Deiveson Figueiredo, ex-campeão peso-mosca do UFC, chegou ao UFC 332 com um discurso claro sobre o que ainda o mantém no octógono aos 38 anos: dinheiro, aposentadoria tranquila e o sustento da família. Em entrevista exclusiva à Ag. Fight publicada em 2 de outubro, o paraense explicou por que não pensa em parar. Em 3 de outubro, em Salt Lake City (EUA), foi nocauteado pelo americano Payton Talbott no primeiro round e chegou à terceira derrota consecutiva.
A motivação: família e segurança financeira
Deiveson completa 39 anos em dezembro e colocou a família no centro da decisão de continuar lutando.
“O que mais me motiva é poder me aposentar bem e dar uma vida maravilhosa para os meus filhos e para aqueles da minha família que precisam da minha ajuda. Eu sou um cara que não venho de família rica, tem muitas pessoas que precisam de ajuda e o que eu posso fazer eu faço para os meus familiares. Então, eu quero estar sempre na ativa, poder lutar até onde Deus permitir para que eu possa cuidar deles”, afirmou Deiveson à Ag. Fight.
O lutador também admitiu que demorou a aprender a lidar com as bolsas do UFC. “No início da minha carreira, eu não tive pessoas para me orientar sobre o que fazer com o meu dinheiro. Eu descobri isso sozinho. E hoje eu tenho pessoas que me orientam e o que eu mais faço hoje em dia é lutar e investir, aplicar o meu dinheiro”, contou. A virada, segundo ele, veio depois da troca de empresário.
De vaqueiro no Marajó a campeão do UFC
Nascido em 18 de dezembro de 1987, em Soure, na ilha do Marajó (PA), Deiveson cresceu entre o trabalho no campo e a luta marajoara, modalidade tradicional da região praticada pelo pai, que trabalhava com búfalos. Ainda criança, trabalhou como vaqueiro em uma fazenda até os 13 anos. Depois se mudou para Belém, treinou capoeira e começou no MMA aos 16 anos.
A estreia no UFC veio em 3 de junho de 2017, no UFC 212, com vitória por nocaute técnico sobre Marco Beltrán. O auge chegou em 19 de julho de 2020, quando finalizou Joseph Benavidez e conquistou o cinturão vago dos moscas. Em 21 de novembro do mesmo ano, defendeu o título contra Alex Perez com uma guilhotina.
A rivalidade com Brandon Moreno
A carreira de Deiveson ficou marcada pela série de quatro lutas contra o mexicano Brandon Moreno:
| Data | Evento | Resultado para Deiveson |
|---|---|---|
| 12/12/2020 | UFC 256 | Empate majoritário (manteve o cinturão) |
| 12/06/2021 | UFC 263 | Derrota por finalização (perdeu o cinturão) |
| 22/01/2022 | UFC 270 | Vitória por decisão unânime (recuperou o cinturão) |
| 21/01/2023 | UFC 283 | Derrota por nocaute técnico (interrupção médica) |
Depois da quarta luta, Deiveson deixou a divisão até 57 kg. Na entrevista à Ag. Fight, explicou o motivo: “Eu saí da 57 porque eu estava de saco cheio de estar batendo peso.”
O peso-galo e a sequência negativa
Entre os galos (61 kg), Deiveson venceu Rob Font em dezembro de 2023, finalizou Cody Garbrandt em abril de 2024 e superou Marlon Vera em agosto de 2024. Depois vieram derrotas para Petr Yan (novembro de 2024) e Cory Sandhagen (maio de 2025), vitória por decisão dividida sobre Montel Jackson (outubro de 2025) e novos reveses diante de Umar Nurmagomedov (janeiro de 2026) e Song Yadong, que o finalizou com uma guilhotina no UFC China, em Macau, em 30 de maio. Após esse resultado, ele caiu da sétima para a nona posição do ranking dos galos, segundo a Ag. Fight.
No UFC 332, o confronto com Talbott, válido como luta coprincipal, durou 2min09s. Um direto do americano derrubou o brasileiro e o árbitro interrompeu a luta ainda no primeiro round. O cartel de Deiveson passou a 25 vitórias, 8 derrotas e 1 empate, com cinco derrotas nas últimas seis lutas. Talbott, que chegou a 6 vitórias e 1 derrota no UFC, foi direto ao microfone: “Acabei de passar por cima de dois campeões, um atrás do outro. E quero mais um”, disse, segundo o Yahoo Sports.
O plano de voltar aos moscas
Antes da luta, Deiveson já falava em retornar ao peso-mosca para desafiar o atual campeão, Joshua Van. “A gente precisa fazer essa luta. Eu estou abertíssimo para o UFC, é só me mandar o contrato que eu vou lá tomar o meu cinturão dele”, disse à Ag. Fight em entrevista publicada em 2 de outubro.
Depois da derrota, o companheiro de equipe Felipe Leite publicou mensagem nos stories do Instagram, segundo o site Heavy: “Não podemos mudar o resultado, mas Deus nos dá a chance de voltar mais fortes do que nunca.”
O que vem a seguir
O futuro do paraense no UFC está em aberto. Na entrevista coletiva após o UFC 332, Dana White, CEO da organização, evitou se comprometer sobre veteranos derrotados no evento, como Deiveson e Rafael dos Anjos: “Não sei. Este é um daqueles assuntos sobre os quais falaremos na próxima semana”, respondeu, segundo o Super Lutas. Até a publicação deste texto, não havia nova luta anunciada para Deiveson. Veja o ranking do UFC por categoria, a cobertura do UFC 332 e os atletas mais bem pagos da história do UFC.
Fontes: Ag. Fight, Yahoo Sports, Super Lutas, Heavy, Wikipedia.