O maior artilheiro da história do Santa Cruz é Tará, com 207 gols em jogos oficiais entre 1931 e 1949, segundo o retrospecto do jornalista e pesquisador Cassio Zirpoli. Atrás dele vêm Luciano Veloso (174) e Ramón (148), os dois símbolos da década de ouro do Tricolor do Arruda. Vem com a gente conhecer os dez maiores goleadores da Cobra Coral e as histórias por trás dos números.

Os 10 maiores artilheiros do Santa Cruz

Posição Jogador Gols em jogos oficiais (Cassio Zirpoli) Gols em todos os jogos (Futebol80) Período
1º Tará 207 225 1931 a 1949
2º Luciano Veloso 174 176 1968 a 1974
3º Ramón 148 151 1969 a 1983
4º Betinho 143 141 1971 a 1980
5º Fernando Santana 123 124 1967 a 1974
6º Elói de Paula 115 131 1946 a 1952
7º Siduca 105 116 1935 a 1948
7º Paraíba 105 114 1950 a 1958
9º Guaberinha Não listado 102 Anos 1940 (gols registrados de 1942 a 1950)
10º Lua Não listado 95 Gols registrados de 1960 a 1962

A contagem de Cassio Zirpoli considera só jogos oficiais e vai até os oito nomes acima de 100 gols; o Futebol80 soma também os amistosos, o que eleva os números e coloca Elói de Paula à frente de Fernando Santana. Por isso, as duas últimas posições vêm apenas do Futebol80.

Tará, o artilheiro que marcou contra a Seleção

Humberto de Azevedo Viana, o Tará, nasceu no Recife em 1914 e estreou pelo Santa Cruz em setembro de 1931, com 17 anos, a mesma idade do clube. Na estreia, empate por 2 a 2 com o Íris e nenhum gol. No jogo seguinte, dois na vitória por 3 a 1 sobre o Flamengo do Recife, conta o Terceiro Tempo. Daí em diante, foi gol atrás de gol: com ele, o Tricolor conquistou os estaduais de 1931, 1932, 1933, 1935 e 1940.

A cena mais curiosa da carreira tem a amarelinha no meio. Em 1934, a Seleção Brasileira voltava da Copa do Mundo da Itália e fez escala no Recife para uma série de amistosos. No dia 30 de setembro, o Santa Cruz perdeu por 3 a 1, e o gol coral foi de Tará, segundo o registro jogo a jogo do Futebol80. Dez dias depois, a revanche: 3 a 2 para o Santa, com dois gols de Zezé Fernandes e um de Sidinho, num time que enfrentava Leônidas da Silva. A Trivela coloca esse resultado entre as vitórias mais marcantes da história coral.

Tará ainda passou pelo Náutico, onde jogou ao lado de quatro irmãos e marcou dez gols numa goleada de 21 a 3 sobre o Flamengo do Recife. Voltou ao Santa Cruz em 1948, já como meia-esquerda, e fechou a conta tricolor. Mesmo assim, quando o clube promoveu nas redes, em 2020, uma eleição dos maiores ídolos, o nome dele ficou de fora, e o Jornal do Commercio registrou a ausência. Na nossa opinião, uma injustiça com quem segue no topo quase 80 anos depois.

Luciano Veloso, a Maravilha do Arruda

Com o cabelo black power e o bigode, Luciano Veloso ganhou o apelido de Coalhada, por lembrar um personagem de Chico Anysio, conta a Trivela. Os torcedores preferiam outro: Maravilha do Arruda. Foram 174 gols em 409 jogos, segundo Cassio Zirpoli, número que o deixa como o segundo maior artilheiro e o segundo jogador que mais vestiu a camisa coral, atrás apenas de Givanildo Oliveira.

No pentacampeonato pernambucano, de 1969 a 1973, Luciano esteve em 126 dos 131 jogos e marcou 69 gols, empatado com Fernando Santana como goleador da campanha. Tinha fama de pé quente: esteve nos times que encerraram jejuns do Santa Cruz em 1969, do Sport em 1975 e do Corinthians em 1977.

Ramón, o pernambucano que superou Pelé na artilharia

Se existe um jogo que resume Ramón, é Santa Cruz 3 x 2 Santos, pelo Campeonato Brasileiro de 1973, no Arruda. Diante de 39.917 pessoas, ele abriu o placar aos 12 minutos; o Santos chegou a empatar, com gols de Brecha e de Pelé no fim do primeiro tempo, e Ramón fez o terceiro aos 8 do segundo. O Diario de Pernambuco resgatou a frase de uma reportagem da época: “Quem foi ver Pelé no Arruda terminou vibrando com Ramon”. O técnico santista Pepe saiu elogiando o atacante e dizendo que ele poderia chegar à Seleção.

Ramón terminou aquele Brasileiro como artilheiro, com 21 gols, um a mais que Leivinha, do Palmeiras, e Mirandinha, do São Paulo. Segundo o Diario de Pernambuco, segue sendo o único pernambucano artilheiro do Campeonato Brasileiro defendendo um clube do estado: em 2025, o olindense Kaio Jorge também foi goleador da Série A, mas pelo Cruzeiro. No mesmo ano de 1973, Ramón marcou duas vezes no jogo extra contra o Sport que valeu o pentacampeonato, segundo a Trivela. São 148 gols e 377 jogos pelo Santa Cruz na conta de Cassio Zirpoli.

