Caio Bonfim conquistou a medalha de ouro na meia maratona da marcha atlética (21.097 metros) dos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé-2026, na Argentina, na quarta-feira, 23 de setembro. O brasileiro de 35 anos, campeão mundial e medalhista de prata em Paris-2024, cruzou a linha de chegada em 1h22min31s, sete segundos à frente do equatoriano Hurtado, e, segundo o Lance! e o Metrópoles, estabeleceu um novo recorde sul-americano da distância. Em entrevista ao Olimpíada Todo Dia, ele explicou a estratégia da prova e falou sobre o que ainda busca na carreira rumo a Los Angeles-2028.
Uma prova de paciência em Santa Fé
A vitória não veio de ponta a ponta. De acordo com o relato do Olimpíada Todo Dia, Caio liderou os primeiros 1.000 metros, mas perdeu posições no trecho intermediário e chegou a aparecer em quinto lugar até a marca dos 11.500 metros. A reação começou na segunda metade: ele retomou a liderança aos 13.097 metros, com parcial de 52min05s, e a partir daí travou um duelo direto com Hurtado pela ponta até as voltas finais.
O próprio marchador descreveu a escolha de não acompanhar os líderes no início, por causa do vento e do ritmo forte imposto pelos adversários. “Eu tentei ser o mais inteligente sem perder eles de vista. Eles estavam fazendo muito forte e eu não conseguia naquele momento estar com eles, mas fiz 10 quilômetros consciente, o corpo aqueceu mais e consegui estar dentro da prova com energia. Cheguei bem para fazer aquele ritmo final”, contou Caio ao Olimpíada Todo Dia.
Hurtado ficou com a prata em 1h22min38s, e Jordy Jiménez completou a dobradinha equatoriana no pódio com 1h23min26s. Segundo o Olimpíada Todo Dia, os dois estabeleceram as melhores marcas pessoais da carreira na prova.
O pódio da meia maratona da marcha em Santa Fé-2026
| Posição | Atleta | País | Tempo |
|---|---|---|---|
| 1º | Caio Bonfim | Brasil | 1h22min31s |
| 2º | Hurtado | Equador | 1h22min38s |
| 3º | Jordy Jiménez | Equador | 1h23min26s |
Recorde sul-americano na nova distância olímpica
Pelo registro do Lance!, o tempo exato de Caio foi 1h22min30s10, marca que superou o recorde sul-americano que já pertencia a ele. Esse recorde anterior tinha sido estabelecido em 23 de julho, no Troféu Brasil, disputado no estádio Ícaro de Castro Mello, o Ibirapuera, em São Paulo. Na ocasião, de acordo com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Caio marcou 1:24:20.93 e derrubou a antiga referência continental de 1:29:02.8, do colombiano Ezequiel Alejandro Arrubla. Em Santa Fé, portanto, ele baixou a própria marca em quase dois minutos.
A meia maratona é a nova distância da marcha atlética neste ciclo olímpico. Segundo a CBAt, a prova passou a valer oficialmente nesta temporada e estará no programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, no lugar dos tradicionais 20 km. Ainda durante o Troféu Brasil, Caio comentou a mudança com bom humor em resposta ao Lance!: “Eu gosto de ser otimista. Tem muita prova que a gente fala: ‘Se tivesse mais um quilômetro, eu ganhava’. Então, eu faço assim.”
A mãe e treinadora na linha de chegada
Caio é treinado pela mãe, Gianetti Bonfim, a Gia, que também construiu carreira na marcha atlética. Cria do Centro de Atletismo de Sobradinho, no Distrito Federal, ele teve a vitória comentada por ela em entrevista ao Correio Braziliense. “Ele sempre nos surpreende. Aqui está muito frio, uma manhã bem fria, mesmo, complicada. Ele fez uma prova inteligente. A marcha atlética sul-americana é uma potência, não tem atleta de nível baixo”, disse Gia.
Ela também destacou o fechamento do ano: “Ele saiu controlado, inteligente, estratégico e venceu a prova com mais um recorde, o quarto recorde no ano. Estamos de parabéns”, afirmou ao Correio Braziliense.
Do Ibirapuera ao topo do mundo
A relação de Caio com a pista vem de longe. Ao voltar ao Ibirapuera em julho, ele relembrou o início da carreira em declaração publicada pela CBAt: “Comecei a marchar em 2007 e minha primeira prova de pista foi no Ibirapuera. Fui campeão brasileiro sub-18.” O título do Troféu Brasil deste ano foi o 16º da carreira dele na competição, segundo a confederação.
O currículo internacional explica por que o ouro em Santa Fé é tratado como mais um passo, e não como ponto de chegada. Caio tem bronzes nos 20 km dos Mundiais de Londres 2017 e Budapeste 2023, a prata olímpica em Paris-2024 e, no Mundial de Tóquio, em 2025, foi campeão dos 20 km e vice nos 35 km.
“Quero ver até onde o meu talento me leva”
Mesmo com o currículo acumulado, Caio não fala em encerrar ciclos. “Eu sempre trabalho pensando até onde o meu talento pode me levar. Quero ver até onde o meu talento me leva, e a gente vai espremendo a laranja”, afirmou ao Olimpíada Todo Dia.
O foco agora é o caminho até Los Angeles. Em entrevista ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), reproduzida pelo Correio Braziliense, ele resumiu: “O Sul-Americano é muito forte. Essa prova é uma construção para a última etapa, que é o Pré-Olímpico de 2027.” E, ao Olimpíada Todo Dia, evitou promessas: “Eu não posso prometer medalha, principalmente medalha olímpica. É trabalhar muito para estar na melhor forma possível e tomara que seja o suficiente para fazer bons resultados para o nosso país.”
Para conhecer a trajetória completa do marchador, vale ler a história e as conquistas de Caio Bonfim e a entrevista exclusiva sobre a medalha em Paris 2024. Nos mesmos Jogos de Santa Fé, outro nome do atletismo brasileiro também subiu ao topo: Alison dos Santos, o Piu, fechou a temporada com ouro nos Sul-Americanos. E a lista completa das marcas nacionais está no guia dos recordes brasileiros no atletismo.
Fontes: Olimpíada Todo Dia, Correio Braziliense, Lance!, Metrópoles, Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wikipedia.