No judô de alto nível, uma luta dura 4 minutos e termina antes do tempo com um ippon ou com dois waza-ari. Desde 2025, a Federação Internacional de Judô (IJF) voltou a usar o yuko, a menor pontuação, que tinha sido abolida em 2017. O terceiro shido vira hansoku-make (desclassificação), e o empate no tempo regulamentar leva ao golden score, sem limite de duração. Estas são as regras de arbitragem que a IJF definiu para o ciclo até Los Angeles 2028.
| Item | Regra IJF em vigor |
|---|---|
| Duração da luta (adulto, júnior e cadete) | 4 minutos de tempo real |
| Ippon | Vitória imediata (ou imobilização de 20 segundos) |
| Waza-ari | Meia vitória; dois waza-ari valem ippon (imobilização de 10 a 19 segundos) |
| Yuko | Menor pontuação; não soma para virar waza-ari (imobilização de 5 a 9 segundos) |
| Shido | Punição leve; o terceiro shido é hansoku-make |
| Hansoku-make direto | Desclassificação por ação perigosa ou contra o espírito do judô |
| Golden score | Prorrogação sem limite de tempo; vence quem pontuar primeiro |
| Categorias olímpicas | 7 masculinas, 7 femininas e 1 prova por equipes mistas |
| Judogi | Branco para o atleta de cima na chave, azul para o de baixo |
Qual é o regulamento oficial do judô
As regras de arbitragem fazem parte das Regras de Esporte e Organização (SOR) da IJF. A versão mais recente publicada no site da entidade é de 24 de julho de 2026. O pacote atual foi apresentado em dezembro de 2024, testado a partir do Grand Slam de Paris de 2025 e revisado depois do Mundial de Budapeste, disputado em junho de 2025.
Em janeiro de 2026, a IJF informou que as regras seguiriam “em grande parte inalteradas” e que, a partir do Grand Slam de Ulaanbaatar, ficariam “gravadas em pedra” e sem novas modificações até os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Para quem acompanha o judô pela TV, isso significa estabilidade: o que vale hoje no Circuito Mundial é o que deve valer nos Jogos.
No Brasil, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) é a entidade nacional filiada à IJF e aplica o mesmo regulamento nas competições que organiza.
Pontuação no judô: ippon, waza-ari e yuko
Ippon
O ippon encerra a luta na hora. Em pé (tachi-waza), o árbitro avalia quatro critérios: velocidade, força, queda de costas e controle da projeção até o fim da aterrissagem. No chão (ne-waza), o ippon sai com uma imobilização (osaekomi) de 20 segundos, ou quando o adversário desiste batendo duas vezes ou mais com a mão ou o pé, ou ainda se perde a consciência por estrangulamento ou chave de braço.
Por segurança da coluna cervical, a regra também dá ippon quando o atleta projetado faz uma “ponte” voluntária (cabeça e pé ou pés no tatame) para evitar cair de costas.
Waza-ari
O waza-ari é dado quando a projeção não cumpre todos os critérios do ippon, por exemplo quando a queda passa de 90 graus em relação ao eixo dos ombros, mas não é plenamente de costas. No chão, vale waza-ari a imobilização de 10 a 19 segundos. Quem soma dois waza-ari vence por waza-ari-awasete-ippon, isto é, os dois juntos equivalem a um ippon.
A volta do yuko
O yuko tinha saído das competições da IJF em 2017 e voltou em 2025. Hoje ele premia, entre outras situações, a queda de lado ou mais para a frente, a queda sobre a parte superior das costas, sobre um ou os dois glúteos, ou sobre o ombro com apoio de um cotovelo ou de uma mão. No chão, vale yuko a imobilização de 5 a 9 segundos.
Um detalhe importante: os yukos são contados (1, 2, 3 e assim por diante), mas não se somam para virar waza-ari. Um único waza-ari vale mais do que qualquer quantidade de yukos.
Punições: shido e hansoku-make
Shido
O shido é a punição para infrações leves: falta de combatividade, pegadas ou movimentos ilegais que não são perigosos, uniforme ou cabelo em desordem e perda de tempo. A regra permite dois shidos como advertência; o terceiro vira hansoku-make, e o atleta perde a luta.
O ponto que mais confunde o torcedor: shido não dá ponto ao adversário e, pelo texto da IJF, uma luta não pode ser decidida por um shido isolado nem por diferença de shidos, a não ser que se chegue ao hansoku-make. Se o tempo acaba com placar técnico igual, a luta vai ao golden score independentemente do número de punições.
Hansoku-make direto
O hansoku-make também pode ser aplicado diretamente, em dois grupos:
- Técnicas perigosas, como o mergulho de cabeça no tatame ao aplicar golpes como uchi-mata, harai-goshi ou seoi-nage. Nesse caso, o atleta perde a luta, mas pode continuar no torneio (por exemplo, na repescagem), se for o caso.
- Atos contra o espírito do judô, como kawazu-gake, kani-basami, do-jime e chaves em qualquer articulação que não seja o cotovelo. Aqui o atleta é eliminado da competição.
