Entre os clubes paraenses, a maior torcida é a do Remo, segundo todas as pesquisas nacionais e regionais com metodologia divulgada feitas desde 2023 (Datafolha, AtlasIntel e Ipsos-Ipec). Mas a disputa com o Paysandu é apertada, e a única pesquisa estadual completa já publicada, do Instituto GPP em setembro de 2013, mostrou empate técnico: Remo com 14,5% e Paysandu com 14%. No estado como um todo, quem lidera é o Flamengo, com 26,9% naquele levantamento, graças à força no interior.

O problema é a idade do dado: a pesquisa estadual tem 13 anos, e não localizamos nenhuma outra feita só no Pará desde então. Por isso, a seguir, reunimos o que cada levantamento mediu, com instituto, período, amostra e margem de erro, e completamos o retrato com o público nos estádios e os sócios em 2026.

Resumo: as pesquisas de torcida sobre o Pará

Um cuidado antes de comparar: a pesquisa estadual mede a preferência de quem mora no Pará; as nacionais medem a fatia de cada clube entre todos os brasileiros, e os recortes regionais, entre os moradores do Norte. Por isso os percentuais são tão diferentes.

Pesquisa Data e amostra O que mede Remo Paysandu Flamengo
Instituto GPP (blog Teoria dos Jogos) setembro de 2013, 840 entrevistas Estado do Pará 14,5% 14% 26,9%
Instituto GPP (recorte Grande Belém) mesma pesquisa Belém e região metropolitana 30,5% 27,8% 9,6%
Instituto GPP (recorte interior) mesma pesquisa Interior do Pará 8,2% 8,6% 33,9%
Datafolha 31 de julho a 7 de agosto de 2023, 609 entrevistas na região Região Norte 5% 4% 38%
Datafolha 5 a 7 de novembro de 2024, 2.004 entrevistas Recorte regional 4% 2% não divulgado no recorte consultado
Ipsos-Ipec e O Globo 5 a 9 de junho de 2025, 2.000 entrevistas Brasil, torcida ou simpatia 0,5% fora do top 21 21,2%
Datafolha 22 e 23 de julho de 2026, 2.004 entrevistas Brasil 1% não citado 22%

A pesquisa estadual: Instituto GPP, 2013

O retrato mais completo do torcedor paraense foi feito pelo Instituto GPP em parceria com o blog Teoria dos Jogos e publicado em outubro de 2013, inclusive pelo Blog do Gerson Nogueira. Foram 840 entrevistas em setembro daquele ano, com margem de erro de 3,4 pontos percentuais. O ranking estadual ficou assim:

  • Flamengo: 26,9%
  • Remo: 14,5%
  • Paysandu: 14%
  • Corinthians: 9,7%
  • Vasco: 6,3%
  • São Paulo: 4,6%
  • Palmeiras: 3,4%
  • Santos: 1,8%
  • Botafogo: 1,7%

A diferença de meio ponto entre Remo e Paysandu está muito dentro da margem de erro, o que torna impossível apontar um vencedor no estado com base nessa pesquisa. A Tuna Luso, terceira força tradicional de Belém, não recebeu nenhuma citação.

Atenção à data: é uma pesquisa de 2013, feita quando o Remo estava fora até da Série D. Em 2026, o Remo está na Série A. Os números servem como referência histórica, não como retrato atual.

Belém contra interior: dois Parás no futebol

O dado mais revelador do levantamento é o recorte regional. Na região metropolitana de Belém, o Remo tinha 30,5% e o Paysandu, 27,8%, enquanto Flamengo e Corinthians apareciam empatados com 9,6%. No interior, o cenário se invertia: o Flamengo liderava com 33,9%, e a dupla da capital caía para 8,2% (Remo) e 8,6% (Paysandu), números que o blog considerou ainda assim expressivos fora de Belém.

Outro sinal de alerta: o Paysandu chegava a 38,9% entre quem tinha mais de 60 anos, mas a dupla Re-Pa perdia espaço entre os jovens para os clubes do Rio e de São Paulo.

O que dizem as pesquisas regionais e nacionais

As pesquisas nacionais não medem a torcida dentro do Pará, mas são bem mais recentes e mostram o tamanho de Remo e Paysandu no Norte e no país. Desde 2023, todas colocam o Remo à frente.

Datafolha 2023: o recorte do Norte

No recorte da região Norte do Datafolha de 2023, com 609 entrevistas entre 31 de julho e 7 de agosto e margem de 4 pontos na região, o Flamengo teve 38%, seu maior domínio entre as regiões do país. Remo (5%) e Paysandu (4%) foram os únicos clubes nortistas a atingir o piso de 1%, somando 9% da região. Só 16% dos nortistas disseram não ter time, o menor índice entre as cinco regiões.

