O maior artilheiro da história do Paysandu é Bené, o Tanque da Curuzu, com 249 gols. Logo atrás vêm Hélio (237) e Quarenta Lebrego (208), numa lista que mistura o Papão dos anos 1940 com os centroavantes que levantaram a Curuzu até a virada do século. Vem com a gente conhecer quem são esses goleadores e as histórias que os acompanham.
Um aviso antes: o futebol paraense tem poucos registros oficiais consolidados, e os números abaixo vêm do levantamento do pesquisador Ferreira da Costa, publicado pela coluna de Carlos Ferreira no jornal O Liberal em 2020. Quando outra fonte diverge, a gente avisa.
Os 15 maiores artilheiros da história do Paysandu
| Posição | Jogador | Gols pelo Paysandu |
|---|---|---|
| 1º | Bené | 249 |
| 2º | Hélio | 237 |
| 3º | Quarenta Lebrego | 208 |
| 4º | Carlos Alberto Urubu | 130 |
| 5º | Cabinho | 127 |
| 6º | Cacetão | 123 |
| 7º | Zé Augusto | 118 |
| 8º | Ércio | 104 |
| 9º | Vila | 100 |
| 10º | Edil | 95 |
| 11º | Róbson (Robgol) | 91 |
| 12º | Quarentinha | 86 |
| 13º | Patrulheiro | 79 |
| 14º | Roberto Bacuri | 78 |
| 15º | Robilotta | 70 |
Seis nomes passam de 120 gols e nove chegam aos 100. É uma lista dominada por quem jogou entre as décadas de 1940 e 1980, quando o Campeonato Paraense era a grande vitrine do clube.
Bené: o Tanque da Curuzu
Benedito Pinho Leme nasceu em 1942, em Amparo, no interior de São Paulo, e chegou a Belém em 1966, vindo da base do Vasco. Ficou cerca de oito temporadas e virou o Tanque da Curuzu (também chamado de Canhão da Curuzu). Segundo o Diário do Pará, foi cinco vezes campeão paraense com o Papão, em 1966, 1967, 1969, 1971 e 1972. Foi artilheiro do estadual em 1971 e 1972, com 20 gols em cada edição, de acordo com o DOL.
Dois jogos explicam o tamanho dele para a torcida bicolor. O primeiro foi contra a seleção da Romênia, que se preparava para a Copa de 1970: Bené marcou de cabeça o gol da vitória por 1 a 0 na Curuzu. A seleção romena enfrentaria o Brasil na Copa do México, e o Papão tinha derrubado um adversário de Mundial em casa.
O segundo foi a final do Parazão de 1971, contra o Remo. Com o rival a cerca de dez minutos do título, Bené empatou, e o Paysandu venceu na prorrogação. Em 1972, no último ano dele no clube, voltou a marcar contra o Remo e quebrou a invencibilidade de mais de mil minutos do goleiro Dico, embora o Leão tenha vencido aquele jogo por 2 a 1. No clássico, Bené fez 26 gols.
Bené morreu em 4 de agosto de 2024, em São Paulo, e o clube decretou três dias de luto oficial. Uma observação sobre os números: uma matéria antiga do DOL, de 2016, fala em 254 gols, enquanto o próprio DOL e o Diário do Pará, em 2024, trabalham com 249. A gente usa 249, o total mais repetido.
Hélio, o Cabecinha de Ouro
Antes de Bené, o dono do recorde era Hélio Costa. Especialista em jogadas de cabeça, ficou 14 anos no Paysandu, marcou 237 gols e foi o artilheiro do pentacampeonato paraense, com 48 gols, segundo o site oficial do clube. Ele é também o maior goleador do clássico Re-Pa, com 47 gols.
A cena mais lembrada é a goleada de 7 a 0 sobre o Remo, em 22 de julho de 1945, a maior da história do duelo, com dois gols de Hélio. Na nossa opinião, é o placar que melhor resume a mística do Re-Pa: uma goleada de um lado só, que mais de 80 anos depois ainda aparece em toda conversa de torcedor.
