Você sabia que a mulher mais jovem a aparecer em um ranking oficial do UFC é baiana, torcedora do Bahia e tem só 20 anos? Pois é. Na atualização de terça-feira, 13 de outubro de 2026, Alice Pereira, a Golden Girl, estreou em 12º lugar no peso-galo feminino, três dias depois de transformar a luta contra a russa Daria Zhelezniakova num recital de cotoveladas em Las Vegas. Vem com a gente conhecer a trajetória de quem saiu de Feira de Santana, levou um tombo na estreia e voltou mais forte.
De Feira de Santana para o tatame
Maria Alice Lima Pereira nasceu em 20 de dezembro de 2005, em Feira de Santana. A luta entrou cedo na vida dela: aos 16 anos, em 2022, ela fez uma aula experimental de kickboxing com o professor Caio Portugal e, logo depois, começou no jiu-jitsu, quase como passatempo. Contou ao portal Acorda Cidade que a mãe, no início, tinha medo de vê-la apanhar; hoje, pai e mãe estão do lado dela.
A virada veio no Campeonato Baiano de Sanda, o boxe chinês, onde ela venceu a primeira competição. Foi aí que o técnico Edilson Teixeira fez o convite. “Foi quando Edilson Teixeira fez a proposta de migrar para o MMA”, relembrou ela ao Acorda Cidade. Além do título estadual de sanda, Alice soma conquistas no jiu-jitsu (campeã da Copa Brasil Nordeste no peso e no absoluto) e, segundo o perfil oficial do UFC, já tem faixa-preta de kickboxing. A rotina, desde então, é puxada: três treinos por dia, entre preparação física, trocação e jiu-jitsu, na equipe Life MMA, ligada à Portugal Top Team.
A estreia profissional no MMA veio em 18 de agosto de 2023, ainda com 17 anos, e já com finalização. Nascia ali uma carreira de quem gosta de trocar e não gosta de ver luta ir para os juízes.
A camiseta com o nome do chefe
Aqui entra a primeira cena que todo fã de MMA deveria conhecer. Em 14 de dezembro de 2024, Alice venceu Samara Santos por decisão unânime e ficou com o cinturão do Cage Masters Brasil, chegando a seis vitórias em seis lutas. Em vez de só levantar o cinturão, ela vestiu uma camiseta com o nome de Mick Maynard, o matchmaker do UFC, e fez questão de lembrar o cartel invicto, conforme relatou a Folha do Estado da Bahia. Ousado? Sim. Funcionou? Também.
Dez dias depois, na véspera de Natal, o telefone tocou. Era o próprio Maynard, numa chamada de vídeo, avisando que ela estava contratada, sem precisar passar pelo Contender Series. Dana White divulgou o vídeo e, de presente, chegou uma camiseta com a frase “Parabéns, Alice, você está dentro, Feliz Natal”. “Tomei um susto, até hoje me emociono quando lembro”, disse ela ao Acorda Cidade. Com 19 anos recém-completados, Alice herdava de Raul Rosas Jr. o posto de atleta mais jovem do elenco da organização. “Fico muito feliz em ser a caçula do UFC, não tenho palavras para descrever essa alegria”, afirmou à época.
O tombo em San Antonio
A estreia foi marcada para 13 de setembro de 2025, no Noche UFC, em San Antonio, contra a mexicana Montserrat Rendon. Com 19 anos, 8 meses e 24 dias, Alice se tornou a mulher mais jovem a lutar no octógono, segundo o UFC. A noite histórica, porém, não teve final feliz. Depois de um primeiro round em que controlou a distância com a envergadura, a baiana se complicou no segundo: Rendon encaixou uma sequência de golpes na grade, pegou as costas e quase finalizou no mata-leão antes da buzina, conforme a cobertura do Cageside Press. No fim, decisão dividida para a mexicana, a primeira e única derrota da carreira.
A resposta foi de gente grande. Em entrevista ao site do UFC antes da luta seguinte, Alice contou que a derrota levou a uma análise “muito detalhada e profunda” de si mesma, nos aspectos técnico e físico, com direito a muita terapia. O foco passou a ser controlar o ritmo da luta, além do trabalho de grade e de chão.
