A oposta Tifanny Abreu, do Osasco, chega ao fim do prazo de inscrição de atletas para a Superliga Feminina 2026/27, na segunda-feira, 5 de outubro de 2026, sem liberação da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A entidade mantém a nova política de elegibilidade da categoria feminina, que impede a jogadora de 41 anos de disputar as competições nacionais, e descartou criar uma regra de transição. Até a manhã de 5 de outubro, nenhuma das fontes consultadas pelo Esportelândia havia noticiado mudança na posição da CBV nem decisão judicial sobre o caso. A Superliga começa em 17 de outubro.
Enquanto isso, Tifanny segue em quadra no Campeonato Paulista, organizado pela Federação Paulista de Voleibol. Na sexta-feira, 2 de outubro, ela saiu do banco no terceiro set e marcou dois pontos na vitória do Osasco sobre o Pinheiros por 3 sets a 0, no jogo de ida da semifinal.
A posição da CBV: sem transição
O Osasco pediu à CBV uma regra de transição para que a atleta, que renovou contrato antes da mudança nas normas, pudesse disputar a temporada, segundo o Web Vôlei. A confederação recusou. No lançamento da Superliga, na quinta-feira, 1º de outubro, na COB Expo, em São Paulo, o presidente da entidade, Radamés Lattari, explicou a decisão: “Se existe uma desigualdade, não pode existir transição, porque já existe uma vantagem. E a gente opta sempre pela igualdade”, afirmou, de acordo com o Web Vôlei. Segundo a Gazeta Esportiva, a CBV também afirmou no evento que não houve pressão para a adoção da nova política.
A regra foi anunciada em 14 de agosto. A CBV passou a seguir a Política de Proteção da Categoria Feminina publicada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em março de 2026, além de parâmetros da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da Confederação Sul-Americana (CSV). A política prevê a triagem do gene SRY, com as exceções descritas no próprio regulamento, e vale para a Superliga A e B 2026/27, a Supercopa 2026 e a Copa Brasil 2027, segundo o Web Vôlei. O tema também aparece em outras modalidades, como mostra o histórico de atletas trans nas Olimpíadas.
Justiça é a alternativa citada por atleta e clube
Sem acordo, a via judicial passou a ser mencionada pela atleta e pelo clube. “Espero que algo possa mudar. Se não for numa boa conversa, de bom acordo, que seja na Justiça. E que a Justiça possa estar do meu lado, porque eu não fiz nada de errado”, disse Tifanny no lançamento, segundo o Lance!. O Web Vôlei informou, em 2 de outubro, que o clube deve levar a questão aos tribunais. Até a manhã de 5 de outubro, não localizamos registro público de ação ajuizada.
O técnico Luizomar de Moura confirmou que o tema está com o departamento jurídico. “O Osasco, como um clube tão importante do voleibol feminino, lógico que vai procurar defender os seus direitos. Isso aí está com o departamento jurídico”, afirmou à Gazeta Esportiva. Ele também criticou a forma como o clube soube da mudança: “A gente recebeu essa notícia pela internet e fomos pegos de surpresa. Faltou um pouco de zelo, e o momento foi muito ruim. A temporada estava em andamento, a Tifanny está sob contrato”.
O que disse Tifanny no lançamento da Superliga
Única jogadora trans em atividade na elite do vôlei brasileiro, Tifanny (relembre a sua trajetória no vôlei) disse ter se sentido tratada “como se eu fosse uma bandida, e eu não sou bandida. Sou uma atleta, uma atleta que inspira muitas pessoas”, segundo o Lance!. Ela classificou a medida como uma “política transfóbica”, de acordo com o Visão Oeste, e afirmou sentir “desprezo” e falta de empatia, mais do que raiva.
A jogadora relacionou a disputa ao fim da carreira. “Quero terminar a minha temporada. Eu não fiquei dez anos à toa”, disse à Gazeta Esportiva. “Eu vou lutar até o final para que a história de Tifanny Abreu não termine desse jeito”, completou.
Paulista: Osasco a uma vitória da final
No Ginásio Henrique Villaboim, o Osasco dominou o Pinheiros e venceu o primeiro jogo da semifinal por 3 sets a 0, segundo o Lance! e o Correio Regional São Paulo. A polonesa Magdalena Stysiak (15 pontos) e Mari Brambilla (14) foram as maiores pontuadoras. Tifanny entrou no terceiro set, foi aplaudida pela torcida e fez dois pontos.
| Data | Compromisso |
|---|---|
| Sexta-feira, 2 de outubro | Pinheiros 0 x 3 Osasco, ida da semifinal do Paulista |
| Segunda-feira, 5 de outubro | Fim do prazo de inscrição de atletas na Superliga |
| Terça-feira, 6 de outubro | Osasco x Pinheiros, volta da semifinal, no Ginásio José Liberatti |
| Sábado, 17 de outubro | Início da Superliga Feminina 2026/27 |
Com a vitória fora de casa, o Osasco se classifica para a final se vencer novamente na terça-feira, 6 de outubro, em casa. Se o Pinheiros ganhar, a vaga será decidida no golden set. Na outra semifinal, o Sesi Bauru venceu o São Caetano por 3 sets a 1 no jogo de ida.
Uma carreira longa no Osasco
Tifanny iria para a sua décima Superliga, a sexta com o Osasco, clube que defende desde 2021. Pela equipe, conquistou a Superliga 2024/25, além de quatro Campeonatos Paulistas, duas Copas Brasil, uma Supercopa e o terceiro lugar no Mundial de Clubes de 2025, segundo o Lance!. O título de 2024/25 colocou o clube de novo na lista dos maiores campeões da Superliga Feminina.
O que vem a seguir
Pelas regras em vigor, Tifanny fica fora da lista do Osasco para a Superliga, a menos que a CBV mude de posição ou que uma decisão judicial a autorize. No Paulista, a oposta segue à disposição de Luizomar para a volta da semifinal, na terça-feira, 6 de outubro, no Ginásio José Liberatti.
Fontes: Web Vôlei, Lance!, Gazeta Esportiva, Visão Oeste, Correio Regional São Paulo, Olimpíada Todo Dia, Terra, CNN Brasil, Correio Braziliense.