O maior artilheiro da história do América Mineiro é Satyro Taboada, centroavante que vestiu a camisa do Coelho de 1922 a 1931 e passou dos 160 gols, uma marca que ninguém chegou perto de ameaçar em quase cem anos. Atrás dele vêm Gunga, o único outro jogador com mais de 100 gols reconhecido de forma unânime, e uma fila de ídolos que inclui Petrônio, Euller e o eterno Jair Bala. Vem com a gente conhecer o top 10 e as histórias por trás dos números.
Os 10 maiores artilheiros do América Mineiro
O ranking abaixo segue a lista publicada pela Goal Brasil em outubro de 2023, conferida com os números do clube e da imprensa mineira quando eles existem.
| Posição | Jogador | Gols | Período |
|---|---|---|---|
| 1º | Satyro Taboada | 165 a 170 | 1922 a 1931 |
| 2º | Gunga | 109 | 1955 a 1961 |
| 3º | Petrônio | 106 | 1948 a 1954 |
| 4º | Harvey | 89 | 1951 a 1953 e 1957 a 1958 |
| 5º | Euller | 79 | três passagens, de 1988 a 2011 |
| 6º | Jair Bala | 78 | 1964 a 1965 e 1970 a 1971 |
| 7º | Palhinha | 77 | 1987 a 1992 e 2000 a 2002 |
| 8º | Ernani Charuto | 76 | 1954 a 1959 |
| 9º | Murilinho | 75 | 1941 a 1951 |
| 10º | Zuca | 73 | fim dos anos 1950 |
Os números do topo não batem: para Satyro, o historiador Carlos Paiva registra 165 gols, o site Futebol 80 fala em 166 e a Goal em 170, enquanto o portal No Ataque, do grupo Diários Associados, afirma que só Satyro e Gunga passaram dos 100 gols pelo clube, o que deixaria Petrônio fora dessa faixa. A ordem do top 6 é sustentada pelo próprio América, que em nota oficial de 2022 chamou Jair Bala de 6º maior artilheiro de todos os tempos do Coelho.
Fora do top 10, mas pertinho dele, está um nome que muito torcedor jovem viu jogar: Fábio Júnior, com 72 gols em 183 jogos, segundo o No Ataque.
Satyro Taboada, o goleador do decacampeonato
Para entender Satyro é preciso voltar ao maior feito da história americana. Entre 1916 e 1925, o América ganhou dez Campeonatos Mineiros seguidos, sequência que nenhum clube de Minas repetiu e que, no Brasil, só encontra paralelo no ABC de Natal entre 1932 e 1941, como lembrou O Tempo no centenário do deca, em 2025. Numa enquete do mesmo jornal naquele ano, os torcedores elegeram o decacampeonato como o maior feito dos então 113 anos do clube, à frente da primeira Libertadores, a de 2022.
Satyro, nascido em Belo Horizonte em 1900, começou a carreira no Sete de Setembro e chegou ao América em 1922, ainda a tempo da reta final do deca. O último título da série, o de 1925, é dos mais curiosos do futebol mineiro: o campeonato durou só 15 dias, o América entrou em campo uma única vez, venceu o Atlético por 4 a 1, e os demais clubes abandonaram a disputa por W.O. A federação mineira só confirmou a taça praticamente cem anos depois, segundo O Tempo.
Os números dele parecem de outro planeta. No Campeonato Mineiro de 1928, Satyro fez nove gols numa goleada de 14 a 0 sobre o Palmeiras de Belo Horizonte. No ano seguinte, marcou sete nos 11 a 1 sobre o Santa Cruz. Raimundo Sampaio, ex-presidente do Sete de Setembro, o definiu como um jogador peitudo, de muita coragem, veloz e inteligente. Até hoje ele é o segundo maior artilheiro da história do Mineiro, com 113 gols, atrás apenas de Tostão (123), conforme o No Ataque.
A vida fora de campo também daria filme: Satyro foi investigador da Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais e, depois de pendurar as chuteiras, virou árbitro nas décadas de 1930 e 1940, daqueles enérgicos que expulsavam por qualquer motivo. Quando morreu, em julho de 1972, foi enterrado no Cemitério do Bonfim com a bandeira do América sobre o caixão, e o Estado de Minas estampou no dia seguinte: “Nosso futebol está de luto. Satyro morreu”.
Gunga, Petrônio e os anos dourados
O segundo da lista, Gunga, marcou 109 gols em 153 jogos entre 1955 e 1961. Segundo a Goal, foi numa excursão do América pela Europa, em 1957, que ele chamou a atenção do Barcelona, que acabou contratando o atacante.
