Adriano Leite Ribeiro, o Imperador, nasceu em 1982, no Rio de Janeiro, e por alguns anos foi o centroavante mais temido do planeta, com um chute de fora da área que assustava goleiros italianos e brasileiros. Subiu rápido, caiu mais rápido ainda, e voltou ao Flamengo em 2009 para ganhar um Brasileirão que a torcida não esquece. Esta é a história de como tudo isso aconteceu, sem romantizar o que foi difícil.
Do Flamengo à Inter de Milão
Adriano passou pelas categorias de base do Flamengo, onde jogou como lateral-esquerdo antes de virar atacante no último ano. Estreou no profissional em 2000, poucos dias antes de completar 18 anos. Em agosto de 2001 foi para a Inter de Milão, e a Europa não o recebeu de braços abertos: o clube o emprestou à Fiorentina logo na primeira temporada, onde fez seis gols em 15 jogos. Na seguinte jogou pelo Parma, em uma passagem que cresceu a olhos vistos.
Voltou à Inter na temporada 2004/05, já com o Brasil nas costas. A cena que muita gente cita é a da estreia pelo clube, num amistoso contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu: Materazzi queria bater uma falta de fora da área, Seedorf mandou o brasileiro cobrar, e o chute foi no ângulo. Depois do primeiro ano, a torcida já o chamava de Imperador, em referência ao imperador romano que dá nome ao jogador. O apelido pegou e nunca mais saiu.
Copa América 2004 e Copa das Confederações 2005
Em julho de 2004, no Peru, Adriano foi eleito o melhor jogador da Copa América e artilheiro do torneio. Fez três gols na Costa Rica, empatou contra o Uruguai e, na final contra a Argentina, em Lima, apareceu nos acréscimos para deixar o jogo em 2 a 2. Nos pênaltis, o Brasil venceu por 4 a 2, e ele converteu a sua cobrança. Você sabia que o gol foi marcado já nos acréscimos do segundo tempo? É até hoje a imagem mais lembrada da geração.
No ano seguinte, na Copa das Confederações da Alemanha, o Imperador foi o artilheiro, com cinco gols, e o melhor jogador do torneio. Na final, em Frankfurt, o Brasil goleou a Argentina por 4 a 1, com dois gols dele: um chute forte de fora da área e uma cabeçada, já no segundo tempo. Kaká e Ronaldinho Gaúcho fizeram os outros. Foi o auge, e quem viu sabe que isso não é saudosismo. Para comparar a rivalidade, vale ver os maiores jogos entre Brasil e Argentina, e para revisitar o quarteto daquele tempo, o duelo Ronaldinho Gaúcho x Neymar.
Na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, Adriano compôs o quadrado mágico ao lado de Kaká, Ronaldinho e Ronaldo. Fez dois gols, mas o Brasil caiu para a França nas quartas de final. Ficou fora da lista de Dunga para a Copa de 2010.
A queda e a volta ao Brasil
Nove dias depois da final da Copa América de 2004, Adriano soube da morte do pai, Almir, que sofreu um infarto enquanto ele estava na Itália. O próprio jogador já contou que o futebol nunca mais teve o mesmo sentido e que enfrentou uma depressão. Não há nenhuma graça em transformar isso em lenda: é parte da história e merece ser tratada com respeito.
Em 2008, sob o comando de Mourinho, ele disse que já não jogava com paixão. Foi emprestado ao São Paulo, onde marcou seis gols em dez jogos pela Libertadores e foi expulso depois de uma cabeçada. Voltou à Inter, mas passou longos períodos fora do time. Em 2009, saiu de Milão por rescisão amigável.
Flamengo 2009: o Imperador volta para casa
Em maio de 2009, Adriano reestreou pelo Flamengo e marcou na vitória sobre o Atlético Paranaense. O melhor momento veio contra o Internacional, num 4 a 0 em que fez três gols. Ele decidiu partidas por 1 a 0 sobre Botafogo e Santos e encontrou, com Petkovic, a parceria que levou o time à arrancada. Contou o próprio atacante que, no Flamengo, queria voltar a ser o Adriano, e não só o Imperador.
