Se você perguntar a um esmeraldino de arquibancada quem é o maior goleador do clube, a resposta sai rápida: Araújo. O pernambucano de Caruaru é o maior artilheiro da história do Goiás, com 145 gols em duas passagens (1997 a 2003 e 2013 a 2014), segundo o levantamento do pesquisador Altamiro Gonçalves divulgado pelo Esmeraldino.com em 2018. Logo atrás vêm Dill, com 133, e Lincoln, o Leão da Serra, com 112. Fernandão (108) completa o grupo de quatro jogadores que passaram dos 100 gols com a camisa verde.

Vem com a gente conhecer os dez primeiros dessa lista, as histórias por trás dos números e o motivo de a camisa 9 do Verdão carregar tanto peso em Goiânia.

Ranking: os 10 maiores artilheiros do Goiás

Posição Jogador Período no Goiás Gols
1º Araújo 1997 a 2003 e 2013 a 2014 145
2º Dill 1994 a 2001 133
3º Lincoln 1972 a 1978 112
4º Fernandão 1995 a 2001 e 2009 a 2010 108
5º Alex Dias 1996 a 1999, 2004 e 2008 94
6º Túlio Maravilha 1988 a 1992 93
7º Paulo Baier 2004 a 2005 e 2007 a 2008 78
8º Marco Antônio 1977 e 1979 a 1982 63
9º Aloísio 1997 a 1999 58
10º Rinaldo 1963 a 1971 e 1976 a 1980 58

Os números variam conforme a fonte: em reportagem da Sagres Online de 2020, Dill aparece com 145 gols e Araújo com 153, enquanto o Lance! credita 136 a Araújo e a própria Sagres fala em 77 gols oficiais de Túlio. Nenhuma dessas versões tira Araújo do topo nem muda o pódio.

Araújo, o dono da camisa 9 que voltou para casa

Nascido em 1977, em Caruaru, Araújo saiu do Porto, clube da sua cidade, e desembarcou na Serrinha em 1997. Canhoto, baixinho e abusado, virou peça central de um Goiás que dominou o estado: segundo o Lance!, foram o título da Série B de 1999, cinco Campeonatos Goianos e três Copas Centro-Oeste Depois rodou o mundo, com Shimizu S-Pulse e Gamba Osaka no Japão, Cruzeiro, Al-Gharafa no Catar e Fluminense.

A volta, em 2013, teve gosto de reencontro. No Goianão de 2014, já veterano, ele foi o artilheiro da competição com 9 gols. Em 29 de maio daquele ano, com o contrato encerrado, recebeu uma homenagem da diretoria e se despediu do clube, como registra o acervo do Futebol de Goyaz. A história nem terminou ali: em setembro de 2025, de volta ao Porto e saído da aposentadoria, ele abriu o placar de pênalti no Clássico Vitalino contra o Caruaru City, pela Série A2 pernambucana, segundo a Super Rádio Tupi. Faro de gol não aposenta.

Dill, Dill, Dill, o artilheiro do Brasil

O maranhense de São Luís, nascido em 1974, chegou ao Goiás ainda adolescente, vindo de Brasília. No primeiro teste, fez seis gols e ficou. Revelado em 1994, foi titular no pentacampeonato goiano de 1996 a 2000 e se tornou o carrasco do Vila Nova. No Goianão de 2000, foi artilheiro com 29 gols, de acordo com o Futebol de Goyaz.

O auge veio na Copa João Havelange, o Brasileiro de 2000: Dill dividiu a artilharia com Romário e Magno Alves, todos com 20 gols, e a torcida cantava que ele era o artilheiro do Brasil. O jogo que ele não esquece foi o 3 a 3 com o Fluminense no Serra Dourada, com dois gols seus, o segundo de bicicleta já nos acréscimos. “Era a única coisa que podia fazer”, contou à PUC TV Goiás, em fala reproduzida pela Sagres Online.

Lincoln, o Leão da Serra que abriu a porta do Brasileirão

Mineiro de Uberlândia, nascido em 1949, Lincoln ganhou o apelido do narrador Edson Rodrigues por causa do cabelo loiro que lembrava uma juba. Dispensado pelo Vila Nova enquanto se recuperava de uma lesão, foi abraçado pelo técnico Paulo Gonçalves em 1972 e fez os dois gols das vitórias por 1 a 0 sobre o Atlético na decisão do Goiano daquele ano.

Em 29 de agosto de 1973, no Estádio Olímpico, o Goiás venceu o Flamengo por 1 a 0 e conquistou a primeira vitória da sua história em Campeonatos Brasileiros, com gol de Lincoln, como conta o próprio clube. “Eu tava longe, resolvi arriscar e a bola foi no ângulo do Renato”, lembrou ele à Sagres 730. Outro jogo marcou a torcida: o 4 a 4 com o Santos de Pelé, no Pacaembu, depois de o Goiás perder por 4 a 1 a 11 minutos do fim.