Antes dele, Petrônio já tinha escrito seu nome numa tarde histórica. Em 28 de novembro de 1948, na Alameda, o América de Yustrich bateu o Atlético por 3 a 1 na final do Mineiro, seu primeiro título como clube profissional. Murilinho abriu o placar aos 3 minutos, Petrônio, artilheiro do time, fez o segundo aos 42 do primeiro tempo, e Murilinho fechou a conta depois do gol atleticano, num jogo marcado por uma grande confusão dentro de campo e nas arquibancadas no início do segundo tempo, como relembra o site oficial do clube. Dois artilheiros do top 10 na mesma final: dá para entender por que aquele time é tão lembrado.
Jair Bala, a bala que ficou no corpo
Se Satyro é o maior goleador, Jair Bala é, para muita gente, o maior ídolo. O próprio clube o chamou de ídolo máximo do Coelho na nota em que comunicou sua morte, em 27 de dezembro de 2022. Capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, ele ganhou o apelido ainda nas categorias de base do Flamengo, em 1960, quando foi atingido por um tiro acidental na coxa esquerda. Os médicos deixaram o projétil onde estava, e Jair jogou a carreira inteira com a bala no corpo, contou o Estado de Minas.
No América, foram 78 gols em 144 jogos, em duas passagens (1964 a 1965 e 1970 a 1971), com duas artilharias do Mineiro. O momento eterno veio em 1971: de bicicleta, contra o Uberlândia, no Mineirão, ele garantiu o título estadual conquistado de forma invicta. Antes, no Santos, tinha dividido o ataque com Pelé e foi justamente ele quem entrou no lugar do Rei no jogo contra o Vasco, no Maracanã, em 1969, depois do milésimo gol. Jair dizia ter feito parte do ataque mais poderoso do planeta, ao lado de Dorval, Mengálvio, Pelé e Pepe. Depois de pendurar as chuteiras, ainda dirigiu o América em 232 jogos, o terceiro técnico com mais partidas na história do clube.
Euller e os artilheiros das últimas décadas
Quinto da lista, com 79 gols, Euller é o artilheiro da era moderna mais bem colocado. Foi no América, ainda garoto, que ele ganhou o apelido de Filho do Vento, por causa da velocidade que impressionava a torcida, segundo a Itatiaia. Depois rodou o país, virou ídolo também do rival Atlético, defendeu o Palmeiras e ainda teve outras passagens pelo Coelho nos anos 2000.
Nos anos recentes, o América viveu a fase mais internacional da sua história. Em 2022, disputou a primeira Libertadores e chegou à fase de grupos, campanha que os torcedores colocaram logo atrás do deca na enquete de O Tempo. Em 2023, na Copa Sul-Americana, eliminou o Red Bull Bragantino nas oitavas num jogaço: 3 a 3 em São Paulo, com Mastriani empatando de pênalti, após revisão do VAR, no segundo tempo, e vitória por 4 a 3 nas cobranças, com Matheus Cavichioli de herói, relatou o Lance. A campanha parou nas quartas, diante do Fortaleza.
O uruguaio Gonzalo Mastriani, o Pirata, terminou aquela Sul-Americana com nove gols e o ano de 2023 com 21 gols, artilheiro do time. Ao todo, foram 28 gols em 55 jogos na primeira passagem, ainda longe do top 10. O mesmo 2023, porém, terminou com o rebaixamento da Série A, confirmado em 8 de novembro após derrota de 3 a 0 para o Coritiba em casa, segundo a Itatiaia.
Como está o América em 2026
A temporada é dura para o torcedor americano: o Coelho foi rebaixado matematicamente para a Série C em 7 de outubro de 2026, ao perder por 1 a 0 para o Fortaleza na Arena Independência, pela 32ª rodada da Série B (Itatiaia), e entrou em campo pela 35ª rodada, contra o Cuiabá, em 20/10/2026, como 19º colocado, com 20 pontos (O Tempo).
Quer comparar com os vizinhos? Veja também os maiores artilheiros do Atlético Mineiro, os maiores artilheiros do Cruzeiro e descubra qual é a maior torcida de Minas Gerais.
Quiz: você conhece os artilheiros do Coelho?
Escolha uma alternativa em cada pergunta. A resposta aparece na hora.
1. Quem é o maior artilheiro da história do América Mineiro?
2. Quantos Campeonatos Mineiros seguidos o América venceu entre 1916 e 1925?
3. Em que jogo Jair Bala entrou no lugar de Pelé no Santos?
4. Quantos gols Satyro Taboada marcou na goleada de 14 a 0 sobre o Palmeiras de Belo Horizonte, em 1928?
5. Quem eliminou o América nas quartas de final da Copa Sul-Americana de 2023?
Seu placar:
Fontes: Goal Brasil, No Ataque (Diários Associados), O Tempo, Itatiaia, Estado de Minas, Tribuna de Minas, Lance, América Futebol Clube.