Bruna Takahashi é a mesa-tenista que vem empurrando para cima, ano após ano, o teto do tênis de mesa feminino do Brasil: primeira brasileira no top 50, no top 30 e, em 2025, no top 20 do ranking mundial, território que nenhuma atleta do país tinha alcançado. Nascida em 2000 e criada no ABC paulista, ela tem três Olimpíadas no currículo, uma coleção de medalhas pan-americanas e, ao lado de Hugo Calderano, um título de Grand Smash que nenhuma outra dupla não chinesa tinha conquistado. Vem com a gente conhecer essa trajetória, que nesta semana passa por Lima, no Peru.

Uma raquete em casa, em São Bernardo do Campo

Bruna Yumi Takahashi nasceu em 19 de julho de 2000 e cresceu em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O tênis de mesa já estava dentro de casa: o pai, Ricardo Takahashi, jogava por lazer em um clube perto de onde a família morava, e foi atrás dele (e depois da irmã mais velha) que a caçula Giulia também pegou na raquete. Hoje as duas vestem a camisa da seleção brasileira.

O apoio da família veio com uma condição simples, contada pelo pai ao Diário do Grande ABC em 2017: “Sempre falávamos a elas que iríamos apoiar desde que fizessem a parte delas”. Bruna fez. Começou ainda criança na Acrepa, associação do bairro da Pauliceia, e em 2010 passou a treinar em São Caetano do Sul com o técnico Francisco Arado, o Paco.

Precocidade: campeã mundial cadete no Egito

Os títulos chegaram cedo. Em 2012 veio o primeiro Sul-Americano; em 2013, o título individual e por equipes do Latino-Americano Sub-13, na Guatemala. O salto para fora do continente aconteceu em 2015, em Sharm El-Sheikh, no Egito: Bruna venceu o Desafio Mundial de Cadetes da ITTF, a principal competição da categoria, e virou a primeira brasileira com esse título. No mesmo ano, foi a primeira brasileira a vencer uma etapa do circuito da ITTF na Europa, na República Tcheca.

Já naquela época ela sabia o tamanho da montanha. Sobre as chinesas, disse em 2017: “Não tem como jogar com elas ainda, elas não erram, são muito regulares e os saques são difíceis de pegar”. E completou, com a teimosia de quem acredita: “Uma hora a gente consegue ganhar deles”. Guarda essa frase, porque ela volta mais adiante.

Rio 2016: a caçula da delegação contra a campeã olímpica

Bruna estreou em Jogos Olímpicos em casa, no Rio de Janeiro, convocada por Hugo Hoyama para a equipe feminina. Era a atleta mais jovem de toda a delegação brasileira. No torneio por equipes, ela encarou a chinesa Li Xiaoxia, que sairia daqueles Jogos com a prata no simples. Perdeu por 3 x 0 (11/8, 11/7, 11/1), mas os dois primeiros sets equilibrados mostraram que a menina do ABC não tremia diante de ninguém.

Tóquio 2020 e Paris 2024: resultados olímpicos

Em Tóquio, em Jogos disputados em 2021, Bruna já era a número 1 do Brasil. No simples, em 25 de julho de 2021, caiu diante da francesa Yuan Jianan por 4 x 0, em cerca de 29 minutos. No torneio por equipes, ao lado de Jéssica Yamada e Carol Kumahara, o Brasil parou nas oitavas de final diante de Hong Kong (3 x 1); Bruna perdeu para Doo Hoi Kem.

Paris 2024 foi a Olimpíada da primeira vitória. Nas duplas mistas, com Vitor Ishiy, a estreia foi contra os espanhóis Álvaro Robles e Maria Xiao: os brasileiros venceram o segundo e o terceiro sets, mas perderam por 4 x 2. No simples, em 28 de julho, ela despachou a nigeriana Offiong Edem por 4 x 0 (11/8, 11/4, 13/11, 12/10), seu primeiro triunfo olímpico. No dia seguinte, a americana Lily Zhang venceu por 4 x 2, depois de Bruna empatar o jogo em 2 x 2.

A cena mais bonita veio no torneio por equipes, em 5 de agosto. Ao lado da irmã Giulia e de Bruna Alexandre, Bruna enfrentou a Coreia do Sul nas oitavas. O Brasil perdeu por 3 x 1, mas o único ponto foi dela: virada sobre Lee Eunhye por 3 x 2 (11/8, 9/11, 9/11, 11/8, 11/4), em 42 minutos, o jogo mais longo do confronto. Depois dos Jogos, ela cravou a meta para o ciclo seguinte, em entrevista ao Lance!: “quero ser top-10”.