O título saiu na última rodada, em 6 de dezembro de 2009: Ronaldo Angelim fez o gol da vitória, de cabeça, depois de escanteio batido por Petkovic. Adriano terminou o Brasileirão com 19 gols, empatado na artilharia com Diego Tardelli, do Atlético Mineiro. Minha opinião sincera: esse foi o último grande capítulo dele, e é por isso que o Maracanã o ama tanto.
Roma, Corinthians e o fim dentro de campo
Em 2010, assinou com a Roma, mas se lesionou cedo e fez apenas seis jogos. Em 2011, foi apresentado ao Corinthians em 31 de março, rompeu o tendão de Aquiles do pé esquerdo no treino e só estreou em 9 de outubro. O gol mais lembrado veio em 20 de novembro de 2011: o Corinthians perdia por 1 a 0 do Atlético Mineiro, Adriano entrou aos 22 minutos do segundo tempo e, aos 43, deu um toque por cobertura no goleiro Renan Ribeiro para fazer 2 a 1. Tirou a camisa para mostrar que não estava acima do peso. O Corinthians foi campeão brasileiro naquele ano. O contrato foi rescindido três meses antes do fim, e a passagem ficou menor do que o torcedor esperava. Quem ajudou na chegada do atacante foi Ronaldo, e a comparação entre Ronaldo Fenômeno e Romário mostra o tamanho dessa geração de camisas 9.
Depois vieram o Athletico Paranaense e, em 2016, o Miami United, nos Estados Unidos, seu último clube. Ele deixou o time em 27 de maio daquele ano e nunca mais jogou profissionalmente. Os números finais, segundo o oGol, são 430 jogos e 207 gols.
A despedida no Maracanã
Em 15 de dezembro de 2024, mais de oito anos depois, o Imperador se despediu oficialmente no Maracanã, em um jogo festivo com mais de 22 mil pessoas. Zico, Romário, Ronaldo e Materazzi estavam em campo. Adriano marcou dois gols, um de cabeça pelo time “Amigos da Itália” e um de pênalti de volta à camisa do Flamengo, que venceu por 4 a 3. Aos 30 do segundo tempo, a voz do pai foi recriada por inteligência artificial nos telões, e a mãe, Rosilda, entregou-lhe a camisa rubro-negra. Foi um momento de silêncio e de lágrimas.
Adriano em números
| Etapa | Clube ou seleção | O que marcou |
|---|---|---|
| 2000 | Clube de Regatas do Flamengo | Estreia no profissional |
| 2001 | Fiorentina (empréstimo) | Seis gols em 15 jogos |
| Temporada seguinte | Parma | Passagem de destaque |
| 2004 a 2008 | Inter de Milão | Nasce o apelido Imperador |
| 2004 | Seleção Brasileira | Campeão e artilheiro da Copa América |
| 2005 | Seleção Brasileira | Campeão e artilheiro da Copa das Confederações |
| 2008 | São Paulo Futebol Clube (empréstimo) | Seis gols em dez jogos na Libertadores |
| 2009 | Clube de Regatas do Flamengo | Campeão brasileiro, 19 gols |
| 2011 | Sport Club Corinthians Paulista | Gol da virada contra o Atlético Mineiro |
| 2016 | Miami United | Último clube |
Perguntas frequentes
Por que Adriano é chamado de Imperador?
O apelido nasceu na Inter de Milão, depois do primeiro ano dele no clube, em referência ao imperador romano Adriano.
Adriano voltou a jogar depois de 2016?
Em jogos oficiais, não. O que houve foi o jogo festivo de despedida no Maracanã, em dezembro de 2024.
Em que times Adriano foi campeão brasileiro?
Pelo Flamengo, em 2009, e pelo Corinthians, em 2011, onde entrou em campo nas últimas rodadas.
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1. Quem decidiu que Adriano cobraria a falta na estreia pela Inter, contra o Real Madrid?
2. Qual foi o placar da final da Copa das Confederações de 2005 entre Brasil e Argentina?
3. Quantos dias depois da final da Copa América de 2004 Adriano soube da morte do pai?
4. Com quem Adriano dividiu a artilharia do Brasileirão de 2009?
5. Qual gol marcou a passagem de Adriano pelo Corinthians?
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Fontes: Lance!, Trivela.