Os golpes do jiu-jitsu se dividem em quatro famílias: finalizações (estrangulamentos e chaves), raspagens, passagens de guarda e quedas. Pelas regras da IBJJF, adotadas pela CBJJ no Manual de Regras versão 6 (junho de 2024), a finalização encerra a luta na hora, enquanto as posições valem de 2 a 4 pontos: queda, raspagem e joelho na barriga valem 2, passagem de guarda vale 3, montada e pegada pelas costas valem 4.
Abaixo estão os nomes, como cada golpe funciona, quanto vale no placar e quais técnicas são proibidas conforme a idade e a faixa do jiu-jitsu do atleta.
Como funciona a pontuação no jiu-jitsu
O árbitro só marca pontos quando o atleta estabiliza a posição por 3 segundos. Os pontos são cumulativos quando um atleta avança de uma posição para outra sem perder o controle: segundo o próprio manual, uma passagem de guarda seguida de montada soma 7 pontos (3 + 4).
Quando a posição quase se completa, ou quando uma tentativa de finalização coloca o adversário em perigo real, o árbitro dá uma vantagem. Se a luta termina empatada, o critério de desempate segue esta ordem: pontos, vantagens, menor número de punições e, por fim, decisão do árbitro.
O tempo de luta também muda com a graduação. No adulto, a luta dura 5 minutos na faixa branca, 6 na azul, 7 na roxa, 8 na marrom e 10 na preta.
Finalizações: os golpes que encerram a luta
A finalização acontece quando o atleta bate duas vezes com a mão (no adversário, no solo ou em si mesmo), bate duas vezes com o pé no chão quando está com os braços presos, desiste verbalmente ou grita de dor preso ao golpe. Não há pontos: quem finaliza vence.
Mata-leão
Aplicado pelas costas. O atacante envolve o pescoço do adversário com um braço, deixando a garganta na dobra do cotovelo, segura o próprio bíceps do outro braço e coloca a outra mão atrás da cabeça do oponente. Ao aproximar os cotovelos, pressiona as duas laterais do pescoço. É um estrangulamento sanguíneo, que restringe o fluxo das artérias carótidas. No judô, chama-se hadaka-jime.
Triângulo
Feito com as pernas: o atacante prende o pescoço e um dos braços do adversário entre as coxas, formando a figura de um triângulo. A pressão das pernas, somada ao ombro do próprio oponente, comprime as carótidas. O nome japonês é sankaku-jime, e o primeiro uso registrado em torneio foi em Kobe, no Japão, em 1921. Puxar a cabeça no triângulo é proibido até os 15 anos.
Armlock
A chave de braço reta (juji-gatame no judô) hiperestende o cotovelo. O atleta prende o braço do oponente entre as coxas, com o cotovelo contra o quadril, e estende o braço elevando o quadril.
Kimura
Chave de ombro com pegada em “figura quatro”: o atacante segura o punho do adversário, passa a outra mão por trás do braço dele e agarra o próprio punho, girando o braço do oponente para trás (rotação medial). Pode ser aplicada do controle lateral ou da guarda. O nome homenageia o judoca japonês Masahiko Kimura, que venceu Hélio Gracie, um dos fundadores do jiu-jitsu brasileiro.
Americana
Também usa a pegada em figura quatro, mas com o braço do adversário dobrado em ângulo reto e a palma da mão voltada para cima, girando no sentido oposto ao da kimura (rotação lateral). É mais comum a partir do controle lateral, com o atacante por cima.
Guilhotina
Aplicada de frente: o atleta envolve a cabeça do adversário, passa o braço por baixo do pescoço, junta as mãos e puxa para cima. Funciona em pé, contra tentativas de queda, e no chão, geralmente da guarda fechada. Na tabela da IBJJF, a gravata técnica de frente é proibida apenas para atletas de até 15 anos.
Estrangulamento de lapela
É a família de golpes que usa a gola do kimono. No estrangulamento cruzado (nami-juji-jime), o atleta segura as duas golas com os braços cruzados, polegares por dentro e dedos por fora, e aproxima as mãos em movimento de tesoura para comprimir as carótidas. A regra é clara: estrangular sem o auxílio do kimono, circundando o pescoço com as mãos, ou pressionar a glote com o polegar é falta gravíssima, punida com desclassificação. Já o Ezequiel, que usa a manga do kimono, é vetado até os 15 anos.
Raspagens: inverter a posição por baixo
A raspagem vale 2 pontos. Pelo manual, ela acontece quando o atleta que está por baixo, com o adversário na guarda ou meia-guarda, inverte a posição e o mantém por baixo por 3 segundos. Também conta quando o atleta de baixo se levanta sem perder as pegadas, derruba o oponente e estabiliza por cima.
Entre as raspagens mais conhecidas estão a tesoura, que usa as pernas em movimento de tesoura para desequilibrar quem está na guarda, e as raspagens da guarda borboleta, com os dois pés enganchados por dentro das coxas do adversário. Raspagens que começam e terminam na 50/50 não valem vantagem.