Carreira na Europa: sozinha em Lisboa

Cerca de um mês depois do Pan de Lima 2019, onde ganhou prata nas duplas mistas e bronze no simples e nas duplas, Bruna recebeu o convite do Sporting, de Portugal. Foram duas temporadas em Lisboa, liderando a equipe e terminando com o vice da Taça de Portugal feminina em 2021. A experiência foi também de vida. “Fiquei muito tempo sozinha lá, mas acho que foi uma experiência muito boa”, contou ao COB antes de Tóquio. “Amadureci bastante nessa parte, como mulher.”

A vivência no exterior combina com o que se vê em quadra hoje: uma jogadora que se sente em casa no circuito internacional da WTT, viajando de Macau a Singapura e aos Estados Unidos. Se você ainda está se familiarizando com o esporte, confira as regras do tênis de mesa para acompanhar melhor esses jogos.

Recordes no ranking mundial

Bruna foi a primeira brasileira a entrar no top 50 do ranking mundial feminino. Em 29 de março de 2022, a ITTF a colocou em 30º lugar, com 1.865 pontos, e ela se tornou a primeira mulher do país no top 30. O pico veio em 2025, depois das quartas de final da Copa do Mundo em Macau: Bruna entrou no top 20, a melhor faixa já alcançada por uma brasileira. Os registros divergem sobre a posição exata: a imprensa noticiou o 16º lugar em abril, enquanto o COB tratou o 18º lugar de outubro como a melhor colocação da carreira.

Manter-se lá em cima é outra história, e ela sabe disso. Ao celebrar a permanência no top 20, em outubro de 2025, explicou ao COB: “É sempre muito mais difícil manter do que chegar nessa posição.” E definiu o próprio estilo diante das asiáticas: “Elas têm frieza e técnica, eu tenho garra”. Admito o clubismo aqui: poucas frases resumem tão bem a torcida brasileira no tênis de mesa.

Pan-Americanos: uma prateleira cheia

No continente, Bruna é presença certa no pódio. No Pan-Americano de Havana, em setembro de 2023, perdeu a final do simples para a americana Amy Wang por 4 x 3, com um 12/10 doloroso no set decisivo, e ainda levou prata nas duplas mistas com Vitor Ishiy e bronze nas duplas com Giulia. Semanas depois, nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, as irmãs ficaram com a prata nas duplas após perder a final por 4 x 3 para Amy Wang e Rachel Sung. “Jogamos de igual pra igual. Mas estou triste, pois estávamos perto de vencê-las”, disse Bruna.

Em outubro de 2024, em El Salvador, Bruna e Hugo Calderano jogaram juntos pela primeira vez num torneio continental. Chegaram à final das duplas mistas e encontraram do outro lado justamente Giulia e Guilherme Teodoro. Deu a irmã caçula: 3 x 2, de virada (5/11, 11/7, 11/9, 5/11, 11/6). Um clássico de família em plena decisão pan-americana. O troco veio em 2025, em Rock Hill, nos Estados Unidos: em 14 de outubro, Bruna e Calderano conquistaram o título inédito de duplas mistas do Pan-Americano.

Calderashi: a dupla que quebrou a escrita chinesa

A parceria com o maior nome da história do tênis de mesa brasileiro ganhou apelido da torcida, Calderashi, e um feito histórico. Em 27 de fevereiro de 2026, no Smash de Singapura, um dos Grand Smashes da WTT, Bruna e Hugo Calderano bateram os sul-coreanos Lim Jonghoon e Shin Yubin por 3 x 0 (11/7, 11/6, 13/11) e se tornaram a primeira dupla mista não chinesa a vencer a final de um Grand Smash. Lembra da garota que, em 2017, dizia que “uma hora a gente consegue ganhar deles”? Pois é.

Para Bruna, a evolução da dupla acompanha a de cada um. “Melhoramos muito desde que começamos, e jogar mais campeonatos juntos ajuda muito”, afirmou ao COB em 2025. Quem quiser entender como Calderano chegou ao top 3 do ranking mundial encontra a trajetória dele em nossa história de Hugo Calderano no circuito WTT.

A semana em Lima: tropeço nas mistas, vitória no simples

O Campeonato Pan-Americano de 2026 é disputado em Lima até 25 de outubro. Na fase por equipes, a seleção feminina formada por Bruna, Giulia, Laura Watanabe e Victoria Strassburger ficou com o bronze, segundo a CBTM: depois de passar pela República Dominicana nas quartas de final, o Brasil perdeu a semifinal para Porto Rico por 3 x 1.

