Para você que quer ser uma Beth Harmon, um Vasily Borgov ou só saber encarar um tabuleiro de vez em quando: não há melhor jeito para começar do que conhecer os principais movimentos do xadrez.
Afinal, é sabendo o básico que se domina o complexo. Fora que a complexidade do xadrez (e o jogo todo, no fim das contas), se dá por infinitas combinações das mais simples ações. (Explicamos isso melhor no nosso artigo “Como jogar xadrez: : como funciona, regras básicas e movimentos”).
Mas o texto a seguir não se limita a explicar os movimentos do xadrez para iniciantes. Reunimos também algumas dicas valiosas para cada peça, e até as jogadas especiais para você brincar mais seriamente no tabuleiro.
Movimentos do xadrez para iniciantes
Abaixo, vamos explicar de maneira clara e sucinta, os principais movimentos do xadrez. Focaremos, portanto, no básico de cada peça — suas ações e capturas — e com uma dica especial no final de cada explicação.
Movimento do peão no xadrez
Comecemos pelo começo, pela peça mais básica, numerosa e, para alguns, a mais importante taticamente no xadrez: o peão.
O peão se movimenta apenas uma casa por vez, para frente e verticalmente. A exceção fica por conta do movimento inicial — isto é, partindo da fileira 2, para as brancas, e a 7 para as pretas — em que o jogador pode optar por avançar o peão em duas casas.
Como o peão se movimenta e captura são lógicas diferentes. Se seu movimento é vertical, sua captura é diagonal, mas sempre restrito a uma casa de distância. Em outras palavras, o peão captura qualquer peça que esteja na intersecção das colunas ao seu lado com a linha à sua frente.
Dicas para o peão
Como falamos, o peão pode parecer simples, mas tem uma importância tática enorme. São eles, por exemplo, que fazem um jogador dominar o centro do tabuleiro e principalmente que protegem o Rei.
Assim, evite sair, pelo menos no começo, com os peões que protegem as diagonais do Rei. A peça que faz a defesa vertical pode ser melhor usada já que, em uma eventualidade, a Rainha e o bispo que o cercam podem ocupar esse espaço.
Outra dica boa é para ficar atento no movimento inicial do peão para não bloqueá-lo. Se você avançá-lo duas casas de uma vez sem pensar, pode acabar sendo “travado” facilmente pelo peão adversário.
Movimento da torre no xadrez
Na gradação das peças do xadrez, a torre é considerada a segunda mais básica. Mas é de suma importância para a defesa. E pode ser letal para seu endgame.
A torre se movimenta livremente (sem limite de casas ou de sentido) dentro das colunas e fileiras. Só não anda diagonalmente. A captura ocorre de maneira simples, isto é, ocupando o espaço da peça adversária.
Dicas para a torre
Pense duas vezes antes de sair com a torre no começo. Elas, afinal, dão uma enorme sustentação à sua defesa. Mais importante, podem ser cruciais na hora de fechar um xeque-mate.
A ideia é fazer a torre dominar uma coluna inteira ofensivamente, enquanto defende um dos lados da fileira do Rei. “Dominar”, no caso, é ter a torre com uma coluna limpa para se movimentar.
Como ela não tem limite de casas para avançar, a ideia é limitar, lá no final, os movimentos do Rei adversário.
Movimento do cavalo no xadrez
Seguindo a “hierarquia das peças” — de baixo para cima, é claro —, temos o cavalo. Ele é quem tem um dos principais movimentos do xadrez, já que é o mais diferenciado, sendo o único do tabuleiro a “pular” peças.
De início, a ação do cavalo parece complexa, mas é bastante simples de entender.
Resumindo, ele anda sempre de três em três casas, com uma alternância obrigatória de eixos depois de andar as duas primeiras: se anda duas verticalmente, tem de fazer outra horizontalmente e vice-versa.
