A geração de ouro do vôlei feminino brasileiro é uma verdadeira reunião de ídolos, de grandes talentos e de jogadoras que entraram para a história. Thaisa se encaixa em todas essas definições.

Bicampeã olímpica e heptacampeã da Superliga, a meio de rede é não só uma das melhores como também uma das mais bem-sucedidas atletas do vôlei do Brasil.

Uma jogadora com esses predicados, claro, tem muita história em sua carreira — e muitos títulos, naturalmente. Contamos todos eles, além de sua trajetória na Seleção Brasileira e até algumas curiosidades, no texto a seguir.

Quem é Thaisa do Vôlei?

Imagem de Thaisa durante aquecimento na Superliga
(Gaspar Nóbrega/Inovafoto)

Thaisa Daher de Menezes é uma jogadora profissional de vôlei natural do Rio de Janeiro, na capital. Nascida no dia 15 de maio de 1987, atua desde 2019 no Minas Tênis Clube, time da Superliga Feminina de Vôlei.

Thaisa joga  como meio de rede, também chamado de central. É conhecida por ser uma excepcional bloqueadora, uma atacante eficiente e dona de um saque acima da média. A combinação desses atributos a coloca como uma das melhores de sua posição no vôlei mundial.

Mais do que isso, foram essenciais para uma enormidade de conquistas na carreira, entre elas sete títulos da Superliga e duas medalhas de ouro nas Olimpíadas, nos Jogos de 2008 e de 2012. Sem falar nos vários prêmios individuais recebidos.

Quando Thaisa começou no vôlei?

Thaisa começou no vôlei bastante cedo. Em 2001, aos 14 anos, já atuava pelo Tijuca Tênis Clube. No ano seguinte, se transferiu ao Minas Tênis Clube, curiosamente o seu time atual, ao qual voltou depois de mais de 15 anos desde a última passagem.

Na Seleção Brasileira principal, estreou aos 19 anos, em 2006. Foi parte do elenco que venceu a Copa Pan-Americana e que depois vice do Mundial e dos Jogos Pan-Americanos, ambos em 2007. Daí em diante, foi titular absoluta por quase dez anos.

Qual foi a primeira equipe da Thaisa?

A primeira equipe de Thaisa foi o Tijuca Tênis Clube, do Rio de Janeiro, sua cidade natal. Começou no clube aos 14 anos, em 2001, e com 15 se transferiu para o Minas Tênis Clube.

Como Thaisa começou no Vôlei

Imagem de Thaisa com Fofão no Osasco
(Divulgação)

Thaisa começou no vôlei em busca de um certo acolhimento. Bastante alta desde muito jovem, ela só foi se sentir realmente à vontade com o corpo depois de soltar o braço nas quadras.

O conforto virou naturalidade e com 14 anos ela já era a meio de rede do Tijuca Tênis Clube. Em 2002, aos 15, teve sua primeira transferência e foi parar no Minas Tênis Clube; aos 18, já era campeã da Superliga sob o comando de ninguém menos que Bernardinho, no Rio de Janeiro, na época Rexona-Ades.

Junto do treinador, Thaisa sagrou-se tricampeã da principal competição de vôlei do país antes de se transferir para o Osasco, justamente a equipe sob a qual foi três vezes vencedora.

Com status de estrela na equipe paulista — era, afinal, uma recém campeã olímpica —, a central foi campeã paulista logo em seu primeiro ano. Na sua segunda temporada, liderou a Superliga em bloqueios e a equipe rumo ao título sobre o Rio de Janeiro.

Thaisa atuou oito anos em Osasco. Foi bicampeã da Superliga, tetracampeã estadual e campeã do Mundial FIVB de Clubes. Jogou no mais alto nível, sendo duas vezes (2008, 2014) a melhor bloqueadora do país e outra a melhor atacante do mundo, em 2010.

Com todas essas conquistas na bagagem, mais um enorme sucesso na Seleção Brasileira — e um litígio contratual com o Osasco—, a jogadora foi buscar uma carreira internacional, assinando com o Eczacıbaşı, da Turquia, para a temporada 2016/2017.

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A história da lesão de Thaisa

Tudo sobre Thaisa do Vôlei: história, equipes, títulos e curiosidades
(Adriano Vizoni/Folhapress)

A experiência de Thaisa no exterior, no entanto, tornou-se um pesadelo. Começando com tudo na Europa, sendo novamente campeã do Mundial de Clubes (e dessa vez eleita MVP do torneio), ela lesionou gravemente o tornozelo durante uma partida da Liga dos Campeões.

Já sofrendo com recorrentes dores no joelho direito, a jogadora tratou de ambas as questões físicas, ficando fora de ação por quase um ano. Isso em 2017, aos 30 anos idade.