Na quinta-feira, 22 de outubro, Bruna e Calderano entraram como defensores do título das duplas mistas, mas pararam cedo: os mexicanos Rogelio Castro e Arantxa Cossio venceram por 3 x 0. No mesmo dia, Bruna se recuperou no simples e estreou com vitória por 4 x 1 sobre a guatemalteca Lucia Cordero, segundo a CBTM. Calderano também avançou no individual, com 4 x 0 sobre o colombiano Carlos Arcila.

Nas mistas, a bandeira da família segue de pé: Giulia e Guilherme Teodoro bateram os argentinos Francisco Sanchi e Ana Codina por 3 x 0 (11/4, 11/7, 14/12) e avançaram às quartas de final, contra os americanos Jishan Liang e Sally Moyland.

Bruna Takahashi em números

Ano Marco
2000 Nasce em 19 de julho; cresce em São Bernardo do Campo (SP)
2015 Campeã do Desafio Mundial de Cadetes da ITTF, no Egito, primeira brasileira com o título
2016 Estreia olímpica no Rio, como atleta mais jovem da delegação brasileira
2019 Jogos Pan-Americanos de Lima: prata nas duplas mistas, bronze no simples e nas duplas
2019 a 2021 Duas temporadas no Sporting, de Portugal
2021 Tóquio 2020: eliminada no simples por Yuan Jianan; oitavas por equipes
2022 Primeira brasileira no top 30 mundial (30ª em 29 de março)
2023 Prata no simples do Pan-Americano de Havana; prata nas duplas nos Jogos Pan-Americanos de Santiago
2024 Paris: primeira vitória olímpica, eliminada na segunda rodada do simples; prata nas mistas do Pan-Americano
2025 Top 20 do ranking mundial, melhor faixa de uma brasileira; quartas da Copa do Mundo; ouro nas mistas do Pan-Americano com Calderano
2026 Campeã de duplas mistas no Smash de Singapura com Calderano; bronze por equipes no Pan-Americano de Lima

Perguntas frequentes sobre Bruna Takahashi

Qual é o nome completo de Bruna Takahashi?

O nome completo é Bruna Yumi Takahashi. No circuito internacional, ela aparece como Bruna Takahashi, e a irmã, como Giulia Takahashi.

Quem foi a primeira treinadora de Bruna Takahashi?

Ela começou na Acrepa, em São Bernardo do Campo, a convite da olímpica Mônica Doti, que ensinou à menina os primeiros fundamentos antes da ida para São Caetano do Sul.

Por qual equipe Bruna Takahashi joga no Brasil?

Nos Jogos de Paris 2024, ela e Giulia representavam o Time Ajinomoto, equipe brasileira que apoia as irmãs.

Onde assistir ao Pan-Americano de tênis de mesa de 2026?

Os jogos em Lima são transmitidos pelo aplicativo Américas e pelo Panam Sports Channel. Quem quiser começar a praticar pode conferir o nosso guia de como jogar tênis de mesa.

Quiz: você conhece a história de Bruna Takahashi?

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. Contra qual chinesa Bruna Takahashi jogou em sua estreia olímpica, no Rio 2016?

Foi Li Xiaoxia, no torneio por equipes. Bruna perdeu por 3 x 0, mas brigou nos dois primeiros sets.

2. Que título Bruna conquistou em 2015, em Sharm El-Sheikh, no Egito?

Ela venceu o Desafio Mundial de Cadetes da ITTF e foi a primeira brasileira com esse título.

3. Quem venceu Bruna e Hugo Calderano na final de duplas mistas do Pan-Americano de 2024, em El Salvador?

Foi a irmã caçula, Giulia, ao lado de Guilherme Teodoro, por 3 x 2 de virada.

4. De que país era a dupla derrotada por Bruna e Calderano na final do Smash de Singapura de 2026?

Os brasileiros bateram os sul-coreanos Lim Jonghoon e Shin Yubin por 3 x 0 e foram a primeira dupla mista não chinesa a vencer a final de um Grand Smash.

5. Por qual clube europeu Bruna jogou duas temporadas depois do Pan de Lima 2019?

Foi o Sporting, de Portugal. Em Lisboa ela morou sozinha pela primeira vez e foi vice da Taça de Portugal feminina em 2021.

Seu placar:

Fontes: Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM), Comitê Olímpico do Brasil (COB), Olimpíada Todo Dia, Lance!, CNN Brasil, Terra, Diário do Grande ABC, ABC do ABC, IstoÉ, Flashscore, Folha Vitória, Tribuna do Sertão, G7 ABC, Limeira Tênis de Mesa, O Hoje.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.