Datafolha 2024 e 2026

Na pesquisa de 5 a 7 de novembro de 2024, com 2.004 entrevistas em 113 municípios e margem de 2 pontos, o recorte regional voltou a mostrar o Remo à frente, com 4%, contra 2% do Paysandu, segundo o O Liberal e o Blog do Gerson Nogueira. Na edição feita em 22 e 23 de julho de 2026, com 2.004 entrevistas em 139 municípios, o Remo apareceu com 1% no total nacional, empatado com Bahia, Vitória, Botafogo, Athletico-PR e Sport, de acordo com o Portal Viggo. O Paysandu não atingiu o piso de 1%. No recorte que reúne Norte e Centro-Oeste, o Flamengo chegou a 34%.

Ipec 2022 e Ipsos-Ipec 2025

O Ipec é a única pesquisa recente em que o Paysandu ficou na frente. No levantamento para O Globo feito de 1º a 5 de julho de 2022, com 2 mil entrevistas presenciais em 128 municípios e margem de 2 pontos, o Paysandu teve 0,9% no país, contra 0,3% do Remo. A metodologia soma o time do coração e um segundo time de simpatia.

Três anos depois, na pesquisa Ipsos-Ipec de 5 a 9 de junho de 2025, com 2 mil entrevistas em 132 municípios e margem de 2,2 pontos, o Remo teve 0,5% e ficou em 21º no país, o melhor entre os clubes do Norte. O Paysandu não apareceu entre os 21 primeiros.

AtlasIntel 2024

A pesquisa Pulso do Torcedor, da AtlasIntel com o Estadão, feita de 1º a 5 de agosto de 2024 pela internet, com mais de 7 mil entrevistas e margem de 2 pontos, deu 0,7% ao Remo e 0,6% ao Paysandu no total nacional. O Flamengo liderou com 20,1%.

Para comparar com outros estados, veja também a maior torcida do Nordeste, a maior torcida da Bahia e o ranking das maiores torcidas do Brasil.

Nas arquibancadas: público em 2026

Pesquisa mede preferência; estádio mede mobilização. Em 2026, a dupla Re-Pa jogou em divisões diferentes: o Remo voltou à Série A após mais de três décadas, e o Paysandu disputa a Série C.

Indicador (2026) Remo Paysandu
Média de pagantes na temporada (Sr. Goool, até 22 de maio) 15.664 em 16 jogos (13º no país) 12.823 em 16 jogos (17º no país)
Média de pagantes no Campeonato Brasileiro 19.986 na Série A (13º, Ranking CBF, até 22 de agosto) 6.826 na Série C (2º da divisão, Sr. Goool, até 12 de julho)
Maior público do ano 51.567 (46.542 pagantes) contra o Flamengo, em 6 de setembro Final do Parazão contra o Remo, 46.809 torcedores
Média de pagantes em 2025 (Ranking CBF) 19.484 em 19 jogos 13.494
Estádio próprio Baenão (13.792 lugares) Curuzu (16.200 lugares)

O Remo x Flamengo do domingo, 6 de setembro de 2026, pela 26ª rodada, levou 51.567 pessoas ao Mangueirão e gerou renda bruta de R$ 6,2 milhões, o maior público do futebol paraense no ano, segundo o O Liberal. O jogo superou a própria final do Parazão. Com esse jogo, o Remo chegou a cerca de R$ 15,7 milhões em renda líquida como mandante na Série A, a quinta maior da competição, segundo levantamento publicado pelo Diário do Pará em 11 de setembro de 2026. Já o Paysandu, mesmo em campanha difícil na Série C, acumulou R$ 3,35 milhões de renda líquida em 12 jogos como mandante, a segunda maior da divisão, de acordo com levantamento publicado pelo DOL na quinta-feira, 1º de outubro de 2026.

Sócios-torcedores: o ponto fraco da dupla

Se o público é grande, o quadro de sócios é pequeno para o tamanho das torcidas. Em fevereiro de 2026, o ranking de sócios do ge apontava o Remo como o clube da Série A com menos associados adimplentes no programa Fenômeno Azul, segundo o DOL. Em agosto, o site Remo 100% informou que o clube tinha cerca de 4,9 mil sócios ativos.

O Paysandu relançou seu programa em janeiro de 2026, com planos e mensalidades revisados. O último número oficial localizado é de agosto de 2024, quando o Sócio Fiel Bicolor bateu o recorde histórico de mais de 8.950 adimplentes. Não encontramos número atualizado para 2026.