Betinho e Fernando Santana, o resto do ataque da década de ouro

Betinho chegou do Botafogo em 1971 e virou o dono do Arruda: segundo a Trivela, foi o primeiro a marcar no novo estádio e é o jogador do Santa Cruz com mais gols na casa coral. Fernando Santana, que entrou para o futebol contra a vontade do pai, foi o goleador dos estaduais de 1969, 1970 e 1972. Dispensado no fim de 1973, saiu magoado e foi para o Náutico, em 1974. Mais um capítulo da rivalidade que você confere na disputa pela maior torcida de Pernambuco.

Elói de Paula, Siduca e Paraíba: a geração dos anos 1930 a 1950

Antes da era do Arruda, o Santa Cruz já tinha centroavantes de três dígitos. Siduca marcou 105 gols oficiais entre 1935 e 1948 e dividiu boa parte desse período com Tará. Elói de Paula fez 115 entre 1946 e 1952, e Paraíba somou outros 105 entre 1950 e 1958, segundo Cassio Zirpoli. Nos números do Futebol80, que incluem amistosos, Elói chega a 131 gols e sobe para o quinto lugar.

Nunes e a tromba d’água de 1976

Nunes não está no top 10 (tem 89 gols na contagem do Futebol80), mas abriu uma das tardes mais saborosas da torcida coral. Em 1976, Dadá Maravilha, então no Sport, prometeu marcar o “gol gota d’água” no clássico. Do outro lado, Volnei, substituto de Ramón, prometeu acabar com a invencibilidade do goleiro Toinho. O Santa Cruz respondeu com 5 a 0: Nunes abriu o placar ainda no minuto inicial, e Volnei marcou três vezes, como registram a Trivela e o jogo a jogo do Futebol80. Perguntado sobre a promessa de Dadá, Volnei mandou o recado, segundo a Trivela: “Que gota d’água? É tromba d’água!”. Nunes ajudou a conquistar os estaduais de 1976 e 1978 antes de brilhar no Flamengo.

Os artilheiros do século 21 e as crias que chegaram à Seleção

Nenhum jogador recente entrou no top 10, mas um bateu na trave: o maior goleador coral do século 21 é Carlinhos Bala, com 90 gols segundo levantamento do portal NE45 publicado em 2023 (91 na conta do Futebol80, a quatro de Lua), seguido por Grafite, com 52. O retorno de Grafite, depois de 13 anos longe do clube formador, rendeu cena de cinema: em 8 de agosto de 2015, pela Série B, ele marcou de cabeça a vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo, diante de mais de 44 mil torcedores no Arruda, relembra o Diario de Pernambuco. Em 2016, chegou à última rodada da Série A com 13 gols, de olho na segunda melhor marca do clube em uma edição de Brasileiro, atrás apenas dos 21 de Ramón.

O elo mais forte com a Seleção, porém, saiu da base. Rivaldo, pentacampeão mundial com o Brasil e eleito o melhor jogador do mundo em 1999, começou a carreira profissional no Santa Cruz, e o clube fez questão de lembrar disso quando ele visitou o Arruda em março de 2026, chamando-o de cria da Base Coral. Para comparar com o maior rival, veja os maiores artilheiros do Sport, e, no plano nacional, os maiores artilheiros do Brasileirão.

Mais de 10 mil gols de história

Você sabia que o Santa Cruz já passou dos 10 mil gols? O gol de número 10.000 saiu em 18 de janeiro de 2020, no Arruda, quando Patrick fez o segundo gol da vitória por 3 a 0 sobre o Petrolina pelo Campeonato Pernambucano, segundo Cassio Zirpoli, que fez do Tricolor o 12º clube do Brasil a atingir a marca. No presente, o clube voltou a sorrir: em 3 de outubro de 2026, o empate por 1 a 1 com o Maringá garantiu o acesso à Série B de 2027.

Quiz: você sabe tudo sobre os artilheiros do Santa Cruz?

Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.

1. Quem é o maior artilheiro da história do Santa Cruz?

Tará marcou 207 gols em jogos oficiais entre 1931 e 1949, segundo Cassio Zirpoli, à frente de Luciano Veloso (174) e Ramón (148).

2. Que apelido os torcedores davam a Luciano Veloso?

Ele ganhou o apelido de Coalhada por lembrar um personagem de Chico Anysio, mas a torcida preferia chamá-lo de Maravilha do Arruda.

3. Com quantos gols Ramón foi artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1973?

Foram 21 gols, um a mais que Leivinha e Mirandinha. Ele segue como o único pernambucano artilheiro do Brasileiro defendendo um clube do estado.

4. Quem marcou o gol de número 10.000 da história do Santa Cruz, em janeiro de 2020?

Patrick fez o segundo gol da vitória por 3 a 0 sobre o Petrolina, no Arruda, e o Tricolor virou o 12º clube do Brasil a atingir a marca.

5. Qual foi o placar do clássico de 1976 contra o Sport, o da “tromba d’água”?

O Santa Cruz goleou por 5 a 0, com Nunes abrindo o placar no minuto inicial e Volnei marcando três vezes.

Seus acertos:

Fontes: Cassio Zirpoli, Futebol80, Diario de Pernambuco, Trivela, Terceiro Tempo, Jornal do Commercio, Superesportes, NE45, Band.

Eric Filardi Content Coordinator

Coordenador do Esportelândia desde 2021, é jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Autor do livro “Os Mestres do Espetáculo”, que está na biblioteca do Museu do Futebol de São Paulo. Passou por Jovem Pan, Futebol na Veia e PL Brasil.