Usain Bolt é o homem mais rápido da história: o jamaicano ainda detém os recordes mundiais dos 100 m (9s58) e dos 200 m (19s19), ambos de Berlim 2009, além do recorde do revezamento 4×100 m da Jamaica (36s84, Londres 2012). Ele soma 8 ouros olímpicos (eram 9 até 2017, quando o ouro do revezamento de Pequim 2008 foi retirado) e 11 títulos mundiais. Aposentado desde 2017, segue ligado ao esporte como embaixador da World Athletics.
Usain Bolt em números
| Item | Dado |
|---|---|
| Nome completo | Usain St. Leo Bolt |
| Nascimento | 21 de agosto de 1986, em Sherwood Content, Trelawny (Jamaica) |
| Altura | 1,95 m |
| Recorde mundial dos 100 m | 9s58, Berlim, 16 de agosto de 2009 |
| Recorde mundial dos 200 m | 19s19, Berlim, 20 de agosto de 2009 |
| Recorde mundial do 4×100 m | 36s84 (Jamaica), Londres, 11 de agosto de 2012 |
| Ouros olímpicos | 8 (100 m em 2008, 2012 e 2016; 200 m em 2008, 2012 e 2016; 4×100 m em 2012 e 2016) |
| Títulos mundiais | 11 ouros (14 medalhas no total) |
| Atleta do Ano da World Athletics | 6 vezes (2008, 2009, 2011, 2012, 2013 e 2016) |
| Aposentadoria | Mundial de Londres, agosto de 2017 |
Quem é Usain Bolt
Usain St. Leo Bolt nasceu em 21 de agosto de 1986 em Sherwood Content, pequena localidade da paróquia de Trelawny, no interior da Jamaica. Filho de Wellesley e Jennifer Bolt, passou a infância jogando críquete e futebol na rua. Aos 12 anos já era o corredor mais rápido da escola nos 100 m.
O talento apareceu cedo no cenário internacional. Em 2002, aos 15 anos, ganhou o ouro dos 200 m no Mundial Sub-20 disputado em casa, em Kingston, com 20s61. No ano seguinte foi campeão mundial Sub-18 dos 200 m em Sherbrooke, no Canadá (20s40), e igualou o recorde mundial júnior da prova, 20s13, no Pan-Americano Júnior.
Treinado por Glen Mills e ligado ao Racers Track Club, Bolt foi vice-campeão mundial dos 200 m em Osaka 2007 (19s91) e explodiu em 2008: em 3 de maio, em Kingston, correu os 100 m em 9s76, e semanas depois chegou a Pequim como uma das grandes atrações dos Jogos. O apelido “Lightning Bolt” (relâmpago) e a pose com o braço apontado para o alto, chamada “To Di World”, viraram marca registrada.
Os recordes mundiais que ainda resistem
Em outubro de 2026, os três recordes mundiais de Bolt seguem homologados pela World Athletics. Os dois individuais foram quebrados no mesmo estádio, o Olympiastadion de Berlim, durante o Mundial de 2009.
| Prova | Marca | Vento | Local e data |
|---|---|---|---|
| 100 m | 9s58 | +0,9 m/s | Berlim, 16/08/2009 |
| 200 m | 19s19 | -0,3 m/s | Berlim, 20/08/2009 |
| 4×100 m (Jamaica) | 36s84 | não se aplica | Londres, 11/08/2012 |
O quarteto do recorde do revezamento, nos Jogos de Londres 2012, foi formado por Nesta Carter, Michael Frater, Yohan Blake e Bolt. O recorde anterior, 37s04, era da própria Jamaica, no Mundial de Daegu 2011.
A dimensão do 9s58 aparece na lista histórica: o segundo melhor tempo de todos os tempos é 9s69, dividido pelo americano Tyson Gay (Xangai, 2009) e por Yohan Blake (Lausanne, 2012). Nos 200 m, o mais perto continua sendo Blake, com 19s26 em Bruxelas 2011. Para entender como esses tempos são validados (vento, cronometragem, largada), veja as regras do atletismo.
Os 8 ouros olímpicos e o ouro retirado de Pequim 2008
Bolt disputou quatro edições dos Jogos. Em Atenas 2004, lesionado, caiu na primeira fase dos 200 m (21s05). A partir daí, venceu todas as finais olímpicas que correu e terminou a carreira olímpica com 8 ouros.
Em Pequim 2008 ganhou os 100 m em 9s69 e os 200 m em 19s30, ambos recordes mundiais na época, e correu o terceiro trecho do 4×100 m, vencido pela Jamaica em 37s10, também recorde. Em Londres 2012 repetiu a dobradinha individual (9s63 e 19s32) e fechou com o recorde de 36s84. No Rio 2016 venceu os 100 m (9s81), os 200 m (19s78) e o 4×100 m (37s27), completando o chamado “triplo-triplo”.
