Ítalo Ferreira é o surfista que saiu de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, para ser campeão mundial da Liga Mundial de Surfe em 2019 e o primeiro campeão olímpico da história do surfe, em Tóquio. Vem com a gente, porque essa trajetória tem tampa de isopor, prancha quebrada e uma final só de brasileiros.

Os títulos de Ítalo Ferreira em um quadro

Ano Conquista O que aconteceu
2019 Jogos Mundiais de Surfe Ouro em Miyazaki, no Japão, com um 10 após uma aérea na final
2019 Campeão mundial da Liga Mundial de Surfe Título decidido em Pipeline, no Havaí, em final contra Gabriel Medina
2021 Ouro olímpico em Tóquio 2020 Final em Tsurigasaki contra o japonês Kanoa Igarashi, por 15,14 a 6,60
2022 e 2024 Vice-campeão mundial Duas finais de temporada sem o título
2026 Etapa da Nova Zelândia Vitória sobre o australiano Morgan Cibilic e liderança do ranking na ocasião

A tampa de isopor de Baía Formosa

Quase toda história de campeão tem um começo improvisado, mas o de Ítalo é difícil de bater. Em Baía Formosa, cidade pesqueira do litoral potiguar, ele começou a pegar onda sobre a tampa de isopor que o pai usava para conservar o peixe, segundo a CNN Brasil. Não havia escola de surfe nem prancha de marca. Havia mar, e muito.

Daí vem a imagem que a torcida guardou: o menino do Nordeste que chegou ao topo do surfe mundial. Quando você vê Ítalo atacar uma onda com a velocidade e a ousadia de sempre, lembre que ele aprendeu a surfar assim, sem luxo e sem medo.

Pipeline, 19 de dezembro de 2019

A primeira grande cena adulta vem em 2019. Antes do título mundial, Ítalo já tinha vencido os Jogos Mundiais de Surfe, em Miyazaki, com uma nota 10 em uma aérea, segundo o Lance. Mas era Pipeline que decidia o ano, e a decisão da etapa virou uma final brasileira: Ítalo contra Gabriel Medina, o então campeão mundial.

Na semifinal, ele havia atropelado o lendário Kelly Slater, por 13,77 a 2,57. Na final, as notas foram trocadas onda a onda. Ítalo marcou 7,83 e 6,17 no começo, Medina respondeu com 7,77 e 5,83, e um 7,73 deu a Ítalo a vantagem que bastou. Medina precisava de um 7,80 nos minutos finais e não encontrou a onda. Era o quarto título mundial do Brasil em seis anos, o que alimentou ainda mais o apelido de Brazilian Storm.

Tsurigasaki e o primeiro ouro do Brasil em Tóquio

A segunda cena é a que muita gente acordou cedo para ver. Na madrugada de 27 de julho de 2021, horário de Tóquio, o surfe fazia sua estreia olímpica na praia de Tsurigasaki. Na final, contra o japonês Kanoa Igarashi, a prancha de Ítalo quebrou logo na primeira onda. Mesmo assim ele tirou um 7 e seguiu em frente, segundo a CNN Brasil, até vencer por 15,14 a 6,60.

O resultado tem duas camadas. Ítalo foi o primeiro campeão olímpico da história do surfe e entregou o primeiro ouro do Brasil naqueles Jogos. Para o torcedor, ficou a lembrança de um surfista que não se abalou nem com a prancha quebrada. Quer entender como as notas dos juízes funcionam nessas baterias? Dá uma olhada em nosso guia sobre as regras do surfe.

Altos e baixos depois do ouro

Depois do auge, vieram anos em que o título mundial escapou por pouco. De 2021 a 2025, a decisão do campeonato era uma final eliminatória entre os cinco melhores, e Ítalo terminou em terceiro em 2021, e vice-campeão em 2022 e em 2024, segundo a Gazeta Esportiva. Foram temporadas de muita bateria boa e de um título que insistiu em ficar a uma onda de distância.

2026: a briga pelo bi

O ano de 2026 trouxe de volta um Ítalo à frente. Em maio, na etapa de Manu Bay, na Nova Zelândia, ele venceu o australiano Morgan Cibilic na final, por 17,50 a 15,80, e assumiu a liderança do ranking, segundo a Gazeta Esportiva. Em agosto, no Taiti, passou por Ethan Ewing e chegou às semifinais em Teahupo’o, depois de superar dores nas costas na estreia, de acordo com O Povo.

A fase mais recente, porém, mostra como o circuito está apertado. No domingo, 1º de novembro, Ítalo caiu nas oitavas de final da etapa das Filipinas, em Cloud 9, para o havaiano Seth Moniz, por 14,43 a 13,67, segundo o jornal Agora RN. A etapa foi vencida por Gabriel Medina, que voltou a ganhar uma prova da Liga Mundial de Surfe depois de três anos. O título de 2026 será decidido no Pipe Masters, em Pipeline, de 8 a 20 de dezembro, onde Ítalo segue entre os nomes na disputa.

Se ele conseguir o bi, será em Pipeline, o mesmo palco do título de 2019. Seria um fechamento de ciclo difícil de ignorar.

Por que Ítalo Ferreira é tão querido pela torcida

Ítalo carrega um estilo agressivo, de aéreas altas e risco calculado, e uma biografia que o brasileiro entende. Ele não é apenas um campeão mundial e olímpico: é o garoto da tampa de isopor que virou referência para quem sonha com o mar do Nordeste. Se a pergunta é quem mudou o surfe brasileiro nos últimos anos, o nome dele sempre entra na conversa, ao lado do de Medina.

Quiz: você conhece a história de Ítalo Ferreira?

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. De qual cidade do Rio Grande do Norte Ítalo Ferreira é natural?

Ítalo começou a surfar em Baía Formosa, cidade pesqueira do litoral potiguar.

2. Sobre o que Ítalo pegava onda quando começou no surfe?

Segundo a CNN Brasil, ele surfava na tampa de isopor que o pai usava para conservar o peixe.

3. Quem Ítalo derrotou na final de Pipeline que lhe deu o título mundial de 2019?

A decisão foi uma final brasileira contra Gabriel Medina, então campeão mundial.

4. O que aconteceu com a prancha de Ítalo na final olímpica de Tóquio?

A prancha quebrou na primeira onda, mas ele ainda marcou um 7 e venceu Kanoa Igarashi.

5. Qual etapa de 2026 Ítalo Ferreira venceu na Nova Zelândia?

Em maio de 2026, em Manu Bay, ele bateu o australiano Morgan Cibilic na final.

Seu placar:

Fontes: CNN Brasil, Lance.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.