Imagine que o cavalo traça a letra “L” sempre que anda, com a diferença que a perna mais curta pode ir para qualquer lado depois de traçada a perna mais longa. E tudo isso sem limitação de direção, para frente ou para trás.
Apesar da liberdade de movimentos, o cavalo só captura a peça da casa em que ele chega. Mesmo se ele passar por outras duas peças até chegar na sua casa, somente a que ocupava o espaço em que ele “aterrissou” é capturada.
Dicas para o cavalo
Existem duas dicas importantíssimas para o cavalo. Primeiro, procure desenvolvê-los antes dos bispos. A razão está na sua limitação de movimento, somente de três em três casas. O bispo, que não tem limite de casas, pode dominar uma diagonal de sua posição inicial; o cavalo não.
Junto dessa preferência de desenvolvimento do cavalo, procure posicioná-lo sempre mais próximo ao meio, aumento as possibilidade dos seus movimentos. Quanto mais perto das bordas do tabuleiro, menores são as opções do cavalo.
Movimento do bispo no xadrez
Não é à toa que o bispo fica ao lado do Rei na organização inicial do tabuleiro. É considerada a terceira peça mais importante do xadrez.
Isso porque ele se movimenta livremente em número de casas e em sentido dentro de seu eixo vertical. A sua única limitação é a cor da casa em que começa. Sai nas pretas, só pode andar nelas, se sai nas brancas, o contrário, obviamente.
Dentro desse movimento, o bispo captura peças de maneira simples, simplesmente ocupando o espaço de outra peça que esteja dentro de seu alcance (na sua diagonal e na casa da mesma cor que a dele).
Dicas para o Bispo
As dicas para o bispo servem como o contrário das recomendações do cavalo: desenvolva-os com mais cuidado, e depois do cavalo; busque posicioná-los em posições abertas, de preferência com diagonais limpas.
O bispo pode, assim como a torre, dominar um eixo inteiro. Assim, use-o taticamente para conquistar espaços no tabuleiro e começar a construir o seu xeque-mate.
Tente também, se possível, pensar em um dos bispos de maneira defensiva. Seu papel é primordialmente ofensivo, mas as suas possibilidades de movimento facilitam montar uma defesa com menos peças.
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Movimento da rainha no xadrez
Existe um motivo pelo qual muitos jogadores profissionais abandonam partidas após perderem suas rainhas. É uma pela importante demais. Sem ela, é preciso um jogo muito sólido para vencer.
É que a rainha tem um dos principais movimentos do xadrez: ela vai para, bom, qualquer lugar. Simplesmente não há limitações para seus movimentos, contanto que eles sejam dentro de apenas um eixo — vertical, horizontal, diagonal — por vez. Ela pode andar em qualquer sentido e quantas casas o tabuleiro permitir.
A rainha — ou dama, assim chamada para não confundir a descrição dos movimentos no tabuleiro — captura peças com a mesma facilidade com a que anda: andou, ocupou a mesma casa, capturou.
Dicas para a Rainha
Antes de tudo: calma. A potência da rainha pode nos fazer desenvolvê-la precocemente ou de maneira atropelada.
O pior é que, como ela tem a facilidade para sair de situações complicadas, podemos achar que nos safamos, mas no fim podemos perder posições importantíssimas nesse “vai-não-vai” dela.
Uma boa maneira de pensar estrategicamente as ações da rainha é tê-la como uma líder, não como uma heroína. Em outras palavras, só inicie um movimento ofensivo com ela se outras peças puderem ser desenvolvidas no seu plano.
Movimento do rei no xadrez
O rei é uma peça um tanto sem graça de se movimentar, mas fazer o quê: se ele é capturado, o jogo acaba.
O movimento do rei é livre em sentido, direção e eixos, mas é limitado a uma casa por vez. Na sua captura a lógica a mesma. A diferença é que ele não pode capturar uma peça que irá colocá-lo automaticamente em xeque.