Por que o ouro de 2008 foi retirado: o Comitê Olímpico Internacional reanalisou amostras de Pequim 2008, e a de Nesta Carter, companheiro de Bolt no revezamento, deu positivo para metilhexanamina, um estimulante proibido. Em 25 de janeiro de 2017, a Comissão Disciplinar do COI desclassificou a equipe jamaicana do 4×100 m e retirou medalhas e diplomas de todos os integrantes, inclusive de Bolt, que nunca teve teste positivo. Carter recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), que manteve a punição em maio de 2018. Em junho de 2016, Bolt classificou a possível perda da medalha como “de partir o coração”, segundo a Al Jazeera, e disse que a devolveria se fosse necessário.
Com a desclassificação, Trinidad e Tobago herdou o ouro, o Japão subiu para a prata e o Brasil ficou com o bronze (veja abaixo). O ouro de Londres 2012, também com Carter, foi mantido.
Quadro de medalhas por edição
Resultados nos Jogos e nos Mundiais, conforme o perfil oficial do atleta na World Athletics.
| Competição | 100 m | 200 m | 4×100 m |
|---|---|---|---|
| Mundial Helsinque 2005 | não correu | 8º (26s27) | não correu |
| Mundial Osaka 2007 | não correu | Prata (19s91) | Prata (37s89) |
| Jogos de Pequim 2008 | Ouro (9s69) | Ouro (19s30) | Ouro retirado em 2017 |
| Mundial Berlim 2009 | Ouro (9s58) | Ouro (19s19) | Ouro (37s31) |
| Mundial Daegu 2011 | Desclassificado na final (queima de largada) | Ouro (19s40) | Ouro (37s04) |
| Jogos de Londres 2012 | Ouro (9s63) | Ouro (19s32) | Ouro (36s84) |
| Mundial Moscou 2013 | Ouro (9s77) | Ouro (19s66) | Ouro (37s36) |
| Mundial Pequim 2015 | Ouro (9s79) | Ouro (19s55) | Ouro (37s36) |
| Jogos do Rio 2016 | Ouro (9s81) | Ouro (19s78) | Ouro (37s27) |
| Mundial Londres 2017 | Bronze (9s95) | não correu | Não completou a final (lesão) |
Os 11 títulos mundiais
Nos Mundiais, Bolt conquistou 11 ouros: três nos 100 m (2009, 2013 e 2015), quatro nos 200 m (2009, 2011, 2013 e 2015) e quatro no 4×100 m (2009, 2011, 2013 e 2015). Somando as duas pratas de Osaka 2007 e o bronze dos 100 m de Londres 2017, são 14 medalhas em Mundiais.
A única derrota marcante no auge veio em Daegu 2011, quando queimou a largada da final dos 100 m e foi desclassificado; o título ficou com o compatriota Yohan Blake. Os quatro títulos seguidos nos 200 m em Mundiais são um feito que ninguém havia alcançado antes dele.
A aposentadoria em 2017
Bolt já havia anunciado em 2015 que o Mundial de Londres 2017 seria sua última grande competição. Lá, perdeu a semifinal dos 100 m para Christian Coleman por um centésimo e, na final, ficou com o bronze em 9s95, atrás do campeão Justin Gatlin e de Coleman.
A despedida foi dramática: na final do 4×100 m, como último homem da Jamaica, sentiu uma lesão na parte posterior da coxa a cerca de 50 metros da chegada e caiu na pista. Recusou a cadeira de rodas e cruzou a linha amparado pelos companheiros. Em 3 de dezembro de 2017, ganhou uma estátua no Estádio Nacional de Kingston, na pose do relâmpago.
A tentativa de virar jogador de futebol
Torcedor declarado do Manchester United, Bolt dizia desde 2016 que queria ser jogador profissional. Em 2018 treinou com o Strømsgodset, da Noruega, e atuou num amistoso contra a seleção norueguesa Sub-19 com a camisa “9.58”.
A experiência mais longa foi na Austrália. Em 21 de agosto de 2018, dia do seu 32º aniversário, começou a treinar com o Central Coast Mariners, da A-League. Estreou como reserva num amistoso em 31 de agosto e, em 12 de outubro, como titular, marcou dois gols no amistoso contra o amador Macarthur South West United. Recusou uma proposta de dois anos do Valletta, de Malta, recebeu uma oferta de contrato dos Mariners em 21 de outubro, mas deixou o clube no início de novembro de 2018, após oito semanas. Em janeiro de 2019 desistiu do futebol e disse que sua “vida no esporte” tinha acabado.
Bolt em 2025 e 2026
Longe das pistas, Bolt segue presente. Em 8 de setembro de 2025, a World Athletics o nomeou “Ultimate Legend” (lenda máxima), título exclusivo criado para divulgar o novo Ultimate Championship. “Estou honrado em assumir o papel de Ultimate Legend para ajudar a divulgar o evento, já que o atletismo continua sendo uma parte enorme da minha vida”, disse Bolt no comunicado oficial da entidade.
Dias depois, em 14 de setembro de 2025, ele estava no Estádio Nacional de Tóquio para ver a final dos 100 m do Mundial. Assistiu de uma área VIP e comemorou a dobradinha jamaicana de Oblique Seville (9s77) e Kishane Thompson (9s82), com Noah Lyles em terceiro (9s89). Seville foi o primeiro jamaicano a ganhar um título global dos 100 m desde Bolt. “É um prazer ter o Usain me assistindo. Nós somos a próxima geração”, disse o campeão, segundo a TNT Sports.
