Resposta direta: no conjunto da carreira, Ronaldo Fenômeno leva vantagem, com duas Copas do Mundo no currículo (uma delas sem entrar em campo), 15 gols em Mundiais, duas Bolas de Ouro e três prêmios de melhor do mundo da FIFA. Romário, porém, foi o homem que carregou o Brasil ao tetra em 1994 e, como finalizador puro dentro da área, tem torcedor que não troca o Baixinho por ninguém. O placar é apertado, e vem com a gente que a gente explica.
São dois cariocas separados por dez anos (Romário nasceu em 1966, Ronaldo em 1976) que fizeram o mesmo caminho: PSV, Barcelona e o topo do mundo. Para conhecer cada um a fundo, temos o perfil completo do Romário, com história, títulos e gols, e a lista dos títulos de Ronaldo Fenômeno.
Romário x Ronaldo em números
| Critério | Romário | Ronaldo |
|---|---|---|
| Copas disputadas | 1990 e 1994 (campeão em 1994) | 1994 (sem jogar), 1998, 2002 e 2006 (campeão em 1994 e 2002) |
| Jogos e gols em Copas | 8 jogos, 5 gols | 19 jogos, 15 gols |
| Jogos e gols pela Seleção (partidas oficiais entre seleções principais, RSSSF) | 70 jogos, 55 gols | 98 jogos, 62 gols |
| Outros títulos pela Seleção | Copa América 1989 e 1997, Copa das Confederações 1997 | Copa América 1997 e 1999, Copa das Confederações 1997 |
| Principais títulos por clube | Holandês 1989, 1991 e 1992 (PSV); Espanhol 1993/94 e Supercopa 1994 (Barcelona); Brasileiro 2000 (Vasco) | Recopa e Copa do Rei 1997 (Barcelona); Copa da Uefa 1998 (Inter); Espanhol e Intercontinental (Real Madrid); Paulista e Copa do Brasil 2009 (Corinthians) |
| Bola de Ouro (France Football) | Nenhuma: até 1994 só europeus podiam ganhar | 2 (1997 e 2002) |
| Melhor do mundo da FIFA | 1 (1994) | 3 (1996, 1997 e 2002) |
| Prêmios individuais em Copas | Bola de Ouro adidas 1994 | Bola de Ouro adidas 1998, Chuteira de Ouro 2002 (8 gols) |
| Artilharias de liga | Holandês 1988/89, 1989/90 e 1990/91; Espanhol 1993/94 (30 gols); Brasileiro 2000, 2001 e 2005 | Holandês 1994/95 (30 gols); Espanhol 1996/97 (34) e 2003/04 (25) |
| Gols na carreira | 784 em jogos oficiais e 1.002 no total (RSSSF) | 414 em 616 jogos, com a Seleção (levantamento do GOAL) |
Sobre a última linha: Romário reivindica mais de mil gols porque soma amistosos, jogos beneficentes e partidas pelas seleções de base, enquanto as contagens só de jogos oficiais ficam perto de 780. Como os critérios das fontes diferem, a comparação vale como ordem de grandeza. Na Seleção, outras contagens que incluem jogos não oficiais dão 95 partidas a Romário (Placar) e 105 a Ronaldo (Real Madrid).
Romário, o Baixinho que prometeu e cumpriu
No PSV, Romário foi artilheiro do Campeonato Holandês três temporadas seguidas, de 1988/89 a 1990/91, e levantou três títulos nacionais. Em 1993 chegou ao Barcelona de Johan Cruyff como a peça que faltava ao Dream Team e respondeu com 30 gols em 33 jogos de liga e o título espanhol. Jorge Valdano o definiu como um “jogador de gibi”, segundo o site do clube.
A Seleção quase ficou sem ele. Afastado, Romário ouviu Carlos Alberto Parreira dizer que não o convocaria, até que as lesões no ataque obrigaram o técnico a chamá-lo para a decisão contra o Uruguai, em setembro de 1993, no Rio. Foram dois gols e a vaga garantida. Nos Estados Unidos, ele fez cinco gols, subiu de cabeça entre os gigantes suecos para decidir a semifinal (ele mesmo lembra que tinha 1,68 m) e se ofereceu para bater pênalti na final contra a Itália, mesmo tendo cobrado “um ou dois” na vida, como contou à FIFA. Antes da Copa, dizia em toda entrevista que seria a Copa do Brasil e também a dele. Saiu de lá com a Bola de Ouro adidas e, no fim do ano, com o prêmio de melhor do mundo da FIFA.
A volta ao Brasil rendeu títulos e gols até o fim. Pelo Vasco, foi campeão brasileiro em 2000 e artilheiro do Brasileiro em 2000, 2001 e 2005, nesta última com 22 gols, pela RSSSF. Em 20 de maio de 2007, em São Januário, cobrou pênalti contra o Sport, deslocou o goleiro Magrão e comemorou o gol que chamou de milésimo.
Ronaldo, o Fenômeno que caiu e levantou
Cafu lembra, em depoimento reunido pela FIFA, que a primeira vez que viu Ronaldo foi no Cruzeiro, ainda garoto, num jogo em que o menino fez cinco gols. Aos 17 já estava no PSV, onde foi artilheiro holandês em 1994/95 com 30 gols. No Barcelona, a temporada 1996/97 é coisa de outro planeta: 47 gols em 49 jogos, a Recopa (com gol de pênalti na final contra o PSG) e a Copa do Rei, segundo o clube.