Dicas para o Rei
Como a proteção ao rei é uma das premissas básicas do jogo, não vamos de algo muito complexo. Além de proteger as suas diagonais, pense em três palavras: roque, roque e roque.
O roque, que iremos explicar logo abaixo, permite deixar o rei ainda mais protegido, usando inclusive a própria configuração do tabuleiro em seu favor. Se a partida for séria, tente executá-lo o mais rápido possível.
Movimentos especiais do xadrez
Além do básico de cada peça, o xadrez permite ações especiais em algumas situações: o roque, a captura en passant e a promoção do peão. Os três também estão entre os principais movimentos do xadrez.
Movimento roque (rock) no xadrez
O roque (ou rock) é um movimento especial de suma importância para um jogo avançado. Ele permite ao jogador proteger o rei com os próprios limites do tabuleiro, afinal de contas.
O roque pode ser feito quando quando o Rei e uma de suas Torres ainda não tiveram sido movidas. Dentro dessas condições mínimas, o jogador pode, num lance só, mover o Rei e a Torre e ainda trocá-los de posição.
Além da imobilidade prévia do Rei e da Torre, há outras condições necessárias para fazer o Roque:
- Nenhuma peça entre os dois
- O Rei não pode estar em xeque
- O Rei não pode entrar em xeque ao fazer o Roque
Existem dois tipos de roque. O longo, feito com a torre mais distante do rei (ilustrado acima) e o curto, executado com a torre mais próxima (mostrado abaixo).
Captura do peão en passant
A expressão “en passant”, em francês, quer dizer, “de passagem”. É um movimento que parece trivial mas que pode ser crucial para estratégias mais ofensivas .
Protagonizado por dois peões, ele acontece quando um peão já avançando captura o peão adversário que deu seu primeiro movimento, com o avanço optativo.
Como esse avanço duplo inicial do peão é também um movimento especial, nesse caso específico conta-se, para o tocante da captura, como se ele tivesse avançado somente uma casa.
Assim, se o peão já avançado encontrar-se nivelado com o peão adversário que acabou de fazer seu movimento duplo inicial, ele pode capturá-lo na diagonal, passando para a casa ocupada “virtualmente” pelo peão que fez seu avanço duplo.
Promoção do Peão
A promoção de um peão se dá quando ele cruza verticalmente todo o tabuleiro e atinge uma casa da primeira fileira do adversário. Quando esse movimento acontece, o peão é “promovido”, passando a atuar como outra peça da escolha do jogador. As opções:
- Dama
- Bispo
- Cavalo
- Torre
A dica aqui é pensar muito bem antes de escolher a peça. A mais óbvia, claro, é a rainha. Mas é também a opção que mais causa empates por afogamento. As vezes um cavalo pode ser bem mais útil para montar um xeque-mate, especialmente se você já tiver uma rainha.
Aberturas do Xadrez
Tão importante quanto saber os principais movimentos das peças e as ações especiais, é saber combiná-los nos primeiros lances da partida. Quando bem calculados e executados, eles podem formar uma boa abertura.
As aberturas do xadrez são justamente a combinação dos movimentos iniciais de uma partida, de não mais do que três ou quatro lances, que estabelecem a tática de um jogador para o decorrer do jogo.
Existem vários tipos de aberturas, que traçam diferentes estratégias para os mais diversos jogadores. Uma você já deve ter ouvido falar: o Gambito da Rainha. As demais e principais, você pode conferir no conteúdo que produzimos:
Aberturas do Xadrez: os princípios e os principais movimentos
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Matheus Carvalho é um profissional multifacetado com experiência em marketing, comunicação e nas areas esportivas. Atualmente, Matheus é redator no site Esportelândia, cobrindo diversos esportes pelo Brasil e o mundo, seja Futebol, Tênis, Vôlei, Basquete, Fórmula 1, entre outros. Além de ser um apaixonado por esportes, como todo brasileiro.