A joelhada em Las Vegas
A segunda cena aconteceu em 4 de abril de 2026, no UFC Vegas 115, no Meta Apex. Hailey Cowan foi de wrestling: clinchou, levou a baiana para baixo no segundo round e passou um bom tempo por cima. Alice não se desesperou. Quando a americana se levantou, veio a resposta: uma joelhada seca que apagou Cowan aos 4min24s do segundo round. Primeira vitória no UFC, primeiro bônus de Performance da Noite.
Cotoveladas, sangue e uma bandeira do Bahia
A terceira cena é a mais recente. Em 10 de outubro, no card preliminar do UFC Vegas 122, Alice pressionou Daria Zhelezniakova contra a grade, derrubou, trabalhou da meia-guarda com golpes de ombro, montou e soltou uma série de cotoveladas que abriram um corte profundo no rosto da russa. Zhelezniakova terminou o primeiro round coberta de sangue e o médico não a deixou voltar: vitória por nocaute técnico, aos 5min do primeiro round, segundo o UFC. Resultado: mais um bônus de US$ 100 mil, o segundo em 2026, e uma comemoração que viralizou, com Alice dançando no aeroporto com a bandeira do Bahia, como mostrou o Bahia Notícias. Torcedora tricolor raiz.
O que o ranking muda
A entrada no top 15 é mais do que um número ao lado do nome. Alice estreou em 12º lugar no ranking oficial do peso-galo e, segundo o Lance!, superou a marca de Maycee Barber, que entrou em um ranking do UFC aos 21 anos, em dezembro de 2019. Agora, a baiana divide a lista com outras cinco brasileiras, entre elas Norma Dumont, Luana Santos e Karol Rosa. Se você quer entender quem são as rivais e as compatriotas da Golden Girl, vale conferir nosso guia das lutadoras do UFC e o ranking do UFC atualizado.
O próximo passo ela mesma apontou. Ainda em Las Vegas, disse ao UFC Brasil que estava de olho em Melissa Croden e Chelsea Chandler, que se enfrentariam uma semana depois: “vou querer a campeã dessa luta”. Em 17 de outubro, no UFC Edmonton, Chandler finalizou Croden com uma kimura no primeiro round, segundo o Sherdog. O UFC ainda não anunciou a próxima luta de Alice, mas o recado está dado.
Na nossa opinião, a melhor notícia é outra: a baiana tem tempo. Num ano em que o Brasil viu Natália Silva conquistar o cinturão do peso-mosca, Alice representa a geração seguinte. Ela mesma, antes da estreia, avisou que não tinha pressa: “Quero dar um passo de cada vez”. Pois os passos estão saindo rápidos, e o sonho declarado continua o mesmo, ser campeã do UFC, como já fez Amanda Nunes, outra baiana que mudou a história do peso-galo.
Cartel de Alice Pereira no UFC
Cartel profissional: 8 vitórias e 1 derrota (6 nocautes, 1 finalização, 1 decisão), segundo o UFC.com, em 19/10/2026.
| Data | Evento | Adversária | Resultado |
|---|---|---|---|
| 10/10/2026 | UFC Vegas 122 | Daria Zhelezniakova | Vitória, nocaute técnico (desistência), 1º round, 5:00 |
| 04/04/2026 | UFC Vegas 115 | Hailey Cowan | Vitória, nocaute (joelhada), 2º round, 4:24 |
| 13/09/2025 | Noche UFC | Montserrat Rendon | Derrota, decisão dividida, 3 rounds |
- Apelido: Golden Girl
- Categoria: peso-galo feminino (61 kg)
- Equipe: Life MMA / Portugal Top Team
- Bônus no UFC: 2 de Performance da Noite
- Títulos antes do UFC: cinturão do Cage Masters Brasil, campeã baiana de sanda
Quiz: você conhece a história da Golden Girl?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Em que cidade baiana nasceu Alice Pereira?
2. Quem venceu Alice na estreia dela no UFC, em setembro de 2025?
3. Com que golpe Alice nocauteou Hailey Cowan no UFC Vegas 115?
4. Em que posição Alice estreou no ranking oficial do peso-galo, em 13 de outubro de 2026?
5. Quem ligou para Alice por vídeo na véspera de Natal de 2024 para anunciar a contratação?
Seus acertos:
Fontes: UFC, Sherdog, Lance!, Ag. Fight, Bahia Notícias, Acorda Cidade, Folha do Estado da Bahia, Cageside Press, Super Lutas, ne9, Yahoo Sports.