Campeão mundial e agora campeão dos Jogos Sul-Americanos, o taekwondista Henrique Marques revelou o capítulo mais duro da carreira: uma arritmia cardíaca que o afastou dos treinos e o tirou da briga por vaga nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023. O relato foi feito ao site Olimpíada Todo Dia logo após o ouro na categoria até 80 kg em Santa Fé 2026, conquistado na quinta-feira (24), em Rosário, na Argentina, e publicado na sexta-feira (25). Aos 22 anos, o atleta de Itaboraí (RJ) mira agora o Pan de Lima 2027.

“Meu coração batia errado 33 mil vezes”

Henrique contou que o problema apareceu no momento em que vivia sua melhor fase até então. “Foi um período muito difícil, porque eu estava numa sequência muito boa de competições, estava virando atleta destaque das competições e era um dos favoritos para ir para os Jogos Pan-Americanos. Só que, pelo fato dessa arritmia cardíaca, eu fiquei fora”, relembrou.

O diagnóstico veio de um exame de Holter, que monitora os batimentos por 24 horas, e obrigou o lutador a parar completamente. “Meu coração batia errado 33 mil vezes. A gente fez um exame durante o processo, um exame de Holter que acompanha meus batimentos cardíacos por 24 horas, e saiu o resultado de que era impossível eu continuar treinando, tanto treinando quanto fazendo qualquer atividade física. Eu não podia fazer nada, só ficar em casa.”

A virada: da liberação médica à vaga em Paris

Depois da recuperação, Henrique foi liberado no início de 2024 e precisou provar em pouco tempo que ainda tinha nível olímpico. “Foi um período muito difícil, mas crendo que isso tudo ia passar e que eu ainda ia conseguir classificar para os Jogos Olímpicos de 2024. No início do ano eu fui liberado, participei de um camping avaliativo e duas competições avaliativas, onde me destaquei nesses três eventos e consegui me classificar para os Jogos Olímpicos de 2024”, contou.

Em Paris, a campanha terminou diante do sul-coreano Seo Geon-woo. “Eu fui eliminado nas oitavas, mas contra um atleta muito bom, um atleta coreano. Foi uma luta muito dura, muito fechada, que por detalhe eu perdi. Mas creio que coisas grandes e maiores virão por aí. Se não foi para ser, foi porque Deus quis e tem coisa muito melhor chegando aí em 2028”, afirmou o brasileiro.

Título mundial inédito e trabalho mental

O salto veio no ciclo seguinte. Em outubro de 2025, no Mundial de Wuxi, na China, Henrique conquistou o ouro na categoria até 80 kg e se tornou o primeiro homem brasileiro campeão mundial de taekwondo. Para ele, parte da evolução está fora do tatame.

“A mentalidade é muito importante na vida de um atleta. Se você tiver um mental bom, você desempenha melhor nas competições. Eu estou fazendo um trabalho muito bom no mental, tenho minha psicóloga, meu coach mental, o Kleber, então venho acompanhando não só a parte corporal, mas a parte mental também, que é muito importante”, explicou.

O ouro em Rosário, quatro anos depois

A final em Santa Fé 2026 foi apertada. Contra o chileno Joaquín Churchill, Henrique perdeu o segundo round e só garantiu o título no round de desempate, com vitória por 2 a 1 (parciais de 10 a 4, 4 a 7 e 6 a 0), segundo o ge. O cenário tinha um peso especial: em 2022, ele havia sido campeão dos Jogos Sul-Americanos da Juventude na mesma cidade.

“Fui campeão aqui em 2022 e ter a oportunidade de vir aqui de novo é muito bom. Revejo o meu caminho até aqui, tudo o que eu superei, tudo o que eu passei e continuei. Assim como fui ouro lá atrás, fui ouro agora e isso mostra que o trabalho está sendo bem feito”, disse ao ge após a luta.

Ano Momento da carreira
2022 Ouro nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, em Rosário
2023 Afastado por arritmia cardíaca, fica fora da disputa por vaga no Pan de Santiago
2024 Liberado no início do ano, garante vaga e disputa os Jogos de Paris
2025 Campeão mundial até 80 kg em Wuxi, primeiro brasileiro no masculino
2026 Ouro nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026 e título até 80 kg no Brazil Open, em Londrina

Próxima etapa: o Pan de Lima 2027

Depois da Argentina, Henrique ainda venceu a categoria até 80 kg do Brazil Open, em Londrina (PR), no domingo (27), em edição que teve Maria Clara Pacheco como principal destaque brasileiro. O objetivo declarado agora é o Pan-Americano de Lima 2027, o torneio que a arritmia lhe tirou no ciclo passado, com Los Angeles 2028 no horizonte.

“Essa confiança vem vindo das competições, porque a gente vem entregando o máximo para chegar no mais alto nível e, graças a Deus, tem dado certo. A confiança só vai aumentando”, completou.

Para entender a estrutura da modalidade no país, leia a história da CBTKD, a confederação brasileira de taekwondo, e conheça os principais golpes do taekwondo e como são feitos. Outras notícias estão na seção de taekwondo do Esportelândia.

Fontes: Olimpíada Todo Dia, ge, Wikipedia.