Passagens de guarda: superar as pernas do adversário
A passagem de guarda vale 3 pontos. O atleta de cima precisa transpor as pernas de quem está por baixo (guarda ou meia-guarda) e manter o controle transversal (o popular cem quilos) ou longitudinal (norte-sul) por 3 segundos.
- Toureando: o atleta contorna as pernas do adversário lateralmente, afastando ou prendendo as pernas dele contra o solo, como um toureiro.
- Emborcada (stack): quem passa levanta e empilha o quadril do oponente.
- Joelho cruzado: o atleta atravessa o joelho por cima da coxa do adversário na guarda aberta.
Quedas: a luta em pé
A queda vale 2 pontos quando o atleta começa o movimento com os dois pés no chão e leva o adversário ao solo de costas, de lado ou sentado, estabilizando por cima por 3 segundos. As mais usadas vêm do wrestling: a baiana (double leg), com os dois braços envolvendo as pernas do oponente, e o single leg, atacando uma perna só. Há também técnicas vindas dos golpes de judô.
Três quedas são proibidas para todas as idades e faixas: o bate-estaca, a queda-tesoura e o suplex que leva o adversário de cabeça ou pescoço ao solo. O suplex em si continua permitido, desde que não projete a cabeça ou o pescoço do oponente contra o chão.
Golpes proibidos por faixa e idade
A tabela da IBJJF libera técnicas conforme a experiência do atleta:
- Até 12 anos: ficam vetados, entre outros, chave de pé reta, Ezequiel, guilhotina de frente, omoplata, triângulo puxando a cabeça, triângulo de mão e mão de vaca (chave de punho).
- 13 a 15 anos: mesma lista, com a chave de pé reta liberada.
- 16 e 17 anos e faixa branca adulta: guilhotina, omoplata, triângulos, Ezequiel e chave de pé reta passam a valer. Continuam proibidos a mão de vaca, a chave que pressiona costelas ou rins na guarda fechada, chave de bíceps, chave de panturrilha, chave de joelho reta e mata-leão no pé. A faixa branca também não pode pular na guarda, o que inclui triângulo e armlock voadores.
- Azul e roxa: liberadas a mão de vaca e a chave nas costelas, mas seguem vetadas chave de bíceps, chave de panturrilha, chave de joelho reta e mata-leão no pé.
- Marrom e preta com kimono: tudo isso passa a ser permitido. Chave de calcanhar, chaves que torcem o joelho e a cruzada de perna (knee reaping) continuam proibidas.
- Marrom e preta sem kimono (adulto): chave de calcanhar, torção de joelho e cruzada de perna ficam liberadas.
Em todas as divisões seguem proibidos a chave de cervical e torcer os dedos para trás. Aplicar um golpe proibido para a divisão é falta gravíssima e resulta em desclassificação. Já as faltas graves seguem uma escala: a primeira é só marcada, a segunda dá vantagem ao adversário, a terceira dá 2 pontos ao oponente e a quarta desclassifica.
Tabela resumo: golpe, tipo e pontuação
| Golpe | Tipo | Pontuação ou efeito |
|---|---|---|
| Mata-leão | Estrangulamento | Finalização (fim da luta) |
| Triângulo | Estrangulamento com as pernas | Finalização; puxar a cabeça é proibido até 15 anos |
| Armlock | Chave de braço (cotovelo) | Finalização |
| Kimura | Chave de ombro | Finalização |
| Americana | Chave de ombro | Finalização |
| Guilhotina | Estrangulamento de frente | Finalização; proibida até 15 anos |
| Estrangulamento de lapela | Estrangulamento com a gola | Finalização |
| Chave de calcanhar | Chave de perna | Finalização; só marrom e preta sem kimono |
| Queda (baiana, single leg) | Luta em pé | 2 pontos |
| Raspagem | Inversão por baixo | 2 pontos |
| Joelho na barriga | Posição de controle | 2 pontos |
| Passagem de guarda | Transpor as pernas | 3 pontos |
| Montada e montada pelas costas | Posição dominante | 4 pontos |
| Pegada pelas costas | Posição dominante | 4 pontos |
Muitas dessas finalizações também aparecem nas regras do MMA, e decidem títulos entre os campeões do jiu-jitsu.
Perguntas frequentes
Quantos pontos vale cada posição no jiu-jitsu?
Queda, raspagem e joelho na barriga valem 2 pontos. Passagem de guarda vale 3. Montada, montada pelas costas e pegada pelas costas valem 4. Todas exigem 3 segundos de estabilização.
A finalização vale pontos?
Não. A finalização encerra a luta imediatamente, independentemente do placar. A tentativa que coloca o adversário em perigo real, sem concluir, vale uma vantagem.
Faixa branca pode dar chave de pé?
Pode, desde que seja a chave de pé reta, liberada a partir dos 16 anos e para faixa branca adulta. Chave de calcanhar, chave de joelho reta, chave de panturrilha e mata-leão no pé seguem proibidos.
Chave de calcanhar é permitida no jiu-jitsu?
Somente para faixas marrom e preta adultas nas competições sem kimono. Com kimono, continua proibida em todas as faixas.
Fontes: IBJJF, CBJJ, Wikipedia.