O domingo (18) teve dois roteiros para o torcedor brasileiro. Em Assunção, no Paraguai, o skate street terminou sem pódio no Mundial, com Giovanni Vianna em quarto e Maria Lúcia em quinto nas decisões de voltas e manobras (entenda as regras do skate), depois de uma campanha que tinha levado quatro brasileiros às finais. Em Santa Fé, na Argentina, a garotada do atletismo fez o oposto e terminou lá no alto. O Brasil é campeão do 12º Campeonato Sul-Americano Sub-23, com 38 medalhas (18 ouros, 7 pratas e 13 bronzes) e 371 pontos.
A seleção venceu a classificação geral e também as disputas por naipe: 172 pontos no feminino e 199 no masculino, segundo a CBAt. A Argentina, dona da casa, ficou em segundo nas três tabelas (242 no geral), e a Venezuela fechou o pódio geral com 178. Nas palavras da confederação, o país manteve a hegemonia no continente.
Thiago Ornelas: vento contra e recorde a favor
A cena que resume o domingo aconteceu nos 110 m com barreiras. Thiago Ornelas, barreirista olímpico e dono do recorde sul-americano sub-23 (13s40), largou com vento contrário de 0,7 m/s e, mesmo assim, cruzou em 13s70. O tempo derrubou o recorde do campeonato, que pertencia a outro brasileiro, Adrian Vieira (13s74, em Cascavel, 2022). Foi o bicampeonato de Ornelas na categoria, depois do ouro em Bucaramanga. Quem quiser entender por que segurar ritmo entre as barreiras com vento na cara é tão ingrato pode dar uma olhada nas regras das corridas com barreiras.
Nos 200 m, Renan Gallina fechou com chave de ouro seu último ano no sub-23. O velocista olímpico, que passou a temporada brigando com lesões, venceu em 20s57 e repetiu o título de 2022. Em 2026, ele já tinha levado os títulos brasileiros sub-23 dos 100 m e dos 200 m e o primeiro título adulto, nos 200 m do Troféu Brasil, em julho, de acordo com a confederação.
Dobradinha no peso decidida por centímetros
No arremesso do peso, a disputa foi verde e amarela de ponta a ponta. Pedro Rafael Modesto chegou a 18,85 m, dez centímetros acima do recorde pessoal que havia feito no quarto lugar do Troféu Brasil. Alessandro Borges Soares, campeão mundial sub-20, ficou com a prata com 18,80 m, a um centímetro do seu melhor resultado. Só cinco centímetros separaram os dois no pódio.
Mais cedo, a manhã já tinha rendido três ouros. Sabrina Gabrieli Pena venceu os 800 m em 2min05s38 e apagou um recorde do campeonato que resistia desde 2008, quando a venezuelana Madelene Rondón fez 2min05s85 em Lima. Nascida em Mandaguari (PR), em dezembro de 2005, Sabrina ainda viu Luise Rosa Braga levar o bronze na mesma prova. Wandesson Marlhon Gomes, em sua primeira convocação, ganhou o salto em altura com 2,12 m, recorde pessoal, e Maria Eduarda Cândido Teixeira venceu o salto em distância com 6,01 m, depois do bronze no triplo.
Camille, a melhor atleta do campeonato
Se tem uma história para guardar de Santa Fé, é a de Camille Cristina de Oliveira. No sábado (17), a paulista de Barra Bonita venceu os 400 m com barreiras em 57s66, com Nykolli Rangel na prata, e completou a coleção: já tinha bronze em Cascavel e prata em Bucaramanga, faltava o ouro. No domingo, fechou o revezamento 4×400 m feminino campeão, ao lado de Nykolli, Sabrina e Luise, em 3min42s81. Resultado: foi eleita a melhor atleta da competição.
O masculino também levou o 4×400 m, com Victor Elias dos Santos, Emerson Vieira do Nascimento, Paulo Henrique Batista e Vinícius Moura Galeno, em 3min09s18. Galeno, aliás, já tinha vencido os 400 m individuais no sábado, com 46s32. Para quem gosta de revezamento, vale lembrar como funcionam as passagens de bastão: foi justamente uma troca fora da zona que desclassificou o 4×100 m masculino brasileiro no sábado.
Estreantes e histórias improváveis
O sábado foi a noite dos cinco campeões, como resumiu a CBAt. Débora Ferreira Sabino, de Vespasiano (MG), começou na ginástica artística, migrou para o salto com vara e ganhou o ouro com 4,00 m na primeira vez que vestiu a camisa da seleção. Maria Eduarda de Oliveira venceu o salto em altura com 1,80 m e somou o segundo título em Santa Fé em menos de um mês, depois do ouro nos Jogos Sul-Americanos, em 25 de setembro. Gabriela Tardivo (3.000 m com obstáculos) e Alberto Rodrigues dos Santos Filho (disco) completaram a lista.
Na sexta-feira (16), a abertura já tinha dado o tom: Benjamin da Silva Oliveira e Luan Robert Silva fizeram dobradinha no triplo, Pedro dos Santos Aparecido e Aurélio Miguel de Souza Leite repetiram a dose na vara, e Karine Estefane Martins venceu o triplo feminino.
O que fica de Santa Fé
Na nossa leitura, o recado é claro: com medalhistas em provas de velocidade, barreiras, saltos, lançamentos e fundo, o Brasil mostra uma base espalhada por quase todo o programa, e não dependente de um ou dois nomes. Para muitos desses atletas, Santa Fé foi a despedida da categoria. Agora a briga é com os adultos.
| Classificação geral | Pontos |
|---|---|
| 1º Brasil | 371 |
| 2º Argentina | 242 |
| 3º Venezuela | 178 |
Fontes: CBAt, Atletismo Sudamericano, Olimpíada Todo Dia.