Houve quem dissesse que ela jamais voltaria. Alguns médicos até concordaram com a sentença. Ela não quis nem saber. Acolhida por Zé Roberto Guimarães, que a convidou para retornar ao Brasil e se recuperar no time do Barueri, ela se superou.

Ao fim da temporada 2018/2019, 10 meses após a sua lesão, ela estava fazendo sua primeira partida na volta à Superliga.

O milésimo bloqueio de Thaisa e o MVP “extraoficial” de 2020

Thaisa teve dois grandes momentos após a sua lesão, que não deixaram sobrar qualquer resquício de dúvida sobre a sua capacidade de superação.

O primeiro veio em poucas partidas desde seu retorno. No terceiro set da partida contra justamente seu ex-clube, o Osasco, a central fez o seu milésimo bloqueio na Superliga. Você leu certo. Thaisa fez 1000 bloqueios, um recorde absoluto no voleibol brasileiro.

Depois o momento que, na verdade, foram meses. De novembro de 2019 à março de 2020, já como jogadora do Minas Tênis Clube, ela liderou a liga em saques, bloqueios e eficiência de ataque.

Com o encerramento precoce da competição por conta da pandemia do novo coronavírus, não houve campeões ou premiações. Ainda assim, foi eleita extraoficialmente — por torcedores e jogadoras — como a MVP da competição.

Foi o segundo prêmio desse caráter em poucos meses de 2020. Antes, foi consagrada como a melhor jogadora do Campeonato Sul-Americano, da qual saiu vitoriosa em fevereiro.

Após o retorno das competições, Thaisa e o Minas voltaram com tudo. O time minastenista, contando com a experiência da central e de Carol Gattaz, dominou o vôlei nacional junto com o rival Praia Clube, tendo decidido as últimas quatro Superligas. Dessa maneira, Thaisa conquistou mais dois troféus da competição: 2020/21 e 2021/22 e foi vice em 2022/23.

História de Thaisa doVôlei na Seleção Brasileira

Imagem de Thaísa durante ataque da Seleção Brasileira
(Norceca)

A história da Thaisa na Seleção Brasileira principal começa em 2006. Já habituada com as seleções de base — sendo bicampeã do Mundial Juvenil, conquistado em 2003 e em 2005 —, a jogadora teve uma rápida ascensão no time de José Roberto Guimarães.

Foi parte do grupo campeão da Copa Pan-Americana, fez a transição para a equipe titular no Mundial e nos Jogos Pan-Americanos, ambos em 2007, e nas Olimpíadas de 2008 já era uma das principais peças do time.

Com ela comandando a rede, o Brasil ganhou a sua primeira medalha de ouro olímpica da história da modalidade feminina. Não satisfeita, fez o mesmo, sendo a principal bloqueadora dos Jogos de Londres, em 2012, quando levou a seleção ganhou seu segundo ouro.

Nesse meio tempo, ganhou diversos torneios com a camisa verde amarela, entre mais Copas Pan-Americanas, Final Four e Montreux Volley Masters. Foi no Grand-Prix, no entanto, em que teve maior destaque.

Venceu cinco vezes o torneio, três delas já após o ouro olímpico de 2012.  Além dos troféus, quase sempre voltou pra casa com reconhecimentos individuais. Teve o melhor saque em 2011, foi eleita a melhor central em 2013 e em 2016 e foi até a MVP da competição, também em 2013.

Só ficou faltando mesmo o Campeonato Mundial, da qual foi vice em 2007 e em 2010. É uma das únicas frustrações da sua carreira na Seleção. A outra foi a duríssima derrota para a China que deixou as brasileiras sem chão nem pódio.

Aposentadoria e retorno

A lesão no joelho encurtou a história de Thaisa na Seleção Brasileira. Não que a tenha impedido de atuar com a amarelinha. Pelo contrário, participou de mais uma Copa Pan-Americana e um Mundial, ambos em 2018.

Mas o desempenho não era exatamente o mesmo e principalmente os compromissos internacionais estavam pesando muito para o seu físico, especialmente para o seu joelho. Assim, anunciou a aposentadoria da Seleção em 2019.

A sua história, no entanto, não estava exatamente terminada. Em 2020, após a volta de Mari e Fabi à equipe nacional, ela deixou as portas abertas para uma eventual volta, focando principalmente no auxílio à adaptação das jogadoras da nova geração.

O retorno demorou cerca de dois anos, mas em 2023, Thaisa voltou para a seleção brasileira de vôlei. A central foi uma das atletas convocadas para a Liga das Nações 2023, onde foi de suma importância para a experiência do time que passa por reformulação. Assim, mesmo com a eliminação, deixou o horizonte aberto para futuras convocações.