Na Inter, recebeu a Bola de Ouro em San Siro em janeiro de 1998 e, meses depois, fechou a final da Copa da Uefa contra a Lazio, em Paris, driblando o goleiro no terceiro gol do 3 x 0. Depois vieram as sombras: a final de 1998, em que passou mal na concentração às vésperas do 3 x 0 da França, e o joelho direito que cedeu em 12 de abril de 2000, seis minutos depois de entrar contra a Lazio. Foram mais de 15 meses parado.
A redenção veio em 2002: oito gols, dois deles na final contra a Alemanha, em Yokohama. “Nem no melhor dos meus sonhos aconteceu assim”, disse na saída de campo, segundo a FIFA. Ainda fez 104 gols em 177 jogos pelo Real Madrid e encerrou a carreira com títulos no Corinthians, em 2009.
Quando o Baixinho e o Fenômeno jogaram juntos
A dupla Ro-Ro, como a imprensa batizou, viveu seu auge em 1997. Pelas fichas da RSSSF, os dois estiveram juntos em pelo menos 19 jogos da Seleção, entre 1994 e abril de 1998, com 15 vitórias, dois empates, duas derrotas e 35 gols da dupla (21 de Romário, 14 de Ronaldo).
- Copa América 1997, na Bolívia: Ronaldo fez cinco gols e foi eleito o melhor jogador do torneio; Romário marcou três, dois deles no 7 x 0 sobre o Peru na semifinal. O Brasil foi campeão com 3 x 1 sobre os donos da casa, em La Paz.
- Copa das Confederações 1997, em Riad: depois de um 0 x 0 com a Austrália na primeira fase, a final contra os mesmos australianos, em 21 de dezembro, terminou 6 x 0, com três gols de cada um. Romário foi o artilheiro, com sete gols.
- O corte de 1998: em 3 de junho, uma semana antes da estreia na França, a comissão de Zagallo e Zico cortou Romário por um estiramento na panturrilha direita. Ele chorou diante de dezenas de jornalistas num hotel em Paris, segundo a Band, e a dupla nunca jogou junta uma Copa.
Em 2013, já fora de campo, os dois trocaram recados em público: Romário, deputado, criticava os gastos da Copa de 2014, e Ronaldo integrava o Comitê Organizador Local, como registrou o Jornal de Brasília.
O que cada um representa para o torcedor
Romário é o fim do jejum. Em 1994 o país estava de luto por Ayrton Senna, a Seleção não ganhava uma Copa havia 24 anos e só 10% dos entrevistados numa pesquisa em São Paulo acreditavam no título, segundo a FIFA. Para o Baixinho, a conquista foi “como um prato de comida para quem está com fome”. Ídolo em Vasco e Flamengo, ainda levou a popularidade para a política: eleito deputado federal em 2010, chegou ao Senado pelo Rio em 2014, segundo a Agência Senado.
Ronaldo é a superação. O garoto que estava no banco em 1994 virou o símbolo do penta depois de quase abandonar o futebol por causa do joelho, e é a referência de uma geração inteira de atacantes no mundo.
A nossa opinião
Esta é a opinião da redação, não um dado. A gente fica com Ronaldo, por pouco. Pesa a longevidade no topo (melhor do mundo em 1996 e de novo em 2002), os 15 gols em Copas e a capacidade de decidir saindo de longe, com arrancada e drible. Mas se a pergunta for “quem ganhou uma Copa praticamente sozinho”, a resposta é Romário, e não tem vergonha nenhuma em pensar assim. Dentro da área, o Baixinho talvez tenha sido o finalizador mais frio que o Brasil já viu. Para comparar com outros craques premiados, veja a lista de todos os melhores do mundo da FIFA.
Perguntas frequentes
Romário e Ronaldo jogaram no mesmo clube?
Não. Os dois passaram por PSV e Barcelona, mas em épocas diferentes. Romário ainda defendeu Vasco, Flamengo, Valencia, Fluminense, Al-Sadd, Miami, Adelaide United e America; Ronaldo jogou em Cruzeiro, Inter, Real Madrid, Milan e Corinthians.
Romário foi artilheiro de Olimpíada?
Sim. Nos Jogos de Seul, em 1988, ele marcou sete gols em seis jogos pela seleção olímpica e terminou como artilheiro do torneio.
Quem é o maior artilheiro do Brasil em Copas do Mundo?
Ronaldo, com 15 gols em três edições: quatro em 1998, oito em 2002 e três em 2006.
Quiz: você sabe tudo sobre Romário e Ronaldo?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Em que temporada Romário foi artilheiro do Campeonato Espanhol, com 30 gols pelo Barcelona?
2. Quantos gols Ronaldo marcou na Copa do Mundo de 2002?
3. Qual foi o placar da final da Copa das Confederações de 1997, com três gols de cada um da dupla Ro-Ro?
4. Por que Romário ficou fora da Copa de 1998?
5. Contra qual adversário Romário marcou o gol que chamou de milésimo, em 2007?
Seus acertos:
Fontes: FIFA, RSSSF, FC Barcelona, Real Madrid, Inter, UEFA, Larousse, Trivela, GOAL, Correio Braziliense, Lance!, Band, Jornal de Brasília, Placar, Agência Senado.