Chloé Calmon é medalha de ouro no longboard dos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026. Em Mar del Plata, subsede do surfe na Argentina, a carioca guardou a melhor bateria da competição para a final: somou 15,84 pontos contra 8,40 da argentina Evelyn Gontier e subiu ao lugar mais alto do pódio com os pais, Miguel e Ana Calmon, torcendo na areia.

O título, anunciado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) em 25 de setembro, reforça a posição de uma das atletas mais vitoriosas do longboard nacional e chega a poucas semanas do Mundial de Longboard da ISA, em El Salvador.

Uma final contra a mesma rival da estreia

O reencontro com Evelyn Gontier deu um tom especial à decisão. A argentina tinha sido a adversária de Chloé logo na estreia em Mar del Plata, e as duas voltaram a se enfrentar valendo o ouro.

Segundo a atleta, a chave foi a leveza. “Hoje eu entrei com muita vontade de surfar e de me divertir. Quando estou me divertindo é quando faço minha melhor performance. Meu foco hoje foi me divertir, o resultado seria consequência disso”, disse Chloé ao COB.

A campanha fez parte da delegação do Time Brasil nos Jogos Sul-Americanos, a mesma edição em que o país celebrou resultados como o de Caio Bonfim, ouro com recorde em Santa Fé.

“Não lembro da minha vida antes do surfe”

A história de Chloé com o mar começou dentro de casa, por influência do pai, surfista há mais de 40 anos.

“Na real, eu não lembro da minha vida antes do surfe, porque, desde que eu me entendo por gente, o surfe tem sido a minha vida. Eu tenho foto de fralda já em cima da prancha do meu pai. Ele foi o meu maior incentivador. Desde menina, ele me levava para a praia, para a beira d’água, e eu ficava fascinada pelas ondas”, relembrou.

A primeira prancha veio aos 10 anos. Dois anos depois, ela pegou emprestado o longboard do pai e encontrou a modalidade que definiria sua carreira. “Digo que foi amor à primeira onda. Foi com 12 anos que realmente me apaixonei. Comecei a competir no mesmo ano”, contou.

Os pais de volta à torcida

Nos primeiros anos de competição, ainda muito nova, Chloé viajava quase sempre acompanhada dos pais. Com o avanço da carreira e os eventos cada vez mais longe de casa, essa companhia ficou rara. Por isso, a viagem da família até a Argentina ganhou valor especial.

“Sempre que eles têm uma oportunidade de me acompanhar num local mais próximo, como é o caso da Argentina, eles fazem questão de ir. Foi incrível olhar de dentro do mar e ver os dois pontinhos ali, caracterizados de Brasil na areia. São meus maiores torcedores e maiores apoiadores”, afirmou a campeã.

A mãe destacou o estado de espírito da filha na água. “Foi muito emocionante porque nós sentimos que ela surfou feliz. Quando você entra feliz, de bem com você e de bem com tudo, as coisas fluem”, disse Ana. Miguel completou: “Ela curtiu o que a gente gostava, que era pegar onda. E a família toda abraçou essa atividade com ela. Ela está evoluindo muito mais do que eu podia pensar no passado. Foi demais!”

Um currículo de peso no longboard

O ouro sul-americano se soma a uma trajetória consistente em alto nível. Chloé foi campeã do longboard nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019 e conquistou a prata em Santiago 2023, ao perder a final para a peruana María Fernanda Reyes.

No circuito mundial, a carioca foi três vezes vice-campeã do mundo, em 2016, 2017 e 2019. Nos Jogos Pan-Americanos de Surf, organizados pela Pan American Surf Association (PASA), ela é tricampeã, com títulos em 2022 e 2023 entre eles. Em 2026, na Playa Venao, no Panamá, voltou ao evento depois de uma pausa nas competições e ficou com a prata, novamente atrás de Reyes.

Competição Resultado
Circuito mundial de longboard 2016, 2017 e 2019 Vice-campeã mundial
Jogos Pan-Americanos Lima 2019 Ouro
Jogos Pan-Americanos de Surf (PASA) 2022 e 2023 Ouro (tricampeã pan-americana)
Jogos Pan-Americanos Santiago 2023 Prata
Jogos Pan-Americanos de Surf (PASA) 2026, Panamá Prata
Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026, Mar del Plata Ouro

Para quem quer entender como as baterias são julgadas, vale conferir as regras do surfe, que explicam o sistema de notas usado também no longboard.

Próxima parada: o Mundial da ISA em El Salvador

Depois de Mar del Plata, Chloé terá apenas uma passagem rápida pelo Brasil antes do próximo compromisso internacional: o Campeonato Mundial de Longboard da ISA 2026, marcado para 16 a 22 de outubro em El Sunzal, El Salvador.

“Daqui, vou passar em casa, comer o meu bolo de aniversário e já ir para El Salvador. Vou estar também com o (Carlos) Bahia, com o Américo (Pinheiro Jr.), com a Confederação. Mas esse evento aqui vai dar uma motivação gigante para chegar lá representando o Brasil firme e forte, com sangue nos olhos mais uma vez”, disse a surfista.

Em El Sunzal, Chloé buscará levar o embalo sul-americano para o cenário global. Para conhecer outras referências femininas do esporte, veja a lista das melhores surfistas do mundo.

Fontes: COB, ISA, Waves, Olimpíada Todo Dia, Wikipedia.