Em setembro de 2026, Bolt esteve em Budapeste para a primeira edição do Ultimate Championship, de 11 a 13 de setembro, no Centro Nacional de Atletismo da Hungria. A competição, só para convidados, distribuiu 10 milhões de dólares em prêmios, com 150 mil dólares para cada campeão individual. Na entrevista coletiva da véspera, Bolt brincou que tinha perdido a chance de disputar um prêmio assim e afirmou que “vai ser ótimo ver os melhores dos melhores”, segundo a Al Jazeera. Ele também segue como embaixador da Puma, parceira de longa data.
Bolt x velocistas atuais
Nove anos depois da aposentadoria, ninguém chegou perto do 9s58. Entre os velocistas em atividade, os melhores tempos nos 100 m segundo a World Athletics são:
- Kishane Thompson (Jamaica): 9s75, em Kingston, em 27 de junho de 2025. É a sexta melhor marca da história e fica 17 centésimos do recorde. Foi prata olímpica em Paris 2024 (9s79) e prata mundial em Tóquio 2025.
- Noah Lyles (Estados Unidos): campeão olímpico dos 100 m em Paris 2024 com 9s79, baixou seu recorde pessoal para 9s76 em Nova York, em 24 de julho de 2026. Nos 200 m, seu 19s31 (Eugene, 2022) é a terceira melhor marca da história, 12 centésimos acima de Bolt. Lyles soma títulos mundiais dos 200 m em 2019, 2022, 2023 e 2025.
- Oblique Seville (Jamaica): campeão mundial dos 100 m em Tóquio 2025, com 9s77.
A lista dos maiores velocistas do mundo ajuda a dar a medida dessa distância.
A ligação de Bolt com o Brasil
O capítulo final da carreira olímpica de Bolt foi escrito no Brasil. No Estádio Olímpico do Rio de Janeiro, ele venceu os 100 m em 14 de agosto de 2016 (9s81), os 200 m em 18 de agosto (19s78) e o 4×100 m em 19 de agosto (37s27). Foi o primeiro atleta a ganhar três vezes os 100 m e três vezes os 200 m em Jogos Olímpicos.
O caso Nesta Carter também mudou a história do atletismo brasileiro. O quarteto do Brasil formado por Vicente Lenílson, Sandro Viana, Bruno Lins e José Carlos Moreira tinha terminado a final do 4×100 m de Pequim 2008 em quarto lugar e herdou o bronze com a desclassificação jamaicana. A medalha foi entregue em 31 de outubro de 2019, numa cerimônia no Museu Olímpico, em Lausanne. Para comparar com as marcas nacionais, veja os recordes brasileiros no atletismo e a história do revezamento 4×100.
Como montamos esta página
Esta biografia foi reescrita do zero e verificada em 17 de outubro de 2026. Recordes, resultados e marcas de Bolt, Kishane Thompson e Noah Lyles vêm do perfil oficial de cada atleta e da lista histórica da World Athletics. O caso Nesta Carter foi conferido em reportagens da Al Jazeera e da Folha Vitória, e a medalha brasileira de 2008, na Placar. As atividades de 2025 e 2026 vêm do comunicado da World Athletics, do relatório oficial da final dos 100 m de Tóquio 2025 e de reportagens da TNT Sports, da Al Jazeera e do The Star. Biografia e futebol foram conferidos na Wikipédia em inglês. O que não pôde ser confirmado em fonte aberta foi retirado.
Perguntas frequentes sobre Usain Bolt
Quantas medalhas de ouro olímpicas Usain Bolt tem?
Oito. Ele ganhou nove ouros em pista, mas perdeu em 2017 o do revezamento 4×100 m de Pequim 2008, por causa do doping de Nesta Carter. Para comparar com outro gigante olímpico, veja a biografia de Michael Phelps.
Qual é o recorde mundial de Usain Bolt nos 100 m?
9s58, no Mundial de Berlim, em 16 de agosto de 2009. Nos 200 m, o recorde é 19s19, no mesmo Mundial, em 20 de agosto.
Alguém já chegou perto do recorde de Bolt?
O tempo mais próximo é 9s69, de Tyson Gay e Yohan Blake. Entre os velocistas em atividade, o melhor é Kishane Thompson, com 9s75 em 2025.
Quando Usain Bolt se aposentou?
Em agosto de 2017, no Mundial de Londres, onde ficou com o bronze nos 100 m e se lesionou na final do 4×100 m.
Usain Bolt jogou futebol profissional?
Não chegou a seguir carreira. Treinou e fez amistosos pelo Central Coast Mariners, da Austrália, em 2018, com dois gols, deixou o clube em novembro e desistiu do futebol em janeiro de 2019.
Fontes: World Athletics, Al Jazeera, Folha Vitória, Placar, TNT Sports, The Star, Wikipédia.