Os maiores do Re-Pa
O clássico paraense tem seus próprios artilheiros, e o Papão domina a lista. O levantamento do DOL, publicado em fevereiro de 2025, traz esta ponta:
- Hélio (Paysandu): 47 gols
- Itaguary (Remo e Paysandu): 30 gols
- Quarenta e Cacetão (Paysandu): 28 gols cada
- Bené (Paysandu): 26 gols
Quiba, do Remo, aparece em seguida, com 24.
Quarentinha, de Belém para o Botafogo
O nome engana, porque Quarenta Lebrego e Quarentinha são dois personagens diferentes. Quarenta foi ídolo do Paysandu das décadas de 1920 a 1940 e está em terceiro no ranking. Quarentinha, nascido em Belém, saiu do Papão no início dos anos 1950, passou pelo Vitória e se tornou o maior artilheiro da história do Botafogo, com 313 gols em 442 partidas, segundo o Trivela. Em 2014, ganhou uma estátua na Curuzu quando completou 80 anos. Pelo Paysandu, o levantamento de Ferreira da Costa lhe atribui 86 gols.
Se você é botafoguense e quer ver a outra metade dessa história, vem com a gente: temos a lista completa dos maiores artilheiros do Botafogo.
Ércio, Cabinho, Edil e os anos de Curuzu cheia
Ércio, o motorzinho da Curuzu, nasceu em São Luís (MA), subiu da base em 1954 e estreou no time principal cinco anos depois. Jogou 15 temporadas, fez 104 gols (15 deles no Re-Pa) e foi oito vezes campeão paraense, incluindo dois tricampeonatos, de 1961 a 1963 e de 1965 a 1967. Em 1965, marcou na vitória por 3 a 0 sobre o Peñarol, do Uruguai. Ele morreu em setembro de 2021.
Mais perto de nós, Cabinho e Edil dividem o recorde de gols numa edição do Parazão: 24, em 1987 e em 1994, respectivamente, segundo o DOL. Darío fez 17 gols em 16 jogos oficiais em 1979, e Chico Spina marcou 42 em três temporadas.
A turma de 2003: Vandick e Robgol
Na virada do século, o Paysandu teve uma dupla que a torcida não esquece. Robgol chegou a 91 gols e foi decisivo na campanha da Libertadores. Vandick marcou mais de 30 e teve papel central na Copa dos Campeões. Os dois foram companheiros em 2003.
A história de Vandick tem um detalhe curioso: segundo o DOL, ele foi vaiado pela torcida até começar a marcar. Depois de parar de jogar, presidiu o clube.
E o artilheiro mais recente?
Entre os atacantes das últimas temporadas, o DOL destaca Mário Sérgio, emprestado pelo Mirassol, que fez 22 gols em 2023, o primeiro ano dele no clube, e liderou a artilharia do Parazão. Está longe do clube dos 100, mas mostra que a Curuzu segue formando e recebendo goleadores.
Perguntas frequentes
Quem é o maior artilheiro do Remo, rival do Paysandu?
Segundo o mesmo levantamento de Ferreira da Costa, Dadinho lidera o Remo com 163 gols (1983 a 1986), seguido por Alcino (158) e Quiba (154). Para o Paysandu, os três primeiros passam dos 200 gols.
O Paysandu tem mais torcedores no Pará?
Para a comparação entre as torcidas do estado, veja nossa página sobre a maior torcida do Pará.
Qual o recorde de gols numa edição do Parazão?
São 24 gols, marca de Cabinho (1987) e Edil (1994), de acordo com o DOL.
Onde posso comparar com artilheiros de outros clubes?
Para ver os maiores goleadores do futebol nacional, confira os maiores artilheiros do Brasileirão.
Quiz: você conhece os maiores artilheiros do Paysandu?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Quem é o maior artilheiro da história do Paysandu, com 249 gols?
2. Quem é o maior artilheiro do clássico Re-Pa, com 47 gols?
3. Qual foi o placar da maior goleada do Paysandu sobre o Remo, em 22 de julho de 1945?
4. Que apelido tinha Ércio, oitavo maior artilheiro do Paysandu, com 104 gols?
5. Quarentinha, ídolo do Paysandu com estátua na Curuzu, é o maior artilheiro da história de qual clube carioca?
Seus acertos:
Fontes: O Liberal, DOL (Diário Online).