Fernandão, da base ao topo do mundo

Goianiense de 1978, Fernandão passou por todas as categorias de base do clube e estreou entre os profissionais em 14 de maio de 1995, contra o Rio Verde. Na Serrinha, segundo o Mais Goiás, foram 108 gols em 271 jogos, com cinco Goianos, a Série B de 1999 e duas Copas Centro-Oeste. Depois da França, virou capitão do Internacional campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes de 2006, e voltou ao Goiás em 2009.

O ídolo de infância dele? Túlio, que o próprio Túlio conta ter ouvido de Fernandão numa entrevista nos tempos de Inter. Fernandão morreu em 7 de junho de 2014, num acidente de helicóptero às margens do Rio Araguaia, em Aruanã, e foi sepultado em Goiânia sob aplausos.

Túlio Maravilha, artilheiro do Brasil com a camisa verde

Goianiense de 1969, Túlio entrou ainda menino nas categorias de base do Goiás e conta que comprou uma bicicleta com a primeira ajuda de custo do juvenil. Profissional de 1988 a 1992, foi tricampeão goiano em 1989, 1990 e 1991. No Brasileiro de 1989, fez 11 dos 17 gols do time e decidiu a artilharia na última rodada, contra o Náutico de Bizu, que estava empatado com ele: Túlio marcou os dois gols da vitória e dividiu parte do prêmio de 100 mil dólares com o grupo, segundo a Sagres Online. No Goianão de 1991, ainda fez seis gols numa goleada por 10 a 1 sobre o Anápolis.

Alex Dias, Paulo Baier e os outros nomes do top 10

Alex Dias teve três passagens e foi vice-artilheiro do Brasileiro de 2004 pelo Goiás, com 22 gols, segundo o Futebol de Goyaz. Paulo Baier, meia gaúcho de Ijuí, esteve no time que garantiu a primeira vaga do clube na Libertadores, em 2005, e passou dos 200 jogos com a camisa esmeraldina. Marco Antônio foi campeão goiano em 1981. Aloísio, que anos depois ficaria famoso como Chulapa, fez dupla com Araújo no fim dos anos 1990. Já Rinaldo deixou um legado fora de campo: vendido ao Cruzeiro em 1971, rendeu ao clube o dinheiro investido na construção da concentração da Serrinha.

O artilheiro do elenco atual

Ninguém do grupo atual ameaça o top 10. A referência de área é Anselmo Ramon, contratado em abril de 2025: ele fez 10 gols em 35 jogos naquela temporada e chegou a 14 gols em 2026 até julho, como artilheiro do clube no ano, segundo o Mais Goiás. Na Série B, após a 34ª rodada, em 19/10/2026, o Goiás é o 9º colocado, com 49 pontos, depois do 0 a 0 com o Náutico na Serrinha.

A Seleção e a dinastia da camisa 9

Túlio contou à Sagres 730 que, desde menino na Serrinha, sonhava com a Seleção Brasileira. O sonho virou realidade: foram 13 gols em 15 jogos pela amarelinha, incluindo o gol contra a Argentina em que ajeitou a bola com o braço, segundo o Hoje em Dia. Na conta do próprio Túlio, porém, o pioneiro da dinastia do camisa 9 esmeraldino foi Lincoln, que também sonhou com a camisa amarela. Para nós, essa linha que vai de Lincoln a Túlio, Fernandão e Araújo é o que faz o Goiás ser, até hoje, a grande fábrica de goleadores do Centro-Oeste. Para comparar com os maiores do país, veja os maiores artilheiros da Seleção Brasileira e os maiores artilheiros do Brasileirão. E se a dúvida é sobre arquibancada, confira qual é a maior torcida de Goiás.

Perguntas frequentes

Quem é o maior artilheiro do Goiás no Campeonato Brasileiro?

Paulo Baier, com 49 gols, na contagem publicada pelo Lance! em outubro de 2020. Na sequência apareciam Túlio (48), Araújo (46) e Alex Dias (41).

Quem marcou o milésimo gol do Goiás na história do Brasileirão?

Paulo Baier, na sua segunda passagem pelo clube, segundo o Lance!.

Quem fez mais gols em uma temporada pelo Goiás entre 2013 e 2022?

Walter, com 29 gols em 2013, segundo O Popular. Em 2022, Pedro Raul fez 26 gols, 34% de tudo que o time marcou no ano.

Quem é o maior artilheiro do Goiás na Copa dos Campeões?

Araújo, com 5 gols, de acordo com o Futebol de Goyaz.

Fontes: Esmeraldino.com (levantamento de Altamiro Gonçalves), Goiás Esporte Clube, Futebol de Goyaz, Sagres Online, Lance!, Mais Goiás, O Popular, Gazeta Esportiva, Gazeta do Povo, Super Rádio Tupi, Hoje em Dia.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.