Equipes de Thaisa

  • Tijuca (2001-2002)
  • Minas Tênis Clube (2002-2005, 2019-)
  • Rio de Janeiro (2005-2008)
  • Osasco (2008-2016)
  • Eczacıbaşı-TUR (2016-2017)
  • Barueri (2018-2019)

Títulos de Thaisa

A central brasileira possui 42 troféus na carreira e várias premiações individuais. Na sua galeria estão: duas medalhas Olímpicas de ouro, sete troféus da Superliga, dois do Mundial de Clubes. Além disso, individualmente foi eleita a melhor bloqueadora, sacadora e central de várias disputas. Confira todas as conquistas de Thaisa.

Seleção brasileira

  • Jogos Olímpicos – 2008 e 2012
  • Mundial Juvenil – 2003 e 2005
  • Grand Prix – 2008, 2009, 2013, 2014 e 2016
  • Copa Pan-Americana – 2006 e 2009
  • Copa Final Four – 2008
  • Montreux Volley Masters – 2009
  • Pan-Americano – 2011

Rio de Janeiro

  • Top Volley – 2006
  • Superliga – 2005/2006, 2006/2007 e 2007/2008
  • Salonpas Cup – 2006 e 2007
  • Copa do Brasil – 2007
  • Campeonato Carioca – 2005, 2006 e 2007

Osasco

  • Campeonato Sul-Americano de Clubes – 2009
  • Superliga – 2009/2010 e 2011/2012
  • Salonpas Cup – 2008
  • Copa Brasil – 2008 e 2014
  • Mundial FIVB de Clubes – 2012
  • Campeonato Paulista – 2008, 2012, 2013 e 2014
  • Top Volley – 2014

Eczacibasi (Turquia)

  • Mundial FIVB de Clubes – 2016

Minas Tênis Clube

  • Superliga – 2020/21, 2021/22
  • Sul-Americano de Clubes – 2020
  • Campeã Mineira – 2022
  • Copa Brasil – 2021 e 2023

Prêmios e recordes de Thaisa

  • Melhor saque – Superliga 2007/2008
  • Melhor bloqueadora – Segunda fase do Grand Prix 2008
  • Melhor bloqueadora – Superliga 2008/2009
  • Melhor bloqueadora – Segunda fase do Grand Prix 2010
  • Melhor atacante – FIVB Mundial de Clubes 2010
  • Melhor sacadora do Grand Prix de Voleibol 2011
  • Melhor bloqueadora do Grand Prix de Voleibol 2012
  • Melhor Central do Grand Prix de Voleibol 2013
  • MVP do Grand Prix de Voleibol 2013[8]
  • Melhor bloqueadora – Superliga 2013/2014
  • Melhor Central/Bloqueadora Campeonato Mundial de Voleibol Feminino 2014
  • MVP Top Volley 2014
  • Melhor central do Grand Prix de voleibol 2016
  • MVP do Campeonato Sul-Americano de Clubes de 2020
  • Craque da galera (votação popular) – Superliga 2020/2021
  • Melhor central/bloqueadora – Superliga 2020/2021
  • MVP da Superliga 2020/2021
  • 2a Melhor Central do Campeonato Sul-Americano de Clubes Feminino de 2021
  • 2a Melhor Central do Campeonato Sul-Americano de Clubes Feminino de 2023

Curiosidades sobre Thaisa do vôlei

  • Thaisa tem muitas tatuagens. Ela diz ter  feito a primeira quando ainda era adolescente e parado de contar quando chegou na 28ª.
  • Com 1,96m de altura, Thaisa foi por muito tempo a mais alta jogadora da Seleção e de toda vôlei brasileiro. Foi “ultrapassada” pela colega de posição Jéssica Lima, de 2,03m.
  • Entre os diversos profissionais que Thaisa teve acompanhamento durante a recuperação de sua lesão, ela destaca o trabalho de um coach esportivo, que ela diz ter sido essencial para a retomada de seu alto nível.
  • Ela gostou tanto do trabalho do coach que começou a se preparar para se tornar uma ela mesma ao fim da carreira. Mas sem charlatanismo: “tudo embasado na psicologia, na neurociência e numa enorme lista de livros”, garante.
  • Outra companhia durante o tempo que esteve lesionada na Turquia foram das ponteiras Kosheleva, colega de equipe, e Kim Yeon-koung, sua rival. Ambas foram visitá-la no hospital.
  • O tempo de recuperação de Thaísa também serviu para dar um retoque no visual plásticas. Aproveitando o tempo parada, ela passou por algumas cirurgias plásticas, que viraram até motivo de fofoca na Seleção Brasileira.

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