Um goleiro que chegou ao Corinthians como desconhecido, virou titular no meio de uma Libertadores e terminou o ano de 2012 eleito o melhor jogador do Mundial de Clubes. Essa é a história de Cássio Ramos, o Gigante, nascido em 1987 em Veranópolis (RS). Em outubro de 2026, ele segue no Cruzeiro, com contrato até 31 de maio de 2027, mas como reserva de Otávio: voltou ao banco em agosto depois de uma grave lesão no joelho esquerdo e ainda espera a primeira partida desde março. Vem com a gente relembrar a trajetória de um dos maiores ídolos da história do Timão.
| Ficha | Cássio Roberto Ramos |
|---|---|
| Nascimento | 6 de junho de 1987, em Veranópolis (RS) |
| Posição | Goleiro |
| Clubes | Grêmio, PSV, Sparta Rotterdam (empréstimo), Corinthians e Cruzeiro |
| Clube atual | Cruzeiro, contrato até 31/05/2027 |
| Jogos pelo Corinthians | 712, segundo maior número da história do clube |
| Principais títulos | Libertadores 2012, Mundial de Clubes 2012, Brasileiro 2015 e 2017, Paulista 2013, 2017, 2018 e 2019, Recopa 2013, Mineiro 2026 |
| Copa do Brasil | Nenhum título (vice em 2022 com o Corinthians) |
| Seleção | Copa do Mundo de 2018 e Copa América de 2019 (campeão), ambas no grupo |
A história de Cássio: de Veranópolis ao Grêmio
A infância não foi fácil. Cássio cresceu com os irmãos Taís e Eduardo, criado pela mãe, Ciana, que trabalhava como empregada doméstica. Em carta publicada pela ESPN, ela contou que não tinha como comprar luvas ou chuteira para o filho: ou faltava comida em casa, ou ela comprava o material. Sem muito dinheiro, começou jogando sem luva e sem chuteira, num campinho perto de casa, e chegava irreconhecível de tanta terra na roupa. Depois da escola, ia trabalhar no lava-jato do tio João Carlos Ramos, o Kojake, que Cássio sempre tratou como pai e que o levou às primeiras peneiras. Kojake morreu em janeiro de 2026, e o goleiro se despediu dele com uma frase curta: “Ele foi um pai para mim”.
Ah, e você sabia que ninguém em casa imaginava um goleiro? A mãe achava que ele jogava na linha, como atacante. A resposta do guri: “Me botaram e eu gostei”.
No Grêmio, a família juntava dinheiro para pagar as passagens até Porto Alegre, onde ele morava com uma prima. A estreia profissional veio em 12 de fevereiro de 2006, numa vitória por 2 x 1 sobre o Santa Cruz-RS, pelo Gauchão. No fim daquele ano, as lesões e ausências de outros goleiros abriram espaço na Seleção Sub-20, e Cássio foi titular na conquista do Sul-Americano da categoria, em 2007.
A fase holandesa
Em julho de 2007, aos 20 anos, assinou por cinco temporadas com o PSV Eindhoven, que pagou 1,5 milhão de euros ao Grêmio. Na Holanda, a vida foi de reserva: ganhou o Campeonato Holandês de 2007/08 sem ser titular, foi emprestado ao Sparta Rotterdam no segundo semestre da temporada 2008/09 (14 jogos na liga) e jogou pouco quando voltou. Em setembro de 2011, rescindiu de forma amigável com o PSV. Parecia o fim da linha na Europa, mas o melhor ainda estava por vir.
Corinthians: Libertadores, Mundial e o posto de ídolo
O acerto com o Corinthians saiu em dezembro de 2011, no mesmo mês em que o Timão foi campeão brasileiro. A estreia foi em 28 de março de 2012, no Pacaembu, num 1 x 0 sobre o XV de Piracicaba, pelo Paulistão. Pouco depois, Júlio César foi criticado após uma derrota, e Tite resolveu bancar o goleiro que quase ninguém conhecia.
Libertadores 2012: a defesa em Diego Souza
A estreia na Libertadores foi nas oitavas, no 0 x 0 com o Emelec em Guayaquil, com boa atuação. Mas a cena que mudou a carreira veio nas quartas, em 23 de maio de 2012, no Pacaembu. Jogo empatado sem gols com o Vasco, 17 minutos do segundo tempo, e Diego Souza disparou sozinho do meio de campo até a área. Chutou rasteiro no canto, e Cássio espalmou. Aos 42, Paulinho fez de cabeça o gol da classificação. Na nossa opinião, foi a defesa mais importante da história do Corinthians, porque sem ela não haveria título nem Japão.
Depois vieram o Santos de Neymar na semifinal e o Boca Juniors na decisão. Em 4 de julho, no Pacaembu, dois gols de Emerson Sheik deram ao Timão a primeira Libertadores, conquistada de forma invicta, segundo o Lance!. Cássio foi eleito o melhor goleiro da competição.
Mundial de Clubes 2012: o melhor jogador em Yokohama
Em 16 de dezembro de 2012, diante de mais de 30 mil corintianos no estádio de Yokohama, o Corinthians venceu o Chelsea por 1 x 0, gol de cabeça de Paolo Guerrero no segundo tempo. O gol foi do peruano, mas a final foi de Cássio: defendeu chutes de Cahill, Fernando Torres, Moses, Mata e Hazard, e ainda segurou mais uma finalização de Torres no fim. Saiu do Japão com o prêmio de melhor jogador do torneio, o segundo goleiro a recebê-lo na era FIFA, depois de Rogério Ceni em 2005. “Foi o melhor ano da minha vida”, resumiu ele.