O pacote de 2025 também passou a punir com hansoku-make as chaves de braço aplicadas durante projeções com alto risco de lesão, quando o adversário não tem como escapar. Para uma lista completa das infrações que geram shido, veja nosso guia de punições no judô para o ciclo de Los Angeles 2028.
Pegadas: o que pode e o que não pode
Pelas regras apresentadas pela IJF, todas as pegadas no casaco do judogi são permitidas, assim como pegar abaixo da faixa até a altura do topo da parte interna da coxa, desde que isso não seja usado de forma negativa. Continua proibido agarrar as pernas, enganchar a perna com a mão ou o braço, segurar a calça e tocar a perna do topo da coxa para baixo. O abraço de urso é permitido, exceto quando as mãos ficam entrelaçadas formando um círculo. Os nomes dos golpes citados aqui estão explicados em nosso guia de golpes de judô.
Golden score: como funciona o desempate
Se os dois atletas terminam os 4 minutos sem pontuação técnica, ou com pontuação igual, o árbitro anuncia “sore-made”, os judocas voltam às posições iniciais e a luta recomeça sem intervalo. Não há limite de tempo no golden score. Pontos e shidos do tempo normal continuam no placar.
O golden score termina com qualquer pontuação técnica (yuko, waza-ari ou ippon), com hansoku-make (direto ou pelo terceiro shido) ou com desistência. Se uma imobilização começa no golden score, bastam 5 segundos: o atleta recebe yuko e a luta acaba.
Duração das lutas e tempo de descanso
Nas competições da IJF, adultos, juniores (sub-21) e cadetes (sub-18), masculinos e femininos, lutam 4 minutos de tempo real: o relógio para a cada interrupção do árbitro. Cada atleta tem direito a 10 minutos de descanso entre uma luta e outra. Se uma imobilização começa nos segundos finais, o tempo é estendido até o fim da ação.
Categorias de peso olímpicas
Nos Jogos de Los Angeles 2028, o judô terá 15 provas: 7 categorias masculinas, 7 femininas e a disputa por equipes mistas, no LA Convention Center, segundo o comitê organizador.
| Feminino | Masculino |
|---|---|
| até 48 kg | até 60 kg |
| até 52 kg | até 66 kg |
| até 57 kg | até 73 kg |
| até 63 kg | até 81 kg |
| até 70 kg | até 90 kg |
| até 78 kg | até 100 kg |
| acima de 78 kg | acima de 100 kg |
Judogi azul e branco
O uniforme de cor diferente ajuda árbitros, público e TV a identificar cada judoca. Pela regra da IJF, em todos os eventos que valem pontos no ranking mundial, o atleta que aparece em cima na chave veste judogi branco e o que aparece embaixo veste azul. Na área de luta, o atleta de azul fica à esquerda do árbitro e o de branco, à direita. Faixas, gestos e termos como hajime, mate e sore-made estão no nosso dicionário do judô.
O Brasil nas regras atuais: medalhistas olímpicos
O judô brasileiro soma 28 medalhas olímpicas, 5 delas de ouro, e tem medalha em todas as edições desde Los Angeles 1984. Em Paris 2024, foram quatro pódios:
- Beatriz Souza, ouro no acima de 78 kg, ao vencer a israelense Raz Hershko na final com um waza-ari. Foi o primeiro ouro do Brasil naqueles Jogos. A trajetória dela está no perfil Beatriz Souza, a campeã olímpica do judô brasileiro.
- Willian Lima, prata no até 66 kg, derrotado na final pelo japonês Hifumi Abe.
- Larissa Pimenta, bronze no até 52 kg.
- Equipe mista, bronze, com um waza-ari decisivo de Rafaela Silva aos 14 segundos da luta que valeu a medalha.
Rafaela Silva é campeã olímpica no Rio 2016 (até 57 kg) e bicampeã mundial (2013 e 2022, também até 57 kg). Em 2013, tornou-se a primeira mulher do Brasil a ganhar um título mundial de judô. Nos últimos anos, passou a competir no até 63 kg.
Perguntas frequentes
O yuko ainda existe no judô?
Sim. O yuko foi retirado das competições da IJF em 2017 e voltou em 2025. Ele vale menos que o waza-ari e vários yukos não se transformam em waza-ari.
Quantos waza-ari valem um ippon?
Dois. Quando um atleta marca o segundo waza-ari, o árbitro anuncia waza-ari-awasete-ippon e a luta acaba.
Quantos shidos desclassificam o judoca?
Três. Os dois primeiros são advertências e o terceiro vira hansoku-make. Shido não dá ponto ao adversário.
Quanto tempo dura o golden score?
Não há limite de tempo nas competições adultas da IJF. A luta segue até alguém pontuar, receber hansoku-make ou desistir.
Quanto tempo dura uma luta de judô olímpico?
Quatro minutos de tempo real para homens e mulheres, com o relógio parado a cada interrupção do árbitro.
Fontes: Federação Internacional de Judô (IJF), LA28, Confederação Brasileira de Judô, CNN Brasil, Wikipedia.