Daniel Cargnin terminou em quinto lugar na categoria até 73 kg do Campeonato Mundial de Judô de Baku, no Azerbaijão, em 6 de outubro de 2026. O judoca gaúcho de 28 anos venceu três lutas, caiu na semifinal e perdeu a disputa do bronze no golden score, mas manteve uma marca rara: em quatro Mundiais disputados desde que trocou de categoria, chegou às lutas por medalha em todos eles.
O resultado em Baku é o capítulo mais recente de uma carreira construída em Porto Alegre, marcada por uma medalha olímpica precoce, uma mudança de peso arriscada e uma volta ao topo do circuito mundial em 2026.
Origens: o tatame venceu o futebol
Daniel Borges Cargnin nasceu em 20 de dezembro de 1997, na região metropolitana de Porto Alegre, e começou no judô aos 6 anos. Até a adolescência, dividia o tempo com o futebol, até que a mãe o incentivou a escolher um só esporte, segundo o Jornal do Comércio. A escolha foi o tatame.
A porta de entrada para o alto rendimento foi a Sociedade de Ginástica de Porto Alegre (Sogipa), clube que ele defende até hoje. “Comecei nas escolinhas da Sogipa porque sempre fui fã do João Derly”, contou ao Jornal do Comércio em 2024, citando o ex-judoca do clube que virou sua inspiração.
O primeiro grande sinal veio em 2017, com o título do Mundial Júnior. Em 2019, ganhou o Grand Slam de Brasília, batendo o italiano Manuel Lombardo, além da prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima, de acordo com o Jornal de Brasília.
Tóquio 2020: o bronze que ninguém esperava
Em 25 de julho de 2021, Cargnin estreou em Jogos Olímpicos na categoria até 66 kg e saiu de Tóquio com o bronze. Venceu o egípcio Mohamed Abdelmawgoud, o moldávio Denis Vieru e o italiano Manuel Lombardo, perdeu a semifinal por ippon para o japonês Hifumi Abe e garantiu a medalha contra o israelense Baruch Shmailov, com um waza-ari. Foi a primeira medalha do judô brasileiro naqueles Jogos, segundo o Lance!.
O pódio manteve uma tradição: o judô do Brasil sobe ao pódio olímpico em todas as edições desde Los Angeles 1984, como lembrou o Jornal de Brasília. Anos depois, o próprio atleta resumiu o cenário daquela campanha: “Eu não estava na lista de candidatos. Pouca gente acreditava que eu era capaz”, disse ao Jornal do Comércio.
A troca de categoria
Em janeiro de 2022, poucos meses depois do bronze, Cargnin anunciou que deixaria a categoria até 66 kg, na qual lutava desde o sub-18, para competir até 73 kg no ciclo de Paris 2024. “Tudo tem um início, meio e fim. Tenho novos objetivos e sonhos para conquistar”, escreveu nas redes sociais, em declaração reproduzida pelo Lance!. “Acredito que consegui ser um dos melhores 66 kg da história do Brasil. Mas chegou a hora de virar a página.”
A adaptação foi rápida. Em outubro de 2022, ele conquistou o bronze no Mundial de Tashkent, no Uzbequistão, e em dezembro venceu o World Masters de Jerusalém, ao derrotar o uzbeque Shakhram Akhadov na final. Foi o primeiro ouro masculino do Brasil no Masters desde Rafael Silva, em 2012, segundo o Correio Braziliense.
Paris 2024: a frustração
Nos Jogos de Paris, em 29 de julho de 2024, Cargnin perdeu logo na estreia para Akil Gjakova, do Kosovo. “Não consegui desempenhar meu judô. É um dos atletas com quem eu tinha mais dificuldade”, afirmou, segundo a Band. Ele também admitiu o peso de chegar como medalhista: “Ter medalhado em Tóquio deu uma pressãozinha a mais para cá.”
A volta ao alto nível
A resposta veio no Mundial de Budapeste, em 15 de junho de 2025. Cargnin chegou à sua primeira final mundial adulta e ficou com a prata, ao perder no golden score para o francês Joan-Benjamin Gaba, vice-campeão olímpico. “A gente costuma dizer que o Mundial, às vezes, é até mais difícil que a própria Olimpíada”, disse à Gazeta Esportiva na ocasião. “As derrotas não podem ser o fim do mundo e a vitória também não pode ser o motivo de parar de treinar.”
Em 2026, somou o bicampeonato pan-americano, o bronze no Grand Prix da Áustria e, em 29 de agosto, o ouro no Grand Slam de Lausanne, na Suíça. Na final, virou contra o russo Danil Lavrentev com um ippon nos segundos finais. Foi o primeiro título dele em Grand Slam desde Brasília 2019, como destacou o Diário do Grande ABC. “Foi uma competição muito difícil, em que todas as lutas ou foram para o golden score ou duraram o tempo completo”, resumiu.
Mundial de Baku: quinto lugar
Em Baku, Cargnin entrou como número 2 do ranking mundial e estreou na segunda rodada. Venceu o turcomeno Meylis Shamuradov com um waza-ari a sete segundos do fim, superou o sueco Narek Vardanian por ippon e virou contra o italiano Giovanni Esposito nas quartas de final, segundo o Correio Braziliense.
Na semifinal, foi imobilizado por Makhmadbek Makhmadbekov, dos Emirados Árabes Unidos, a quem havia vencido no Grand Slam de Abu Dhabi de 2025. Na disputa do bronze, enfrentou o anfitrião Rashid Mammadaliiyev, quinto do ranking, e perdeu após três minutos de golden score, ao receber a terceira punição. O quinto lugar rendeu 720 pontos no ranking mundial e 360 na corrida olímpica para Los Angeles 2028.
Os números da carreira
| Ano | Competição | Categoria | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2017 | Mundial Júnior | até 66 kg | Ouro |
| 2019 | Jogos Pan-Americanos de Lima | até 66 kg | Prata |
| 2021 | Jogos Olímpicos de Tóquio | até 66 kg | Bronze |
| 2022 | Mundial de Tashkent | até 73 kg | Bronze |
| 2022 | World Masters de Jerusalém | até 73 kg | Ouro |
| 2024 | Mundial de Abu Dhabi | até 73 kg | 5º lugar |
| 2025 | Mundial de Budapeste | até 73 kg | Prata |
| 2026 | Grand Slam de Lausanne | até 73 kg | Ouro |
| 2026 | Mundial de Baku | até 73 kg | 5º lugar |
Próximos passos
O Mundial de Baku vai até 11 de outubro de 2026, com a disputa por equipes mistas no último dia. Para Cargnin, a temporada segue com foco na corrida por pontos rumo a Los Angeles 2028, onde pode buscar a segunda medalha olímpica individual da carreira. Para entender como os combates são decididos, vale conferir as regras do judô e as mudanças nas punições previstas para Los Angeles 2028. Outra referência da seleção no ciclo é a peso pesado Beatriz Souza, inscrita na categoria acima de 78 kg em Baku.
Fontes: Correio Braziliense, CBJ, Jornal do Comércio, Lance!, Jornal de Brasília, Gazeta Esportiva, Band, Diário do Grande ABC, Sogipa, COB.