Johnny Walker, lutador nascido em Belford Roxo (RJ), estreou na categoria peso-pesado do UFC em 3 de outubro de 2026 com um nocaute no primeiro round sobre o inglês Mick Parkin, no UFC 332, em Salt Lake City (Estados Unidos). A vitória, construída com uma joelhada no clinche, rendeu ao carioca o bônus de Performance da Noite e, três dias depois, a 12ª posição no ranking da divisão. Aos 34 anos, ele abre um novo capítulo de uma carreira que começou, quase por acaso, numa aula de lambaeróbica.

Um nome que não tem nada a ver com uísque

O nome que chama atenção em qualquer card foi escolhido pelos pais, Joyce e Walter, para lembrar o deles próprios. “Nada a ver com o uísque”, explicou o lutador em entrevista publicada pelo Estadão e reproduzida pelo Terra em junho de 2019.

Nascido em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Johnny cresceu em Rio das Ostras, cidade ligada à indústria do petróleo, e sonhava em ser empresário do setor. Depois do ensino médio, trabalhou meio período como soldador em plataforma de petróleo e começou a cursar engenharia química.

Da lambaeróbica ao muay thai

A virada veio de um jeito improvável. Para ganhar ritmo nos bailes da região, ele se matriculou numa aula de lambaeróbica em uma academia perto de casa. “Queria ficar menos travado. Ter mais coordenação motora”, contou na mesma entrevista ao Estadão. Ao lado da sala de dança funcionava uma turma de muay thai. Johnny começou a treinar pelo exercício, logo passou a fazer sparring com todos da academia e foi encaminhado pelo professor ao jiu-jitsu.

A meta ganhou forma em 2011, quando ele assistiu à vitória de Anderson Silva sobre Vitor Belfort: a partir dali, o objetivo passou a ser o UFC.

Frio, fome e a porta do UFC

O caminho até o octógono teve desvios. Uma oportunidade de treinar em Curitiba não saiu como prometido (“Cheguei lá e não tinha nada do que me prometeram”, relatou ao Estadão). Ele então foi para a Escócia, onde, segundo o próprio lutador, o dinheiro combinado nunca chegou e ele passou frio e fome, mas começou a vencer e a chamar atenção.

Em 2018, já baseado na Inglaterra, Walker venceu Henrique da Silva por decisão unânime no Dana White’s Contender Series e conquistou o contrato com o UFC.

Estreia arrasadora e as primeiras quedas

A chegada à organização foi das mais explosivas da categoria meio-pesado (até 93 kg). Em 17 de novembro de 2018, nocauteou Khalil Rountree Jr. com 1min57 do primeiro round. Em 2 de fevereiro de 2019, no UFC Fortaleza, precisou de apenas 15 segundos para parar Justin Ledet. Em 2 de março de 2019, no UFC 235, venceu Misha Cirkunov com 36 segundos.

O ritmo foi interrompido em 2 de novembro de 2019, no UFC 244, quando Corey Anderson o nocauteou no primeiro round. Vieram depois derrotas para Nikita Krylov (março de 2020), Thiago Santos (outubro de 2021) e Jamahal Hill (fevereiro de 2022), intercaladas por um nocaute sobre Ryan Spann em setembro de 2020.

A reconstrução no meio-pesado

A resposta veio em sequência: finalização sobre Ion Cutelaba no UFC 279 (setembro de 2022), nocaute técnico sobre Paul Craig no UFC 283 (janeiro de 2023) e decisão unânime contra Anthony Smith em maio de 2023. O embalo o levou a enfrentar Magomed Ankalaev no UFC 294, em outubro de 2023, mas a luta terminou sem resultado após uma joelhada ilegal. Na revanche, em janeiro de 2024, o daguestanês venceu por nocaute no segundo round, e em junho de 2024 Walker também foi nocauteado por Volkan Oezdemir.

Ele voltou a vencer em 23 de agosto de 2025, em Xangai, com nocaute técnico sobre Zhang Mingyang no segundo round. Em 11 de abril de 2026, no UFC 327, perdeu por decisão dividida para Dominick Reyes, em luta truncada e vaiada pelo público ao fim dos rounds, segundo o Ag. Fight. Foi a última das 16 lutas dele no meio-pesado, de acordo com o Lance!.

A estreia no peso-pesado

A mudança para a divisão de até 120,2 kg aconteceu no card preliminar do UFC 332, no Delta Center. Walker trabalhou com mais volume no início, sentiu um golpe quando Parkin buscou o clinche, se recuperou junto à grade e encaixou a joelhada que decidiu a luta, aos 3min35 do primeiro round, segundo o registro oficial do UFC. Na comemoração, imitou um peixe no centro do octógono.

“Eu não gosto de nada fácil, gosto de desafios. Não tem nenhum peso-pesado que lute como eu”, disse após a luta, em declaração publicada pelo Lance!. O bônus de Performance da Noite valeu US$ 100 mil, cerca de R$ 522 mil na conversão feita pelo Lance!. No mesmo evento, Natália Silva conquistou o cinturão peso-mosca.

Em 6 de outubro de 2026, a atualização do ranking do UFC colocou Walker em 12º entre os pesados, segundo o Super Lutas. Ele divide a categoria com o irmão mais novo, Valter Walker, que acumula cinco vitórias seguidas por finalização e ocupa o 11º lugar, de acordo com o Ag. Fight.

Os números da carreira

Indicador Dado
Nascimento Belford Roxo (RJ), 34 anos
Estreia no UFC 17 de novembro de 2018, nocaute em Khalil Rountree Jr.
Vitórias na carreira profissional 23, sendo 18 por nocaute ou nocaute técnico
Vitórias no UFC 9
Lutas no meio-pesado do UFC 16
Nocaute mais rápido no UFC 15 segundos, contra Justin Ledet (2019)
Precisão de golpes significativos 56%
Ranking atual 12º do peso-pesado (6 de outubro de 2026)

O que vem pela frente

Com a entrada no top 15 logo na primeira luta entre os pesados, Walker passa a mirar adversários ranqueados numa divisão em que o Brasil já tem tradição, como lembra a lista de brasileiros que foram campeões do UFC. O jovem que entrou numa academia para aprender a dançar chega a uma nova categoria com a mesma marca que o apresentou ao público em 2018: decidir lutas no primeiro round.

Fontes: Lance!, Ag. Fight, Super Lutas, UFC, Terra, Estadão.