Brasileiros, Paulistas e pênaltis
Com Tite, Cássio levantou o Brasileiro de 2015. Em 2017, com Fábio Carille, foi o capitão do jogo da taça do heptacampeonato e quem ergueu o troféu na Arena. Nos Paulistas, foram quatro títulos (2013, 2017, 2018 e 2019), com destaque para a final de 2018: depois do 1 x 0 no Allianz Parque, ele pegou as cobranças de Dudu e Lucas Lima, e o Timão venceu o Palmeiras por 4 x 3 nos pênaltis, na casa do rival.
Na Libertadores de 2022, outra noite de herói: dois pênaltis defendidos contra o Boca Juniors, em La Bombonera, para levar o Corinthians às quartas. A Copa do Brasil, porém, ficou no quase. Na final de 2022, no Maracanã, ele até pegou a cobrança de Filipe Luís, mas o Flamengo venceu por 6 x 5 nos pênaltis.
A despedida
Os últimos anos foram de desgaste, com o time oscilando e parte da torcida cobrando o goleiro. Em maio de 2024, Cássio deixou o clube em comum acordo. Saiu com 712 jogos, atrás apenas de Wladimir (806), como o goleiro que mais vestiu a camisa alvinegra, e com nove títulos, marca que nenhum jogador do Corinthians supera. Se quiser comparar com outros nomes da posição, veja a nossa lista dos melhores goleiros da história do Corinthians.
Cássio no Cruzeiro
Anunciado em maio de 2024 com contrato até maio de 2027, Cássio estreou em 13 de julho, num 2 x 1 sobre o Red Bull Bragantino, no Independência. Logo no primeiro ano, chegou à final da Copa Sul-Americana, mas o Racing venceu por 3 x 1 em Assunção, em 23 de novembro de 2024. Em 2025, a vida pregou uma peça: na semifinal da Copa do Brasil, justamente contra o Corinthians, ele defendeu a cobrança de Yuri Alberto na Neo Química Arena, mas o ex-clube venceu por 5 x 4 nos pênaltis.
O título com a camisa celeste veio em 8 de março de 2026. No Mineirão, o Cruzeiro bateu o Atlético por 1 x 0, gol de Kaio Jorge, e encerrou a série de seis títulos estaduais do rival. Cássio foi titular, mas a decisão terminou numa briga generalizada e em 23 expulsões, recorde do futebol brasileiro, e o goleiro está na lista de expulsos da súmula.
Três dias depois, em 11 de março, veio o golpe. Contra o Flamengo, no Maracanã, ele saiu do gol para cortar um cruzamento e sofreu uma lesão multiligamentar no joelho esquerdo. Passou por cirurgia, com previsão inicial de oito a nove meses fora, mas acelerou a recuperação: em agosto, cinco meses depois, voltou a ser relacionado, também contra o Flamengo, pela Libertadores. Desde então, segue no banco. Otávio, de 20 anos e já chamado para a Seleção, assumiu a meta, e Cássio, em fim de contrato, cumpre o papel de líder do elenco. No último jogo, a vitória por 4 x 2 sobre o Grêmio em 18/10/2026, foi mais uma vez reserva não utilizado.
Ele não é o primeiro goleiro de grande história a viver o Cruzeiro: a trajetória de Fábio, ídolo da Raposa, é outra que vale a leitura.
Cássio na Seleção Brasileira
A primeira convocação para a Seleção principal veio em 2007, com Dunga, para amistosos contra Chile e Gana. A grande chance, porém, só apareceu com Tite, que o conhecia como ninguém. Em maio de 2018, foi chamado para a Copa da Rússia como terceiro goleiro, atrás de Alisson e Ederson, e não escondeu a alegria: “Se continuar assim, não ligo”, disse sobre a reserva. Um ano depois, estava no grupo campeão da Copa América de 2019, novamente sem entrar em campo, já que Alisson jogou todos os minutos.
Perguntas frequentes sobre Cássio
Quantos jogos Cássio fez pela Seleção Brasileira?
Apenas um. Foi em 10 de novembro de 2017, num amistoso contra o Japão em Lille, na França: ele entrou no intervalo no lugar de Alisson e sofreu um gol de cabeça de Makino na vitória por 3 x 1.
Quantos pênaltis Cássio defendeu pelo Corinthians?
Foram 32, recorde do clube, cinco a mais que Ronaldo Giovanelli, segundo levantamento da Gazeta Esportiva na época da despedida.
Qual goleiro, além de Cássio, já foi eleito o melhor jogador do Mundial de Clubes?
Rogério Ceni, com o São Paulo, em 2005. Conheça os recordes dele no texto sobre Rogério Ceni no Guinness Book.
Quer saber onde o Corinthians de 2012 aparece entre os gigantes do continente? Confira os maiores campeões da Libertadores na história.
Quiz: você conhece a história de Cássio?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Em qual clube europeu Cássio assinou contrato em 2007?
2. Na Libertadores de 2012, Cássio fez a defesa mais famosa da carreira contra qual atacante do Vasco?
3. Antes de Cássio, qual goleiro tinha sido eleito o melhor jogador do Mundial de Clubes?
4. Quem é o único jogador com mais partidas pelo Corinthians do que Cássio?
5. Qual título Cássio conquistou pelo Cruzeiro em março de 2026?
Seus acertos:
Fontes: ESPN, Gazeta Esportiva, Lance!, CNN Brasil, Itatiaia, Hoje em Dia, O Tempo, Trivela, Gazeta do Povo, Jovem Pan, Palmeiras, Folha Vitória, Diário do Nordeste, Diário Celeste, BH 24 Horas, Bolavip, Tribuna PR, DGABC, Gazeta de S.Paulo, Rede Hoje, FotMob.