Em 22 de agosto de 2008, no estádio Ninho do Pássaro, em Pequim, Maurren Maggi saltou 7,04 m e se tornou a primeira brasileira campeã olímpica em uma prova individual. Foi também o primeiro ouro olímpico individual feminino do atletismo brasileiro. O caminho até ali teve ginástica, recorde, um doping que a tirou de uma Olimpíada e uma volta que poucos esperavam.

Da ginástica ao salto

Maurren Higa Maggi nasceu em São Carlos, em 1976. Fez ginástica artística até os 15 anos e ouviu que não teria futuro por ter crescido demais. Aos 17, mudou-se para São Paulo a convite do técnico Nélio Moura e começou no atletismo. Ela mesma conta que o salto a escolheu.

O primeiro grande momento veio em 1999. Ganhou o ouro no salto em distância dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg e, em 26 de junho, no Campeonato Sul-Americano de Bogotá, saltou 7,26 m, a melhor marca do mundo naquele ano. A marca ainda aparece na nossa lista de recordes brasileiros no atletismo. Naquele ano, também recebeu o prêmio de melhor atleta do primeiro Prêmio Brasil Olímpico. Em Sydney, em 2000, ficou em 24º lugar, com 6,35 m.

2003: o exame e os três anos longe

Em agosto de 2003, Maurren estava entre as favoritas a medalha nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, mas foi cortada depois de um exame antidoping positivo. A Agência Brasil registrou na época que ela atribuiu o resultado a um produto depilatório que continha a substância proibida. Outras reportagens identificam o produto como clostebol, associado a uma pomada cicatrizante usada em um tratamento de depilação a laser. Ela foi suspensa e ficou fora da Olimpíada de Atenas, em 2004. Anos depois, descreveu a experiência como horrível, porque sabia que era inocente e via as pessoas a julgando.

A volta

Em julho de 2006, depois de três anos sem competir e de ter vivido na Europa e tido uma filha, ela saltou 6,84 m no Grande Prêmio Sul-Americano, na Colômbia, a sexta melhor marca do mundo na temporada. Foram só cerca de seis meses de treino. Ainda em 2006, venceu o Sul-Americano de Tunja, com 6,86 m, e em 2007 repetiu o título em São Paulo, com 6,91 m. No mesmo ano, levou o ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Pequim, 2008

Antes da viagem, a filha de sete anos pedia à mãe uma medalha de prata, porque, segundo Maurren, a menina simplesmente adora medalhas. Ela trouxe uma de ouro. Na final, os 7,04 m foram a melhor marca da temporada dela, com vento de 0,2 m/s a favor. A nigeriana Blessing Okagbare ficou com a prata, com 6,91 m, e a jamaicana Chelsea Hammond com o bronze, com 6,79 m. Maurren disse depois que o mais importante foi a conquista pessoal, mais do que ser a primeira mulher a fazê-lo.

Em dezembro daquele ano, ela voltou a ser eleita a melhor atleta do Prêmio Brasil Olímpico, nove edições depois da primeira vez, e agradeceu a Deus por ter acreditado que havia algo reservado para ela depois do ano difícil de 2003. Se você curte saltos, a página sobre as regras do salto triplo explica a prova que deu a Adhemar Ferreira da Silva os dois primeiros ouros do atletismo brasileiro, em 1952 e 1956. Eu acho que Maurren merece estar na mesma conversa, porque o ouro dela veio depois de uma queda que teria encerrado muitas carreiras.

Outras medalhas e a despedida

Depois de Pequim, Maurren ainda ganhou o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, com 6,94 m, e o sexto título sul-americano, em Buenos Aires, naquele ano, com 6,52 m. Em Londres, em 2012, terminou em 15º lugar, com 6,27 m. Segundo a IAAF, ela também tem medalhas em campeonatos mundiais indoor: bronze em Birmingham, em 2003, e prata em Valência, em 2008. Para ver onde ela aparece entre os brasileiros mais premiados, consulte os maiores medalhistas brasileiros das Olimpíadas.

Em 19 de abril de 2015, Maurren anunciou na Globo que aquele seria seu último ano de competições, e passou a planejar uma carreira de comentarista. Em 2020, liderou a campanha #ElasTransformam, que apoiou atletas mulheres rumo a Tóquio. Em abril de 2024, deu em Belém a palestra O Salto de Ouro, na qual lembrou que foi a primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica em esporte individual. Em 2025, foi confirmada entre os participantes do MasterChef Celebridades, da Band, e chegou à semifinal, em janeiro de 2026.

Perguntas frequentes

Quantos metros Maurren Maggi saltou na final de Pequim?

Foram 7,04 m, a melhor marca da temporada dela naquele ano.

Em que ano Maurren Maggi ficou fora da Olimpíada por suspensão?

Em 2004, em Atenas, depois do exame positivo de 2003.

Maurren Maggi ainda compete?

Não. Ela anunciou em 2015 que aquele seria seu último ano de competições e hoje atua em palestras, na televisão e em campanhas de apoio ao esporte feminino.

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1. Quantos metros Maurren Maggi saltou para ganhar o ouro em Pequim?

Ela fez 7,04 m na final de 22 de agosto de 2008 e superou a nigeriana Blessing Okagbare.

2. Em que cidade Maurren Maggi nasceu?

Ela nasceu em São Carlos, no interior de São Paulo, e começou no atletismo depois da ginástica.

3. Qual Olimpíada Maurren perdeu por causa da suspensão após o exame de 2003?

Suspensa depois do exame positivo antes do Pan de Santo Domingo, ela ficou fora de Atenas.

4. Qual treinador convidou Maurren a se mudar para São Paulo e começar no atletismo?

Nélio Moura a convidou para ir a São Paulo quando ela tinha 17 anos.

5. Em que ano Maurren anunciou na Globo que aquele seria seu último ano de competições?

O anúncio foi feito em 19 de abril de 2015, e ela passou a planejar uma carreira de comentarista.

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Fontes: World Athletics, Agência Brasil.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.