Clube a clube

Remo

Fundado em 5 de fevereiro de 1905, o Clube do Remo tem o apelido de Leão Azul e manda jogos no Baenão e no Mangueirão. Tem 48 títulos paraenses, uma Série C (2005) e uma Copa Verde (2021). Em 2026 disputa a Série A, mas vive a luta contra o rebaixamento: após a 28ª rodada, é o 19º colocado, com 23 pontos, oito atrás do Vasco, primeiro clube fora da zona. Sob o comando do técnico Thiago Carpini, que assumiu em setembro, o time volta a campo depois da pausa da Data Fifa na quarta-feira, 7 de outubro, às 19h30, contra o Grêmio, no Mangueirão, pela 29ª rodada.

Paysandu

Fundado em 2 de fevereiro de 1914, o Paysandu é o maior campeão paraense, com 51 títulos, o mais recente conquistado em 8 de março de 2026, com empate por 0 a 0 com o Remo na final, após vencer o jogo de ida. Também é o único clube do Norte que já disputou a Copa Libertadores, em 2003. Na Série C de 2026, segue vivo no quadrangular de acesso: no sábado, 3 de outubro, venceu a Ferroviária por 1 a 0 na Curuzu, com gol de falta de Caio Mello, e chegou a quatro pontos no Grupo C, segundo O Liberal. Na última rodada, enfrenta o Brusque fora de casa e precisa vencer e acompanhar o resultado de Ferroviária x Inter de Limeira para subir à Série B.

Tuna Luso

Fundada em 1º de janeiro de 1903, a Tuna Luso Brasileira é a terceira força tradicional de Belém, com dez títulos paraenses e o título da Série B de 1985, a primeira conquista nacional de um clube do Norte. Na Série D de 2026, foi eliminada pelo Iguatu, do Ceará, no sábado, 27 de junho: perdeu por 2 a 1 em Belém e empatou por 1 a 1 fora de casa, segundo o DOL. Nenhuma das pesquisas consultadas registrou a Tuna com ao menos 1% da preferência.

Águia de Marabá

Fundado em 22 de janeiro de 1982, o Águia de Marabá é o principal clube do interior paraense e foi campeão estadual pela primeira vez em 2023. Na Série D de 2026, venceu o Parnahyba por 2 a 0 no Estádio Zinho de Oliveira, em 27 de junho, e avançou às oitavas de final, segundo o Roma News. Nas oitavas, foi eliminado pelo ABC, ao perder por 3 a 0 em Natal, em julho, de acordo com o DOL. Assim como a Tuna, não aparece com 1% em nenhuma pesquisa de torcida.

Como montamos este levantamento

Usamos apenas pesquisas com metodologia divulgada (instituto, período, amostra e margem de erro), consultadas em reportagens e blogs que publicaram os dados. A única pesquisa estadual completa localizada, do Instituto GPP, é de 2013; por isso ela responde à pergunta sobre o Pará, mas com a ressalva de que está desatualizada. As pesquisas nacionais e regionais de 2022 a 2026 servem para mostrar a tendência recente. Público, sócios e campanhas aparecem como indicadores complementares, sempre com a data de cada número; a situação dos clubes foi conferida em 5 de outubro de 2026. Rankings de seguidores em redes sociais não foram usados como medida de torcida.

Perguntas frequentes

Qual é a maior torcida do Pará?

Entre os clubes paraenses, o Remo aparece à frente em todas as pesquisas nacionais e regionais desde 2023. Na única pesquisa estadual completa, de 2013, houve empate técnico entre Remo (14,5%) e Paysandu (14%). Considerando todos os clubes, o Flamengo lidera no estado, com 26,9% naquela pesquisa.

Quem tem mais torcida em Belém, Remo ou Paysandu?

O Remo, por pequena margem: 30,5% contra 27,8% na região metropolitana, segundo o Instituto GPP em 2013. A diferença fica perto da margem de erro, e o dado tem 13 anos.

Por que o Flamengo lidera no Pará?

Por causa do interior. Na pesquisa de 2013, o Flamengo tinha 33,9% fora da Grande Belém, contra 8,2% do Remo e 8,6% do Paysandu. No Norte, o Datafolha registrou 38% para o Flamengo em 2023.

Existe pesquisa de torcida recente só sobre o Pará?

Não localizamos nenhuma com metodologia divulgada desde a do Instituto GPP, de setembro de 2013. Os números mais recentes vêm de recortes regionais e do total nacional de pesquisas como Datafolha, AtlasIntel e Ipsos-Ipec.

Qual clube paraense leva mais público ao estádio em 2026?

O Remo, com 19.986 pagantes por jogo na Série A até 22 de agosto, segundo o Ranking CBF. O Paysandu tinha a segunda maior média da Série C, com 6.826 pagantes até julho, segundo o Sr. Goool.

Fontes: Blog do Gerson Nogueira, Teoria dos Jogos, Cassio Zirpoli, O Liberal, Portal Viggo, Hiroshi Bogéa, Roma News, Diário do Pará, DOL, Remo 100%, A Nordeste Z, Ver-o-Fato, Brasil em Folhas, Paysandu, Wikipédia.