. As varas de competição costumam ser de fibra de vidro ou de carbono e medir entre 4 e 5,20 m. Fita no punho para proteger a mão é permitida, assim como luvas e substâncias para melhorar a aderência.
O desempate segue uma ordem fixa: vence quem teve menos tentativas na última altura superada; se persistir o empate, quem acumulou menos falhas na prova inteira; se ainda assim sobrar igualdade pelo ouro, há um desempate com um salto por altura, com a barra subindo ou descendo de 5 em 5 cm.
Da vara de bambu à fibra de carbono
Segundo a World Athletics, as disputas de altura com vara começaram em Lancashire, na Inglaterra, em 1843. As primeiras varas eram de freixo ou nogueira, depois veio o bambu (registrado em 1857), o aço nos anos 1940 e, a partir do fim dos anos 1950, a fibra de vidro e o carbono, que mudaram tudo: com varas mais flexíveis, a altura só fez subir. Sergey Bubka bateu 14 recordes mundiais seguidos entre 1984 e 1994. Uma técnica proibida em 1983, a de empurrar a barra de volta aos apoios com a mão, ficou na história com o nome de volzing.
A prova masculina está em todos os Jogos modernos. A feminina estreou em Sydney 2000, com ouro de Stacy Dragila, dos Estados Unidos.
Recordes: Mondo no topo
O sueco Armand Duplantis, o Mondo, é o dono do recorde mundial: 6,31 m, marca de março de 2026 que melhorou em um centímetro seu salto de 6,30 m no Mundial de Tóquio, em setembro de 2025. Foi o 15º recorde mundial dele. Para lembrar a escalada: em fevereiro de 2020, ele tinha superado o recorde de Renaud Lavillenie com 6,17 m, em Toruń, na Polônia. Entre as mulheres, a russa Yelena Isinbayeva segue com 5,06 m, saltados em Zurique em 28 de agosto de 2009. Na minha opinião, Duplantis é o atleta que mais vale a pena acompanhar ao vivo no atletismo, porque cada competição dele pode virar um recorde.
| Recorde | Atleta | Marca |
|---|---|---|
| Mundial masculino | Armand Duplantis (Suécia) | 6,31 m |
| Mundial feminino | Yelena Isinbayeva (Rússia) | 5,06 m |
| Olímpico masculino | Armand Duplantis (Paris 2024) | 6,25 m |
| Brasileiro masculino | Thiago Braz | 6,03 m |
| Brasileiro feminino | Fabiana Murer | 4,87 m |
O Brasil na vara
A cena que todo brasileiro lembra aconteceu no Engenhão. Com chuva e atraso de mais de uma hora, Thiago Braz pulou a abertura em 5,65 m, passou 5,98 m e 6,03 m na segunda tentativa e deixou Lavillenie, então o favorito, para trás. O 6,03 m foi recorde olímpico até Duplantis superá-lo em Paris 2024, quando saltou 6,25 m no Stade de France. Lavillenie reclamou das vaias e depois pediu desculpas, e Thiago disse na época que sentiu a torcida do lado dele. Thiago, nascido em 1993 em Marília, também levou o bronze em Tóquio, com 5,87 m. Já em 2015, em Roma, ele havia batido o recorde sul-americano com 5,86 m numa etapa da Diamond League. Mais detalhes em Thiago Braz: a história do campeão olímpico.
Entre as mulheres, o grande nome é Fabiana Murer, nascida em 1981 em Campinas, campeã mundial em Daegu, em 2011, com 4,85 m, e campeã mundial indoor em 2010. Em Pequim 2008, uma das varas dela sumiu no meio da prova e ela teve de saltar com uma emprestada, um drama que ficou ligado à carreira. O recorde sul-americano de 4,87 m veio em 3 de julho de 2016, em São Bernardo do Campo. A história completa está em Fabiana Murer: a campeã mundial do salto com vara.
Outro nome que merece lugar na lista é Augusto Dutra de Oliveira, também de Marília, nascido em 1990. Ele foi 9º no Mundial de 2015, ganhou a prata nos Jogos Pan-Americanos de 2019 com 5,71 m e esteve nas Olimpíadas do Rio e de Tóquio. Para comparar com outras provas de salto, veja também as regras do salto triplo, e os recordes brasileiros do atletismo.
Perguntas frequentes
Quantas tentativas um atleta tem no salto com vara?
Três por altura. A eliminação vem com três falhas consecutivas, mesmo que sejam em alturas diferentes.
Dá para pular uma altura sem tentar?
Sim. O atleta pode deixar uma altura de lado e entrar só na seguinte, usando a estratégia que preferir.
O que acontece se a vara quebrar?
Não é falta. O atleta recebe uma tentativa de reposição.
Quiz: teste o que você sabe
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Quantas falhas consecutivas eliminam um atleta do salto com vara?
2. O que acontece se a vara quebra durante uma tentativa?
3. Em que ano a prova feminina do salto com vara estreou nos Jogos Olímpicos?
4. Em que cidade Thiago Braz ganhou o ouro olímpico, em 2016?
5. Em que ano Fabiana Murer foi campeã mundial ao ar livre, em Daegu?
Seu placar:
Fontes: World Athletics, Olympics.com.